quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Um longicórneo


Sobre este pequeno coleóptero, a informação que encontramos na Internet é muito escassa e incompleta. 


Trata-se de um coleóptero pertencente à família Cerambycidae, cujos membros apresentam antenas extremamente longas que, por vezes ultrapassam o tamanho do próprio corpo. O nome comum dado em Portugal (Longicórneo) pode ser estendido a outros membros da família dos cerambicídeos.  

Os adultos podem chegar a medir 1,4 centímetros, podem ser encontrados entre Abril e Julho e têm um ciclo de vida anual.

Tanto as larvas como os adultos alimentam-se de diferentes plantas como ortigas, malvas e diversas espécies de cardos, de onde derivará o seu nome científico Agapanthia cardui

Esta espécie tem uma distribuição ampla na Europa podendo ser encontrada na maioria dos países europeus.

Este indivíduo é um adulto e foi fotografado em Maio no concelho de S. João da Pesqueira.
 

domingo, 19 de outubro de 2014

Novos dados sobre a distribuição de Iberomys cabrerae em Portugal


Foi recentemente publicado um artigo que aporta novos dados para a distribuição de três micromamíferos roedores em Portugal, entre os quais o Iberomys cabrerae (anteriormente designado de Microtus cabrerae) uma espécie classificada como Vulnerável (VU). Estes novos dados ampliam para 23 quadrículas 10X10km as 10 previamente identificadas com presença da espécie na área de estudo.

 In: Vale-Gonçalves and Cabral (2014)

 Foto de Helia Marisa Vale-Gonçalves

Para quem estiver interessado pode descarregar do PDf do artigo AQUI

domingo, 5 de outubro de 2014

Swarming de Myotis bechsteinii no Norte de Portugal



Myotis bechsteinii
 Myotis bechsteinii

Embora seja uma espécie eminentemente florestal e em particular ligada a florestas de folhosas bem desenvolvidas, o facto do Morcego de Bechstein (Myotis bechsteinii) se tratar de uma espécie altamente sedentária com deslocações em torno de 1Km (embora os machos se possam deslocar mais) faz com que esta espécie possa ser encontrada em pequenas bolsas residuais de folhosas no meio de outros habitats (um dos exemplos são as pequenas manchas residuais de carvalhos e castanheiros que existem no meio da exploração de pinheiro, eucaliptos e pseudotsuga da Portucel na Serra da Malcata). De facto as espécies termófilas como o Myotis bechsteinii foram mais abundantes durante o holoceno quando os bosques mistos e temperados abundavam no nosso território, atualmente esta espécies encontra-se em regressão e a sua distribuição está cada vez mais limitada aos habitats residuais desse período.

Myotis bechsteinii
Myotis bechsteinii

Myotis bechsteinii
Myotis bechsteinii

 Myotis bechsteinii
  Myotis bechsteinii


De acordo com o Atlas de Morcegos de Portugal, os registos atuais do Morcego de Bechstein restinguem-se a meia dúzia de quadrículas UTM (10x10kM) e mais 8 registos históricos, pelo que é uma das espécies de morcegos mais raras e com uma população mais fragmentada em Portugal.

 
Mapa de distribuição de  Myotis bechsteinii (fonte: Atlas de Morcegos de Portugal)


Entre o final do Verão e do Outono, a maior parte das nossas espécies de morcegos reúnem-se em abrigos subterrâneos, onde caçam (no interior e no seu entorno), exibem comportamentos de voo particulares, emitem vocalizações de socialização e acasalam. Este fenómeno é designado de swarming (que traduzido à letra significa enxame ou ajuntamento) e cada uma das espécies, entre o final do Verão e do Outono tem o seu período de swarming que pode variar em função da dimensão da população, da espécie e das condições climáticas.

Myotis emarginatus

Pormenor dos epidídimos de um Myotis emarginatus em época de acasalamento

Estes locais de swarming desempenham um papel fulcral na conservação das populações de morcegos já que são locais onde muitas espécies acasalam. Um único sítio swarming pode ser o local de acasalamento de várias espécies diferentes, além de que a congregação de muitos indivíduos da mesma espécie faz com que haja um fluxo genético entre as populações mais isoladas, diminuindo assim a sua endogamia.


Myotis bechsteinii

 Myotis bechsteinii

Por uma questão de proximidade e contenção de custos (em particular quando os gastos saem do nosso bolso), os nossos trabalhos estão muito centrados no Norte de Portugal e de facto a informação que temos recolhido durante os últimos 6 anos já é considerável não só em termos de distribuição de observações, como na identificação de locais importantes para a conservação dos morcegos, como por exemplo este local de swarming de Barbastella barbastellus. Desta vez foi a identificação de um local de swarming de Myotis bechsteinii, M. escalerai e de M. emarginatus.

Myotis escalerai
  Myotis escalerai

Myotis escalerai
 Myotis escalerai

Myotis emarginatus
Myotis emarginatus

Myotis emarginatus

Myotis emarginatus

A proteção eficiente dos morcegos deve incidir sobre todos os refúgios utilizados durante todo o ciclo anual (hibernação, reprodução, migração e acasalamento) e não só sobre os mais convencionais (hibernação e reprodução). Tendo em conta a importância que os locais sawrming representam, seria importante desenvolver esforços para os localizar, identificar e caracterizar de modo a serem devidamente classificados como de Importância Nacional (como já o são os abrigos de criação e hibernação). Acresce o facto, que muitos destes locais são sítios onde ocorrem espécies raras e com estatuto de conservação desfavorável como é o caso do Myotis bechsteinii que está classificado de Em Perigo.

Myotis bechsteinii
 Myotis bechsteinii

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

'Põe ovos', voa e não tem penas....

As Libélulas passam a parte inicial do seu ciclo de vida dentro de água, em diversos habitats aquáticos, por períodos que podem ir de vários meses a alguns anos. Todos os seres vivos com esta estratégia no seu ciclo biológico são denominados Anfíbios, (do grego Amphi = ambos, e Bio = vida, isto é, vivem em ‘ambos os meios’ ou têm uma ‘vida dupla’). A larva muda de pele (exosqueleto) várias vezes para poder crescer e quando atinge o tamanho final, na época favorável (que geralmente corresponde ao início da primavera), deixa da água, faz uma última ‘muda de pele’, expandindo o seu abdómen e as suas asas, assumindo a sua forma adulta definitiva. Este processo é conhecido como emergência.

É durante esta fase de adulto, geralmente denominada como fase de voo que se dá o acasalamento. O macho produz o sémen na extremidade do abdómen e transfere-o para a genitália secundária situada na base do abdómen, através do qual é passado para a fêmea. Os ovos só são fertilizados durante a sua postura, o que possibilita a intervenção de outros machos oportunistas, que poderão copular com a fêmea entretanto e remover o esperma do rival. Isto explica porque na maioria das vezes se podem ver os machos a voar sobre as fêmeas ou mesmo ‘agarrados’ a ela, durante a postura, para a guardar.
As posturas podem ser feitas directamente sobre a superfície da água, no substracto húmido das margens de ambientes aquáticos ou na vegetação aquática. A fêmea coloca assim os ovos que são expelidos pelo ovopositor, órgão situado na extremidade do abdómen.

A Libélua anelada - Cordulegaster boltonii – uma das espécies da fauna portuguesa, ocorre em ribeiras e rios de pequenas dimensões em áreas florestadas.




Cordulegaster boltonii (macho)


A fêmea desta espécie faz as posturas geralmente no substracto das margens dos cursos de água, num característico movimento vertical:

Fêmea registada na zona montante do rio Sabor.