sábado, 15 de junho de 2013

Caixas abrigo para morcegos high tech!

Muitos são os modelos, formas, dimensões e preços das caixas abrigo para morcegos que estão disponíveis no mercado. Uma alternativa é a reutilização de materiais usados, assim, deixo aqui um exemplo prático de como utilizar de um forma muito simples e rápida este tipo de matérias na construção de abrigos para morcegos.
Os materiais necessários para a construção e instalação deste abrigo para morcegos são: duas telhas velhas, uma rolha de cortiça usada, 40 cm de arame, um prego e um bocadinho de silicone ou outro tipo de vedante. Quanto às ferramentas, apenas necessitamos de um berbequim, um alicate, um martelo e uma escada.
Começamos por fazer quatro furos (um em cada canto) nas duas telas (sobrepostas), tendo cuidado para que a telha que irá ficar na parte inferior fique mais saliente. Numas das extremidades, entre as duas telhas colocamos uma rodela de cortiça em cada canto, para que deixe um espaço de abertura de 2-3 cm, de modo a que os morcegos possam entrar. Na outra extremidade, com o próprio arame que irá servir para pendurar o abrigo fixamos as duas telhas (uma à outra). Finalmente, de modo a impedir que a água da chuva entre para o interior das telhas, colocamos silicone na junta das duas telhas. E pronto, 15 minutos depois temos um abrigo feito!
Pormenor do furo e do berbequim.

Pormenor da fixação das telhas na parte inferior.
 
 Pormenor do silicome na junta superior das telhas.


 Pormenor da telhas inferior mais saliente.


Pormenor da abertura e da funcionalidade das rodelas de cortiça.

E pronto, 30 minutos depois temos o abrigo instalado!
 







quarta-feira, 15 de maio de 2013

Britango e Real do Sabor


Nestes últimos tempos tenho realizado algumas visitas ao vale do Rio Sabor onde consegui confirmar a nidificação de um casal de Britango (Neophron percnopterus) e dois de Águia-real (Aquila chrysaetos). Neste vale do Rio Sabor existem mais territórios de ambas as espécies mas não tive oportunidade de os visitar…

Deixo aqui umas fotos referente a estes casais. As fotos não são de grande qualidade uma vez que foram realizadas através de um telescópio e um telemóvel.



Casal de Britango (Neophron percnopterus) nas escarpas junto à Ponte de Meirinhos, sobre o Rio Sabor (Abril de 2013).





Águia-real (Aquila chrysaetos) nas escarpas junto à Ponte de Remondes, sobre o Rio Sabor (Abril de 2013).





Águia-real (Aquila chrysaetos) nas escarpas junto ao novo paredão da Barragem do Rio Sabor (Abril de 2013).



Cria de Águia-real (Aquila chrysaetos) nas escarpas junto ao novo paredão da Barragem do Rio Sabor (Maio de 2013).

Curiosidade: na envolvência destes três casais decorrem trabalhos de construção do Aproveitamento Hidroeléctrico do Baixo Sabor, e mesmo assim estes casais ainda não abandonaram os seus territórios… Espero que isso NUNCA aconteça, o grande vale do Rio Sabor ficaria ainda mais pobre…


sábado, 11 de maio de 2013

Swarming




Tendo em conta que o conhecimento geral da biologia e ecologia de muitas espécies e existentes em Portugal continental é ainda muito escasso, deixo aqui o resumo de um artigo recentemente publicado com o meu singelo trabalho, que basicamente põe em discussão a possibilidade de uma mina ser um sítio “swarming”, um dos comportamentos mais desconhecidos dos morcegos.


This study investigated the visitation of an underground site by bats during the “swarming” season (September and October) of 2009, 2011 and 2012, in a mine located in the Northeast Portugal (Vila Cova mine, 850 m a.s.l.). A total of 79 bats were captured, representing 12 of the 25 bat species identified in Portugal Continental. The Western Barbastelle (Barbastella barbastellus) was the most predominant species, with 31,6% of the captures. Although the relative low number of specimens captured, the species composition and their conservation status were significant due to the presence of Critical Endangered species (Rhinolophus euryale and Myotis blythii), Vulnerable species (Rhinolophus ferrumequinun, Rhinolophus hipposideros, Myotis myotis, Myotis escalerai and Miniopterus schreibersii) and species with Data Deficient (Barbastella barbastellus and Plecotus auritus). The peak of the nocturnal activity was 3-4 hours after sunset, with statistically significant differences between males and females in the third hour after sunset (P=0,002). In total, 75,9% of the specimens captured were males, representing a sex ratio of 3♂♂:1♀♀. In the specific case of B. barbastellus the ratio was of 2:1. The peak of captures between males and females was different along time, with females arriving later to the mine. This behavior was also verified to B. barbastellus. The differences regarding Body Condition Index (BCI) between sexes in B. barbastellus were statistically different, with females presenting higher BCI than males (P=0,015). Undoubtedly, the conservation value of “swarming” sites is of special concern for bats management strategies, especially when used by species such as B. barbastellus, characterized by high level of philopatry within their populations.

Para quem tiver interesse em ler o artigo na sua totalidade pode descarrega-lo AQUI!

domingo, 28 de abril de 2013

A bela adormecida


Foto gentilmente cedida por Johannes van Donge, podem ver o seu trabalho fotográfico em http://www.diginature.nl/

Foto gentilmente cedida por Jordi Strijdhorst, podem ver o seu trabalho fotográfico em http://www.macrografie.nl/

A Sympecma fusca tem uma coloração geral acastanhada de tons pardacentos, com um aveludado bastante proeminente na cara. Os seus olhos são de cor creme com a parte superior parda-escura que se tornam num azul intenso à medida da sua maturação. O seu abdómen é de cor castanho metálico na região dorsal e de cor creme na parte ventral.


O mimetismo é um dos principais fatores de esta espécie ser pouca conhecida, a sua difícil deteção deve-se à sua coloração críptica e pela postura que têm quando estão pousadas (posicionam o seu corpo ao longo dos talos das plantas), passando assim desapercebidas.
Embora esta seja uma espécie que passa muitas vezes desapercebida, não seja tão conhecida, vistosa e bonita quanto a maior parte das outras libélulas e libelinhas, tem uma característica biológica fantástica e única entre todas as espécies que temos em Portugal. A Sympecma fusca passa o inverno na forma adulta, sim, esta frágil espécie é capaz de resistir ao rigor do inverno refugiando-se na vegetação circundante à massa de água num estado de letargia hibernal. 


Muitas vezes, nos dias de mais frio, é possível ver esta espécie coberta de gelo. Nos primeiros dias de sol da Primavera deixam os refúgios de inverno para copularem e fazerem as suas posturas que eclodirão no final do Verão início do Outono.
Foto gentilmente cedida por Johannes van Donge, podem ver o seu trabalho fotográfico em http://www.diginature.nl/

  Foto gentilmente cedida por Lloyd Spitalnik

Foto gentilmente cedida por Jordi Strijdhorst, podem ver o seu trabalho fotográfico em http://www.macrografie.nl/

 Embora tenha dedicado um par de dias deste último inverno na tentativa de tirar alguma foto desta espécie, não consegui! Mas o resultada da espetacularidade deste tipo de fotos, pode ser vista, AQUI, AQUI, AQUI, ou ainda nesta foto AQUI!

sábado, 6 de abril de 2013

Jovens rastejantes



A semelhança entre juvenis e adultos nos répteis da nossa fauna é muito variada, podemos encontrar espécies totalmente diferentes em termos de coloração e padrão como é o caso do Lagarto-de-água ou o sardão. Opostamente existem espécies em que os juvenis são réplicas perfeitas em miniaturas dos seus progenitores, como é o caso da maior parte das lagartixas e muitas cobras.

 Cobra lisa europeia (Coronella austriaca) juvenil

 Sardão (Lacerta lepida = Timon lepidus) juvenil

 Lagartixa-do-mato (Psammodromus algirus) juvenil

 Cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) juvenil
 Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) juvenil

 Lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) juvenil

 Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus) juvenil

domingo, 24 de março de 2013

Morcegos em gaiolas!



È cada vez mais fácil encontrar morcegos à venda como animais de estimação!
Foto de Helena Barbosa

Além da problemática económica e social do uso de animais exóticos como animais de companhia, o principal problema em termos de conservação é a desresponsabilidade da pós-venda, pois sabemos, que não são poucas as vezes que estes animais acabam por ser libertados (assim como introduções acidentais) em qualquer canto. Embora muitas espécies não aportem problemas de maior, em termos de conservação, algumas espécies como por exemplo a rã-de-unhas-africana (Xenopus laevis), originária da África subsariana, foi encontrada em Portugal em 2006 em Oeiras e desde então esta espécie exótica tem predado as nossas espécies autóctones (ovos, larvas e adultos de outros anfíbios, lagostins, peixes de água doce, vermes e moluscos), com potenciais efeitos assustadores, Além disso, esta espécie transporta um fungo (Batracochytrium dendrobatidis) letal para outros anfíbios.
A comercialização de espécies de fauna e flora é regulamentada pela CITES (Convenção sobre o comércio e detenção de espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção), embora a maior parte das espécies de morcegos estejam ameaçadas de extinção (estando assim ao abrigo da CITES), algumas espécies de morcegos, como é o caso do morcego da fruta egípcio (Rousettus aegyptiacus), não o estão. Deste modo seria de esperar que a sua comercialização fosse legal, contudo esta espécie ocorre no seu estado natural no Chipre (membro da União Europeia), logo esta espécie é protegida no âmbito da Diretiva Habitats (Anexo IV). Assim, de acordo com esta Diretiva Comunitária. “For these species, Member States shall prohibit the keeping, transport and sale or exchange, and offering for sale or exchange, of specimens taken from the wild, except for those taken legally before this Directive is implemented”. Ou seja, de acordo com a Diretiva Habitats, esta espécie apenas pode ser comercializada se for um exemplar capturado antes da sua implementação (1992) ou ter nascido em cativeiro.
Assim, quando encontrarem á venda um morcego (ou outra espécie de animal selvagem) podem sempre perguntar pela documentação CITES ou em alternativa quando esse animal esteja isento de CITES (espécies não ameaçada) mas é ocorrente em território da União Europeia, podem perguntar pela certidão de nascimento em cativeiro. Em alternativa podem denunciar o caso ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) ou Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SPENA), no sentido de confirmar a regularidade desta venda.