domingo, 16 de julho de 2017
terça-feira, 13 de junho de 2017
Mães & crias
Myotis myotis fêmea com cria recém nascida debaixo do patágio
O fator que mais influencia o ciclo reprodutivo dos morcegos são as condições meteorológicas, diretamente essências para o desenvolvimento mais rápido das crias e na disponibilidade de presas durantes a gestação, de modo a garantir um desenvolvimento adequado do embrião. Para tal, os morcegos nas zonas temperadas dão à luz durante o período de final de Primavera e Verão.
Duas fêmeas de Rhinolophus ferrumequinum com uma cria cada
3 crias de Rhinolophus ferrumequinum
As fêmeas de morcego desenvolveram uma característica fisiológica, de modo a sincronizar o desenvolvimento embrionário e das crias com a maior disponibilidade de alimento. Embora as cópulas sejam realizadas no final do Verão início de Outono, elas têm a capacidade de atrasar a fertilização, armazenado o esperma ou atrasando a implantação do ovo no útero.
Colónia mista de criação de Myotis emarginatus e Rhinolophus ferrumequinum e hipposideros
Normalmente as crias de morcegos nascem relativamente indefesas, contudo o seu tamanho é relativamente grande, quando comparados com outros mamíferos, já que podem nascer como 1/5 a 1/3 do tamanho das mães. Os primeiros dias de vida das crias são passados agarrados à mãe, e ao contrário dos humanos e da maioria dos outros mamíferos, nascem já com dentes.
Fêmea e cria de Rhinolophus hipposideros
As crias de morcegos têm um desenvolvimento muito rápido e ao fim dois meses estão totalmente emancipados.
Pequena colónia de criação de Rhinolophus hipposideros
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Moscas, para que vos queremos?
É certo que as moscas não são o
grupo de animais que mais interesse desperta à generalidade das pessoas, principalmente agora que as temperaturas começam a subir. No
entanto, este grupo de insetos assume, em muitos casos, um papel extremamente
importante no equilíbrio e funcionamento dos ecossistemas.
É importante perceber que o grupo
artificial a que chamamos moscas, é, na realidade, constituído por espécies que
nem sempre são verdadeiramente moscas. As verdadeiras moscas são insetos da
ordem Díptera (com dois pares de asas) e da família Muscidae que se identificam
pelas suas antenas de três segmentos sendo o segmento apical plumoso. Este
grupo é extremamente diverso estando descritas cerca de 4000 espécies e mais de
100 géneros.
Embora sejam mais conhecidas por
serem “chatas” e pelas doenças que podem transmitir aos humanos, do ponto de
vista ecológico este grupo de insetos desempenha alguns serviços essenciais nos
nossos ecossistemas.
Por exemplo, as moscas são, a par
das abelhas, um dos principais insetos polinizadores sendo assim responsáveis
pela frutificação de inúmeras espécies de plantas selvagens ou agrícolas.
Quando as suas larvas se
alimentam de, por exemplo, carne em decomposição, embora não seja muito
agradável, estão a contribuir decisivamente para correto funcionamento do ciclo
de nutrientes.
Também do ponto de vista
científico, este grupo tem sido importante quer seja enquanto modelo
experimental (por exemplo o género Drosophila utilizado em tantos estudos
genéticos) ou enquanto ferramenta de determinação da data de morte, que tantas
vemos em séries de investigação criminal.
De uma perspetiva um pouco
diferente também podemos pensar na importância deste grupo enquanto alimento de
outras espécies como peixes (ex. truta), mamíferos (ex. morcegos) répteis ou diversas espécies de aves.
sábado, 6 de maio de 2017
Um fungo, duas realidades
Myotis blythii infetado com Pseudogymnoascus destructans
Atualmente uma
das maiores ameaças para a biodiversidade faunística é a emergência de doenças
e infeções, que na maioria das vezes são causados por distúrbios antropogénicos
que contribuem substancialmente para esses surtos de doenças e infeções. Grande
parte dos agentes patogénicos da fauna selvagem, são de origem bacteriológica
ou viral, embora poucas espécies de fungos causam doenças graves em mamíferos
devido à sua elevada temperatura corporal e ao seu sistema imunitário eficaz, atualmente
as infeções fúngicas têm tido uma atenção especial.
Myotis blythii infetado com Pseudogymnoascus destructans
No que respeita
aos quirópteros, o fungo Pseudogymnoascus destructans (antes designado
de Geomyces destructans) é o agente causador da síndrome do nariz branco
(WNS - sigla do Inglês White-Nose Syndrome). Considerada uma epidemia de grandes
proporções e encarada atualmente como uma das maior ameaça para os morcegos da
América do Norte, o WNS é responsável por um declínio sem precedentes nas
populações de morcegos. Este fungo, combina algumas das piores características
epidemiológicas possíveis, incluindo ser um agente patogénico altamente
virulento, ter um reservatório ambiental natural, ser persistente de longo
prazo em abrigos de hibernação e poder ter múltiplos hospedeiros (indivíduos e
espécies).
Myotis blythii infetado com Pseudogymnoascus destructans
A maioria dos
morcegos em regiões temperadas entram em hibernação sazonal, tempo em que
reduzem sua taxa metabólica e diminuem a temperatura corporal até se aproximar
da temperatura ambiente do abrigo de hibernação, o que pode alterar a resposta
imunológica a agentes patogénicos, deste modo durante a hibernação, os morcegos
estão vulneráveis à infeção pelo fungo Pseudogymnoascus
destructans, que emergiu como um novo agente patogénico no leste da América
do Norte em 2006, onde até à já matou mais de 7 milhões de morcegos! Os estudos
realizados na Europa têm demonstrado um elevado grau de endemicidade deste
fungo nos morcegos europeus, os dados sugerem uma tolerância por parte dos
morcegos a este fungo, entrando numa interação equilibrada entre hospedeiro e
agente patogénico e por isso não causando mortalidades significativas. Contudo,
qualquer alteração em qualquer um das variáveis deste equilíbrio pode
desencadear uma mudança drástica neste complexo sistema hospedeiro e agente
patogénico. Embora a origem do WNS na América do Norte permanece desconhecida,
esta discrepância na virulência (mortalidade) entre os dois continentes, têm
apontado para uma introdução (humano e acidental) do continente europeu para o
continente Norte Americano.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Escaravelho rinoceronte (Oryctes nasicornis)
Oryctes nasicornis macho adulto
O Escaravelho rinoceronte (Oryctes nasicornis), conjuntamente com a vaca-loura (Lucanus cervus) são os dois escaravelhos maiores da Europa.
Apesar do seu tamanho (podendo atingir até 6-8 cm) e de aspeto feroz é um inseto absolutamente inofensivo, o corno que faz lembrar os dos rinocerontes e dá o mote ao seu nome comum é apenas presente nos machos.
Oryctes nasicornis macho adulto
sábado, 25 de março de 2017
Tempo de mudar de casa
Rede e dinâmica de uma colónia de Miniopterus schreibersii
Contrariamente às aves que fazem migrações de longa distância, as migrações dos morcegos são mais curtas e na sua maioria de âmbito regional, restringindo-se essencialmente a migrações entre os abrigos de hibernação, que oferecem condições propícias para hibernar (temperatura humidade) e os de criação, que por norma são mais ricos em recursos tróficos. Assim a localização dos abrigos não é definida pela sua localização (norte ou sul)., mas sim, pelas condições internas e a sua envolvente, deste modo podemos observar rotas de migração de várias direções.Um dos casos de migração regional mais bem estudados é o Miniopterus schreibersii, uma espécie tipicamente cavernícola e de voo rápido (50-60Km/h), a migração mais longa registada na Europa é de 550 Km e de 240 Km para Portugal. Esta espécie, no final do Inverno e início da Primavera, começa a realizar as suas migrações para os abrigos temporários e/ou satélites (também designados de abrigos equinociais) onde passam um curto tempo (2-15 dias), e de onde empreenderão viagem para os abrigos de criação. Estes abrigos satélites são abrigos, onde os recursos tróficos abundam e tem como principal objetivos, a recuperação da condição corporal perdida durante o período de hibernação e a segregação sexual da colónia, que nesta espécie é mais ou menos marcada espacial e temporalmente.
Colonia de Miniopterus schreibersii em hibernação
Os machos deixam
os abrigos tendencialmente de mais tarde dos que as fêmeas. Alguns autores
descrevem esta conduta como um comportamento adaptativo, tendo como objetivo
reduzir a competição interespecífica pelos recursos alimentares na primavera,
quando as necessidades energéticas são maiores para as fêmeas que se encontram
prenhes, outros autores defendem que este comportamento se deve à necessidade
das fêmeas em se deslocarem para abrigos mais quentes de modo a iniciarem o
desenvolvimento embrionário mais rapidamente.
Macho de Miniopterus schreibersii anilhado
sábado, 11 de março de 2017
Rola-bosta (Scarabaeus laticollis)
Os
rola-bosta (Scarabaeus laticollis),
são escaravelhos coleópteros que salimentam as suas larvas com excrementos. Após
construir um túnel subterrâneo, estes engenhosos escaravelhos começam a formar
uma bola de excremento, para tal, com a ajuda das patas traseiras e de marcha
atrás vai rolando uma pequena quantidade de excremento e com a ajuda das patas
dianteiras aplanadas e dentadas vai aumentando e dando-lhe forma perfeitamente
circular. Esta forma circular tem apenas o propósito de facilitar o seu
transporte até o seu túnel, após estarem dentro do túnel previamente feito,
várias bolas de excremento são amassadas conjuntamente e então são formadas
outras massas de excrementos, de forma ovoide, por forma a dificultar o seus
transporte e roubo por outros rola-bosta.
Após
a construção destas massas ovoides de excremento dentro dos tuneis, a fêmea
introduz os seus ovos dentro destas massas de excrementos. A fermentação do
excremento faz com que o interior destas massas aquecem alguns graus centígrados
e mantenha as condições ótimas para a eclosões das larvar e proporcione
alimento para a primeira fase da sua vida. Após terminarem como a
disponibilidade alimentar dentro das massas de excrementos, as larvas sairão do
seu interior e construirão os seus próprios túneis e alimentar-se-ão de raízes
de modo a completarem a sua metamorfose. Quando emergirem á superfície já o
farão como adultos e iniciar-se-á outro ciclo reprodutivo.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
sábado, 28 de janeiro de 2017
domingo, 1 de janeiro de 2017
Aquele que voa perto de casa mas volta tarde
A última “Publication Series”
da EUROBATS é sobre os nomes comuns dos morcegos europeus nas várias línguas.
Também é feita uma resenha sobre a etimologia dos nomes científicos dos
morcegos e de facto algumas são bastantes curiosos.
Um dos mais curiosos é o Eptesicus
serotinus, etimologicamente a palavra Eptecisus
tem origem numa latinização das palavras gregas epten = voar e oikos =
casa, o seu conjunto significa aquele que voa perto de casa. Já a
palavra serotinus deriva do latim serus = tardio, que significa que volta
tarde. Assim, conjuntamente o nome Eptesicus
serotinus, significa aquele que voa perto de casa e volta tarde. De
facto o Morcego-hortelão-escuro é uma espécie que se associa muito a zonas
hortícolas (junto a zonas urbanas) onde abundam os insetos.
Eptesicus serotinus (morcego-hortelão-escuro)
No caso do Nyctalus lasiopterus,
a palavra Nyctalus deriva do latim nyctalopia latinizado a partir do grego nuktalops: nukt = noite, aloas =
cego, que significa o cego da noite. Já lasiopterus, deriva do grego lasios
= lã, e pteron = pena, que significa pelo nas asas. Assim, conjuntamente o
nome Nyctalus lasiopterus, significa o cego da noite com pelo nas asas.
Embora etimologicamente a característica da presença de pelos no interior da
asas tenha dado origem a esta espécie, esta características é identificativa
para as espécie deste género que ocorrem em Portugal.
Nyctalus leisleri (morcego-arboricola-pequeno)
No caso do Plecotus auritus, a
palavra Plecotus deriva do grego plekto = enrolado, e otus = orelha, que significa orelhas
enroladas e a palavra auritus que
em latim significa com longas orelhas. Assim, conjuntamente o nome Plecotus auritus orelhas longas e
enrolas. De facto as espécies do género dos Plecotus têm como característica enrolar/recolher as grandes e
sensíveis orelhas para trás e colocá-las debaixo das membranas alares, deixando
apenas visíveis os tragus.
Plecotus auritus (morcego-orelhudo-castanho)
A palavra Rhinolophus, deriva da
palavra grega rhis = nariz e lophos = ornamento, que significa nariz
com ornamento. A palavra ferrumequinum,
deriva do latino ferrum = ferro e equinus = do cavalo, significando ferradura. No caso da palavra hipposideros deriva do grego hipopótamos = cavalo e sideros = ferro, que significa ferradura.
Deste modo tanto o Rhinolophus ferrumequinum
como Rhinolophus hipposideros, significam
nariz com ornamento em forma de ferradura, mas no caso do primeiro tem
origem no latim e o segundo no grego. A forma de ferradura que todo este género
apresenta na face é de facto a sua principal característica identificativa.
Rhinolophus ferrumequinum (morcego-de-ferradura-grande)
No caso do Myotis emarginatus,
a palavra Myotis, deriva do grego mus = rato e ous/otos = orelha, que significa orelhas de rato e a palavra
emarginatus, deriva do latim emargino = com uma parte da margem
removida. Assim conjuntamente o nome Myotis
emarginatus, significa orelhas de rato com a parte da margem removida.
Dentro do género dos Myotis a
identificação das espécies requerem uma minuciosa observação de pormenores e de
facto a emarginação que o Myotis
emarginatus apresenta é uma delas.
Myotis emarginatus (morcego-lanudo)
No caso do Tadarida teniotis a palavra
Tadarida tem origem do dialeto
siciliano que significa morcego em
quanto que teniotis tem origem no grego taina e no latim taenia = dobradas e do grego ous/otos
= orelha. Assim conjuntamente o nome Tadarida
teniotis significa morcego com orelhas dobradas. As pregas
que esta espécie apresenta nas orelhas são bem elucidativas.
Tadarida teniotis (Morcego-rabudo)
Bibliografia:
Lina, P. H.C. (2016): Common
Names of European Bats. EUROBATS Publication Series No. 7. UNEP / EUROBATS
Secretariat, Bonn, Germany,104 pp.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Cores & Padrões
Embora a coloração e padrão do sapo-corredor (Epidalea calamita) esteja definida como apresentar uma coloração com manchas verdes bem definidas sobre fundo ocre, a coloração e o padrão desta espécie tem uma das maiores variabilidade dentro da nossa fauna.
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