sábado, 1 de março de 2014

Um pigmeu gigante



De entre todos os morcegos, o Pipistrellus pygmaeus (morcego-pigmeu) é o mais pequeno da nossa fauna, pesando em média apenas 4 gramas, em termos de comparação e para quem tenha dificuldade em ter a noção da ordem de grandeza, seria necessário dois morcegos-pigmeus para pesar o equivalente a um saquinho de açúcar.


Os 39ºC de temperatura corporal e os cerca de 1000 batimentos cardíacos por minuto, faz com que este morcego dissipe muita energia, pelo que esta perda de energia tem que ser compensada pela ingestão de muita comida e é aqui que este pigmeu se torna num gigante!

 Pipistrellus pygmaeus (morcego-pigmeu)

Por noite este pequeno morcego, come em média 1.000 insetos (principalmente melgas e mosquitos), se tivermos em conta que o período de atividade é de 10 meses (300 dias), em apenas um ano, um morcego-pigmeu consome aproximadamente 300 mil melgas e mosquitos, multiplicando este número pela esperança de vida média, que é de 15 anos. Um morcego-pigmeus durante a sua vida come cerca de 4,5 milhões de melgas e mosquitos, o equivalente a cerca de 11 quilos de melgas e mosquitos!


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Migração das aves


De uma forma simplificada podemos descrever a migração das aves como uma deslocação intencional e periódica entre os locais de nidificação e os locais de invernada. Estes movimentos são, geralmente, efectuados ao longo do eixo Norte-Sul e podem ser percorridas grandes distâncias (até 18 000 kms no caso da Gaivina do Árctico Sterna paradisea). Os principais objectivos destes movimentos são encontrar mais facilmente alimento e ter melhores condições meteorológicas.

Estas movimentações desde muito cedo têm despertado a nossa curiosidade e admiração pelo que têm sido muito estudadas utilizando técnicas como o registo das datas de chegada a diferentes locais, a anilhagem e a marcação com emissores de satélite ou geo-localizadores.

Devido aos seus movimentos, as espécies migradoras ficam expostas a um maior número de factores de ameaça como a destruição de habitat (especialmente nos locais de invernada ou de descanso) ou estruturas potencialmente perigosas como as linhas eléctricas ou aerogeradores e a perseguição (especialmente durante as suas movimentações). Também as alterações climáticas podem afectar, de forma particular, este conjunto de aves podendo causar o aumento das distâncias a percorrer ou alterar o calendário fenológico da espécie.

Todos conhecemos casos de espécies migradoras que invernam em África e que se vêm reproduzir ao nosso país como é o caso dos Cucos ou das Cegonhas.
De facto, em Portugal há espécies que apenas estão presentes durante a época de nidificação e se deslocam para o continente africano para aí invernarem e há espécies que apenas estão presentes no Inverno fazendo movimentos migratórios para as áreas de reprodução no norte e centro da europa. No entanto, esta diferenciação, nem sempre é assim tão clara já que há espécies em que apenas uma parte da população migra (como é o caso da Cegonha-branca Ciconia ciconia) ou casos em que a espécie apresenta movimentos de migração a norte do país e ocorre todo o ano a sul (como é o caso da Codorniz Coturnix coturnix).




Está prestes a iniciar mais uma época de chegadas das espécies que vêm nidificar ao nosso país. A cada ano vai havendo algumas alterações das datas das primeiras observações deste conjunto de aves. Deixo aqui um pequeno registo que fui fazendo no ano de 2013, com as datas e locais em que observei pela primeira vez algumas destas espécies.


Nome comum
Nome científico
1ª Obs.2013
Localidade (concelho)
Andorinha-dos-beirais
Delichon urbicum
04-Fev
São João da Pesqueira
Águia-cobreira
Circaetus gallicus
15-Fev
Mogadouro
Cegonha-preta
Ciconia nigra
21-Fev
Celorico da Beira
Andorinha-das-chaminés
Hirundo rustica
01-Mar
São João da Pesqueira
Milhafre-preto
Milvus migrans
13-Mar
Aveiro
Britango
Neophron percnopterus
14-Mar
Mogadouro
Andorinha-dáurica
Cecropis daurica
16-Mar
Freixo de Espada à Cinta
Cuco-canoro
Cuculus canorus
19-Mar
Guarda
Tartaranhão-caçador
Circus pygargus
20-Mar
Guarda
Papa-amoras-comum
Sylvia communis
21-Mar
Guarda
Andorinhão-preto
Apus apus
24-Mar
Figueira da Foz
Andorinhão-pálido
Apus pallidus
24-Mar
Figueira da Foz
Mocho-pequeno-d’orelhas
Otus scops
03-Abr
São João da Pesqueira
Codorniz
Coturnix coturnix
04-Abr
São João da Pesqueira
Águia-calçada
Aquila pennata
06-Abr
São João da Pesqueira
Abelharuco
Merops apiaster
07-Abr
São João da Pesqueira
Toutinegra-carrasqueira
Sylvia cantillans
11-Abr
Guarda
Papa-figos
Oriolus oriolus
16-Abr
Freixo de Espada à Cinta
Andorinhão-real
Apus melba
16-Abr
Mogadouro
Rouxinol-comum
Luscinia megarhynchos
17-Abr
Mogadouro
Chasco-ruivo
Oenanthe hispanica
17-Abr
Freixo de Espada à Cinta
Picanço-barreteiro
Lanius senator
17-Abr
Mogadouro
Torcicolo
Jynx torquilla
18-Abr
Freixo de Espada à Cinta
Sombria
Emberiza hortulana
21-Abr
Guarda
Cuco-rabilongo
Clamator glandarius
22-Abr
Évora
Chasco-cinzento
Oenanthe oenanthe
22-Abr
Évora
Peneireiro-das-torres
Falco naumanni
26-Abr
Elvas
Rolieiro
Coracias garrulus
26-Abr
Elvas
Rola-brava
Streptopelia turtur
08-Mai
Alijó
Felosa de Bonelli
Phylloscopus bonelli
11-Mai
Mogadouro
Felosa-poliglota
Hippolais polyglotta
18-Mai
Guarda
Bútio-vespeiro
Pernis apivorus
20-Mai
Guarda
 





































domingo, 26 de janeiro de 2014

Morcego-orelhudo-cinzento (Plecotus austriacus)




A distribuição do morcego-orelhudo-cinzento (Plecotus austriacus, Fischer 1829), está restrita à Europa, Ilhas da madeira e costa atlântica de África, embora seja uma espécie comum no sul da Europa, no norte é uma espécie rara. Estudos recentes sobre os estados populacionais desta espécie, indicam que tem vindo a ter um declínio gradual nos últimos anos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Os Louva-a-Deus


Também conhecidos como Louva-a-Deus, Teresinhas ou Cavalinhos-de-Deus este grupo de insectos é, muito provavelmente, um dos mais conhecidos do nosso país. O nome comum dado à generalidade dos insectos deste grupo dever-se-á, muito provavelmente à posição que os membros anteriores assumem em posição de repouso, fazendo lembrar a posição de oração. A espécie mais conhecida, e talvez a mais comum no nosso país, é o Louva-a-Deus-comum Mantis religiosa


Louva-a-Deus-comum Mantis religiosa