domingo, 17 de maio de 2015

Dieta da cobra-de-água-viperina

A distribuição da cobra-de-água-viperina (Natrix maura) em Portugal é praticamente contínua e homogénea, e depende essencialmente da ocorrência de pontos de água. É uma espécie muito comum e localmente abundante. Distribui-se desde o nível do mar até aos 1650 m, não demonstrando preferência por nenhum estrato altitudinal.
A tanatose, a libertação de um odor nauseabundo, postura semelhante de víbora (expandindo a cabeça para adotar uma forma triangular), emissão de silvos e ameaçadas de morder, são os principais comportamentos de defesa quando ameaçadas. Estes comportamentos, em conjunto com o padrão dorsal em zigue-zague, estão na origem do seu nome comum (cobra-de-água-viperina), devido às parecenças com as víboras.

Exímia nadadora, raramente se afasta da água, podendo esporadicamente consumir outros répteis e micromamíferos ou invertebrados, a base principal da sua dieta é composta por peixes e anfíbios. Para a sua captura, desenvolveu um variado número de comportamentos predatórios (ex: emboscada, procura ativa ou iscagem com a própria língua, entre outros) que dependem do tipo e tamanho da presa, o meio aquático e o seu próprio tamanho.

O grande reportório de comportamento predatórios que esta espécie tem, deve-se principalmente à grande variabilidade de espécie de peixes e anfíbios que consome, que têm características muito diferentes (posições na coluna de água, velocidade de natação, tipo de agrupação, etc…) de entre os peixes ibéricos, a cobra-de-água-viperina, pode consumir espécie da família Blenniidae (Salaria fluviatilis), Centrarchidae (Lepomis gibbosus), Ciprinidae (Barbus bocagei, Barbus graellsii, Barbus haasi, Barbus sclateri, Carassius auratus, Chondrostoma miegii, Chondrostoma polylepis, Cyprinus carpio, Gobius gobius, Phoxinus phoxinus, Rutilus arcasii, Rutilus rutilus, Squalius cephalus), Cobitidae (Barbatula barbatula), Gasterosteidae (Gasterosteus aculeatus), Poecilidae (Gambusia affinis, Gambusia holbrooki) e Salmonidae (Salmo gairdneri, Salmo trutta) quanto aos anfíbios a sua dieta é também muito variada, incluindo a Pleurodeles waltl, Lissotriton boscai, Lissotriton helveticus, Triturus marmoratus, Salamandra salamandra, Alytes cisteransii, Alytes obstetricans, Bufo bufo, Epidalea calamita, Discoglossus galganoi, Pelobates cultripes, Rana iberica, Pelophylax perezi e Hyla arborea.

De relembrar que esta espécie é uma serpente aglifa, ou seja, não possui dentes inoculadores de veneno, não representando qualquer perigo para a espécie humana!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Chave dicotómica de larvas de anfíbios

1a – Brânquias externas durante todo o período larvar. Larva com as quatro patas de tamanho semelhante ou com as patas anteriores (braços) maiores que as posteriores (pernas) nas primeiras fases do desenvolvimento larvar (2)
1b – Sem brânquias externas. Pernas surgem primeiro e são maiores que os braços (7)

2a – Início da membrana caudal próximo da base das pernas (3)
2b – Início da membrana caudal logo atrás da cabeça (4)

3a – Início da membrana caudal a meio das costas. Mancha clara na base e cada perna - Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra)
3b – Membrana caudal apenas na cauda. Ausência de mancha clara na base de cada perna - Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)
Salamandra salamandra

4a – Dedos curtos, crista baixa, cor sem grandes manchas escuras (5)
4b – Dedos muito compridos e finos (exceto no final da fase larvar). Crista alta com manchas escuras, cor de fundo geralmente esverdeado - Tritão-marmorado (Triturus marmoratus)

Triturus marmoratus

5a – Dedos curtos, cabeça robusta, branquias muito desenvolvidas, crista baixa, cor sem grandes manchas escuras - Salamandra-dos-poços (Pleurodeles waltl)
5b – Larvas até 40 mm, sem as características anteriores (6)

6a – Risca escura passando pelas narinas e pelos olhos formando uma “mascarilha”, cauda estreitando progressivamente até à ponta sem formar um filamento na ponta - Tritão-palmado (Lissotriton helveticus)
6b – Sem risca escura formando “mascarilha”, membrana caudal apenas se torna estreita próxima da ponta, terminando num pequeno filamento - Tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai)
Lissotriton boscai

7a – Espiráculo situado no flanco esquerdo do corpo (8)
7b – Espiráculo na região ventral (15)

8a – Desenho da cauda composto por um denso reticulado de finas linhas escuras cruzadas. Duas fileiras longitudinais de pontos claros em cada lado do dorso - Sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes punctatus / P. ibericus)
8b – Sem as características anteriores (9)

9a – Olhos situados em posição lateral, correspondendo à parte mais larga da cabeça. Membrana caudal inicia-se próximo dos olhos, muito desenvolvida e de ângulos muito convexos (10)
9b – Olhos situados em posição dorsal. Membrana caudal inicia-se próximo do início da cauda e de forma aproximada à do músculo (12)

10a – Larva grande (até 90 mm) com músculo da cauda simétrico e estrutura bucal com bico negro muito grande e com numerosas séries de dentículos - Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes)
10b – Larva sem as características anteriores (11)

11a – Metade superior da região muscular da cauda com uma larga banda longitudinal escura ou com duas linhas escuras que se fundem no início – Rela (Hyla arborea)
11b - Metade superior da região muscular da cauda com duas linhas escuras finas, uma da região superior e outra na região central, separadas uma banda clara – Hyla meridional (Hyla meridionalis)
Hyla arborea

12a – Membrana dorsal começa no início da cauda é baixa e termina com ponta arredondada. Larva pequena (até 35 mm) escura ou negra (13)
12b – Larva até 70 mm. A cauda (quando intacta) representa mais de 2/3 do comprimento total. Membrana caudal inicia-se na parte final do tronco e tem a ponta afunilada (14)

13a – Distância entre olhos semelhante à largura da boca - Sapo-comum (Bufo bufo)
13b – Distância entre olhos maior que a largura da boca - Sapo-corredor (Epidalea calamita)

14a – Larva com coloração variável, (de castanho escuro a verde claro) com o ventre branco. Mancha escura na zona central do músculo da cauda, ponta da cauda comprida e afilada - Rã-verde (Pelophylax perezi)
14b – Larva frequentemente escura, nunca esverdeada. Ventre escuro e transparente, deixando ver os intestinos. Membrana caudal alta, com manchas claras. Habitats de água corrente - Rã-ibérica (Rana iberica)

15a – Larva esbelta de pequenas dimensões (até 35 mm) sem manchas contrastantes na membrana da cauda - Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi)
15b – Larva de tamanho médio-grande, geralmente com manchas contrastantes na membrana da cauda (16)

16a – Região muscular da cauda sem manchas ou com manchas muito pequenas - Sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans)

16b – Região muscular da cauda com duas manchas escuras paralelas que podem ou não tocar-se - Sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii)
Alytes cisternasii

Alytes obstetricans

sábado, 18 de abril de 2015

Chamamentos sociais de morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula)


Nyctalus noctula

Foi recentemente publicado um artigo intitulado de “First records of Nyctalus noctula social calls in Portugal”, do qual deixo aqui o resumo.


Resumo: O morcego-arborícola-grande (Nyctalus noctula) é um dos maiores e rápidos morcegos migradores do paleártico. A sus distribuição estende-se em longitude desde da Península Ibérica até ao Japão e latitudinalmente desde do Norte de Africa até ao Sul da Escandinávia. Contudo, no Sudoeste da sua distribuição, as colónias de criação são escassas e esporádicas. Esta nota, apresenta os primeiros registos de chamamentos sociais registados em Portugal. De facto, dois tipos de chamamentos sociais do N. noctula (C1 and D1) que são usualmente associados a abrigos de acasalamento foram registados e identificados no vale do Rio Sabor, no Norte de Portugal. Portanto, estes novos dados podem contribuir para melhora e aumentar o conhecimento de locais potências de acasalamento, swarming e hibernação, assim como a época de acasalamento e comportamento deste espécie migradora.

O artigo identificou 3 tipos de chamamentos sociais, em que, dois dos quais já tinham sido referenciados por outros autores anteriormente, como é o caso deste, descrito por Guido Pfalzer em 2002 na sua tese de doutoramento .
 Chamamento social do tipo D

Ou este ainda não descrito.

Quem estiver mais interessado pode descarregar e ler o artigo completo AQUI