sábado, 7 de março de 2015

Morcegos & mitos


Os morcegos não se enrolam nos cabelos das mulheres! Se um morcegos se aproximar da sua cabeça, será devido a duas razões ou existe alimento perto e está a tentar apanhar algum inseto ou por simples curiosidade. A não ser em situações de stress ou perturbação, os morcegos nunca entra em contacto físico como os seres humanos. O seu sistema de ecolocalização e a sua capacidade de voo permitem evitar os humanos e outros obstáculos.

Os morcegos limpam regularmente a sua pelagem e corpo como fazem os gatos e a generalidade dos outros mamíferos.

Todos os morcegos veem! Todas as espécies que ocorrem em Portugal pertencem à subordem microchiroptera, embora prefiram utilizar a ecolocalização para se deslocar, caçar e socializar na ausência de luz, a sua visão é normal em ambientes iluminados. Muitas vezes, os indivíduos que emergem precocemente (ao final da tarde ou luz fusco) não emitem ultrassom, preferindo deslocar-se através da visão. 
 
Os morcegos têm uma grande variedade de tamanhos o morcegos mais pequeno da nossa fauna é o morcego-pigmeu (pipistrellus pygmaeus) que pode pesar apenas 3-5 gramas, opostamente, o maior, é o morcego-arborícola-gigante (Nyctalus lasiopterus) com um peso máximo de 53 gramas e que pode atingir os 50 cm de envergadura!

No mundo, existem cerca de 1300 espécies diferentes, que corresponde a mais de ¼ das espécies de mamíferos existentes no mundo inteiro. Alguns comem insetos, outros bebem néctar, outros gostam mais de fruta e ainda existem alguns que comem peixe ou carne. De todas as espécies existentes no mundo, apenas, três (3) é que se alimentam de sangue.


Pelo contrário os morcegos comem as pragas, milhões delas. Por exemplo os 30 milhões de morcegos que existem na Caverna Bracken, comem 250 toneladas de insetos todas as noites. Um simples morcego-anão pode comer até 3000 mosquitos por noite!


Os morcegos enfrentam graves ameaças em todo o mundo. A expansão urbana e infraestruturas antropogénicas estão a reduzir drasticamente o seu habitat natural. Os seus abrigos subterrâneos são muitas vezes perturbados por humanos. São caçados para consumo humano ou abatidos pura e simplesmente por ignorância ou receios infundados. Na América do Norte, uma doença chamada de Síndroma de Nariz Branco que foi introduzida pelo homem já matou vários milhões de morcegos!


Apenas os morcegos insectívoros dos climas temperados é que hibernam, entre os quais, estão todas as nossas espécies. As mossas espécies de morcegos abrigam-se numa grande diversidade de abrigos, incluindo grutas, fissuras rochosas, árvores, pontes, viadutos, edifícios, etc…, qualquer lugar escuro e resguardado é um potencial abrigo de morcegos.


Contrariamente, os morcegos são extremamente inteligentes. Podem memorizar vastas áreas, conseguem identificar pontos de referência na paisagem que os ajudam a se orientar, assim como memorizar os seus abrigos, locais de descanso, bebedouro e locais de caça.


Os morcegos pertencem à Ordem Chiroptera da Classe Mammalia, caracterizados por terem transformado as suas mãos em asas. De facto os morcegos, genética e evolutivamente estão mais próximos dos primatas e dos lémures do que dos ratos!


Os morcegos fazem parte integrante da natureza. Eles caçam insetos, polinizam e dispersam sementes de muitas espécies arbóreas. Eles são um elo vital para a manutenção saudável dos ecossistemas e de muitas economias, nomeadamente na agricultura.


Os morcegos são mamíferos e logo não põem ovos, têm crias que amamentam. Têm uma taxa de natalidade muito baixa, de facto, a maior parte das espécies existentes em Portugal Continental têm normalmente uma cria por ano excecionalmente duas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Apontamentos sobre ecolocalização



De uma forma muito generalista a ecolocalização dos morcegos consiste na emissão de sons (pela boca e/ou nariz) e na interpretação do eco que é provocado pelas estruturas existente na sua envolvente. Todas as nossas espécies utilizam a ecolocalização para navegar, caçar e socializar. Cada uma das espécies possui características acústicas particulares induzidas pela sua fisionomia e determinantes para a sua biologia.

Esquematização da ecolocalização

A evolução da frequência do sinal (nas ordenadas) em função do tempo (nas abcissas), permite observar a estrutura dos pulsos, que é uma das caracteristica para destinguir espécie géneros ou grupos de espécies.

Estrutura do pulso

Os nossos morcegos emitem ultrassom entre os 10 e 150kHz e cada espécie utiliza uma gana de frequência específica, de um modo geral, quanto mais pequena é a espécie mais agudos são as vocalizações e quanto maior for a espécie mais graves são as vocalizações.
O ambiente envolvente e comportamento dos morcegos induzem igualmente variações de frequências dentro de cada uma das espécies. Geralmente quanto mais aberto for o espaço (mais longe estiverem os objetos) mais baixa é a frequência dos pulsos (vocalizações) e menor é a largura da banda (diferença entre a frequência máxima e mínima) e inversamente em espaços fechados.
A intensidade da emissão de um pulso (“volume”) é proporcional ao tamanho dos indivíduos e varia entre 120 e 133dB, este fator é o responsável pela distância de propagação do som e consequentemente influência a distância de deteção das diferentes espécies por um detetor de ultrassons.
Os nossos morcegos emitem em média um pulso (vocalização) a cada batimento de asa, que pode varia de 1 a 25 vocalizações por segundo! Este ritmo vária em função do comportamento e da distância de "observação" (ecolocalizar) de cada indivíduo, quanto mais perto estiver um morcego de um objeto, mais aumenta o ritmo de emissão dos pulsos e a menor é a duração dos pulsos.
 Ouvir os ultrassons através de material especializado (detetores de ultrassons) permite detetar imediatamente a presença de morcegos, contudo a detetabilidade das espécies não é homogénea, com efeito, a atenuação do som no ar é proporcional a sua frequência. Assim, a distância de deteção de um morcego depende da espécie.

Distância indicativa de deteção das diferentes espécies através de um detetor de ultrassons

sábado, 17 de janeiro de 2015

Leucismo em aves





As alterações da coloração das penas nas aves silvestres não são frequentes em aves selvagens, contudo, estão referenciadas muitíssimas espécies com este tipo de anomalia. A maioria destas anomalias são causadas por uma mutação genética, embora estejam reconhecidas outras causas que podem provocar este tipo de anomalias, como deficiências alimentares ou descoloração provocada pela luz. Existem vários tipos de anomalias genéticas que podem provocar alterações na cor da plumagem, entre as quais o albinismo, leucismo, esquizocroísmo e melanismo.


O leucismo caracteriza-se pela falta total ou parcial de pigmentos (melania) na plumagem resultante de uma condição genética que afeta a transferência e acumulação de pigmentos nas células das penas das aves. As aves com leucismo apresentam penas sem cor (brancas) em qualquer parte do corpo, podem ser observados indivíduos com diferentes percentagens de penas brancas (leucismo parcial) ou indivíduos totalmente brancos (leucismo total).


O grau de leucismo é condicionado pelo “timming” da mutação durante a embriogénese, ou seja, quanto mais cedo acontecer esta mutação maior será a percentagem de leucismo.


Contrariamente ao leucismo que é provocado geneticamente pela falta transferência e acumulação de melanina (embora haja produção), o albinismo é provocado geneticamente pela mutação de genes que codificam as enzimas produtoras de melanina (não há produção), resultando na ausência congénita de melanina em todo o corpo, nomeadamente nas penas, olhos e pele.


A diferença das aves albinas e as com leucismo, é que estas últimas apresentam pigmentação “normal” nos olhos e pele, assim como uma capacidade de visão normal pelo que tendem a viver mais que as com albinismo.