segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Borboleta-caveira (Acherontia atropos)


Quando passamos a noite no monte, a probabilidade de ver ou ouvir seres que são mais conspícuos é maior, ocasionalmente, surgem algumas surpresas, foi o caso desta borboleta-caveira, que ficou presa nas redes que estavam montadas para a captura de morcegos.
A borboleta-caveira (Acherontia atropos) apresenta a parte superior das asas anteriores castanhas escuras como salpicos de cinzentos e um ponto branco de cada lado, as faces inferiores são amarelas como duas linhas negras. O abdómen é amarelo e de tons azulados, segmentado por linhas negras, contudo a característica distintiva mais evidente desta enorme borboleta noturna (que pode atingir os 15 cm de envergadura) é a figura de uma caveira que ostenta no seu abdómen.
Esta é uma espécie migratória que pode percorrer varias centenas de km ou mesmo alguns milhares desde do norte de Africa até ao continente Europeu. Podendo ser observada a grandes altitudes (registo máximo é de 3100 m de altitude).

domingo, 12 de agosto de 2018

Apontamentos fugazes: beber ou não beber



Os morcegos, da mesma foram que emitem zumbidos de alimentação (feeding buzz) ou zumbidos de pouso (landing buzz) para caçarem ou pousarem, para beberem também emitem zumbidos (drinking buzz), embora estruturalmente diferentes podem ser frequentemente confundidos, sendo que estes últimos não apresentam a fase II típica dos feeding buzz.

Outra curiosidade dos drinking buzz é que é possível verificar se o morcego bebeu ou se apenas foi uma tentativa, o que normalmente ocorre algumas vezes antes de beberem efetivamente.

drinking buzz de Pipistrellus pipistrellus com contato como a água (o morcego bebeu)

drinking buzz de Pipistrellus kuhlii sem contato com a água (o morcego não bebeu)

sábado, 30 de junho de 2018

Diálogo entre mãe & cria


Estudos realizados durante 3 anos entre o fim junho e meados de agosto, que coincide como os primeiros voos dos juvenis e dispersão das colónias de maternidade, onde são observados “voos em tandem” entre mãe e filho(a), revelaram que existem chamamentos sociais típicos e distintivos dos juvenis em particular no género Pipistrellus, que são constituídos por apenas um pulso.
Este tipo de pulsos são inicialmente de frequência modulada (FM), tomando depois uma forma de frequência quase-constante (QCF), para depois tomar uma modulação ascendente e em alguns casos (não neste da imagem) é finalizada como uma parte de frequência constante (CF).

Mãe e cria de Pipistrellus pygameus em "voo tandem" socializando

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Apontamentos fugazes: morcego-rabudo (Tadaria teniotis)


O morcego-rabudo (Tadaria teniotis) é uma espécie de distribuição Paleártica, comum em toda a área mediterrânica, em particular em Portugal, Espanha, toda a franga do sul da Europa até aos Balcãs, Turquia, Israel, Palestina e Jordânia. No norte da África, a sua presença é confirmada em Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito. Em Portugal, em áreas de habitat adequado é uma espécie relativamente comum. As suas colónias são muito variáveis, podendo ser de poucos indivíduos até algumas centenas. É uma espécie eminentemente sedentária mas de grande mobilidade circadiana, que se alimenta em espaços abertos, a várias dezenas ou mesmo centenas de metros acima do solo, sobre espaços temperados e/ou semi-áridos, assim como zonas húmida (e.g. por cima de grandes massa de água), onde caça espécies á deriva ou levadas por massa de ar, em particular lepidópteros.
Poderão saber mais detalhes sobre esta espécie AQUI

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Armadilhas de harpa


As armadilhas de harpa são dispositivos usados para capturar morcegos, ao contrário das redes de capturas não é necessidade de desenredar os morcegos. De uma forma resumida, o seu funcionamento é interromper o voo dos morcegos e força-los a cair sem que haja lesões para o animal.


Assim os morcegos voam em direcção à armadilha e este reconhece as linhas de nylon com cerca de 2,5 cm de distância entre si. Com a agilidade que é reconhecida nos morcegos, estes voam perpendicularmente ao solo entre as linhas, contudo um segundo conjunto de linhas distanciado cerca de 15 cm da primeira, faz com que seja inevitável embatem nelas e deslizam por estas até à bolsa de acondicionamento. Como esta bolsa de acondicionamento é feita de polietileno espesso e escorregadio, os morcegos não conseguem subir, contudo esta bolsa tem uma tela de serapilheira acondicionado com polietileno onde os morcegos se mantêm pendurado e acomodados.


Embora visualmente podem parecer dispositivos que possam ser colocadas em espaços abertos, as armadilhas de harpa apenas são efectivas quando colocadas em locais de afunilamento e confinados (saídas de abrigos, túneis de vegetação, locais de passagens estreitas, etc…).



Provavelmente as duas maiores vantagens deste tipo de armadilhas são: 1) a possibilidade de serem deixados por longos períodos de tempos sem que seja necessária a sua verificação (já que tem uma bolsa de acomodamento de morcegos); 2) capturar um número elevada de morcegos. Esta ultima vantagem, é de facto uma das premissas quando se quer capturar morcegos onde prevemos um elevado fluxo de animais, visto que a utilização de redes pode por em causa os animais.


As armadilhas de harpa comerciais têm vários modelos, que variam basicamente na sua dimensão (1m2 a 5m2) e no número de painéis de filamento (2, 3 ou 4), sendo que também se podem construir manualmente, neste caso o modelo fica ao critério de quem as construir e do seu objectivo.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Hibernação dos morcegos

A principal razão pelo qual os morcegos hibernam é fundamentalmente para minimizar o gasto energético. Pelo que acumulam gordura durante o verão e outono de modo a podem passar o inverno, quando o alimento escasseia ou é mesmo indisponível.
Os maiores perigos ou custos da hibernação é a exposição a predadores e algumas restrições fisiológicas, nomeadamente a diminuição da resposta imunológica e da síntese proteica. O torpor de inverno não é contínuo, os morcegos podem minimizar esses custos fisiológicos, diminuindo os períodos contínuos de hibernação, contudo a taxa de esgotamento das reservas de energia (gordura) é determinada pela taxa metabólica que depende da temperatura corporal e do torpor, assim, a interrupção da hibernação dos morcegos faz parte de um equilíbrio energético entre custos e benefícios, que têm que ser muito bem ponderado!
A interrupção do torpor, e consequentemente os padrões de atividade de inverno dos morcegos estão diretamente ligados às condições meteorológicas prevalecentes, em particular as temperaturas, que influenciam fortemente os padrões circadianos e o estado de torpor, que normalmente coincidem com uma maior disponibilidade de insetos voadores.

 Myotis myotis

 Rhinolophus ferrumequinum

 Myotis myotis 

 Rhinolophus hipposideros

 Rhinolophus euryale

 Myotis escalerai

 Pipistrellus pipistrellus

 Pipistrellus pipistrellus


 Myotis escalerai


 Miniopterus schreibersii

 Rhinolophus euryale

 Rhinolophus ferrumequinum



                                                              Rhinolophus ferrumequinum

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Atividade de morcegos no Inverno

Foi recentemente publicado um artigo sobre actividade de quirópteros no Inverno, intitulado “Winter activity of bats in Mediterranean peri-urban deciduous forests”, do qual deixo aqui o resumo



Resumo:
“Embora os quirópteros da família dos Vespertilionidae hibernem durante o inverno para minimizar o gasto de energia nos meses mais frios, nas regiões temperadas as interrupções no torpor podem ser bastante frequentes. O objetivo do nosso estudo, foi realizar uma caracterização preliminar dos padrões de atividade de quirópteros durante o Inverno em florestas de folhosas periurbanas mediterrâneas do Norte de Portugal. A atividade de quirópteros foi registada entre Novembro e Fevereiro e a deteção de pulsos de navegação de morcegos foi regularmente detectada nas noites mais quentes, com temperaturas acima de 4,6 ° C, nos meses de novembro (89,9%), dezembro (3,7%) e fevereiro (6.4%) e sem atividade detectada em janeiro. As espécies mais registradas foram Pipistrellus pygmaeus, P. pipistrellus e P. kuhlii.A atividade de socialização concentrou-se principalmente em novembro (96,8%), raramente em fevereiro (3,2%) e ausente em dezembro e janeiro. Em relação ao melhor modelo, obtido pelo método do Modelo Múltiplo de Inferência (MMI) para explicar a variação das passagens de morcego, os principais fatores que influenciaram positivamente foram o período noturno da monitorização e a temperatura, com influência negativa, a precipitação registrada nas 48 horas antecedentes à monitorização revelou ser significativa. Relativamente à actividade de socialização, as variáveis que demostraram ter influências positivas significativa foram: a humidade, temperatura e velocidade do vento e com influência negativa, a precipitação registrada nas 48 horas antecedentes à monitorização. Os resultados deste estudo aportam uma base preliminar promissora para os estudos de atividade de quirópteros na época de hibernação, demonstrando que as condições meteorológicas atuais e as que prevaleceram nas últimas 48 horas podem desempenhar um papel importante na interrupção de torpor dos quirópteros.Com a finalidade de melhorar a conservação deste grupo faunístico, deverão ser desenvolvidos esforços na investigação acústica de inverno para uma compreensão completa dos padrões de atividade de morcegos, com objectivo de enfrentam os potenciais impactos das alterações climáticas globais que se espera que ocorram na região do Mediterrânica.”


Quem estiver mais interessado pode descarregar e ler o artigo completo AQUI

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Campanha "Discover the mammals of Europe"



Você sabia que o conhecimento de 33% dos mamíferos na Europa é deficiente e os estudos até agora realizados são insuficiente para perceber o seu estado de conservação? Na verdade, em alguns dos casos nem sequer sabemos se já estão extintas ou não.


Muito se tem feito para melhorar o seu estado de conservação, contudo não é suficiente e pode ser feito ainda mais. Por isso, a campanha "Discover the mammals of Europe" convida todos os que queira participara para uma sinergia de esforços.

O objetivo principal desta campanha é criar uma Rede Europeia de Mamalogistas que trabalhe para uma melhorar a conservação de mamíferos na Europa. Deste modo qualquer pessoa (em nome individual) ou organização (em nome colectivo) pode juntar-se e participar nesta campanha.
Como pretende esta campanha atingir esse objetivo?
1. Convidar e envolver as pessoas e/ou organizações que trabalham na investigação e/ou conservação de mamíferos;
2. Facilitar o fortalecimento da comunidade de investigação e/ou conservação de mamíferos;
3. Melhorar a consciencialização dos políticos (de conservação) e o público em geral sobre os mamíferos europeus e as medidas necessárias para melhorar as suas opções sobrevivência.

Você quer fazer parte desse movimento pan-europeu de conservação de mamíferos? Deseja compartilhar seus conhecimentos, problemas, sucessos e resultados com a comunidade de mamíferos na Europa?
Se sim, poderá fazê-lo da seguinte maneira:
  • Divulgando o logotipo da campanha que pode descarregar AQUI, e o site da própria campanha www.discovermammals.org
  • Preencher este formulário e deixar que outras pessoas na Europa possam saber sobre o que está a trabalhar;
  • Sugerir com ideia válidas para desenvolver mais esta campanha;
  • Assinar a newslette da campanha;
  • Fazer gosto na página de Facebook da campanha, ou partilhe informações e/ou notícias no Facebook group;
  • Apoie monetariamente a campanha com uma doação.

sábado, 25 de novembro de 2017

Entrevista sem filtro: Barbastella barbastellus

Em poucas palavras como é que se descreveria?
Onde é que mora?


Qual sua comida favorita?

Como é sua vida familiar?

Você está ameaçado ou ameaçado por alguma coisa?

Qual é a melhor coisa mais interessante sobre você?

domingo, 22 de outubro de 2017

Tempo de lavar os sacos

O bom tempo está acabar e a atividade dos morcegos está a diminuir cada vez mais e mais rapidamente, até entrarem em hibernação. Em modo de encerramento da época de capturas, faremos uma curtíssima resenha sobre os trabalhos de capturas realizados este ano.


Assim, foram amostradas 13 quadrículas UTM 10X10 (4 das quais novas quadrículas amostradas), distribuídas por 8 concelhos, desde Bragança a Castanheira de Pêra que permitiram capturar 17 espécies:
Rhinolophus euryale
Rhinolophus hipposideros
Myotis bechsteinii
Myotis blythii
Myotis emarginatus
Myotis escalerai
Myotis myotis
Myotis mystacinus
Pipistrellus kuhlii
Pipistrellus pipistrellus
Pipistrellus pygmaeus
Hypsugo savii
Nyctalus leisleri
Eptesicus serotinus
Barbastella barbastellus
Plecotus auritus
Plecotus austriacus


 Pipistrellus kuhlii

 Nyctalus leisleri

 Barbastella barbastellus

 Nyctalus leisleri

 Myotis mystacinus

 Myotis daubentonii

 Barbastella barbastellus

Miniopterus schreibersii

domingo, 1 de outubro de 2017

Porque é que os morcegos dormem de cabeça para baixo?


Quando se fala sobre morcegos como os mais pequenotes, uma das perguntas mais frequente é: Porque é que os morcegos dormem de cabeça para baixo?



De facto, para os humanos dormir de cabeça para baixo é incompreensível. Então qual é a principal razão pela qual estas criaturas optaram por passar o dia dormindo de cabeça para baixo e passarem todo o inverno nesta postura? A principal razão é para diminuir a possibilidade de predação, esta posição é uma estratégia evolutiva que permite escolher locais altos ou pouco acessíveis onde os predadores terrestres não são capazes de aceder. Esta postura tem outras vantagens para evitar predação, entre as quais, poderem entrar em voo muito rapidamente, visto que estando em locais altos, apenas têm que se deixar cair para entrarem em voo.



Outra pergunta que a pequenada faz é: eles não se cansam de estarem pendurados de cabeça para baixo?




Contrariamente à grande maioria dos animais, incluindo os seres humanos, que temos que fazer força para fechar as extremidades dos nosso membros, os tendões dos morcegos sofreram adaptações de tal maneira que a postura de estarem pendurados não requer qualquer gasto de energia ou força, já que o seu próprio peso faz como que a exterminada dos dedos dos pés fechem por intermédio de um tendão adaptado para o efeito. Deste nodo, a postura de pendurado de cabeça para baixo não requer qualquer contração muscular e esta adaptação é tão eficaz, que muitas vezes são encontrados morcegos mortos nesta posição.