sábado, 21 de novembro de 2015

Foto resumo: morcegos 2015

Rio Tinhela

Serra do Alvão











Serra de Montesinho
















Serra do Marão


Vila Real (cidade)



Serra do Gerês


Serra da Cabreira


Serra de S. Bento









Serra da Estrela







Serra do Marão

















Galiza (Espanha)









Astúrias (Espanha)
















domingo, 8 de novembro de 2015

Confirmação da ocorrência do Chionomys nivalis em Portugal


Chionomys nivalis, foto de Paulo Barros

Resumo
O rato-das-neves (Chionomys nivalis) é um roedor da família dos Cricetidae com uma distribuição ampla, desde do Sul da Europa até ao Turcomenistão mas muito fragmentada, estando associado principalmente a sistemas montanhosos. A confirmação desta espécie em Portugal foi possível pela análise de características morfológicas, biométrica e genéticas de dois indivíduos capturados na Serra de Montesinho (Parque Natural de Montesinho, Nordeste de Portugal). Para a confirmação genética desta espécie foram utilizados marcadores Mitocondriais e nucleares. A análise do Citocromo b suporta conclusões anteriores sobre a estrutura fitogeográfica desta espécie, revelando a existência de várias linhagens distintas. Além disso, mostra que os espécimes portugueses estudados estão intimamente relacionados com os de outras populações ibéricas. Esta descoberta é de grande interesse, uma vez que aporta novas informações sobre a distribuição do rato-das-neves, nomeadamente a redefinição do seu limite Sudoeste de distribuição e a necessidade de uma avaliação precisa das tendências populacionais de mamíferos a nível regional e o seu estado de conservação.
Chionomys nivalis, foto de Gonçalo Rosa
Abstract
The European snow vole (Chionomys nivalis) is a microtine rodent with a highly fragmented distribution range, mostly associated with the main mountain systems from southern Europe to Turkmenistan. In this paper we confirm the occurrence of the snow vole in Portugal, based on morphologicalcharacteristics, biometrics and genetic analysis of two individuals captured in the Montesinho Mountain range (northeastern Portugal). Both mitochondrial and nuclear genetic markers were used to confirm the species identity. The analysis of cytochrome b supports previous conclusions on the phylogeographic structure of the species, revealing the existence of several distinct lineages. Moreover, it shows that the Portuguese specimens are closely related to the other Iberian populations. This finding is of great interest as it adds new information regarding the spatial distribution of the snow vole, by redefining the southwestern limits of the species’ range, and it highlights the need for accurate assessment of regional small mammal population trends and conservation status.

Distribuição do Chionomys nivalis (fonte: IUCN)

Para quem tiver interesse pode descarregar o artigo completo na barra lateral direita deste bolg.

sábado, 24 de outubro de 2015

WebSIG III

Após mais um ano de recolha de informação, o Sistema de Informação Geográfico em plataforma Web (WebSIG) do nosso bolg está cada vez mais composto. Neste momento contamos com mais de 3000 observações distribuídas por 120 quadrículas 10X10Km e já contamos com informação para todas as 25 espécies de morcegos ocorrentes no nosso Território Continental.
O principal objetivo deste WebSIG é permitir aos nossos leitores mais interessados neste grupo faunístico, ter um acesso rápido e fácil à informação, assim como oferecer um sistema de mapas dinâmicos e funcionais para navegar e consultar sobre a distribuição das diferentes espécies por nós registadas.

Para isso basta selecionarem a espécie através do “scroll” que está de baixo da entrada “Mapa de Observações de Morcegos” na barra lateral deste Blog.

Morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum)

Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros)

Morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale)

Morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi)

Morcego-de-bechsteini (Myotis bechsteinii)

Morcego-rato-grande (Myotis myotis)

Morcego-rato-pequeno (Myotis blythii)

Morcego-de-franja-do-norte (Myotis escalerai)

Morcego-lanudo (Myotis emarginatus)

Morcego-de-bigodes (Myotis mystacinus)

Morcego-de-água (Myotis daubentonii)

Morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus)

Morcego-de-kuhl (Pipistrellus kuhlii)

Morcego-pigmeu (Pipistrellus pygmaeus)

Morcego-de-savi (Hypsugo savii)

Morcego-arborícola-pequeno (Nyctalus leisleri)

Morcego-arborícola-grando (Nyctalus noctula)

Morcego-arborícola-gigante (Nyctalus lasiopterus)

Morcego-hortelão-escuro (Eptesicus serotinus)

Morcego-hortelão-claro (Eptesicus isabelinus)

Morcego-negro (Barbastella barbastellus)

Morcego-orelhudo-castanho (Plecotus auritus)

Morcego-orelhudo-cinzento (Plecotus austriacus)

Morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii)

Morcego-rabudo (Tadarida teniotis)


domingo, 11 de outubro de 2015

Reprodução do cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)

Resto de uma postura de Mauremys leprosa 

As fêmeas de cágado-mediterrânico (Mauremys leprosageralmente atingem a maturidade sexual entre os 10-15 anos de idade enquanto que os machos amadurecem sexualmente mais cedo, em torno dos 8-12 anos e em estado natural, a longevidade desta espécie é de 50 anos, podendo em alguns caso atingir os 100 anos de idade. O acasalamento desta espécie ocorre normalmente na primavera, e as posturas são realizadas a partir do final de maio até meados de julho. Para realizar as posturas, as fêmeas procuram um local adequado, geralmente com o solo seco, vegetação escassa e uma exposição predominantemente a sul. Após encontrar o local ideal a fêmea escava durante 30 a 90 minutos um buraco no solo onde durante a noite depositará os seus ovos, o solo do fundo do buraco que normalmente é de 10-15 cm de largura e 5-10 cm de profundidade, é suavizado com terra remexida e impregnada de urina. Após este ritual de escavação e preparação do local, deposita entre 3 e 13 ovos com 28-38 X 16-21 mm de tamanho. Após a postura o buraco é preenchido com terra molhada e vegetação, de modo a proporcionar o arejamento e humidade aos ovos, após 90-130 dias (dependendo da temperatura ambiente) as crias de Mauremys leprosa eclodem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Myotis escalerai Vs Myotis spA


Na Península Ibérica ocorrem exemplares de duas (Myotis escalerai e spA) das quatro linhagens (Myotis nattereri, escalerai, spA e spB) do complexo críptico Myotis nattereri. O Myotis escalerai está presente em toda a península, enquanto que o Myotis spA está limitado a áreas Setentrionais até ao Norte da Extremadura pelo Ocidente até á Catalunha na costa Oriental.
Embora a identificação genética seja simples e inequívoca, morfologicamente distinguir estas duas espécies requere uma observação atenta de certas características, nomeadamente a franja de pelos na margem do uropatágio e a posição e ângulo de inserção do patágio na pata.

Pormenor da franja de pelos do Myotis escalerai

Pormenor da franja de pelos do Myotis spA

A franja de pelos ventrais interna nos Myotis escalerai apresenta pelos mais longos, mais densos e maioritariamente direcionados para o corpo do animal e o patágio insere-se no tornozelo com um forma circular enquanto que no spA o patágio insere-se na base do dedo formando um ângulo reto.

Pormenor da inserção do patágio na pata do Myotis escalerai

Pormenor da inserção do patágio na pata do Myotis spA


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Morcegos em casa. E agora?

O Verão é uma época em que é frequente encontrarmos morcegos dentro de casa. Assim sendo damos algumas explicações e indicações para ajudar a resolver este tipo de situações.

Primeiramente é importante salientar que há várias espécies de morcegos que se abrigam em nossa casa, maioritariamente no exterior (telhados, fissuras e buracos das paredes)  ou geralmente em divisões pouco (ou nunca) usadas (sótãos e caves). Não é um hábito destes animais entrar para caçar ou abrigar-se em divisões que sejam constantemente a ser usadas pelo homem, um vez que se sentem expostos nessas situações.

Quando um morcego entra numa divisão diariamente ocupada de uma casa habitada, fá-lo por acidente, ou porque foi em perseguição de insetos atraídos pela luz, ou porque se abrigou numa estrutura com acesso ao exterior (caixilho da janela, ou chaminé) e quando tentou sair para a rua fê-lo no sentido errado, ou por distração e falta de experiência que será a causa mais comum nesta época.
Este último caso acontece frequentemente quando os juvenis estão a sair do abrigo e a aprender a voar, essencialmente entre Julho Setembro/Outubro. Como os indivíduos novos não têm muita experiência e resistência, andam um pouco “às aranhas” e acabem por entrar por uma janela ou porta aberta e como não dão com a saída, ficam a voar dentro da divisão, ou pousam em algum lugar (incluindo o chão).

Quando isso acontece a melhor coisa a fazer é fechar as portas para as outras divisões para impedir que eles se percam dentro de casa, abrir as janelas, apagar a luz e deixar o morcego sozinho para ele não ter medo e poder sair do local onde está e ir par ao exterior. Passados alguns minutos é só verificar se ele ainda está dentro da divisão, e se estiver, repetir o processo. Isto poderá ir de alguns minutos a várias horas, mas geralmente não demora mais do que alguns minutos.

No caso de mesmo assim ele não sair, porque poderá estar ferido ou doente é importante antes de mais, lembrar que para capturar e manusear morcegos é necessário uma autorização específica do ICNF, pelo que o mais correto é ligar para o ICNF ou SEPNA (GNR). Se for necessário pegar-lhe ou manuseá-lo, deve ser usada uma luva de couro ou borracha e para o libertar deve ser colocado no exterior, num sítio alto (tronco de árvore ou muro).

Uma nota muito importante, nunca pegar num morcego que esteja pousado no chão ou num sítio acessível e exposto. Um dos sintomas da Raiva é desorientação, e esse morcego pode estar contaminado, razão pela qual está parado num local tão desabrigado.

Outra das situações com que já me deparei, é o morcego ir abrigar-se numa divisão ocupada para passar o dia (dormir). Isto pode acontecer porque algumas espécies não passam os dias no mesmo abrigo todas as noites, e como é costume de verão termos as janelas de casa abertas durante a noite, os morcegos que vão a passar, acham que a nossa casa dará um bom abrigo de emergência, embora eles consigam perceber que a casa está ocupada por humanos (pelo odor por exemplo), nesse caso é proceder do mesmo modo devem fechar-se todas as janelas e portas dessa divisão (deixando o morcego sossegado), que deverão ser abertas ao início da noite, altura em que ele procura sair para a rua.


Se detetarem um abrigo de alguma colónia de morcegos em vossa casa e se quiserem ‘livrar’ dele, não os matem. Todas as espécies de morcegos são protegidas por lei, pelo que o melhor é contactar o ICNF ou o SEPNA para resolver a situação da melhor maneira possível. A Natureza agradece e nós também pois os morcegos prestam-nos um grande serviço ambiental.

As espécies que mais frequentemente entram nas casas pertencem aos géneros Pipistrellus sp. e Rhinolophus sp.


Morcego de Kuhl (Pipistrellus kuhlii)




Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposiderus)

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Chamamentos sociais dos pipistrellus

Os morcegos, além de emitirem constantemente sons de ecolocalização, também produzem outros tipos de sons, entre os quais sons de caça designados de “feeding buzz” e sons de socialização designados de “social calls”.
Os chamamentos sociais são sons complexos, que normalmente são emitidos dentro dos abrigos durante o dia, contudo, também podem ser emitidos em voo durante a noite em área de alimentação ou passagem ou quando estão a repousar. A finalidade destes chamamentos é muito diversa e a ainda não esta totalmente compreendida, mas podem representar comunicação entre jovens e adultos, cortejamento, marcação de território ou simplesmente vocalizações agnósticas.
Tendo em conta a especificidade das vocalizações das diferentes espécies de pipistrellus que ocorrem no nosso território (P. kuhlii, P. pipistrellus e P. pygmaeus) a sua identificação pode ser condicionada pela sobreposição de frequências de emissão.
Limites mínimos e máximos da frequência máxima de emergia (FMaxE)  dos pulsos de navegação dos 3 pipistrellus.

A presença de chamamentos pode ajudar na identificação das espécies com mais segurança. Assim se tivermos um chamamento constituído por dois a cinco pulsos com FMaxE entre 14 e 17kHz e uma frequência final inferior a 13kHz, estaremos muito provavelmente na presença de um Pipistrellus kuhlii.

A confirmação de Pipistrellus pipistrellus poderá ser muito provável pela identificação de chamamentos sociais constituídos por dois a cinco pulsos com FMaxE entre 17 e 20kHz e uma frequência inicial situada entre 24 e 34kHz.


Já no caso do Pipistrellus pygmaeus, a presença de chamamentos sociais constituídos por dois a cinco pulsos com FMaxE entre 19 e 22kHz e uma Frequência inicial superior a 34kHz, poderá confirmar a sua identificação com alguma segurança.
È claro que, como em tudo na natureza, nada é exato e há sempre aqueles decidem fazer coisas fora do normal e estranhas só para nos chatearem…