sábado, 30 de abril de 2011

Hyla arborea Vs Hyla meridionalis

Ontem enquanto passava por uma zona húmida, ouvi o coaxar de uma rela-comum, como não via nenhuma já algum tempo, parei e despendi 5 minutos a tentar descobrir onde se encontrava, e lá estava ela no meio dos juncos.

A família Hylidae está representada na Península Ibérica por duas espécies do género Hyla, a rela-comum (Hyla arborea) e rela-meridional (Hyla meridionalis). São duas espécies morfologicamente muito idênticas e têm um comportamento muito semelhante. Face às suas preferências de habitat semelhante, estas duas espécies apresentam uma grande zona de simpatria.

Hyla arborea é uma rã de aspecto frágil, facilmente identificável pela banda negra lateral que percorre todo o corpo desde as narinas à região inguinal.

 Foto de Hyla arborea, promenor da banda escura.
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea, pormenor do reduzido tamanho que esta espécie pode ter.

Hyla meridionalis assemelha-se à congénere Hyla arborea, mas geralmente são mais robustas e a sua banda lateral escura chega apenas à região axilar.

Foto de Hyla meridionalis, pormenor da banda escura

 Foto de Hyla meridionalis 
 
 Foto de Hyla meridionalis 
 Foto de Hyla meridionalis 
Uma das características sociais mais importantes nos anuros, é a sua comunicação acústica, contudo, este é um dos comportamentos mais exigente em termos energéticos para estes animais.
As vocalizações deste género começam geralmente logo ao pôr-do-sol e podem prolongar-se por várias horas organizados em grandes coros.
Os machos vocalizam usualmente dentro da água, ficando meio submersos, ou posicionando-se em plantas aquáticas (principalmente a Hyla arborea). As fêmeas são atraídas pelas vocalizações, dirigindo-se até um determinado macho, que seleccionada através do tipo de chamamento.
Ao contrário das Hylas arborea, que podemos observar vários machos juntos a emitir vocalizações, os machos de Hyla meridionalis mostram um comportamento territorial durante o chamamento, normalmente mantêm a distância de um metro entre si.

sábado, 23 de abril de 2011

Genetta genetta


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 A Genetta genetta é um mesopredador carnívoro sigiloso e ágil que permanece grande parte do seu tempo em cavidades de árvores ou empoleirado nelas, de preferência em zonas elevadas. Deste modo, os indícios da sua presença podem ser menos frequentes do que outros carnívoros cuja movimentação é realizada de forma exclusiva pelo solo, como por exemplo texugos, sacarrabos e raposas.
Taxonomia:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Viverridae
Género: Genetta
Espécie: Genetta genetta
Nome comum: Gineta
Identificação: Tem o tamanho de um gato doméstico, de corpo alongado e esbelto, com patas curtas e cauda espessa e longa, tão comprida quanto o corpo. A pelagem é de cor cinzento com manchas escuras que tendem a ter uma orientação longitudinal. No centro do dorso essa manchas formam uma linha continua que vai desde a base da cauda até ao inicio do pescoço. A cauda é composta por oito a dez anéis escuros. O seu focinho é pontiagudo, de cor branca com duas manchas escuras de cada lado. Apresenta orelhas grandes, os membros (posteriores e anteriores) têm cinco dedos providos de unhas semiretractáveis. As fêmeas possuem dois pares de mamas abdominais, os machos tendem a ser maiores e mais pesados que a s fêmeas, contudo as diferenças entre indivíduos adultos não são significativas. Em média as medições biométricas desta espécie são as seguintes: comprimento do corpo 43 a 55 cm; cauda 33 a 48 cm; patas 8 a 9 cm; peso 1,55-2,25 kg. 
 Distribuição: Distribui-se pela Espanha, Portugal e metade Sudoeste da França. Na Península Ibérica a sua abundância parece decrescer de Sudoeste para Nordeste.
Habitat: É considerada uma espécie florestal muito associada zona de afloramentos rochosos e ribeirinhas, contudo comporta-se de um modo generalista na selecção do seu habitat. A disponibilidade alimentar e a presença de refúgios parecem ser dois factores que condicionam a selecção do seu habitat. As zonas temperadas de baixa altitude tendem a ser preferidas por esta espécie.
Reprodução: A época do cio inicia-se em Janeiro e acaba em Setembro, com uma actividade sexual máxima em Fevereiro e Março e um segundo pico em Maio. A gestação dura entre 10 e 11 semanas e os partos ocorrem entre Março e Novembro. O número de crias varia entre uma e quatro, contudo o normal é nascerem duas ou três crias altricais. A maturação sexual das Ginetas é atingida aos dois anos de idade.
Alimentação: É um carnívoro que consome principalmente roedores, contudo a sua dieta é caracterizada pela flexibilidade e oportunismo. Caçam e comem aves selvagens e domésticas, mamíferos (até ao tamanho de uma lebre), repteis, anfíbios, insectos, caracóis, peixes, fruta, erva e ovos e praticamente nunca tem comportamento necrófago.
Ecologia: O home-range desta espécie em média é de 7,8 km2, tanto o dos machos como os das fêmeas. As Ginetas reconhecem-se individualmente e socialmente através de marcação olfactiva. A marcação é fundamental para a marcação de territórios, evitando assim conflitos entre indivíduos do mesmo sexo. As latrinas também têm uma função comunicativa, visto que os dejectos estão impregnados por um odor produzido nos sacos anais, permitindo o reconhecimento individual e mantendo unida a estrutura familiar. Normalmente não existe a partilha de território por parte de indivíduos do mesmo sexo.
 Curiosidades: Embora quase todas as referências sobre a espécie diga que a Gineta foi introduzida na Europa pelo ser Humano, como animal doméstico utilizado para o controlo das populações de roedores, as evidências não são assim tão conclusivas. A Gineta foi caçada ilegalmente por ser considerada uma espécie nociva e pelo valor económico da sua pele. A predação de animais domésticos (principalmente galinhas) é o maior conflito que esta espécie tem como o Homem, por vezes a Gineta é morta por atropelamento junto a núcleos populacionais Rurais.

Predadores: Esta espécie tem poucos predadores, podendo entrar na dieta alimentar do Lince-ibérico (Lynx pardinus), do Bufo-real (Bubo bubo) e da Águia-real (Aquila chrysaetos).
Estatuto de conservação: De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), a Gineta (Genetta genetta) está classificado como “Pouco preocupante”.

sábado, 2 de abril de 2011

O mundo das Borboletas

Os invertebrados são um dos grupos que menos atenção tem recebido no campo da conservação. Entre estes, os insectos, provavelmente sejam os que mais importância têm no funcionamento dos ecossistemas, e a ordem mais numerosa a nível mundial é a dos Lepidópteros, com cerca de 165 mil espécies conhecidas até ao momento.

As borboletas, com os demais seres vivos, tem sofrido transformações por processos de especialização definidos pelos diferentes ecossistemas, as espécies com as quais coabitam e a maneira de se defenderem dos predadores, sendo esta ultima, a razão principal das alterações evolutivas. Os meios de defesa das borboletas são passivos, em que a sua defesa não é realizada por meio de ataques mas sim por meio de sinais, características morfológicas e de comportamento que repulsam ou enganam os seus predadores. O mimetismo é um método de defesa no qual um indivíduo de uma espécie se assemelha a outra ou outras, difere da camuflagem, o qual ocorre quando uma espécie se assemelha a algo (objecto) não apetecível pelo predador. Estes fenómenos apenas ocorrem na natureza quando uma espécie tem o tempo suficiente para se adaptar a uma região e às espécies que nela coabitam.

Existem diversos tipos de mimetismo: mimetismo mülleriano, mimetismo batesiano e complexos miméticos, de seguida são resumidos alguns aspectos importantes sobre os mecanismos de defesa das borboletas baseados na sua coloração.
Coloração críptica: as borboletas com este tipo de coloração, adoptam um aspecto do fundo da envolvência do seu habitat, que não interessa aos predadores para procurar alimento. Entre estas borboletas são comuns as cores pardas, amareladas, cinzas ou esverdeadas.
Coloração aposemática: é um sinal de advertência para os predadores, pois as borboletas que as possuem são geralmente de sabores desagradáveis ou tóxicos. As cores que predominam nas espécies com este tipo de coloração são o preto, vermelho e amarelo. O objectivo desta coloração é fazer com que os predadores relacionem a cor com o mau sabor, adquirida pela experiência desagradável, evitando assim comer espécies com o mesmo padrão de coloração.
Mimestismo: O mimetismo ocorre quando uma espécie possui uma coloração similar a outra com a finalidade de advertir ou enganar os predadores, dependendo disto, o mimetismo pode ser mimetismo batesiano ou mimetismo mülleriano.
Mimetismo batesiano: Foi descoberto por Henry W. Ba-tes en 1862 na floresta do Brazil. Consiste em borboletas terem a capacidade de imitarem quase na perfeição espécie de borboletas não comestíveis. As espécies imitadoras são denominadas de cópias e as imitadas são denominadas de modelos. Neste tipo de mimetismo as cópias obtêm vantagens da experiência desagradável que os predadores tiveram com as espécies modelo, contudo a espécie modelo tem desvantagem pela presença de cópias, visto que estas aumentam a probabilidade de um predador comer uma cópia e que a associação entre aposematismo e impalatabilidade seja destruída.
Mimetismo mülleriano: Foi denominado pela primeira vez pela Alemã Fritz Müller em 1881, quando descobriu que diferentes espécies com colorações aposemáticas e não comestíveis que vivem numa determinada região, se copiam reciprocamente de modo a que o seu aspecto exterior convirja a um número reduzido de padrões e cores.

Ficam aqui alguns registos fotográficos deste grupo que tenho feito pelo Norte de Portugal.

Argynnis Pandora
 

Argynnis paphia

Brintesia circe

Cerula iberica

Chondrostega vandalicia

Colias croceus

Euphydryas aurinia

Euplagia quadripunctaria

Eurranthis plummistaria

Glaucopsyche alexis

Gonepteryx rhamni
 

Hipparchia statilinus

Inachis io

Iphiclides feisthamelii

Issoria lathonia

Limenitis camilla

Maniola jurtina

Melanargia lachesis

Melanargia russiae

Melitaea deione

Nymphalis polychloros

Orgyia antiqua

Pieris napi

Polygonia c-album

Polyommatus icarus

Pontia daplidice

Psilogaster loti

Pyronia bathseba

Pyronia Cecília

Pyronia tithonus

Sartyrium esculi

Saturna pavonia

Scoliopteryx libatrix

Vanessa cardui