domingo, 18 de abril de 2010

Talpa occidentalis

Taxonomia:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Subfilo: Vertebrata

Classe: Mammalia

Ordem: Insectivora

Família: Talpidae

Género: Talpa

Espécie: Talpa occidentalis

Nome comum: Toupeira


As recordações mais antigas que tenho desta espécie, são do tempo que passei a percorrer os canais de rega à procura dos teus túneis (uma verdadeira dor de cabeça para quem regava, pois, os túneis desta espécie são capazes de desviar toda a água de um rego-da-pé) em quanto o meu pai regava o milho e as batatas, e as armadilhas que o meu avô colocava na horta para apanhar este bicharoco.

Mais recentemente, este ano, enquanto regressava de mais um dia de campo, tropecei numa toupeira que estava algo tonta no meio da estrada, lá encostei o carro para tirar o bicho da estrada e coloca-lo em local mais seguro, coisa que não consegui fazer sem levar uma valente dentada… coisas do ofício….

Identificação: As toupeiras são os únicos mamíferos europeus com vida tipicamente hipógea, à qual se adaptaram de uma forma muito eficaz, podendo passar debaixo da terra longos períodos, sem necessidade de ter que sair à superfície, que normalmente apenas o fazem em três tipos de situações: para beber no tempo de estio, durante a dispersão dos juvenis e na época de reprodução para a procura de parceiro(a).

A família das toupeiras distribui-se pela Europa e Norte da América, com 3 sub-famílias, 12 géneros e 31 espécie, das quais duas ocorrem na Península Ibérica: a Talpa europaeus (Linnaeus, 1758) e a Talpa occientalis (Cabrera, 1907), sendo que apenas a última tem distribuição no nosso território.

De corpo cilíndrico e compacto, esta espécie está dotada de umas patas posteriores poderosas, com uma orientação para o exterior de modo a facilitar a sua actividade escavadora. A sua pelagem é muito densa, geralmente de cor negra, contudo, por vezes também podem apresentar tonalidades prateadas, avermelhadas ou mesmo violeta.

O tacto é o sentido mais desenvolvido da toupeira, particularmente na ponta do seu focinho, no qual se encontram uns pêlos sensoriais chamados de vibrissas, que movem constantemente para detectar as suas presas. Muito embora o olfacto e o ouvido também sejam funcionais nesta espécie, este sentidos, não estão muito desenvolvidos, enquanto que a visão é um sentido que por não o utilizar, está atrofiado.

Espécies similares: Em Portugal não existem espécies similares ou que possam ser confundidas com estas.

Distribuição: Esta espécie é um endemismo ibérico, e é comum no nosso país, apresenta uma distribuição amplia de Norte a Sul de Portugal.

Habitat: Esta é uma espécie bastante ubíqua, podendo ser encontradas em qual tipo de habitat desde que o solo seja idóneo para a sua actividade escavadora.

Biologia: A sua actividade escavadora não cessa e as galerias que conduzem à cavidade onde se encontra o ninho, vai sendo cada vez maior. As galerias têm uma dimensão média de 5cm de largura e 4cm de altura, podendo somar mais de 150 metros de comprimento, contudo o comprimento médio das galerias é de 40-50 metros. A toupeira não é um animal social, quando se cruza ocasionalmente com um congénere, são disputadas ferozes lutas, durante a época do cio, estas, podem originam muitas vezes na morte de um dos envolvidos.

Reprodução: O macho da toupeira está activo antes da fêmea, o que ocorre normalmente entre Dezembro e Janeiro, a cópula acontece geralmente em Fevereiro e Março. Após uma gestão de 4 a 6 semanas, nascem 3 -5 crias nuas que pesam apenas 3,5 gramas. Os partos ocorrem numa cavidade no subsolo onde se encontra o ninho que é de forma quase esférica, podendo no máximo alcançar os 150cm de largura e os 50cm de altura, com paredes muito lisas, o ninho é composto por folhas, raízes e erva seca, onde coloca no seu interior as suas crias. Estas, são amamentadas durante 28 ou 35 dias, após este período começam a alimentar-se sozinhas.

Alimentação: A sua alimentação é baseada sobretudo em minhocas, que podem constituir 90 a 100% da sua dieta no Inverno, percentagem que baixa para 50% no Verão, esta espécie complementa o seu regime alimentar com pequenos repteis e roedores, ao qual adiciona raízes, tubérculos assim com alguns frutos

Longevidade: Atingem a maturidade sexual entre os 6 e 12 meses, e podem atingir os 5 anos de idade, contudo o normal é não superarem os 3 anos de vida.

Curiosidades: A toupeira tem um metabolismo muito elevado, o que o obriga a consumir elevadas quantidades de alimento, por dia é capaz de comer o equivalente a 50 ou 100% do seu peso (imaginem ter que comer diariamente pelo menos metade do vosso peso!!!!). Esta espécie, se estiver mais de 24 horas sem comer morre, alguns autores referem que as fatalidades podem ocorrer a partir das 10 ou 12 horas sem se alimentar.

Ameaças: Devido à sua actividade hipógea, raramente são incluídos na dieta de outros animais, contudo podem ser consumidos por texugos, raposas e rapinas nocturnas. O homem é considerado o principal inimigo natural e histórico, que vê nesta espécie, um indesejável visitante dos seus campos.

Estatuto de conservação:

De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), a toupeira é um Endemismo Ibérico e está classificado como “Pouco preocupante”.

5 comentários:

Marco Fachada disse...

Boa nota. Também eu percorri muitos regos a tapar os buracos das "ratas", de modo a que as batatas, o milho, as cabaças, etc, não perdessem a água nesses labirintos.

Curiosamente, na semana passada disseram-me que o Trovisco é um bom repelente natural das toupeiras nas áreas cultivadas; pesquisei na Internet e de facto há várias plantas (também o Ricinum spp.) que podem desempenhar este papel. Será melhor do que esperar por elas para lhe dar com o "olho" do sacho na cabeça!

Paulo Barros disse...

Olá Marco,

A quem espalhe sal velho das salgadeira, mas sinceramente não sei se resulta ou não.

Rambaldini disse...

Parabéns pelo Blog...

Não me parece nada bem dar com o "olho" do sacho no que quer que seja!!!

Luís Braz disse...

Infelizmente, a recordação mais antiga que tenho, associada a este animal, são as armadilhas artesanais que o meu padrinho colocava nos campos de milho e batata...

Anónimo disse...

uma senhora muito antiga contou-me que a toupeira que era a mole, fazia parte das malformações dos bebes... eu ate me passei... e aconteceu com ela, gerar um bicho desses dentro dela... :s

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