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domingo, 11 de outubro de 2015

Reprodução do cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

Resto de uma postura de Mauremys leprosa 

As fêmeas de cágado-mediterrânico (Mauremys leprosageralmente atingem a maturidade sexual entre os 10-15 anos de idade enquanto que os machos amadurecem sexualmente mais cedo, em torno dos 8-12 anos e em estado natural, a longevidade desta espécie é de 50 anos, podendo em alguns caso atingir os 100 anos de idade. O acasalamento desta espécie ocorre normalmente na primavera, e as posturas são realizadas a partir do final de maio até meados de julho. Para realizar as posturas, as fêmeas procuram um local adequado, geralmente com o solo seco, vegetação escassa e uma exposição predominantemente a sul. Após encontrar o local ideal a fêmea escava durante 30 a 90 minutos um buraco no solo onde durante a noite depositará os seus ovos, o solo do fundo do buraco que normalmente é de 10-15 cm de largura e 5-10 cm de profundidade, é suavizado com terra remexida e impregnada de urina. Após este ritual de escavação e preparação do local, deposita entre 3 e 13 ovos com 28-38 X 16-21 mm de tamanho. Após a postura o buraco é preenchido com terra molhada e vegetação, de modo a proporcionar o arejamento e humidade aos ovos, após 90-130 dias (dependendo da temperatura ambiente) as crias de Mauremys leprosa eclodem.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Répteis - Dois em um



Foi já no mês de Outubro que, no final de mais um dia de campo, me deparei com um acontecimento que nunca antes tinha testemunhado. Pelo menos não com estas duas espécies…
No meio do caminho estavam duas espécies de répteis que, à primeira vista, pareciam estar tranquilamente a apanhar os últimos raios de sol desse dia. Nesse momento não tinha a noção de que algo de muito mais “interactivo” estaria para acontecer.
Vamos conhecer os protagonistas. De um lado estava um sardão Timon lepidus a maior espécie de lagarto da península ibérica que, segundo alguma bibliografia, pode atingir os 80cm (a cauda pode ser bastante grande). Esta espécie prefere habitats com alguma vegetação arbustiva com boa exposição solar e alimenta-se maioritariamente de insectos como escaravelhos ou gafanhotos. O indivíduo que tinha à minha frente tinha um pouco mais de 20 centímetros e parecia bastante descontraído a apanhar sol.


Um pouco mais ao lado, no meio do caminho estava uma cobra-de-ferradura Hemorrhois hippocrepis. Esta espécie também pode atingir grandes dimensões e tem fama de ser um pouco agressiva para com os seus captores (não se pode censurar!). A cobra-de-ferradura apresenta uma coloração característica com vários círculos escuros delimitados por uma banda mais clara, embora este exemplar não apresentasse a coloração mais típica. É uma espécie não venenosa e que se alimenta de aves e répteis que procura activamente usando a sua agilidade e rapidez. 


Alguns já imaginam o que se passou a seguir…
Ora nem mais, eis que a cobra-de-ferradura se aproxima do impávido e sereno sardão e abre as hostilidades com uma "mordidela" na cabeça. 


Na altura, e não conhecendo bem as capacidades de deglutição desta cobra, pareceu-me que ela tinha “mais olhos que barriga” já que o sardão me parecia demasiado grande para que ela o pudesse comer. Dentro de alguns minutos percebi que estava enganado, o sardão tinha o tamanho ideal para uma boa refeição antes do período de hibernação. Após a primeira “trinca” a cobra já não voltou a largar o lagarto e começou imediatamente a ingerir a sua presa que, até então tinha dado pouca luta. Fiquei impressionado com a capacidade da cobra deslocar as mandíbulas e conseguir engolir uma presa tão grande.


 Já demasiado tarde o sardão se terá apercebido de que a cobra não tinha “boas intenções” já que só começou a debater-se já a refeição ia a meio. 


Ainda tentou usar os seus poderosos membros posteriores para se livrar de ser comido mas sem sucesso, a cobra-de-ferradura só pareceu ter alguma dificuldade quando chegou a vez de engolir os membros anteriores onde o volume corporal do lagarto é um pouco maior. 


Com a refeição terminada, as mandíbulas reposicionadas, com um grande volume no estômago (só me fazia lembrar a serpente do “Principezinho”) e com o dia a terminar lá foi a cobra encontrar um local para pernoitar ou quem sabe passar o inverno.

sábado, 2 de junho de 2012

Insetos predadores de répteis


Depois de ter publicado um post sobre um escaravelho predador de anfíbios, desta vez é sobre um insetos predadores de répteis!

Micah N. Scholer e Alejandro Onrubia publicaram recentemente um interessante artigo no Boletim da Associação Herpetológica Espanhola sobre a depredação de Tarantola mauritanica (osga-comum) por Mantis religiosa (Louva-a-deus) na Andaluzia

sábado, 14 de abril de 2012

Um pé em Espanha e outro em Portugal “La Ruta de los Túneles”


Junto à fronteira espanhola, uma velha linha de comboio jaz no fundo dos vales do Rio Águeda, esquecida e desgastada pela passagem do tempo, liga Barca d’Alva à pequena aldeia espanhola Fregeneda. Este pequeno troço de 17 km, faz parte da Linha Internacional de Pocinho a La Fuente de San Esteban; é uma via-férrea em bitola ibérica que liga o término da Linha do Douro, no nordeste de Portugal, à rede ferroviária Espanhola. Até ao encerramento deste troço, em 1985, existiam regularmente comboios de mercadorias e de passageiros entre Porto e Salamanca.
Os trabalhos de construção deste troço foram iniciados em 1882 e concluída em 1887. O troço entre Barca d’Alva e La Fregeneda, constituindo uma formidável obra de engenharia, foi dos mais difíceis construção sendo uma autêntica via alpina com curvas de raio mínimo de 300 m e rampas de 21%, tendo em apenas 17 km de linha-férrea 13 pontes metálicas e 20 túneis, é um dos percursos mais emblemáticos desta região e apetecível quer por Portuguese quer por Espanhóis.
Esta nossa expedição começou às 8:30 da manhã na estação de Fregeneda e logo após 100m entramos no túnel n.º1, avistava-se um pequena luz ao fundo do túnel e andamos, andamos, tornamos a andar, olhamos para trás e a luz da entrada ainda era maior do que a luz da saída (sinal que ainda não tínhamos percorrido metade do túnel), continuamos a andar e a tropeçar em alguns morcegos (morcego-de-ferradura-grande e morcego-de-ferradura-pequeno), até que ao final de 1,5 Km dentro do túnel vimos a luz do dia.
Mal saídos do túnel n.º1 os rastos de raposa, gineta e fuinha, sucedem-se mais ou menos constantes ao longo de todo o percurso. Tendo sempre como companhia a paisagem de vales cobertos de zimbro e azinheiras, com esporádicas fragas de granito.

À saída do túnel n.º2, 8 grifos sobrevoavam sobre nós em círculos de forma despreocupada como é típico destes necrófagos, mais ao longe por de trás de um cabeço, surge um Falcão-peregrino, que depois de nos sentir desapareceu na imensidão do vale, mais à frente uns metros, eis que surgem os primeiros Melro-azul! Atraídos por um cantar melódico, foi possível observar uma toutinegra-de-bigodes.

O túnel n.º3, embora mais curto que o primeiro, a sua curvatura, permite ter condições de luminosidade e climatéricas (mais estáveis), mais propícias para os morcegos, visto que aqui se encontra um número muito significativo (na ordem das várias centenas ou mesmo um par de milhares) de morcegos constituída maioritariamente por Myotis grandes, mais esparsas podem ser observadas pequenas agrupações de morcego-de-ferradura-grande ou indivíduos isolados de morcego-de-ferradura-pequeno.

Presença constante nos tuneis é a andorinha-das-rochas, que à entrada e saída de cada túnel faz os seus ninhos! A segurança dos túneis é também aproveitada por outras aves, nas pequenas escarpas à saída e entrada dos mesmos, a presença de dejetos indicia o local de dormitório de algumas perdizes.
À saída do túnel 4, no chão encontramos um andorinha-das-rochas, talvez debilitada pela azáfama da construção do ninho ou alimentação das suas crias. Este túnel é seguido imediatamente por um viaduto (n.º3) do qual conseguimos observar um ninho de grifo com uma cria (pelo menos) e a sua progenitora.

Mal tínhamos saído do túnel n.º5, surgem unas sombras no ar, 4 abutre-do-egipto fizeram-nos permanecer com os binóculos dos olhos durante alguns minutos, este abutre (o mais pequeno da nossa fauna) é umas das aves migradoras mais precoces dando-lhe mesmo o nome popular de “criado do cuco”.
Embora tivéssemos ido com a preceptiva de observar algumas espécies de répteis, as nossas observações restringiram-se á lagartixa-do-mato, lagartixa-ibérica e um par de exemplares de cobras-de-ferradura, que aproveitam o calor da primavera estrincando-se sobre o metal dos carris.

Já junto ao Túnel n.º15, numa fugaz aparição, eis que surge a rainha dos céus, uma Águia-real!
As pontes/viadutos que existem neste troço, além de serem mais complicados de atravessar do que os tuneis (principalmente para quem tem vertigens!!!!) não apresentam uma diversidade tão elevada quanto as pontes, mas são importantes locais de marcação delimites de território de alguns pequenos carnívoros, nomeadamente a presença de latrinas de gineta.


Uma pequena paragem para disfrutar da paisagem do rio Águeda e para saborear um delicioso fruto silvestre, figos-da-india, estes frutos são uma combinação de sabor e textura entre a pêra, o melão a melancia com uma pitada de toque tropical, mas com uns pequenos e danados espinhos! Atualmente estes frutos em muitos locais caiem de maduro sem ninguém os aproveitar a não ser os mamíferos e aves da região.

Já na parte final do percurso e junto ao Rio Douro foi possível ainda observar uma garça-real e um par de milhafres-pretos. Após 10 horas de caminha e 17 Km de paços irregulares (provocado pela travessas da linha férrea e o cascalho) as forças foram restabelecidas numa esplanada em Barca D’Alva na companhia de um par de cervejas!
No entanto, o estado de abandono e degradação de ambas a estações e da própria linha deixa um pouco de angústia, pois poderia ser recuperada e aproveitada para turismo… Sem dúvida que o sucesso era garantido.


Um percurso fantástico, de rara beleza paisagístico e arquitetónico. Um percurso de desafio às fobias a quem tiver medo do escuro, de morcegos ou de alturas, mas que no fim vai chegar e dizer que não custou nada e que valeu a pena.
Uma experiência a repetir…
Post escrito pelos aventureiros, João Gaiola e Paulo Barros

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Blanus cinereus


Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Amphisbaenidae
Género: Blanus
Espécie: Blanus cinereus (Vandelli, 1797)

Descrição:
A Cobra-cega é um réptil de aspecto vermiforme, sem membros, com um comprimento total de 26 a 28cm, de coloração rosa, arroxeada, cinzenta e todos os tons possíveis de castanho. A sua cabeça é triangular, separada do corpo por um sulco transversal e possui um focinho arredondado. Os seus olhos atrofiados (característica particular), são cobertos por escamas, visíveis apenas como dois pontos negros sob a pele. A cabeça e o corpo estão cobertos por escamas regularmente dispostas em filas longitudinais e de tamanho semelhante, podendo ter cerca de 110 a 134 anéis de escamas no corpo e 20 a 42 na cauda, o que lhe confere um aspecto segmentado. A extremidade da cauda é arredondada.
Dimorfismo sexual escasso, os machos podem atingir um comprimento total (cabeça-corpo) de 25,4cm e as fêmeas de 23,5cm. Foi também registada uma maior taxa de crescimento da altura da cabeça nos machos, durante a ontogenia.
Juvenil de aspecto e coloração semelhantes ao adulto.

Espécies similares:
Inconfundível, pelo seu aspecto geral e coloração normalmente rosa.

Distribuição:
Espécie endémica da Península Ibérica, onde está ausente apenas numa faixa contínua, situada norte, que engloba o extremo Noroeste de Portugal, a Cordilheira Cantábrica a os Pirenéus. Pode ser encontrada desde o nível do mar até aos 2000m na Serra de los Filabres (Almeria). Em Portugal a sua ausência devido a condicionantes climáticas parece limitar-se ao Extremo Noroeste do país, área abrangida pela região atlântica. A sua aparente ausência noutras áreas pode estar relacionada com características do meio, quer naturais (solos muito argilosos ou muito arenosos e ausência de pedras), quer humanas (e. g. exploração silvícola intensa e áreas urbanas). Estes locais sem observações podem reflectir uma ausência real mas também dificuldades de detecção. Encontra-se até aos 1000 na Serra de Santa Comba em Trás-os-Montes (Valpaços/Mirandela). Recentemente foi confirmada a sua presença nos concelhos de Gondomar e Vila Nova de Gaia, o que salienta a importância do corredor formado pelo vale do rio Douro (mais quente e seco do que os planaltos envolventes), como meio de conexão entre este núcleo e as regiões do interior (área principal de distribuição).

Biologia:
Esta espécie possui hábitos subterrâneos, embora possa ser encontrada á superfície, daí ser tão difícil de observar. Apresenta uma capacidade invulgar de escavar túneis, nos quais se pode deslocar em ambas as direcções devido às suas extremidades arredondadas, escavando a profundidades distintas ou colocando-se sob rochas de diferentes tamanhos e espessuras, a fim de alcançar a sua temperatura corporal óptima (19ºC a 24ºC). Tem actividade diurna e nocturna, e pode encontrar-se activa de Fevereiro a Novembro. O seu período reprodutor parece iniciar-se no inicio da Primavera no sul da P. Ibérica. As fêmeas colocam geralmente um ovo (1 a 2) de grandes dimensões (23,6-29,2mm de comprimento e 4,8-5,5mm de largura) no solo ou debaixo de troncos em decomposição. È um predador generalista e os seus padrões de selecção da dieta sugerem que é um “procurador activo” (“widely foraging”), consistindo a sua alimentação em formigas, larvas de insectos e outros artrópodes. Parece utilizar os sinais auditivos associados ao movimento para localizar as presas a grandes distâncias, e os sinais químicos e odoríferos para identificar e descriminar as mesmas a curtas distâncias. Os seus principais predadores são aves, répteis e até um anfíbio, o Sapo-comum (Bufo bufo).

Habitat:
Pode ser encontrada em galerias escavadas no solo e debaixo de pedras, onde procura calor para efectuar termorregulação. Ocupa principalmente as áreas de clima mediterrânico, encontrando-se associada a zonas quentes com uma certa humidade, em solos que pouco compactados, que permitam a escavação. São as características do substrato as que têm uma influência directa na selecção do microhabitat, tendo o coberto vegetal uma influência indirecta. O diâmetro das suas galerias é ajustado ao tamanho do seu corpo. Típica de baixas altitudes.

Curiosidades:
Na presença de perigo, quando não pode escapar pelos túneis, enrola o corpo sobre si mesma ou sobre algum objecto ao seu alcance, ou contorce-se violentamente. Possui autotomia da cauda a partir do quarto anel pós-cloacal. Pode também morder, mas não possui veneno e é totalmente inofensiva para o Homem.
È frequente apresentar albinismo parcial (numa população do sul da Galiza, 21,9% dos indivíduos observados (n=32) tinha albinismo parcial, (tendo já sido observado um individuo totalmente albino)), como o indivíduo aqui registado (foto em baixo). Apresenta fluorescência azul/verde quando iluminada com luz ultravioleta.

Conservação e ameaças:
Os seus hábitos subterrâneos e secretivos reduzem o impacte de algumas ameaças comuns a outras espécies de herpetofauna (atropelamento e perseguição humana).
A preservação da qualidade do solo é indispensável para a manutenção de populações viáveis. Deste modo as maiores ameaças relacionam-se com os povoamentos florestais de espécies exóticas; a agricultura industrializada que recorre a maquinaria pesada e a pesticidas e herbicidas em quantidades elevadas. A perda do mosaico paisagístico e empobrecimento dos locais de alimentação e abrigo também são factores importantes na diminuição da abundância desta espécie.

Estatutos de conservação:
Possui um estatuto de “Pouco Preocupante” (LC), quer a nível internacional (IUCN), quer em Portugal e Espanha.

Referências:
Ferrand de Almeida, N; Ferrand de Almeida, P; Gonçalves, H; Sequeira,F; Teixeira, J & F, Ferrand de Almeida. 2001. Guia FAPAS dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS e Câmara Municipal do Porto. Porto. 249 pp.
Ribeiro, B. S. (2008): Blanus cinereus. Pp 164-165, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M. A., & Paulo, O. S. (eds), Atlas dos Anfíbios e répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa.

terça-feira, 9 de março de 2010

Psammodromus algirus

Identificação:
A Lagartixa-do-mato-comum é uma lagartixa de tamanho médio que pode atingir os 30cm de comprimento total. Possui uma cabeça alta e de aspecto robusto, e ausência de colar. O seu dorso e flancos são predominantemente acastanhados, com duas linhas dorsolaterais amareladas ou esbranquiçadas. A zona de inserção das patas posteriores e as faces laterais da cauda apresentam tonalidades alaranjadas. Junto às axilas, sobretudo nos machos, pode apresentar entre 1 e 9 manchas azuladas. A sua coloração ventral é esbranquiçada ou bege.
O seu dimorfismo sexual é evidente sobretudo ao nível da coloração, durante a época de reprodução. Assim, durante o acasalamento os machos apresentam frequentemente tonalidades alaranjadas ou avermelhadas (podendo também ser amareladas) na zona da garganta e lados da cabeça. As fêmeas possuem linhas dorsolaterais mais contrastadas do que os machos, e os exemplares mais velhos podem mesmo ser uniformes. Os machos, para além de terem uma cabeça mais larga, são de um modo geral mais robustos.
Juvenil
Os juvenis possuem um aspecto muito semelhante ao dos adultos, no entanto, apresentam uma coloração alaranjada mais intensa, na zona de inserção da patas posteriores e nas faces laterais da cauda, e podem apresentar linhas dorsolaterais menos contrastadas.
Espécies semelhantes:
Pode ser confundida com a Lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica) e com a Lagartixa-do-mato-ibérica (Psammodromus hispanicus), mas a Lagartixa-do-mato-comum é de maiores dimensões e mais robusta dos que estas. Diferencia-se da Lagartixa-ibérica por possuir escamas carenadas e pontiagudas. Distingue-se da Lagartixa-do-mato-ibérica por não possuir um colar, e sobretudo através do padrão de coloração. Pode também ser confundida com a Lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) quando observada fugazmente (como foi referido pelo Emanuel Ribeiro).
Distribuição:
A sua distribuição mundial abrange a Península Ibérica (excepto na faixa Norte) e o Sudoeste de França, assim como a maior parte de Marrocos, Norte da Argélia e Noroeste da Tunísia. Em Portugal, encontra-se por todo o território excepto na área contida entre as encostas Ocidentais da serra do Alvão e as bacias inferiores dos rios Lima, Cávado, Ave e Douro, incluindo uma estreita faixa litoral entre o rio Douro e a ria de Aveiro.
Habitat:
Pode ocorrer numa grande diversidade de habitats, encontrando-se particularmente associada a locais com cobertura arbustiva mais ou menos densa, na qual, os indivíduos desta espécie podem ser observados a refugiar-se (esconder-se) rapidamente.
Biologia:
Pode encontrar-se activa desde Março (Primavera) até Outubro (Outono), nas áreas mais quentes pode encontrar-se activa durante todo o ano, sobretudo os juvenis. A sua reprodução ocorre geralmente entre Abril e Julho. Os nascimentos dão-se entre Agosto e Outubro. A maturidade sexual é atingida no primeiro ou segundo ano de vida, e pode alcançar uma longevidade de 5 a 7 anos.
Dimensões:
Pode atingir aproximadamente 9cm de comprimento cabeça/corpo.
Curiosidades:
Os seus principais mecanismos de defesa consistem na fuga através de capacidades trepadoras notáveis e libertação voluntária (autotomia) da cauda. É uma espécie que emite sons, cuja finalidade ainda não é conhecida, no entanto, quando capturada e/ou aprisionada, em mão, pode emitir um “grito” (de baixo volume) sibilante e estridente (informação pessoal).
O exemplar (macho) da foto foi registado na aldeia de Brunhoso, em Mogadouro, na “margem” do Sabor, em 21/05/09.
Conservação e ameaças:
A fragmentação do habitat associada à urbanização, instalação de culturas intensivas e as operações sistemáticas de desmatação em geral, estão a contribuir para a redução da densidade populacional e da capacidade reprodutiva desta espécie.
Estatutos de conservação:
Possui um estatuto de “Pouco Preocupante”, quer a nível internacional (IUCN), quer em Portugal e Espanha.
Referências e sites:
Almeida, Ferrand de N., Almeida, Ferrand de P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, Ferrand de F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias FAPAS. Porto. 249pp.
Carretero, M. A. (2008): Psammodromus algirus. Pp 156-157, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A., & Paulo, O.S. (eds) (2008): “Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 257pp.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Acanthodactylus erythrurus


Identificação:
A Lagartixa-de-dedos-denteados ou Lagartixa-da-areia é um pequeno lacertídeo de corpo e membros robustos, dedos longos, unhas compridas e de focinho afilado. O padrão do dorso apresenta, quase sempre, riscas longitudinais claras, bandas acastanhadas e com manchas aproximadamente circulares mais claras bem visíveis nos membros. A zona ventral apresenta, geralmente, tons brancos. Esta espécie apresenta baixo dimorfismo sexual apresentando as fêmeas a cabeça ligeiramente mais larga e, por vezes, tons avermelhados nos membros anteriores ou na face ventral da cauda.


Os juvenis desta espécie apresentam uma coloração com evidentes bandas e linhas longitudinais, ponteadas por contrastantes ocelos brancos ou amarelos e uma cauda com uma intensa coloração avermelhada ou alaranjada.
O período de hibernação varia consoante as temperaturas ambientais do local, enterrando-se entre raízes ou aproveitando tocas de outros animais.
Espécies similares:
Quando observada fugazmente, esta espécie poderá ser confundida com a Lagartixa-do-mato-comum ou com a Lagartixa-do-mato-ibérica sendo uma observação atenta suficiente para dissipar qualquer dúvida.
Distribuição:
A Lagartixa-de-dedos-denteados encontra-se distribuída nas regiões mais setentrionais da Península Ibérica e Norte de África, principalmente Marrocos e Argélia. No nosso país esta espécie apresenta uma distribuição bastante fragmentada existindo vários núcleos populacionais. A norte os principais núcleos encontram-se na área da bacia dos rios Alto Douro, Sabor e Tua e na zona da Beira interior (serra da Estrela e Malcata). Na região centro os principais núcleos ocorrem nas zonas litorais desde a serra da Arrábida a Sines. Na zona sul do país esta espécie pode ser observada na zona sul do Guadiana ou na zona de Faro e Olhão.
Habitat:
Esta espécie requer temperaturas relativamente altas para estar activa sendo o seu óptimo situado entre os 25 e os 30 ºC, preferindo áreas de pluviosidade anual média inferior a 600 mm. Prefere áreas de relevos pouco acentuados, solo pouco compactado requerendo a presença de alguma vegetação arbustiva para protecção.
Medias de conservação:
Sendo as principais ameaças identificadas a fragmentação e destruição dos habitats propícios à ocorrência da espécie, as medidas de conservação apontadas prendem-se com a minimização destas ameaças. Estas medidas passam pelo aprofundamento do conhecimento existente, relativamente aos núcleos populacionais e distribuição da espécie, de forma a intensificar as medidas de protecção do habitat em locais com elevadas densidades ou potenciando corredores de contacto entre núcleos isolados.
Dimensões:
A Lagartixa-de-dedos-denteados pode atingir um comprimento total de 233 milímetros.
Estatuto de conservação:
No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal esta espécie é classificada “Quase ameaçada” devida a uma baixa área de distribuição e elevado grau de fragmentação do Habitat. Em Espanha, tal como a nível mundial, o estatuto atribuído é o de “Pouco Preocupante”
Observações:
Esta espécie é frequentemente observada na região do Planalto Mirandês, principalmente no Parque Natural do Douro Internacional onde pode ser desde o início da Primavera até meados do Outono.
Referências e Sites:
Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, F.F. 2001. Guias Fapas: Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS.
Loureiro, A., Almeida, N., Carretero, M.A., Paulo, O.S. (eds.). 2008. Atlas de Anfíbios e Répteis de Portugal. ICNB.
Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles
Vermelho dos Vertebrados de Portugal