sábado, 18 de abril de 2015

Chamamentos sociais de morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula)


Nyctalus noctula

Foi recentemente publicado um artigo intitulado de “First records of Nyctalus noctula social calls in Portugal”, do qual deixo aqui o resumo.


Resumo: O morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula) é um dos maiores e rápidos morcegos migradores do paleártico. A sus distribuição estende-se em longitude desde da Península Ibérica até ao Japão e latitudinalmente desde do Norte de Africa até ao Sul da Escandinávia. Contudo, no Sudoeste da sua distribuição, as colónias de criação são escassas e esporádicas. Esta nota, apresenta os primeiros registos de chamamentos sociais registados em Portugal. De facto, dois tipos de chamamentos sociais do N. noctula (C1 and D1) que são usualmente associados a abrigos de acasalamento foram registados e identificados no vale do Rio Sabor, no Norte de Portugal. Portanto, estes novos dados podem contribuir para melhora e aumentar o conhecimento de locais potências de acasalamento, swarming e hibernação, assim como a época de acasalamento e comportamento deste espécie migradora.

O artigo identificou 3 tipos de chamamentos sociais, em que, dois dos quais já tinham sido referenciados por outros autores anteriormente, como é o caso deste, descrito por Guido Pfalzer em 2002 na sua tese de doutoramento .
 Chamamento social do tipo D

Ou este ainda não descrito.

Quem estiver mais interessado pode descarregar e ler o artigo completo AQUI



sábado, 28 de março de 2015

Abrigos de morcegos



Contrariamente a outros mamíferos, os morcegos são incapazes de construir os seus próprios abrigos, deste modo, dependem da disponibilidade destes no meio em que vivem, por isso os abrigos são locais cruciais para a estratégia vital dos morcegos, cada espécie seleciona esse mesmos abrigos em função do seu microclima, estrutura e volumetria. As espécies troglófilas elegem cavidades subterrâneas naturais ou artificiais e compartimentos habitacionais. A maior parte das espécies preferem refugiar-se na superfície do teto ou em paredes (e.g. Rhinolophus, Myotis myotis, Myotis blythii ou Miniopterus schreiberssi), embora haja algumas espécies que podem utilizar fissuras dentro destes abrigos (e.g. Myotis daubentonii ou Plecotus austriacus). Já as espécies fisurícolas usam fendas estreitas em construções e/ou paredes rochosas (e.g.; Hypsugo savii, Tadarida teniotis, Eptesicus ou os Pipistrellus) e os eminentemente arborícolas (Myotis bechsteinii, Plecotus auritus ou os Nyctalus) abrigam-se em buracos e fissuras de árvores. Contudo, esta classificação não é estrita, já que certas espécies são muito plásticas relativamente à escolha do tipo de abrigo, utilizando-os em função do seu estado fenológico, sexo e/ou época do ano.

LEGENDA: Intensidade de uso: F – frequente; R – raro; E- excecional; N- nunca; D - Registo bibliográfico. Periodicidade de uso: A – período de atividade; H – período de hibernação. Localização: T- teto; F – fissuras (a maiúscula colónias grandes e minúscula poucos indivíduos ou isolados). Adaptado de Quetglas & Garido, 2014.

De uma forma geral os morcegos para a hibernação preferem abrigos com temperaturas baixas e humidade relativa elevada, enquanto que na época de criação os abrigos quentes e secos são os preferidos (principalmente pelas fêmeas), pois estas condições favorecem o desenvolvimentos dos embriões e crias e diminuem os gastos energéticos das progenitoras.

CR7
 Nyctalus lasiopterus

 Rhinolopus euryale

 Eptesicus serotinus

A destruição de habitat é uma das maiores ameaçadas para a conservação dos morcegos, esta destruição/alteração de habitat tem-se refletido na tipologia de abrigos utilizados pelos morcegos, os casos mais evidentes são os do Barbastella barbastellus e dos Plecotus que têm substituído cada vez mais os seus abrigos maturais (árvores) por estruturas antrópicas.
 Myotis myotis

 Pipistrellus pygmaeus

 Plecotus aurtitus