sábado, 2 de junho de 2012

Insetos predadores de répteis


Depois de ter publicado um post sobre um escaravelho predador de anfíbios, desta vez é sobre um insetos predadores de répteis!

Micah N. Scholer e Alejandro Onrubia publicaram recentemente um interessante artigo no Boletim da Associação Herpetológica Espanhola sobre a depredação de Tarantola mauritanica (osga-comum) por Mantis religiosa (Louva-a-deus) na Andaluzia

sábado, 26 de maio de 2012

Texugo (Meles meles)

Taxonomia:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Género: Meles
Espécie: Meles meles
Nome comum: Texugo

Os indícios de presença são a forma mais fácil de verificar a sua existência num determinado local. A pegada do texugo é constituída por uma grande almofada, 5 pequenas marcas de dedos e pelas marcas das garras alguns centímetros à frente destes.

Identificação: Os rasgos morfológicos desta espécie estão fortemente condicionados pela sua forma de vida escavadora. Deste modo, apresenta uma cabeça pequena mas robusta e um pescoço muito forte, embora pouco visível. O corpo é alargado e muito robusto acabando num pequena cauda. Os seus membros são fortes e acabam numas poderosas unhas que lhe permite a escavação. O seu órgão táctil primordial são as vibrissas que têm no focinho. Os olhos são muito pequenos e parecem desempenhar um papel menos importante do que os outros sentidos. Tendo em conta a aptidão escavadora desta espécie, as orelhas são muito pequenas. As suas dimensões principais são: comprimento (59-87cm); cauda (11-20cm); peso (4,8-9,7Kg).

Distribuição: É uma espécie de ocorrência paleártica, em Portugal apresenta uma distribuição ampla mas fragmentada (devido à tipo de solo que impossibilita a escavação), sedo mais rara nas zonas secas do Sul do que no Norte.

Habitat: Os texugos preferem meios mistos de bosques e prados em áreas moderadamente frescas e com precipitações moderadas a elevadas. As preferências do habitat estão directamente relacionadas com a disponibilidade alimentar e solo propícios à construção das tocas. Em muitas zonas mediterrânicas, os texugos seleccionam ambientes mas heterogéneos, como por exemplo zonas agrícolas que alternam com bosque e pequenas linhas de água e evitando zonas contínuas de bosque. Em zonas semiáridas mediterrânicas, mostra preferência por zonas de fruteiras e áreas rochosas e de matorral.

Reprodução: As fêmeas do texugo apresentam uma ovo-implantação retardada, pelo que os blastocistos apenas são implantados uns meses depois dos acasalamentos que ocorrem durante o Inverno. A implantação dá-se sempre numa altura específica do ano independentemente da altura da fecundação de modo a que as crias nasçam numa época com uma maior disponibilidade de recursos alimentares. Por norma, todas as fêmeas (desde que sexualmente activas) de um grupo familiar podem reproduzir-se, contudo em situações de elevadas densidades, poderá ocorrer fenómenos de supressão reprodutiva e apenas algumas das fêmeas de cada grupo se reproduzem. Os machos atingem a maturidade sexual aos 12 meses de idade, enquanto as fêmeas podem parir pela primeira vez aos dois anos de idade. Os texugos reproduzem-se apenas uma vez por ano e o número de crias é normalmente de 3, que permanecem na toca durante as primeiras 10 semanas, momento em que começam a ter o controle total sobre a sua termorregulação. Após as 12 semanas de vida as crias deixam de mamar para passar a comer alimentos sólidos.

Alimentação: O texugo é uma espécie omnívora e com uma grande flexibilidade na hora de escolher a sua dieta. Embora durante muito tempo se tenha considerado uma espécie especialista no consumo de minhocas, hoje em dia é consensual que se trata de uma espécie generalista, contudo os estudos apontam para um relação positiva da presença de minhocas na dieta e o aumento da densidade de indivíduos, assim como na eficácia biológica como a condição física e a resistência a certos parasitas. Os texugos alimentam-se de um amplia gama de recursos, desde, insectos, frutos (silvestres ou não) e pequenos mamíferos e aves, coelhos e fungos, assim como cereais, azeitonas.

Predadores: Os texugos têm poucos predadores, estando limitado ao lobo, cães assilvestrados ou aves de rapina de grande porte.

Estatuto de conservação:
De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), o Texugo está classificado como LC - “Pouco Preocupante”.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quando a Serra foi Mar


À excepção de pequenas zonas limítrofes, toda a área do Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros encontra-se incluída no Maciço Calcário Mesozóico, sendo que os constituintes geológicos principais pertencem, quase totalmente, ao Jurássico com predominância dos calcários pertencentes ao Dogger (Jurássico Médio – 175 a 161 Milhões de anos). Existe ainda uma variedade de formações com várias idades desde o Cretácico, passando pelo Miocénico até ao Plio-Plistocénico terminando em formações modernas, detríticas e de “terra rossa”, nos vales e depressões fechadas, aluviões modernos ao longo de algumas linhas de água e afloramentos de rochas eruptivas, como sejam doleritos e rochas afins, basaltos e brechas vulcânicas.
Nestas formações é possível encontrar fósseis, uma vez que nos encontramos no domínio das rochas sedimentares. As camadas rochosas presentes na serra formaram-se através da precipitação de substâncias dissolvidas na água, principalmente carbonato de cálcio. Podemos encontrar rochas de fácies marinhas e fácies continental. É característico nestas formações observar fósseis (como dos ancestrais das estrelas-do-mar ou ouriços-do-mar) e icnofósseis (como as pegadas de dinossauros).
Fóssil de estrela-do-mar (asteróides)

Os materiais que constituem o maciço emergiram devido as movimentações tectónicas provocadas por falhas formando uma cadeia montanhosa que compreende, actualmente, as Serra d'Aire e Candeeiros.
Do ponto de vista morfológico podem diferenciar-se no Maciço Calcário Estremenho três subunidades que correspondem a compartimentos elevados – A Serra dos Candeeiros a Oeste, o Planalto de Sto. António ao Centro e Sul e o Planalto de S. Mamede e a Serra de Aire, respetivamente a Norte e Este. A separar estas subunidades encontram-se três depressões originadas por grandes fracturas, respectivamente a depressão da Mendiga, o Polje de Minde-Mira e a depressão de Alvados.
Por todas estas razões, este é um local onde os mais significativos e típicos fenómenos cársicos se encontram representados no nosso país, de que são exemplo as dolinas, as uvalas, os poljes e campos de lapiás, no que concerne ao modelado de superfície, e a existência de inúmeras grutas e algares (mais de 1500) que cruzam o interior do maciço.
Fóssil de ouriço-do-mar (equinóides)

Apesar da ausência de cursos de água de superfície organizados nesta região, eles existem em abundância no subsolo, constituindo um dos maiores – se não o maior – reservatório de água doce subterrânea do nosso País e que se estende entre Rio Maior e Leiria.
Das várias nascentes cársicas existentes na região, a mais conhecida e importante no que toca a caudais emitidos é a dos Olhos de Água do Alviela, que fornece água a Lisboa desde 1880.

Fotos de Paulo Barros e texto de Carlos Rodrigues

sábado, 21 de abril de 2012

Contribution to the knowledge of bat distribution in northern and central Portugal


 Riqueza específica das quadrículas amostradas

Abstract: In all, 25 species of bats are known from mainland Portugal, all of which are protected by law (Bern Convention, Habitats Directive, Bonn Convention and the Agreement on the Conservation of Populations of European Bats (EUROBATS); likewise, their roosts are also protected by the Bern Convention and the European Habitats Directive. In recent decades a worldwide decline in bat populations has occurred and Portugal, where nine species are listed as endangered (Critically endangered CR, Endangered EN or Vulnerable VU according to IUCN categories), is no exception. The data presented in this paper are the result of fieldwork conducted in 2009–2011 in northern and central Portugal and provide 368 new records from 53 trapping sessions. The data given for 22 bat species expands their distribution and provides new information on ecology and biology for most of the listed species. Ninety of the 368 records are new for the 10x10 km squares.
Key words: Bats, Sites of Community Importance, distribution, Iberian Peninsula, Portugal. 
 Mapas da distribuição das quadrículas onde foi capturado o Pipistrellus pipistrellus.

Resumen: En el Portugal continental están presentes 25 especies de quirópteros. Todas las especies están protegidas por ley (Convención de Berna, Directiva Hábitats, Convención de Bonn y Acuerdo sobre la Conservación de las Poblaciones de Murciélagos Europeos (EUROBATS) y sus refugios están protegidos por la Convención de Berna y por la Directiva Hábitats. En las últimas décadas se ha producido un claro declive a nivel mundial de las poblaciones de quirópteros; esta situación también ocurre en Portugal, donde 9 especies están catalogadas a nivel nacional de amenazadas (En peligro crítico - CR, En peligro - EN o Vulnerable - VU). La información presentada en este artículo es el resultado de los trabajos de campo realizados entre 2009 y 2011 en el norte y centro de Portugal y aporta un total de 368 citas, resultado de 53 sesiones de trampeo. Los datos corresponden a 22 especies de quirópteros y amplían la distribución conocida de la mayoría de ellas en el área de estudio, al tiempo que aportan algunos datos ecológicos y biométricos de las especies catalogadas. Del total de 368 citas, 90 son nuevas citas de especies para cuadrículas UTM 10x10km.
Palabras clave: Quirópteros, lugares de importancia comunitaria, distribución, Península Ibérica, Portugal.
 Mapas da distribuição das quadrículas onde foi capturado o Eptesicus isabellinus.

Para visualizar este artigo clique AQUI

sábado, 14 de abril de 2012

Um pé em Espanha e outro em Portugal “La Ruta de los Túneles”


Junto à fronteira espanhola, uma velha linha de comboio jaz no fundo dos vales do Rio Águeda, esquecida e desgastada pela passagem do tempo, liga Barca d’Alva à pequena aldeia espanhola Fregeneda. Este pequeno troço de 17 km, faz parte da Linha Internacional de Pocinho a La Fuente de San Esteban; é uma via-férrea em bitola ibérica que liga o término da Linha do Douro, no nordeste de Portugal, à rede ferroviária Espanhola. Até ao encerramento deste troço, em 1985, existiam regularmente comboios de mercadorias e de passageiros entre Porto e Salamanca.
Os trabalhos de construção deste troço foram iniciados em 1882 e concluída em 1887. O troço entre Barca d’Alva e La Fregeneda, constituindo uma formidável obra de engenharia, foi dos mais difíceis construção sendo uma autêntica via alpina com curvas de raio mínimo de 300 m e rampas de 21%, tendo em apenas 17 km de linha-férrea 13 pontes metálicas e 20 túneis, é um dos percursos mais emblemáticos desta região e apetecível quer por Portuguese quer por Espanhóis.
Esta nossa expedição começou às 8:30 da manhã na estação de Fregeneda e logo após 100m entramos no túnel n.º1, avistava-se um pequena luz ao fundo do túnel e andamos, andamos, tornamos a andar, olhamos para trás e a luz da entrada ainda era maior do que a luz da saída (sinal que ainda não tínhamos percorrido metade do túnel), continuamos a andar e a tropeçar em alguns morcegos (morcego-de-ferradura-grande e morcego-de-ferradura-pequeno), até que ao final de 1,5 Km dentro do túnel vimos a luz do dia.
Mal saídos do túnel n.º1 os rastos de raposa, gineta e fuinha, sucedem-se mais ou menos constantes ao longo de todo o percurso. Tendo sempre como companhia a paisagem de vales cobertos de zimbro e azinheiras, com esporádicas fragas de granito.

À saída do túnel n.º2, 8 grifos sobrevoavam sobre nós em círculos de forma despreocupada como é típico destes necrófagos, mais ao longe por de trás de um cabeço, surge um Falcão-peregrino, que depois de nos sentir desapareceu na imensidão do vale, mais à frente uns metros, eis que surgem os primeiros Melro-azul! Atraídos por um cantar melódico, foi possível observar uma toutinegra-de-bigodes.

O túnel n.º3, embora mais curto que o primeiro, a sua curvatura, permite ter condições de luminosidade e climatéricas (mais estáveis), mais propícias para os morcegos, visto que aqui se encontra um número muito significativo (na ordem das várias centenas ou mesmo um par de milhares) de morcegos constituída maioritariamente por Myotis grandes, mais esparsas podem ser observadas pequenas agrupações de morcego-de-ferradura-grande ou indivíduos isolados de morcego-de-ferradura-pequeno.

Presença constante nos tuneis é a andorinha-das-rochas, que à entrada e saída de cada túnel faz os seus ninhos! A segurança dos túneis é também aproveitada por outras aves, nas pequenas escarpas à saída e entrada dos mesmos, a presença de dejetos indicia o local de dormitório de algumas perdizes.
À saída do túnel 4, no chão encontramos um andorinha-das-rochas, talvez debilitada pela azáfama da construção do ninho ou alimentação das suas crias. Este túnel é seguido imediatamente por um viaduto (n.º3) do qual conseguimos observar um ninho de grifo com uma cria (pelo menos) e a sua progenitora.

Mal tínhamos saído do túnel n.º5, surgem unas sombras no ar, 4 abutre-do-egipto fizeram-nos permanecer com os binóculos dos olhos durante alguns minutos, este abutre (o mais pequeno da nossa fauna) é umas das aves migradoras mais precoces dando-lhe mesmo o nome popular de “criado do cuco”.
Embora tivéssemos ido com a preceptiva de observar algumas espécies de répteis, as nossas observações restringiram-se á lagartixa-do-mato, lagartixa-ibérica e um par de exemplares de cobras-de-ferradura, que aproveitam o calor da primavera estrincando-se sobre o metal dos carris.

Já junto ao Túnel n.º15, numa fugaz aparição, eis que surge a rainha dos céus, uma Águia-real!
As pontes/viadutos que existem neste troço, além de serem mais complicados de atravessar do que os tuneis (principalmente para quem tem vertigens!!!!) não apresentam uma diversidade tão elevada quanto as pontes, mas são importantes locais de marcação delimites de território de alguns pequenos carnívoros, nomeadamente a presença de latrinas de gineta.


Uma pequena paragem para disfrutar da paisagem do rio Águeda e para saborear um delicioso fruto silvestre, figos-da-india, estes frutos são uma combinação de sabor e textura entre a pêra, o melão a melancia com uma pitada de toque tropical, mas com uns pequenos e danados espinhos! Atualmente estes frutos em muitos locais caiem de maduro sem ninguém os aproveitar a não ser os mamíferos e aves da região.

Já na parte final do percurso e junto ao Rio Douro foi possível ainda observar uma garça-real e um par de milhafres-pretos. Após 10 horas de caminha e 17 Km de paços irregulares (provocado pela travessas da linha férrea e o cascalho) as forças foram restabelecidas numa esplanada em Barca D’Alva na companhia de um par de cervejas!
No entanto, o estado de abandono e degradação de ambas a estações e da própria linha deixa um pouco de angústia, pois poderia ser recuperada e aproveitada para turismo… Sem dúvida que o sucesso era garantido.


Um percurso fantástico, de rara beleza paisagístico e arquitetónico. Um percurso de desafio às fobias a quem tiver medo do escuro, de morcegos ou de alturas, mas que no fim vai chegar e dizer que não custou nada e que valeu a pena.
Uma experiência a repetir…
Post escrito pelos aventureiros, João Gaiola e Paulo Barros

sábado, 7 de abril de 2012

sábado, 17 de março de 2012

Monitorização fotográfica de morcegos

A fotografia é de à muito utilizada como, técnica de registo e de apoio na identificação de características, anomalias ou particularidades de espécies ou indivíduos de morcegos. Contudo, atualmente, a introdução da tecnologia digital tem modificado drasticamente os paradigmas que norteiam o mundo da fotografia. Os equipamentos, ao mesmo tempo que são oferecidos a preços cada vez menores, disponibilizam ao usuário médio recursos cada vez mais sofisticados, assim como maior qualidade de imagem e facilidade de uso. A simplificação dos processos de captação, armazenagem proporcionou uma oportunidade para a monitorização de fauna e em particular para os morcegos.
De entre os vários métodos de monitorização de morcegos, provavelmente a mais recente é a fotografia como método específico de monitorização. Deixo aqui algumas fotos de Rhinolophus ferrumequinum, Myotis myotis e Myotis escalerai, tiradas à saída de uma mina no Concelho de Miranda do Douro.

Todas as fotos deste Post são da Autoria do meu amigo Rollin Verlinde, fotógrafo de natureza e podem ver mais fotos do seu trabalho em vildaphoto.

  
 
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Grus grus

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Aves
Ordem: Gruiformes
Família: Gruidae
Género: Grus
Espécie: Grus grus (Linnaeus, 1758)
Nome comum: Grou
O Grou é uma espécie invernante no nosso País, face á sua distribuição muito localizada (Alentejo interior), declínio continuado da área de ocupação muito devido à redução da extensão e qualidade do seu habitat e ao seu número reduzido de indivíduos maturos (estimado em menos de 10.000), foi classificada segundo o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (Cabral et al, 2005) como espécie VULMERÁVEL (VU).
 
Descrição:
Ave de cor cinzenta e de tamanho grande (1,2 m de altura e 2,0 m de envergadura) e esbelta, com patas e pescoço compridos adaptados a habitats encharcados e cauda curta. A sua cabeça é tricolor (branca cinzenta e vermelha) e as suas penas primárias e secundárias são negras. Os adultos podem pesar entre 5 a 6 kg.
Distribuição:
Espécie tem uma distribuição muito alargada. A área de nidificação estende-se desde a Europa do Norte e Ocidental, através da Eurásia até ao Norte da Mongólia, Norte da China e Leste da Sibéria, com populações nidificantes isoladas no Leste da Turquia e no Tibete. A área de invernada inclui parte da França e da Península Ibérica, Norte e Leste de África, Médio Oriente, Índia e Sul e Leste da China. Atualmente ocupa a maior parte da sua área de distribuição histórica, mas nos últimos 200-400 anos extinguiu-se como espécie reprodutora na parte Sul e Ocidental da Europa, península balcânica e Sul da Ucrânia.
Esta espécie não nidifica na Península Ibérica, sendo o último registo de nidificação datado de 1954 em Cádiz.
Em Portugal a espécie inverna no Alentejo interior, ocorrendo apenas em cinco núcleos de invernada regular nas regiões de Castro Verde/Mértola, Évora, Moura/Mourão/Barrancos e Campo Maior (concelhos de Campo Maior, Arronches, Évora, Moura, Mourão, Barrancos, Castro Verde e Mértola).
  
Habitat:
Os Grous alimentam-se preferencialmente em searas cultivadas de regime extensivo, pousios, pastagens naturais e montados de azinho pouco denso e sem mato, apresentando acentuada fidelidade aos locais de alimentação.
Os dormitórios comunitários dos Grous são preferencialmente locais pouco perturbados, geralmente associados à presença de água pouco profunda, utilizando sobretudo açudes e charcas que surgem temporariamente no inverno. Selecionam preferencialmente açudes ou charcas localizadas em zonas com predominância de culturas arvenses ou forrageiras, podendo também utilizar margens de cursos de água como dormitórios comunitários.
Dieta:
Durante a sua permanência no nosso território (Inverno) o Grou alimenta-se principalmente de bolotas, sementes, bolbos, tubérculos, rizomas e pequenos animais (invertebrados ou pequenos vertebrados), sendo que a matéria vegetal pode representar cerca de 90-98% da sua dieta. O padrão de atividade de alimentação dos Grous mostra que a sua atividade máxima é na primeira e ultima hora do dia.
Reprodução:
O Grou é uma espécie monogâmica com um período juvenil relativamente longo, quando comparado com outras espécies de aves. Nas zonas de nidificação esta espécie põe os ovos no chão, num ninho construído em zonas pantanosas, a época de nidificação inicia-se em Abril e acaba normalmente em Junho, põe 2 ovos (excecionalmente 3), dos que normalmente costuma sobreviver duas crias que ficam sob o cuidado dos progenitores até ao ano seguinte. Embora não nidifiquem no nosso território, em Portugal o êxito reprodutor pode ser estimado pela observação dos bandos de Grous calculando a percentagem de adultos e jovens, visto que os jovens de 1º ano estão juntos aos progenitores.
  
Comportamento:
O Grou é uma espécie gregária durante a migração e enquanto se encontra no nosso território, podem-se observar bandos de largas centenas ou milhares de indivíduos. A maioria da população alimenta-se em grupos de dezenas ou centenas, mas o tamanho exato depende da disponibilidade alimentar local e da disponibilidade alimentar na área de ocupação. Também é possível observar grupos familiares (2 adultos mais 1-3 jovens) isolados dos bandos, mas mantêm contacto visual ou sonoro com outras famílias que ocupam zonas próximas.
Algumas aves que saem dos dormitórios recolhem as patas assim que se encontram no ar, este comportamento impede que as patas molhadas congelem quando as temperaturas são baixas. A direção que os Grou tomam quando saem dos dormitórios, indica a direção dos primeiros locais de alimentação. Os Grous com maior estatuto hierárquico são os últimos a deixarem os dormitórios. A recolha aos dormitórios esta dependente do sucesso de alimentação durante o dia, sendo que em dias em que a alimentação não tenha sido a melhor, ocorre um atraso na recolha aas dormitórios.
Ameaças:
A principal ameaça é a alteração e degradação do habitat de alimentação, por intensificação da agricultura, expansão das culturas de regadio e culturas permanentes, e florestação das terras agrícolas. Algumas áreas de invernada em Portugal são também afetadas por sobre pastoreio e por abandono agrícola. A espécie também é afetada negativamente pela perturbação humana, sobretudo a resultante do exercício da atividade cinegética. A diminuição da tranquilidade nos locais de dormida, resultante da abertura de acessos e intensificação da atividade humana em locais outrora remotos e pouco frequentados, pode levar ao abandono desses dormitórios. A extração de inertes, que se tem intensificado em cursos de água utilizados pela espécie para esse efeito, pode resultar em perda de locais favoráveis à instalação de dormitórios. A colisão com linhas aéreas de transporte de energia é um facto de mortalidade a ter em consideração.
Medidas de Conservação:
Como medida de conservação será importante a elaboração e implementação de planos de gestão para as Zonas de Proteção Especial (ZPE’s).s em que ocorrem. A sensibilização do público em geral, e em particular dos agricultores e caçadores, para a importância da conservação dos habitats de que esta espécie depende foi também identificada como uma medida de grande prioridade. Importa assegurar a monitorização da população invernante no nosso país.
 
Referências e sites:
Plano sectorial da rede Natura 200
Livro vermelho de Vertebrados de Portugal
Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles