domingo, 17 de fevereiro de 2013

Morcegos: um grupo desconhecido



Cerca de 40% das espécies de mamíferos terrestres de Portugal Continental são morcegos, das 25 espécies ocorrentes no nosso território e de acordo com o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), 3 espécies classificadas de Criticamente em Perigo (CR), 1 Em Perigo (EN), 4 Vulnerável (VU), 6 Pouco Preocupante (LC) e 9 Informação Insuficiente (DD), a estas 23 espécies, ainda à que acrescentar duas (Myotis escalerai e Eptesicus isabellinus) que por se tratar de espécies recentemente identificadas para Portugal não foram objeto de avaliação no âmbito da última edição do LVVP.
Assim, o conhecimento de 11 das 25 espécies de quirópteros ocorrentes em Portugal (44%) não é suficientemente, nomeadamente o tamanho da população, distribuição ou a probabilidade de extinção, critérios básicos para avaliação e classificação de uma espécie segundo o LVVP.
Um taxon considera-se com Informação Insuficiente (DD) quando não há informação adequado para fazer uma avaliação direta ou indireta do seu risco de ameaça, com base na sua distribuição e/ou estatuto da população. Um taxon nesta categoria pode até estar muito estudada e a sua biologia ser bem conhecida, mas se faltarem dados adequados sobre a sua distribuição e/ou abundância não é possível fazer uma avaliação do seu estado de ameaça e tem que ser incluído na categoria de DD. Assim classificar um taxon nesta categoria indica que é necessária mais informação e investigação para num futuro se poder reavaliar a sua categoria, deste modo será de extrema importância que seja feito usos de toda a informação disponível para se poder justificar a atribuição de uma categoria de ameaça ou não.
 

Nome comum
Nome científico
Categoria LVVP
Morcego-de-ferradura-grande
Rhinolophus ferrumequinum
VU
Morcego-de-ferradura-pequeno
Rhinolophus hipposideros
VU
Morcego-de-ferradura-mediteranico
Rhinolophus euryale
CR
Morcego-de-ferradura-mourisco
Rhinolophus mehelyi
CR
Morcego-de-bechstein
Myotis bechsteinii
EN
Morcego-rato-grande
Myotis myotis
VU
Morcego-rato-pequeno
Myotis blythii
CR
Morcego-de-franja do sul
Myotis escalerai
NA
Morcego-lanudo
Myotis emarginatus
DD
Morcego-de-bigodes
Myotis mystacinus
DD
Morcego-de-água
Myotis daubentonii
LC
Morcego-anão
Pipistrellus pipistrellus
LC
Morcego-de-kuhl
Pipistrellus kuhlii
LC
Morcego-pigmeu
Pipistrellus pygmaeus
LC
Morcego-de-savi
Hypsugo savii
DD
Morcego-arborícola-pequeno
Nyctalus leisleri
DD
Morcego-arborícola-grande
Nyctalus noctula
DD
Morcego-arborícola-gigante
Nyctalus lasiopterus
DD
Morcego-hortelão-claro
Eptesicus isabellinus
NA
Morcego-hortelão-escuro
Eptesicus serotinus
LC
Morcego-negro
Barbastella barbastellus
DD
Morcego-orelhudo-castanho
Plecotus auritus
DD
Morcego-orelhudo-cinzento
Plecotus austriacus
LC
Morcego-de-peluche
Miniopterus schreibersii
VU
Morcego-rabudo
Tadarida teniotis
DD

 Barbastella barbastellus

 Myotis escalerai

 Tadarida teniotis

 Nyctalus lasiopterus

 Nyctalus noctula

 Myotis emarginatus

 Hypsugo savii

 Myotis mystacinus

 Plecotus auritus

 Nyctalus leisleri

domingo, 27 de janeiro de 2013

Lontra (Lutra lutra)

A lontra (Lutra lutra) é um Mustelideo de corpo alongado com extremidades (patas) curtas, a cabeça é larga e aplanada, sem pescoço diferenciado. Os olhos, orelhas e orifícios nasais encontram-se deslocados para a parte superior da cabeça. A cauda é larga e aplanada na sua base e pontiaguda na ponta. Possui cinco dedos unidos por uma membrana interdigital bem desenvolvida em todos os membros. A pelagem que está perfeitamente adaptada aos sistemas aquáticos é de cor castanha ou parda com diversas tonalidades, na garganta e parte superior do peito, destaca-se uma mancha mais clara. Esta espécie apresenta longas vibrissas no focinho, boca, olhos e antebraços.

Na Península Ibérica, entre 1950 e 1980, esta espécie sofreu um importante processo de regressão, desaparecendo especialmente na metade Este (nos rios típicos mediterrânicos). A partir de mediados dos anos 80’s, a lontra iniciou um lento, mas progressivo processo de recuperação.
A lontra pode ocorrer em todo os tipos de ambientes aquáticos continentais minimamente bem conservados, assim como no litoral atlântico. Sendo que a sua presença está muito condicionada pela disponibilidade de alimento.
A lontra é uma espécie poliéstrica e poligâmica, reproduzindo-se em função da disponibilidade de alimento.
Praticamente todas as suas pressas têm hábitos aquáticos ou semi-aquáticos, que caça na água ou na sua envolvente. Come principalmente peixes, caranguejos, anfíbios e cobras de água, contudo também pode alimentar-se de pequenos mamíferos, aves, outros répteis e insetos.
È um espécie solitária, exceto durante a época de acasalamento, criação e por vezes na época de dispersão.