sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

E tu quem és?



A identificação de morcegos pode ser realizada de diversas formas, seja ela direta, indireta (através de registos acústicos, dejetos ou retos de alimentação), de animais vivos, mortos ou de restos ósseos. Neste último caso as egagrópilas de rapinas (em particular as noturnas) ou dejetos de pequenos carnívoros (em especial ginetas), podem proporcionar informação suficiente para a identificação de morcego, assim, depois de termos publicado uma chave dicotómica simplificada para a identificação morfológica neste post, agora iremos abordar a identificação de morcegos através de crânios, embora a identificação possa ser feita até ao nível da espécie, neste post, por uma questão de simplicidade apenas iremos realização a identificação até ao nível do género.




Quatro incisivos superior.....1
Dois incisivos superiores.....8

1 - Fórmula dentária 2.1.3.3/3.1.3.3. Crânio com depressão profunda entre a zona frontal e occipital....Miniopterus
– Crânio sem depressão entre a zona frontal e occipital.....2
2 - Formula dentária 2.1.3.3/3.1.3.3. Com três pré-molares superiores e três inferiores.....Myotis
- Com um ou dois pré-molares superiores ou dois ou três inferiores.....3
3 – Formula dentária 2.1.1.3/3.1.2.3. Com um pré-molar superior e dois inferiores.....Eptesicus
- Com dois pré-molares superiores e dois ou três inferiores.....4
4 – Com formula dentária 2.1.2.3/3.1.3.3 e bulas timpânicas muito desenvolvidas, cujo diâmetro transversal é superior que a distância que as separa.....Plecotus
- Formula dentária 2.1.2.3/3.1.2.3 e bulas timpânicas menos desenvolvidas.....5
5 – Margem do palatino anterior profundo, alcançando o ponto médio dos molares posteriores.....Nyctalus
- Margem do palatino anterior não tão profundo como o caso anterior, não ultrapassando a bordadura posterior dos caninos.....6
6 – Margem nasal profundo, a distância entre a base dos incisivos e a constrição inter-orbitária é semelhante. Caninos superiores com dois sulcos, um no lado labial e outro no lingual.....Barbastella
- Margem nasal pouco profunda, a distância entre a base dos incisivos é superior à distância na constrição inter-orbitária. Caninos superiores com apenas um sulco no lado labial.....7
7 – Primeiro pré-molar superior diminuto (as vezes ausente), a sua área coronal é menor que a quarta parte da área coronal do segundo incisivo superior. O segundo pré-molar superior em contacto com o canino.....Hypsugo
- Área coronal do primeiro pré-molar superior aproximadamente igual ao do segundo incisivo superior. Segundo pré-molar superior separado do canino.....Pipistrellus
8 - Crânio de perfil superior reto e com formula dentária 1.1.2.3/3.1.2.3.....Tadarida
- Formula dentária 1.1.2.3/2.1.3.3. O crânio com premaxilar de ossificação incompleta.....Rhinolophus
 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pormenores: apontamento I



Quando identificamos morcegos (e em muitos outros grupos faunísticos) morfologicamente, às vezes, é necessário recorre-mos a pormenores. O caso dos Pipistrellus é um deles, quando se trata de um macho, umas das características que nos pode ajudar é a típica linha pálida que divide longitudinalmente o pénis do Pipistrellus pipistrellus.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Branco & preto



Foto de Luís Moreira
A gineta (Genetta genetta L., 1758) é uma espécie nativa de Africa e é a única espécie da família dos Viverridae presente na Europa, com um tamanho semelhante a um gato, corpo esguio, patas curtas e cauda mais longa que o corpo, pode ser observada facilmente em habitats propício em toda a Península Ibérica, sendo mais rara a sua presença no SO da França e NO de Itália, esporadicamente pode ainda ser observada na Bélgica, Suíça, Holanda e Alemanha.
 Foto de Abrandino Ledesma

Nos mamíferos, a cor da pelagem, pele e olhos é resultado da quantidade de melanina sintetizada. Esta pigmentação surge a partir da síntese de melanina que é catalisada através da enzima denominada de tirosinase que se encontra nos melanócitos. Deste modo, as mutações que afetam a biossíntese de melanina podem ter um impacto grande num individuo, podendo mesmo ser sobre a pigmentação da retina dos olhos. A mutação mais comum é o albinismo, que resulta na perda da função oxidativa da tirosinase, provocando um fenótipo branco com olhos vermelhos, quando o fenótipo branco não é acompanhado pela coloração vermelha dos olhos os animais são designados de leucismo em vez de albino. Contudo, os casos de melanismo também podem ser frequentes, dado mesmo origem a espécies específicas, como é o caso da pantera que derivou do fenótipo melânico do jaguar.
Foto de Luís Moreira

Os casos de melanismo em ginetas são localizados (embora não sejam assim tão raros quanto se pensa) e sobretudo na Península Ibérica e o facto de nunca ter sido observado caso de melanismo em gineta na sua área nativa de distribuição, tem levado a crer que o melanismo nesta espécie esteja associado à consanguinidade devido à reduzida população fundadora introduzida na europa.
Alguns casos de melanismo em gineta foram registados no Norte de Portugal. Para quem tiver curiosidade em ler o artigo pode descarrega-lo AQUI.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Rato-do-campo-de-rabo-curto



Vole, Wühlmäuse, topillo, campanols
 Microtus agrestis

O Rato-do-campo-de-rabo-curto (Microtus agrestis) é um arvícola de tamanho médio (20-50 gr) e de aspeto robusto, com focinho arredondado e cauda relativamente curta. A sua pelagem é de tom cinzento-escuro no dorso e mais pálida nos flancos, podendo em alguns caso ter tons amarelentos. As patas, garganta e ventre são geralmente esbranquiçadas ou cremosas em adultos mais velhos. Mudam a pelagem entre estações frias e quentes, sendo que nas estações frias têm uma pelagem mais densa e fina. Têm seis almofadas palmares nos pés e quatro mamas, duas peitorais e duas inguinais.


Vole, Wühlmäuse, topillo, campanols
 Microtus agrestis

O seu habitat é preferencialmente constituído por prados e pastagens densas com pouca pressão pastoril, podendo também ocorrer em plantações florestais com sub-coberto herbáceo bem desenvolvido. É mais frequente em zonas de montanha, margens pedregosas de linha de água e zonas húmidas de pastos e juncais. Contudo, a presença de uma cobertura herbácea densa é requisito fundamental para a sua presença, já que é uma espécie herbívora muito seletiva, com preferência por rebentos, folhas e caules tenros de herbáceas, podendo comer também sementes de dicotiledóneas e em menor percentagem bolbos. Ocasionalmente durante o inverno e na falta de outro alimento, pode roer a casca da base de pequenas árvores e comer pequenos invertebrados como insetos.

Vole, Wühlmäuse, topillo, campanols
 Microtus agrestis