quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lontra de 1914



Angel Cabrera em 1914, descreveu assim esta espécie:
Cabeça. aplastada; orejas muy chicas, casi ocultas bajo el pelo; la porción desnuda del hocico, que en este género es un carácter de cierto valor taxonómico, no muy grande, comprendida por completo entre las ventanas de la nariz y con el borde superior muy convexo en el centro y cóncavo á los lados. Pies con las plantas desnudas. Pelaje corto, muy compacto, lustroso, ocultando una borra igualmente espesa y corta. Color general pardo Prout ó tierra de sombra, pasando á gris sucio en las partes inferiores, más pálido, casi blanco, en la garganta. La borra es del mismo color del pelo, pero con la parte próxima á la raíz de un color de ante muy claro, casi blanco. Se encuentran algunas ligeras variantes de color, siendo frecuentes los ejemplares en que el pardo tira á canela. Cráneo muy aplastado, con el rostro corto y estrecho y la región postorbitaria más estrecha todavía; apófisis postorbitarias muy poco salientes. Las hembras son siempre un poco más pequeñas que los machos.
La. nutria abunda todavía bastante en muchos de nuestros ríos y lagunas. Vive entre las raíces de los árboles próximos al agua, ó en las cuevas abandonadas por los zorros y tejones. Se alimenta de peces, culebras, ranas, ratas de agua y algunas aves acuáticas.”


video

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Morcegos em casa!

Uma das nossas leitoras assíduas, enviou um e-mail dizendo que tinha encontrado um morcego dentre de sua casa, após ver as fotos verificamos que se tratava de um Tadarida teniotis. Deixo aqui o testemunho da Soraya, como agradecimento ao comportamento que teve perante a presença de morcegos em sua casa.
 Morcego-rabudo (Tadarida teniotis)

 “Comprei há pouco tempo uma casa que esteve desabitada muitos anos e só era usada como casa de férias. Esta situada num quarto andar de um dos prédios mais altos da Charneca da Caparica e tem uma vista privilegiada sobre o mar e a mata. Por cima tem só mais um apartamento que também se encontra desabitado há bastante tempo, uma vez que os donos se encontram no estrangeiro.
Numa das casas de banho encontrei fezes que saiam das grelhas de ventilação e já tinha ouvido ruídos estranhos mas pensava que vinham da casa dos vizinhos. Quando usei o aspirador para limpar parte da porcaria que passava pelas grelhas os parafusos de baixo já velhos e enferrujados caíram ficando assim aberta a passagem.
Um ou dois dias depois ao chegar a casa a noite ouvi um ruído estranho no hall de entrada que não sei se seria o som emitido pelo morcego para se orientar ou o barulho das patas em contacto com a tijoleira. Quando acendi a luz num dos quartos vi uma pequena figura a desaparecer por traz duns sacos. A primeira coisa que me veio a cabeça foi um rato e fechei logo a porta e tapei a falha por baixo para ele não conseguir sair. No dia seguinte já com a ajuda dos meus pais e armados de vassouras e de uma ratoeira fomos a procura do pequeno roedor ate que nos deparamos com um morcego num cantinho do quarto. A surpresa foi total! Não sei quem se terá assustado mais, ele ou nós. Mesmo assim tive a sorte de não me deparar com ele de asas abertas a voar dentro de casa.
Pegamos-lhe com um pano e já dentro de um alguidar demos-lhe fruta que ele não comeu! Não emitiu qualquer som e só se mostrou mais agressivo quando lhe pegamos.
Os meus pais levaram-no e soltaram-no nessa mesma noite numa das varandas da casa e ele desapareceu passado pouco tempo. De vez em quando ainda escuto ruídos estranhos. Será que os sons são mesmo da casa dos vizinhos ou será que o morcego decidiu voltar para a sua casa? Afinal ele estava cá primeiro.” (Soraya Oliveira, 02 Novembro de 2011).
 Vista do habitat envovente ao local onde se abriga o morcego

sábado, 29 de outubro de 2011

Diferenças e semelhanças


 Macho de Alytes cisternasii (Sapo-parteiro-ibérico), transportando ovos

A reprodução do sapo-parteiro-ibérico, dá-se por um amplexo lombar, posição na qual os machos acumulam os ovos entre as suas patas posteriores. O amplexo ocorre em terra, durante uns 30-45 minutos, na qual o macho roça a cloaca da fêmea com os seus pés de forma repetida, acabando assim por provocar a saída dos ovos, então o macho abraça a fêmea pelo pescoço e fecunda os ovos expulsando o seu esperma com violentas sacudidelas, depois de descansar uns 20 minutos envolve as filas de ovos ao redor das suas patas posteriores e solta a fêmea. Este comportamento pode-se repetir várias vezes, acumulando ovos de várias fêmeas. Deste modo o macho está encarregue de cuidar dos ovos e cada noite sai para se alimentar e humedecer os ovos. Ao fim de três semanas as larvas eclodem e nadam no ponto de água que o seu progenitor seleccionou e ao fim de 2-4 meses a metamorfose é completada, contudo em condições adversas a metamorfose por retarda-se por um ou mais anos. Do mesmo modo, a metamorfose por ocorrer prematuramente, isto pode acontecer quando o ponto de água seca rapidamente. Depois da metamorfose deixam os corpos de água e passam a viver em terra. Uma particularidade dos machos que transportam ovos é que nunca submerge mesmo quando são perturbados.

Fêmea de Allocosa fasciiventris (Tarântula-ibérica), transportando crias (Foto: João Gaiola)

Embora a seda produzida por esta espécie não seja utilizada para construir teias, tem um papel importante nos processos reprodutivos. Nos seus fios encontram-se substâncias que actuam como feromonas sexuais, permitindo aos machos seguirem o rasto das fêmeas até a localizarem. Previamente cópula propriamente dita, dá-se um cortejo bastante ritualizado. Após a cópula a fêmea realiza a postura, depositando e envolvendo os ovos em seda branca, resultando numa ooteca (bolsa de seda onde as aranhas depositam os ovos) esférica que irá transportar durante alguns dias pendurado nas patas posteriores. Após a eclosão, as pequenas aranhas abandonam o casulo e trepam para o dorso materno, cobrindo o opistoma de uma forma espectacular, onde permanecem até à segunda muda, a pós a qual se inicia a dispersão e o crescimento independente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Anfíbios e estradas!

A mortalidade de animais nas estradas constitui um dos impactes visíveis e do conhecimento geral. Para as pessoa que como eu, fazem pelo menos 100Km diários de estrada estes acontecimentos são muito frequentes e quase diários, independentemente da maior dos percursos serem os mesmos.

Para o “comum mortal” a mortalidade de carnívoros com estatuto de conservação mais elevado como por exemplo o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) ou o lince-ibérico (Linx pardinus), é uma perda insubstituível, de tal forma que a projecção de vias de comunicação em área de ocorrência desta espécies têm sempre em consideração medidas de minimização e/ou compensação para estas espécies.

O principal problema da aplicação de medidas de minimização de mortalidade de anfíbios em estradas, é a dificuldade que os Estudos de Impacte Ambiental (EIA), têm em identificar os corredores ecológicos (corredores migratórios) deste grupo faunístico, sendo que apenas depois das vias de comunicação estarem em exploração é que são identificados os “pontos negros” (locais onde a via de comunicação cruza o corredor de migração), momento temporal e processual em que é muito difícil aplicar qualquer medida de minimização e/ou compensação.

A Pós-avaliação de projectos de vias de comunicação, seria uma das ferramentas que poderiam minimizar um impacte que não foi possível identificar em processo de AIA.

As primeiras chuvas de Outono são propícias à ocorrência de migrações da grande parte dos Anfíbios.

ESTEJA ATENTO! DIMINUA A VELOCIDADE E EVITE ATROPELAR ESTES ANIMAIS!

 Alytes obstetricans, Lagoa (Macedo de Cavaleiros)

 Bufi bufo, Castro Vicente (Mogadouro)

 Bufo calamita, Brunheda (Carrazeda de Ansiães)

 Hyla arborea, Mogadouro (Modadouro)

 Pelobates cultripes, Duas Igrejas (Miranda do Douro)

 Salamandra salamandra, Cova da Lua (Bragança)

 Triturus marmoratus, Presandães (Alijó)

sábado, 1 de outubro de 2011

Bem agarradinhos!

O aspecto robusto, típico de sapo, com pupila vertical e umas esporas negras nas patas posteriores (que utiliza para escavar), são as características distintivas do Pelobates cultripes (sapo-de-unha-negra). A sua coloração é muito variável, normalemnte com manchas que formam desenhos sinuosos ou bandas irregulares sobre fundo claro. Com um tamanho que pode ir até aos 12 cm e pode viver até aos 15 anos.

De hábitos crepusculares ou nocturnos, é uma espécie muito terrestre, que apenas utiliza as massas de água para se reproduzir que pode ir desde o Outono até à Primavera, dependendo das condições climatéricas locais. Prefere solos brandos (onde se podem enterrar).
Esta espécie ocorre em toda a Península Ibérica e no Sul da França.

 
Outra particularidade desta espécie é que as larvas podem atingir o tamanho dos adultos (12 cm)






sábado, 24 de setembro de 2011

A noite dos barbastellus!

O Outono é uma época particularmente importante para os morcegos, é nesta altura que se inicia o período de cio e respectiva cópula, para tal, diversas espécies dirigem-se para locais específicos: “swarming sites”, onde tentam encontrar parceiro/a para acasalarem.
Além de ser uma época importante para os morcegos, é também uma época muito propícia para a captura de morcegos, já que abundância e diversidade de morcegos nos “swarming sites” são muito elevadas, resultando numa maior taxa de captura e diversidade.
Esta semana a sessão de captura foi curta mas bastante profícua, uma hora e meia e 3 metros de rede, resultaram na captura de 18 individuos (7♂ e 4♀ de Barbastella barbastellus, 2♂ de Miniopterus schreibersii, 1♂ de Myotis blythii, 1♀ de Myotis daubentonii e 3♂ de Myotis escalerai).

Os 11 Barbastella barbastellus, capturados são sem dúvida o dado mais interessante desta sessão de captura, de facto esta espécie de aspecto muito particular, caracterizado pelas suas orelhas triangulares, curtas, largas e quase unidas na sua base é uma espécies classificada como Informação Insuficiente (DD), visto que não existe informação adequada para fazer uma avaliação directa ou indirecta do seu risco de extinção, com base na sua distribuição e/ou estado da sua população. Um taxon incluído nesta categoria pode estar muito bem estudado e a sua biologia ser perfeitamente conhecida, contudo a falta de dados sobre a sua distribuição e/ou abundância não permite que seja incluído, inequivocamente, numa categoria de estatuto de conservação em particular. Classificar um taxon na categoria DD indica que é necessária mais informação e que se reconhece que a investigação futura é um imperativo para a desejável classificação numa categoria mais informativa, podendo ser de ameaça ou não.
A medição do antebraço dos mais de vinte indivíduos já capturados, distribuídos por 9 quadrículas 10X10 km, aponta para uma dimensão média (39,44mm) enquadrada nas medições de referência, verificando-se um antebraço médio ligeiramente superior nas fêmeas (média=39,95mm; Máx. =41,29mm Mim=39,00mm) quando comparados como os machos (média=38,94mm; Máx. =41,79; Mim=36,95), embora estes apresentem dimensões de maiores amplitudes (Max. e Min.).

domingo, 11 de setembro de 2011

Agora é a vez delas!


Aeshan mixta

Durante a Primavera e o Verão dezenas de espécies de Odonatas completam o seu ciclo de imago, atingindo a fase final e primordial da sua vida, a reprodução e a perpetuação dos seus genes. Algumas espécies podem apresentar várias gerações por cada época (bivoltina ou mesmo trivoltina) e terem uma grande período de reprodução. Mas chegando o Outono é a vez delas! O período mais frenético para a Aeshan mixta, começa agora e não antes!
Esta espécie que emerge em charcas e águas remansosas no final do Inverno ou início da Primavera, desloca-se afastando-se destes meios aquáticos, subindo para habitas mais frescos e invadindo zonas florestais de montanha onde procura alimento mais fácil, protecção do rigor do Verão e de predadores e completa o seu ciclo de maturação. Estas movimentações, normalmente são massivas e por vezes de muitos quilómetros. No Outono, depois de vários meses de alimentação e atingida a maturação sexual, voltam para os locais onde emergiram, com a finalidade de copularem e realizar as posturas, altura em que a temperatura já diminuiu.
 Sympetrum striolatum

Estas deslocações, como estratégia para se refugiarem em outros habitats durante uma época ou estação pouco favorável é também utilizado pela Sympetrum striolatum.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Noite Europeia dos Morcegos em Bragança


Foto de Ivone Fachada 

Inserida na XV Noite Europeia dos Morcegos, o Centro de Ciência Viva de Bragança, organizou uma actividade sobre morcegos “Venha conhecer os morcegos”, esta actividade contou com um público diversificado, incluindo famílias inteiras.
O sucesso desta actividade está bem reflectido neste vídeo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Galeirões (Fulica atra) de Rotterdam

No passado mês de Abril, tirei uns dias para descansar onde fui até à Holanda e uma das cidades visitadas foi Rotterdam. Apesar da visita à cidade ser uma visita rápida e turística, fui sempre deitando o olho às aves com que me ia cruzando (pois fazia-me acompanhar de colegas que não ligam a aves e não pude despender muito tempo). As espécies observadas são comuns e de relativa facilidade de observação, contudo, fiquei admirado com a tranquilidade com que vivem no habitat urbano e a simbiose que existe com os habitantes da cidade… O que mais me chamou atenção foram alguns casais de Galeirão, que nidificam nos canais da cidade junto das margens, reunindo todo o tipo de materiais, tais como, ramos de árvore secos, todo o tipo de resíduos sólidos urbanos, plantas de jardim, entre outros, para efectuarem a plataforma e o respectivo ninho. Assim foi fácil fotografar os Galeirões na sua rotina de nidificação, não registando qualquer tipo de alteração de comportamento com a minha presença. Ficam alguns dos registos recolhidos.












sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Serra do Marão, Montesinho e Nogueira

O fim-de-semana passado foi dedicado aos morcegos.
 Grupo de escuteiros

Começou na Quinta-feira com uma acção de sensibilização dirigida a um grupo de escuteiros do Agrupamento de Vila Real, aproveitando a pernoite dos escuteiros junto às minas de Maria Isabel na Serra do Marão, juntei-me a eles e depois do jantar (uma “famosa” baguete da Campeã e uma cerveja) estivemos 3 horas a conversar sobre morcegos, ainda tivemos oportunidade de capturar alguns exemplares de Rhinolophus ferrumequinum e Myotis escalerai, que fizeram as delicias da maior parte dos presentes, que começaram à acção dizendo “Morcegos! Que feios! Aí que nojo!” e acabaram dizendo “Que fofos!”, esta é uma reacção muito comum entre a maioria das pessoas que nunca viram um morcegos de perto.
Na sexta-feira rumei para o Nordeste de Portugal em direcção a Montesinho, mais propriamente ao troço inicial do Rio Sabor, onde pude capturar alguns exemplares de Myotis Daubentonii e Pipistrellus pipistrellus.
 Plecotus auritus -:)

Já no Sábado o local de captura situou-se na vertente Oeste da Serra da Nogueira, num pequeno ponto de água (tanque), situado num lameiro rodeado por carvalhal perto de Refoios freguesia de Zoio, onde conseguimos capturar cinco espécies diferentes, Nyctalus leisleri, Plecotus austriacus, Plecotus auritus, Pipistrellus pygmaeus e Barbastella barbastellus, a curiosidade desta noite de captura foi que foram apanhados cinco indivíduos de cinco espécies diferentes, coisa que nunca me tinha acontecido!
Resumindo, este fim-de-semana foram obtidos dados de distribuição de 9 espécies diferentes.

domingo, 10 de julho de 2011

Pontos de água para morcegos

Tem-se comprovado que a captura de morcegos através de redes é mais eficaz nos pontos de água que servem de bebedouros, quer em termos de número de indivíduos capturados quer na diversidade. O resultado das capturas em diferentes pontos de água permite-nos caracterizá-los, de modo a ter-mos um conjunto de características mais propícias e a ter em conta na hora de criar pontos de água com o objectivo de beneficiar os morcegos. Assim as características gerais são:
  • Medida mínima de 1,5 metros de diâmetro/largura;
  • Medida máxima de 18 metros de diâmetro/largura; 
  • Água limpa, sobre tudo à superfície (desprovido de vegetação flutuante) e preferencialmente não tratada; 
  • Água parada; 
  • Água permanente, mantendo-se pelo menos grande parte do ano; 
  • Proximidade a povoamentos florestais; 
  • Ter mais de dois anos; 
  • Que seja um dos poucos pontos de água na zona; 
  • Que as margens sejam desprovidas de vegetação.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

De pequenino é que se troce o pepino

As Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a Convenção de Bona sobre a Conservação das Espécies Migradoras (CMS) e o Acordo sobre a Conservação dos Morcegos Europeus (EUROBATS), uniram-se para celebrar o ano dos morcegos. Este evento Internacional pretende dar a conhecer a importância da conservação destes mamíferos voadores.
Cada um de nós, conjuntamente ou individualmente, pode contribuir para os objectivos desta celebração, realizando, participando, organizando, divulgando ou sensibilizando para as questões que envolve esta iniciativa. Deixo aqui um pequeno exemplo do meu afilhado de cinco anos, que conseguiu sensibilizar os colegas e professores da sua turma através da elaboração de um poster sobre morcegos.

De facto a sensibilização assume um papel primordial no alerta e consciencialização da população acerca dos graves problemas existentes na natureza e, neste caso particular que afectam os morcegos, constituindo um primeiro passo no processo de educação ambiental, com o objectivo de criar empatia e despertar sensibilidade na preservação e conservação dos quirópteros.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Morcegos e afins

Aproveitando o fim-de-semana mais comprido, fui ter com o João Gaiola ao Sabugal com o objectivo de realizar duas sessões de captura de morcegos.

Um dos pontos de amostragem foi o Rio Côa no seu troço superior onde o tipo de aves rípicolas abunda, como por exemplo do Merlo-de-água (Cinclus cinclus), o crepúsculo é o período do dia em que a actividade de aves e morcegos (em especial espécies do género Pipistrellus) se sobrepõe. Assim é relativamente frequente capturar acidentalmente deste tipo de aves, como por exemplo o Merlo-de-água (Cinclus cinclus), o Guarda-rios (Alcedo atthis) ou Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos). Outra espécie que normalmente é apanhada nas redes de captura de morcegos é o Noitibó (Caprimulgus europaeus) que contrariamente às anteriores espécies, esta tem uma actividade que se sobrepões totalmente com a actividade dos morcegos.
 
Noitibó (Caprimulgus europaeus)

 
 Guarda-rios (Alcedo atthis)

 
 Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos)

 
Merlo-de-água (Cinclus cinclus)

Relativamente aos morcegos os mais de cem metros de redes e as 7 horas de captura (distribuidas por duas sessões de captura) permitiu-nos capturar 23 indivíduos (1♀ de Myotis escalerai, 1♀ de Myotis mystacinus, 5♀ e 2♂ de Myotis daubentonii, 4♀ e 1♂ de Pipistrellus pipistrellus, 2♀ e 3♂ de Pipistrellus pygmaeus, 1♂ de Hypsugo savii, 1♀ prenhe de Plecotus auritus e 1♀ e 1♂ de Plecotus austriacus), distribuídos por oito espécies diferentes, o que representa aproximadamente 1/3 das espécies existentes em Portugal Continental.

 Myotis escalerai

 Myotis mystacinus

Plecotus auritus
 
 Myotis daubentonii com uma infecção nos tragus

terça-feira, 24 de maio de 2011

Escaravelho predador de anfíbios

O Epomis circumscriptus, é um escaravelho presente em Portugal Continental (Zaballos & Jeanne, 1994), este escaravelho de terra do género Epomis, tem um hábito alimentar muito particular, normalmente as larvas alimentam-se exclusivamente de anfíbios, enquanto que os adultos alimentam-se de invertebrados terrestre e vertebrados mortos.
Normalmente os anfíbios são predadores de insectos, contudo o que se passa com esta espécie é totalmente ao contrário. Uma investigação da Universidade de Tel Aviv, descobriu que esta espécie, além de se alimentar de anfíbios mortos, é capaz de os matar, pese embora o seu corpo seja por vezes 10 vezes inferior aos das suas presas.
A sua técnica apurada mata os anfíbios graças a uma mordedura nas costas, fazendo uma incisão e paralisando o sistema nervoso do anfíbio após pouco minutos. Depois, pouco a pouco e durante algumas horas, a presa é devorada começando pela patas anteriores e acabando na cabeça,

domingo, 15 de maio de 2011

O que parecia ser não era

  Callimorpha (Euplagia, Panaxia) quadripunctaria

Andava pelo campo, quando ao longe vi o que me parecia ser uma Callimorpha (Euplagia, Panaxia) quadripunctaria, espécie prioritária do Anexo B-II da Directiva habitat, cuja conservação exige a designação de Zona de Especial Conservação. Disse então para os meus botões,”É desta vez que consigo tirar umas fotos de jeito a esta gaja”.
Azar! Ou mais sorte, pois verifiquei que não se tratava da “gaja”, mas sim de uma Atlantarctia tigrina, borboleta nocturna que nunca tinha observado e fotografado!
 Atlantarctia tigrina

A Atlantarctia tigrina, tem uma envergadura de 41-51 mm. E pode ser confundida com a Arctia caja, duas das principais diferenças entre estas espécies são a banda alaranjada na bordadura das asas inferiores e a ponta do abdómen preto, presente na Atlantarctia tigrina, e ausente na Arctia caja.
 Atlantarctia tigrina

Atlantarctia tigrina

 O seu período de voo é normalmente entre Abril e Junho.

sábado, 30 de abril de 2011

Hyla arborea Vs Hyla meridionalis

Ontem enquanto passava por uma zona húmida, ouvi o coaxar de uma rela-comum, como não via nenhuma já algum tempo, parei e despendi 5 minutos a tentar descobrir onde se encontrava, e lá estava ela no meio dos juncos.

A família Hylidae está representada na Península Ibérica por duas espécies do género Hyla, a rela-comum (Hyla arborea) e rela-meridional (Hyla meridionalis). São duas espécies morfologicamente muito idênticas e têm um comportamento muito semelhante. Face às suas preferências de habitat semelhante, estas duas espécies apresentam uma grande zona de simpatria.

Hyla arborea é uma rã de aspecto frágil, facilmente identificável pela banda negra lateral que percorre todo o corpo desde as narinas à região inguinal.

 Foto de Hyla arborea, promenor da banda escura.
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea, pormenor do reduzido tamanho que esta espécie pode ter.

Hyla meridionalis assemelha-se à congénere Hyla arborea, mas geralmente são mais robustas e a sua banda lateral escura chega apenas à região axilar.

Foto de Hyla meridionalis, pormenor da banda escura

 Foto de Hyla meridionalis 
 
 Foto de Hyla meridionalis 
 Foto de Hyla meridionalis 
Uma das características sociais mais importantes nos anuros, é a sua comunicação acústica, contudo, este é um dos comportamentos mais exigente em termos energéticos para estes animais.
As vocalizações deste género começam geralmente logo ao pôr-do-sol e podem prolongar-se por várias horas organizados em grandes coros.
Os machos vocalizam usualmente dentro da água, ficando meio submersos, ou posicionando-se em plantas aquáticas (principalmente a Hyla arborea). As fêmeas são atraídas pelas vocalizações, dirigindo-se até um determinado macho, que seleccionada através do tipo de chamamento.
Ao contrário das Hylas arborea, que podemos observar vários machos juntos a emitir vocalizações, os machos de Hyla meridionalis mostram um comportamento territorial durante o chamamento, normalmente mantêm a distância de um metro entre si.