domingo, 8 de junho de 2014

Myotis daubentonii (morcego-de-água)



Embora seja uma das espécies de quirópteros mais abundante e ubíquas do nosso território Continental, a especialização que o Myotis daubentonii tem em relação à sua alimentação e habitat associado, limita-o espacialmente a cursos e massas de água, sendo que o seu próprio nome comum (morcego-de-água) é bem elucidativo quanto a esta questão.

 Aspeto geral de um Myotis daubentonii

Em 1977 a partir de algumas características encontradas em alguns Myotis daubentonii, foi descrita outra espécie, o Myotis nathalinae. Contudo posteriormente, através de análises morfológicas, bioquímicas e genéticas, verificou-se que estas diferenças careciam de valor taxonómico, pelo que foi considerada apenas uma espécie (Myotis daubentonii) com duas subespécies M. d. daubentonii e M. d. nathalinae, ambas presentes no nosso território.

O morcego-de-água é uma espécie de tamanho pequeno, com coloração dorsal arruivada ou cinzento-escuro (em função da subespécie) e ventral branco sujo. Com orelhas curtas e trago pontiagudo que bem caracteriza o género Myotis. O plagiopatágio insere-se na tíbia ou na base do pé, deixando totalmente livre os membro posteriores.

Promenor da inserção do plagiopatágiona pata

Emite sons de ecolocalização em frequência modulada, com uma frequência inicial entre os 70 e 100 kHz e final entre 25 e 35 kHz, sendo que uma característica desta espécie é emitirem em modulação de amplitude (quando voa sobre água), o qual permite facilmente identificar esta espécie através dos seus registos acústicos.

Chamamento social e modulação de amplitude típico de Myotis daubentonii (registo acústico realizado por Luis Braz)

Em estreita ligação com os cursos e massa de água, caça (isoladamente ou em grupo) habitualmente nestes locais ou próximos dos mesmos, alimentando-se principalmente de dípteros, tricópteros, lepidópteros, coleópteros, efemerópteros e neurópteros. Pode ocupar uma grande diversidade de abrigos, tando na época de hibernação como na estival, nomeadamente buracos de árvores, fendas em diversos tipos de construções ou rochas, sótãos, túneis ou cavidades.

Hibernação de um Myotis daubentonii macho 

A maioria dos acasalamentos dos Myotis daubentonii, ocorre em outubro (VEJA AQUI), a ovulação é realizada após o período de hibernação (durante a primavera) e têm as crias (normalmente a penas uma) durante os meses de junho e julho. A longevidade máxima conhecida nesta espécie é de 28 anos!

As colónias de criação são constituídas por pequenos grupos de fêmeas, que normalmente varia entre 10 e 20, podendo contudo formar pontualmente colónias maiores (na ordem da centena), é uma espécie que tem um segregação sexual bem marcada, os machos na época de criação também forma pequenos grupos que podem rondam a vintena de indivíduos. 



 
Colónia de criação e crias de Myotis daubentonii

Durante a hibernação, esta espécie tanto hiberna isoladamente como em colónia que podem atingir as duas dezenas de indivíduos. Embora seja uma espécie sedentária, pode realizar pequenas migrações que podem ir até aos 250km

 Radioseguimento de Myotis daubentonii

3 comentários:

Xabier Prieto Espiñeira disse...

Mira ti qué cousas passam. Espera a próxima entrada do meu blogue (tivem que consultar com o Manu, mas semelha que vai ter o mesmo "protagonista")
E contesta os comentários que che fam, caralho!!

Paulo Barros disse...

Hola Xabi,
Pues será la especie del mes! ^_^
Que comentario no comenté, lo normal es contestarlos todos, me escapó alguno????
Esperaré atentamente por tu entrada.
Apertas!

Xabier Prieto Espiñeira disse...

Algum comentário escapou-se, si.
E já publiquei a entrada (aproveitei para meter um enlace a "Um dia de campo")
Umha aperta

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