A trepadeira-dos-muros
(Tichodroma muraria) é uma ave que nidifica nas zonas montanhosas da
Europa, principalmente nos Alpes, Pirenéus e Picos da Europa, durante o Inverno
é possível observa-la em zonas mais baixas, mas sempre associada a grandes
escarpas. Em Portugal esta aves é rara, existindo apenas um punhado de locais
de observação, além de passar muito desapercebida a sua observação é muito difícil
devido à inacessibilidade de alguns dos locais que frequenta.
sábado, 16 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
Répteis - Dois em um
Foi já no mês de Outubro que, no final de mais um dia de
campo, me deparei com um acontecimento que nunca antes tinha testemunhado. Pelo
menos não com estas duas espécies…
No meio do caminho estavam duas espécies de répteis que, à
primeira vista, pareciam estar tranquilamente a apanhar os últimos raios de sol
desse dia. Nesse momento não tinha a noção de que algo de muito mais
“interactivo” estaria para acontecer.
Vamos conhecer os protagonistas. De um lado estava um sardão
Timon lepidus a maior
espécie de lagarto da península ibérica que, segundo alguma bibliografia, pode
atingir os 80cm (a cauda pode ser bastante grande). Esta espécie prefere
habitats com alguma vegetação arbustiva com boa exposição solar e alimenta-se
maioritariamente de insectos como escaravelhos ou gafanhotos. O indivíduo que
tinha à minha frente tinha um pouco mais de 20 centímetros e parecia bastante
descontraído a apanhar sol.
Um pouco mais ao lado, no meio do caminho
estava uma cobra-de-ferradura Hemorrhois
hippocrepis. Esta espécie também pode atingir grandes dimensões e tem fama
de ser um pouco agressiva para com os seus captores (não se pode censurar!). A
cobra-de-ferradura apresenta uma coloração característica com vários círculos
escuros delimitados por uma banda mais clara, embora este exemplar não
apresentasse a coloração mais típica. É uma espécie não venenosa e que se
alimenta de aves e répteis que procura activamente usando a sua agilidade e
rapidez.
Ora nem mais, eis que a cobra-de-ferradura se
aproxima do impávido e sereno sardão e abre as hostilidades com uma "mordidela"
na cabeça.
Na altura, e não conhecendo bem as capacidades de deglutição desta
cobra, pareceu-me que ela tinha “mais olhos que barriga” já que o sardão me
parecia demasiado grande para que ela o pudesse comer. Dentro de alguns minutos
percebi que estava enganado, o sardão tinha o tamanho ideal para uma boa
refeição antes do período de hibernação. Após a primeira “trinca” a cobra já
não voltou a largar o lagarto e começou imediatamente a ingerir a sua presa
que, até então tinha dado pouca luta. Fiquei impressionado com a capacidade da
cobra deslocar as mandíbulas e conseguir engolir uma presa tão grande.
Já
demasiado tarde o sardão se terá apercebido de que a cobra não tinha “boas
intenções” já que só começou a debater-se já a refeição ia a meio.
Ainda tentou
usar os seus poderosos membros posteriores para se livrar de ser comido mas sem
sucesso, a cobra-de-ferradura só pareceu ter alguma dificuldade quando chegou a
vez de engolir os membros anteriores onde o volume corporal do lagarto é um
pouco maior.
Com a refeição terminada, as mandíbulas reposicionadas, com um
grande volume no estômago (só me fazia lembrar a serpente do “Principezinho”) e
com o dia a terminar lá foi a cobra encontrar um local para pernoitar ou quem
sabe passar o inverno.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Morcegos: um grupo desconhecido
Cerca de 40% das espécies de mamíferos terrestres de
Portugal Continental são morcegos, das 25 espécies ocorrentes no nosso território
e de acordo com o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), 3
espécies classificadas de Criticamente em Perigo (CR), 1 Em Perigo (EN),
4 Vulnerável (VU), 6 Pouco Preocupante (LC) e 9 Informação
Insuficiente (DD), a estas 23 espécies, ainda à que acrescentar duas (Myotis escalerai e Eptesicus isabellinus) que por se tratar de espécies recentemente
identificadas para Portugal não foram objeto de avaliação no âmbito da última
edição do LVVP.
Assim, o conhecimento de 11 das 25
espécies de quirópteros ocorrentes em Portugal (44%) não é suficientemente, nomeadamente
o tamanho da população, distribuição ou a probabilidade de extinção, critérios básicos
para avaliação e classificação de uma espécie segundo o LVVP.
Um taxon considera-se com Informação
Insuficiente (DD) quando não há informação adequado para fazer uma
avaliação direta ou indireta do seu risco de ameaça, com base na sua
distribuição e/ou estatuto da população. Um taxon
nesta categoria pode até estar muito estudada e a sua biologia ser bem
conhecida, mas se faltarem dados adequados sobre a sua distribuição e/ou
abundância não é possível fazer uma avaliação do seu estado de ameaça e tem que
ser incluído na categoria de DD. Assim classificar um taxon nesta categoria indica que é necessária mais informação e
investigação para num futuro se poder reavaliar a sua categoria, deste modo
será de extrema importância que seja feito usos de toda a informação disponível
para se poder justificar a atribuição de uma categoria de ameaça ou não.
|
Nome comum
|
Nome
científico
|
Categoria LVVP
|
|
Morcego-de-ferradura-grande
|
Rhinolophus ferrumequinum
|
VU
|
|
Morcego-de-ferradura-pequeno
|
Rhinolophus hipposideros
|
VU
|
|
Morcego-de-ferradura-mediteranico
|
Rhinolophus euryale
|
CR
|
|
Morcego-de-ferradura-mourisco
|
Rhinolophus mehelyi
|
CR
|
|
Morcego-de-bechstein
|
Myotis bechsteinii
|
EN
|
|
Morcego-rato-grande
|
Myotis myotis
|
VU
|
|
Morcego-rato-pequeno
|
Myotis blythii
|
CR
|
|
Morcego-de-franja do sul
|
Myotis
escalerai
|
NA
|
|
Morcego-lanudo
|
Myotis
emarginatus
|
DD
|
|
Morcego-de-bigodes
|
Myotis
mystacinus
|
DD
|
|
Morcego-de-água
|
Myotis daubentonii
|
LC
|
|
Morcego-anão
|
Pipistrellus pipistrellus
|
LC
|
|
Morcego-de-kuhl
|
Pipistrellus kuhlii
|
LC
|
|
Morcego-pigmeu
|
Pipistrellus pygmaeus
|
LC
|
|
Morcego-de-savi
|
Hypsugo
savii
|
DD
|
|
Morcego-arborícola-pequeno
|
Nyctalus
leisleri
|
DD
|
|
Morcego-arborícola-grande
|
Nyctalus
noctula
|
DD
|
|
Morcego-arborícola-gigante
|
Nyctalus
lasiopterus
|
DD
|
|
Morcego-hortelão-claro
|
Eptesicus
isabellinus
|
NA
|
|
Morcego-hortelão-escuro
|
Eptesicus serotinus
|
LC
|
|
Morcego-negro
|
Barbastella
barbastellus
|
DD
|
|
Morcego-orelhudo-castanho
|
Plecotus
auritus
|
DD
|
|
Morcego-orelhudo-cinzento
|
Plecotus austriacus
|
LC
|
|
Morcego-de-peluche
|
Miniopterus schreibersii
|
VU
|
|
Morcego-rabudo
|
Tadarida
teniotis
|
DD
|
Barbastella barbastellus
Myotis escalerai
Tadarida teniotis
Nyctalus lasiopterus
Nyctalus noctula
Myotis emarginatus
Hypsugo savii
Myotis mystacinus
Plecotus auritus
Nyctalus leisleri
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