domingo, 28 de junho de 2015

Pormenores: apontamento II

Mo seguimento deste post, deixo aqui outro pormenor.

Quando identificamos morcegos morfologicamente (e em muitos outros grupos faunísticos), as vezes, é necessário recorre-mos a pormenores. O caso dos Plecotus é um deles, quando se trata de um macho, umas das características que nos pode ajudar na sua identificação é a forma do seu pénis. O pénis dos Plecotus de uma forma geral é grosso e no caso do Plecotus austriacus, é arredondada no seu extremo (▲) em quanto que no Plecotus auritus é mais fino na extremidade (▼).
Pormenor do pénis de um Plecotus austriacus

domingo, 14 de junho de 2015

Quão grandes são os morcegos?


Para a generalidade das pessoas e em especial para quem se inicia a estudar este grupo faunístico, isto pode não ser uma pergunta fácil de responder. Contudo, quando estamos a identificar um morcego, esta é a primeira pergunta que devemos fazer “o morcego é grande, pequeno ou médio?”. De facto, muitas das espécies podem ser eliminadas pelo simples tamanho o que nos podem reduzir as possibilidades para um número substancialmente reduzido de espécies. Dentro das diferentes medições possíveis, o comprimento do antebraço é sem dúvida a medição mais eficaz para este objetivo, visto que outras medições como por exemplo o peso podem variar, quer sazonalmente (entre épocas fenológicas) quer ao longo da noite, visto que por noite os morcegos podem ingerir um peso substancial de insetos (que pode atingir o equivalente a metade do peso).

sábado, 30 de maio de 2015

The contribution of the Tyto alba feeding ecology to confirm bat species occurrence in north Portugal

Bat skull remains identified in Barn owl pellets collected from north of Portugal: a - Upper canine of the Western barbastelle (Barbastella barbastellus) with elongate section and flat inner surface with a sharply defined cingulum; b - lower mandible of the Grey long-eared bat (Plecotus austriacus) with a salience on the processus angularis in the posterior part; c - a depressed and the dorsal profile of the European free-tailed bat (Tadarida teniotis) is straight and almost horizontal. The arrows indicate the respective distinctive morphological details

The Barn owl (Tyto alba) is an opportunistic species which feeds mainly on small mammals but also on birds, bats, reptiles, amphibians, insects and fishes. With regard to bats, several studies in Europe suggest that this group constitutes a small portion of the Barn owl diet representing less than 1% of its prey items. Through the analysis of 2,934 Barn owl pellets, collected between 2006 and 2014 in 27 sites/nests located in north Portugal, the remains of six bats belonging to five species were identified in a total of 9,103 prey items identified: the Western barbastelle (Barbastella barbastellus), the Grey long-eared bat (Plecotus austriacus), the Brown long-eared bat (Plecotus auritus), the European free-tailed bat (Tadarida teniotis) and the Common pipistrelle (Pipistrellus pipistrellus). These findings are of great interest as they represent new data on the Brown longeared bat and European free-tailed bat distributions, and allow to confirm an historical record of the Western barbastelle in the region.
However, although the number of items found in Barn owl pellets is residual, the data collected for bats may represent very important contributions, particularly for rare species, such as Western barbastelle, or species classified with the conservationist status of “data deficiency”, as in the case of Western barbastelle, Brown long-eared bat and European free-tailed bat. This is of particular relevance, since even in the most recent Atlas of bats in Portugal the data on the distribution of some species remain very scarce and incomplete, especially for species like the Western barbastelle, which is confirmed only in about 10% of the total of 1,008 10X10km grid cells. Additionally, for bat species that are difficult or impossible to distinguish by acoustic methods, such as Brown long-eared bat, less than 2% of the referred grids were confirmed.


Those interested can read the full article here

domingo, 17 de maio de 2015

Dieta da cobra-de-água-viperina

A distribuição da cobra-de-água-viperina (Natrix maura) em Portugal é praticamente contínua e homogénea, e depende essencialmente da ocorrência de pontos de água. É uma espécie muito comum e localmente abundante. Distribui-se desde o nível do mar até aos 1650 m, não demonstrando preferência por nenhum estrato altitudinal.
A tanatose, a libertação de um odor nauseabundo, postura semelhante de víbora (expandindo a cabeça para adotar uma forma triangular), emissão de silvos e ameaçadas de morder, são os principais comportamentos de defesa quando ameaçadas. Estes comportamentos, em conjunto com o padrão dorsal em zigue-zague, estão na origem do seu nome comum (cobra-de-água-viperina), devido às parecenças com as víboras.

Exímia nadadora, raramente se afasta da água, podendo esporadicamente consumir outros répteis e micromamíferos ou invertebrados, a base principal da sua dieta é composta por peixes e anfíbios. Para a sua captura, desenvolveu um variado número de comportamentos predatórios (ex: emboscada, procura ativa ou iscagem com a própria língua, entre outros) que dependem do tipo e tamanho da presa, o meio aquático e o seu próprio tamanho.

O grande reportório de comportamento predatórios que esta espécie tem, deve-se principalmente à grande variabilidade de espécie de peixes e anfíbios que consome, que têm características muito diferentes (posições na coluna de água, velocidade de natação, tipo de agrupação, etc…) de entre os peixes ibéricos, a cobra-de-água-viperina, pode consumir espécie da família Blenniidae (Salaria fluviatilis), Centrarchidae (Lepomis gibbosus), Ciprinidae (Barbus bocagei, Barbus graellsii, Barbus haasi, Barbus sclateri, Carassius auratus, Chondrostoma miegii, Chondrostoma polylepis, Cyprinus carpio, Gobius gobius, Phoxinus phoxinus, Rutilus arcasii, Rutilus rutilus, Squalius cephalus), Cobitidae (Barbatula barbatula), Gasterosteidae (Gasterosteus aculeatus), Poecilidae (Gambusia affinis, Gambusia holbrooki) e Salmonidae (Salmo gairdneri, Salmo trutta) quanto aos anfíbios a sua dieta é também muito variada, incluindo a Pleurodeles waltl, Lissotriton boscai, Lissotriton helveticus, Triturus marmoratus, Salamandra salamandra, Alytes cisteransii, Alytes obstetricans, Bufo bufo, Epidalea calamita, Discoglossus galganoi, Pelobates cultripes, Rana iberica, Pelophylax perezi e Hyla arborea.

De relembrar que esta espécie é uma serpente aglifa, ou seja, não possui dentes inoculadores de veneno, não representando qualquer perigo para a espécie humana!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Chave dicotómica de larvas de anfíbios

1a – Brânquias externas durante todo o período larvar. Larva com as quatro patas de tamanho semelhante ou com as patas anteriores (braços) maiores que as posteriores (pernas) nas primeiras fases do desenvolvimento larvar (2)
1b – Sem brânquias externas. Pernas surgem primeiro e são maiores que os braços (7)

2a – Início da membrana caudal próximo da base das pernas (3)
2b – Início da membrana caudal logo atrás da cabeça (4)

3a – Início da membrana caudal a meio das costas. Mancha clara na base e cada perna - Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra)
3b – Membrana caudal apenas na cauda. Ausência de mancha clara na base de cada perna - Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)
Salamandra salamandra

4a – Dedos curtos, crista baixa, cor sem grandes manchas escuras (5)
4b – Dedos muito compridos e finos (exceto no final da fase larvar). Crista alta com manchas escuras, cor de fundo geralmente esverdeado - Tritão-marmorado (Triturus marmoratus)

Triturus marmoratus

5a – Dedos curtos, cabeça robusta, branquias muito desenvolvidas, crista baixa, cor sem grandes manchas escuras - Salamandra-dos-poços (Pleurodeles waltl)
5b – Larvas até 40 mm, sem as características anteriores (6)

6a – Risca escura passando pelas narinas e pelos olhos formando uma “mascarilha”, cauda estreitando progressivamente até à ponta sem formar um filamento na ponta - Tritão-palmado (Lissotriton helveticus)
6b – Sem risca escura formando “mascarilha”, membrana caudal apenas se torna estreita próxima da ponta, terminando num pequeno filamento - Tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)
Lissotriton boscai

7a – Espiráculo situado no flanco esquerdo do corpo (8)
7b – Espiráculo na região ventral (15)

8a – Desenho da cauda composto por um denso reticulado de finas linhas escuras cruzadas. Duas fileiras longitudinais de pontos claros em cada lado do dorso - Sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes punctatus / P. ibericus)
8b – Sem as características anteriores (9)

9a – Olhos situados em posição lateral, correspondendo à parte mais larga da cabeça. Membrana caudal inicia-se próximo dos olhos, muito desenvolvida e de ângulos muito convexos (10)
9b – Olhos situados em posição dorsal. Membrana caudal inicia-se próximo do início da cauda e de forma aproximada à do músculo (12)

10a – Larva grande (até 90 mm) com músculo da cauda simétrico e estrutura bucal com bico negro muito grande e com numerosas séries de dentículos - Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes)
10b – Larva sem as características anteriores (11)

11a – Metade superior da região muscular da cauda com uma larga banda longitudinal escura ou com duas linhas escuras que se fundem no início – Rela (Hyla arborea)
11b - Metade superior da região muscular da cauda com duas linhas escuras finas, uma da região superior e outra na região central, separadas uma banda clara – Hyla meridional (Hyla meridionalis)
Hyla arborea

12a – Membrana dorsal começa no início da cauda é baixa e termina com ponta arredondada. Larva pequena (até 35 mm) escura ou negra (13)
12b – Larva até 70 mm. A cauda (quando intacta) representa mais de 2/3 do comprimento total. Membrana caudal inicia-se na parte final do tronco e tem a ponta afunilada (14)

13a – Distância entre olhos semelhante à largura da boca - Sapo-comum (Bufo bufo)
13b – Distância entre olhos maior que a largura da boca - Sapo-corredor (Epidalea calamita)

14a – Larva com coloração variável, (de castanho escuro a verde claro) com o ventre branco. Mancha escura na zona central do músculo da cauda, ponta da cauda comprida e afilada - Rã-verde (Pelophylax perezi)
14b – Larva frequentemente escura, nunca esverdeada. Ventre escuro e transparente, deixando ver os intestinos. Membrana caudal alta, com manchas claras. Habitats de água corrente - Rã-ibérica (Rana iberica)

15a – Larva esbelta de pequenas dimensões (até 35 mm) sem manchas contrastantes na membrana da cauda - Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi)
15b – Larva de tamanho médio-grande, geralmente com manchas contrastantes na membrana da cauda (16)

16a – Região muscular da cauda sem manchas ou com manchas muito pequenas - Sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans)

16b – Região muscular da cauda com duas manchas escuras paralelas que podem ou não tocar-se - Sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii)
Alytes cisternasii

Alytes obstetricans

sábado, 18 de abril de 2015

Chamamentos sociais de morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula)


Nyctalus noctula

Foi recentemente publicado um artigo intitulado de “First records of Nyctalus noctula social calls in Portugal”, do qual deixo aqui o resumo.


Resumo: O morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula) é um dos maiores e rápidos morcegos migradores do paleártico. A sus distribuição estende-se em longitude desde da Península Ibérica até ao Japão e latitudinalmente desde do Norte de Africa até ao Sul da Escandinávia. Contudo, no Sudoeste da sua distribuição, as colónias de criação são escassas e esporádicas. Esta nota, apresenta os primeiros registos de chamamentos sociais registados em Portugal. De facto, dois tipos de chamamentos sociais do N. noctula (C1 and D1) que são usualmente associados a abrigos de acasalamento foram registados e identificados no vale do Rio Sabor, no Norte de Portugal. Portanto, estes novos dados podem contribuir para melhora e aumentar o conhecimento de locais potências de acasalamento, swarming e hibernação, assim como a época de acasalamento e comportamento deste espécie migradora.

O artigo identificou 3 tipos de chamamentos sociais, em que, dois dos quais já tinham sido referenciados por outros autores anteriormente, como é o caso deste, descrito por Guido Pfalzer em 2002 na sua tese de doutoramento .
 Chamamento social do tipo D

Ou este ainda não descrito.

Quem estiver mais interessado pode descarregar e ler o artigo completo AQUI