quarta-feira, 21 de maio de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
Cobra-lisa-meridional (Coronella girondica)
A
cobra-lisa-meridional (Coronella
girondica) é um ofídio de pequeno tamanho, cabeça pequena e cauda
relativamente curta. Tem o dorso e flancos geralmente de cor pardacenta, com
uma linha de manchas transversais pelo dorso, no ventre destacam-se as manchas quadrangulares
escuras sobre um fundo claro, formando um axadrezado. Na parte dorsal da cabeça
tem uma mancha escura em forma de U. De cada lado da cabeça, tem uma linha
escura que atravessa o olho e se prolonga pela placa frontal, onde se unem.
A sua
distribuição inclui o Nordeste de África e o Sudoeste da Europa (Península
Ibérica, França e Itália). Ocupa uma grande variedade de habitats naturais,
pelo que pode ser considerada como generalista. No Norte da sua distribuição
ocupa principalmente vertentes viradas a Sul e no Sul prefere encostas viradas
a Norte. Fundamentalmente saurófaga, as suas presas principais são lagartixas e
em menor percentagem, a sua dieta também pode incluir, licranços, ovos de
répteis, micromamíferos, crias de aves e artrópodes. Farejadora ativa, durante
o crepúsculo procura a suas presas nos refúgios, visto que a maioria das suas
presas são diurnas.
Como
estratégia antipredatória, exibe mimetismo batesiano (capacidade de imitar
outra espécie) com as víboras. Está ativa entre Março e meados de Novembro e o
seu ciclo circadiano é preferencialmente crepuscular ou noturno, sendo que é
uma espécie tigmotérmica (capacidade de absorver calor de superfícies) com
sistema de termorregulação.
A
identificação da cobra-lisa-meridional (Coronella
girondica) requere algum cuidado visto que
pode ser confundida com a sua congénere cobra-lisa-europeia (Coronella austriaca) as principais
características que devemos ter em atenção são as seguintes:
- Escamas supra labiais em contacto com o olho – na girondica são a S4 e S5 e na austriaca são a S3 e S4;
- Número de escamas pré e pós-oculares - na girondica são duas e uma na austriaca são duas e duas;
- Escama rostral - na girondica é arredondada e na austriaca é triangular;
- Manchas escuras nos flancos e topo da cabeça - na girondica inicia-se na última supra labial e vai até ao olho infletindo para as frontais e na austriaca inicia-se na última supra labial e vai até ao orifício nasal;
- Padrão do ventre - na girondica axadrezado de claro e preto e na austriaca é escuro mais ou menos uniforme.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Uma bola de espinhos
O ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) é provavelmente o
mamífero mais fácil de identificar, pelo facto de ter a zona dorsal coberta de
espinhos (cerca de 6 mil!!!), que não são mais do que simples pêlos
modificados. Estes pêlos, bastante aguçados, têm entre 2 a 3 cm. O
ouriço-cacheiro é maior insectívoro da nossa fauna, com um comprimento do corpo
entre 18 a 20 cm e cerca de 1 kg de peso máximo, sendo o valor mais habitual os
700 g. A sua coloração é parda, mas ou menos escuro, dependendo dos indivíduos,
mas o seu ventre é sempre esbranquiçado.
sábado, 12 de abril de 2014
Pipistrellus pipistrellus Vs Pipistrellus pygmaeus
Umas das espécies de morcegos mais complicadas de distinguir
são o Pipistrellus pipistrellus e o Pipistrellus pygmaeus, assim deixo aqui
algumas características e imagens que poderão ajudar a distinguir esta duas espécies
muito similares.
Pormenor da nervura alar (imagem de ©Dietz & vonHelversen)
Pormenor da saliência entre as narinas (imagem de ©Dietz & vonHelversen)
Pormenor da coloração das glândulas salivares (imagem de ©Dietz & vonHelversen)
Pormenor da coloração do penis (imagem de ©Dietz & vonHelversen)
Pormenor da coloração da vagina (imagem de ©Dietz & vonHelversen)
sexta-feira, 28 de março de 2014
Encontros na Serra do Gerês com a Cabra-montês (Capra pyrenaica)
Corria o ano de 1892 quando foi
avistada a última Cabra-montês (subespécie Capra
pyrenaica lusitanica) na Serra do Gerês, cento e sete anos depois, em
Fevereiro de 1999 foi confirmado o regresso desta espécie ao território português.
O seu desaparecimento deveu-se muito provavelmente a uma má gestão cinegética e a caça
descontrolada acabou por eliminar o efectivo populacional português. Espanha
passou então a ter a exclusividade desta espécie, que nos dias que correm ainda é um troféu
de caça muito cobiçado. Uns anos mais tarde, o então presidente da república
portuguesa Américo Thomaz pediu, sem sucesso, a Franco alguns exemplares criados em cativeiro,
para reintrodução em Portugal.
Em 1992 a Junta da Galiza trouxe 4
machos e 8 fêmeas (desta vez da subespécie C.
pyrenaica victoriae) da Reserva Nacional de Caça das Batuecas em Salamanca,
para reintrodução da espécie no Parque Nacional de Invernadero. Em 1998 dezoito (5 machos e 11 fêmeas) dos 70 exemplares que constituíam esse grupo foram
transferidos para o Parque natural da Baixa Limia – Serra do Xurés, onde foram
colocados em Salgueiros, mesmo junto à fronteira com Portugal. Um casal que
posteriormente foi transferido para um cercado na Serra de Santa Eufémia, gerou
uma cria com sucesso e acabaram por fugir os 3 desse cercado. Foram estes
indivíduos que foram vistos em 1999 do lado português. Mais tarde fugiram
alguns exemplares do cercado de Salgueiros para a zona de Pitões das Júnias e
em 2000 e 2001 os responsáveis pelo parque galego libertaram 25 exemplares na
Serra do Xurés, que vieram incrementar a população selvagem.
Em 2008 estimava-se que a
população portuguesa contasse com aproximadamente 300 indivíduos e em 2012
rondasse os 450.
Na última incursão à Serra do
Gerês tivemos um encontro imediato com um fato de aproximadamente 80 descendentes
dos primeiros exemplares a regressar ao nosso país, que saltavam ligeiros e curiosos sobre os cabeços dos maciços graníticos. Nunca tínhamos visto tantos
indivíduos num só grupo. Aparentemente esta espécie, classificada como
Criticamente em Perigo em Portugal (por se estimar em 2006 que o seu efetivo
populacional é inferior a 50 indivíduos), veio para ficar.
Referências:
Cabral, M. J.
(coord.), Almeida, J., Almeida P. R., Dellinger, T., Ferrand de Almeida, N.,
Oliveira, M. E., Palmeirim, J. M., Queiroz, A. I., Rogado, L., Santos-Reis, M.
(Eds) (2006). Livro Vermelho dos
Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660pp.
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