sábado, 17 de novembro de 2012

Bufo bufo (sapo-comum)




 Atualmente encontram-se descritas cerca de 4680 espécies de anfíbios no mundo e os Anuros constituem a ordem mais numerosa dos anfíbios, com cerca de 4100 espécies descritas de rãs, relas e sapos. De uma forma geral apresentam um corpo reduzido sem cauda, as patas posteriores são maiores que as anteriores, encontrando-se adaptadas ao salto e durante o estado larvar possuem uma cauda bastante conspícua e um corpo volumoso. Uma das espécies mais comuns de Anuro no nosso território continental é o Bufo bufo (sapo-comum) que ocupa praticamente todo o tipo de biótopos, podendo ser observado até aos 1870 m de altitude na Serra da Estrela, desde zonas húmidas a secas, abertas a arborizadas, em meios naturais ou cultivados assim como nas imediações de zonas urbanas. Esta espécie apresenta uma distribuição contínua de Norte a Sul do país.
 Uma das características distintivas do sapo-comum (Bufo bufo) é a orientação da pupila que é horizontal e a coloração avermelhada da íris.
 É sem margens para dúvidas o maior Anuro da nossa fauna. Embora seja uma espécie caracterizada de hábitos crepusculares ou noturnos, podem ser observados com alguma frequência exemplares ativos durante o dia, caminhando de forma lenta ou dando pequenos saltos, especialmente com tempo húmido e em zonas mais sombrias, tais como bosques frondosos, entrada de minas e linhas de água encaixadas. Durante o dia refugiam-se em lugares escuros e húmidos, como debaixo de grandes pedras e troncos, fendas, tocas de pequenos roedores, reentrâncias de rochas ou afloramentos rochosos, minas e grutas. São animais com hábitos terrestres cuja ligação à água está limitada ao período reprodutor e desenvolvimento larvar. Durante a época reprodutiva e aproveitando as águas das chuvas primaveris, os machos (que são muito mais pequenos que as fêmeas) são os primeiros a chegar aos pontos de água. 
 As fêmeas (muito maiores que os machos) com os ovários enormes e repletos (podendo conter 7000 ovos) chegam depois, optando pelos machos de maior tamanho, selecionados através dos seus cantos de acasalamento. Durante a fecundação o macho abraça a fêmea pelas costas (amplexo), depois a fêmea deposita entre 2000 a 7000 ovos e o macho lança o esperma que os fecundará (fecundação externa). Os ovos dispõem-se em cordões gelatinosos com 2 a 4 filas alternadas que podem atinguir vários metros de comprimento.
 A eclosão dos ovos dá-se entre 5 a 15 dias após a postura e a fase larvar dura entre 2 e 4 meses, um dos períodos larvares mais curtos de entre os anuros da nosso fauna. Assim é frequente observar larvas desta espécie em pontos de água temporários ou simplesmente em locais de retenção de água como, poças de água que se formam pelos rodados dos veículos, como mostra a foto seguinte.
 Uma das maiores ameaças desta espécie é sem dúvida a sua morte por atropelamento, principalmente na época de reprodução, altura em que os indivíduos necessitam de se deslocar (podendo percorrer até 5 Km) até zonas com água. Entre os seus inimigos naturais incluem-se as cobras de água, víboras e várias aves de rapina (milhafres, tartaranhões, águias, mochos e corujas) e as lontras.

1 comentário:

Ana Gonçalves disse...

Ontem vi vários, felizmente nenhum atropelado!

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