sábado, 2 de abril de 2011

O mundo das Borboletas

Os invertebrados são um dos grupos que menos atenção tem recebido no campo da conservação. Entre estes, os insectos, provavelmente sejam os que mais importância têm no funcionamento dos ecossistemas, e a ordem mais numerosa a nível mundial é a dos Lepidópteros, com cerca de 165 mil espécies conhecidas até ao momento.

As borboletas, com os demais seres vivos, tem sofrido transformações por processos de especialização definidos pelos diferentes ecossistemas, as espécies com as quais coabitam e a maneira de se defenderem dos predadores, sendo esta ultima, a razão principal das alterações evolutivas. Os meios de defesa das borboletas são passivos, em que a sua defesa não é realizada por meio de ataques mas sim por meio de sinais, características morfológicas e de comportamento que repulsam ou enganam os seus predadores. O mimetismo é um método de defesa no qual um indivíduo de uma espécie se assemelha a outra ou outras, difere da camuflagem, o qual ocorre quando uma espécie se assemelha a algo (objecto) não apetecível pelo predador. Estes fenómenos apenas ocorrem na natureza quando uma espécie tem o tempo suficiente para se adaptar a uma região e às espécies que nela coabitam.

Existem diversos tipos de mimetismo: mimetismo mülleriano, mimetismo batesiano e complexos miméticos, de seguida são resumidos alguns aspectos importantes sobre os mecanismos de defesa das borboletas baseados na sua coloração.
Coloração críptica: as borboletas com este tipo de coloração, adoptam um aspecto do fundo da envolvência do seu habitat, que não interessa aos predadores para procurar alimento. Entre estas borboletas são comuns as cores pardas, amareladas, cinzas ou esverdeadas.
Coloração aposemática: é um sinal de advertência para os predadores, pois as borboletas que as possuem são geralmente de sabores desagradáveis ou tóxicos. As cores que predominam nas espécies com este tipo de coloração são o preto, vermelho e amarelo. O objectivo desta coloração é fazer com que os predadores relacionem a cor com o mau sabor, adquirida pela experiência desagradável, evitando assim comer espécies com o mesmo padrão de coloração.
Mimestismo: O mimetismo ocorre quando uma espécie possui uma coloração similar a outra com a finalidade de advertir ou enganar os predadores, dependendo disto, o mimetismo pode ser mimetismo batesiano ou mimetismo mülleriano.
Mimetismo batesiano: Foi descoberto por Henry W. Ba-tes en 1862 na floresta do Brazil. Consiste em borboletas terem a capacidade de imitarem quase na perfeição espécie de borboletas não comestíveis. As espécies imitadoras são denominadas de cópias e as imitadas são denominadas de modelos. Neste tipo de mimetismo as cópias obtêm vantagens da experiência desagradável que os predadores tiveram com as espécies modelo, contudo a espécie modelo tem desvantagem pela presença de cópias, visto que estas aumentam a probabilidade de um predador comer uma cópia e que a associação entre aposematismo e impalatabilidade seja destruída.
Mimetismo mülleriano: Foi denominado pela primeira vez pela Alemã Fritz Müller em 1881, quando descobriu que diferentes espécies com colorações aposemáticas e não comestíveis que vivem numa determinada região, se copiam reciprocamente de modo a que o seu aspecto exterior convirja a um número reduzido de padrões e cores.

Ficam aqui alguns registos fotográficos deste grupo que tenho feito pelo Norte de Portugal.

Argynnis Pandora
 

Argynnis paphia

Brintesia circe

Cerula iberica

Chondrostega vandalicia

Colias croceus

Euphydryas aurinia

Euplagia quadripunctaria

Eurranthis plummistaria

Glaucopsyche alexis

Gonepteryx rhamni
 

Hipparchia statilinus

Inachis io

Iphiclides feisthamelii

Issoria lathonia

Limenitis camilla

Maniola jurtina

Melanargia lachesis

Melanargia russiae

Melitaea deione

Nymphalis polychloros

Orgyia antiqua

Pieris napi

Polygonia c-album

Polyommatus icarus

Pontia daplidice

Psilogaster loti

Pyronia bathseba

Pyronia Cecília

Pyronia tithonus

Sartyrium esculi

Saturna pavonia

Scoliopteryx libatrix

Vanessa cardui

domingo, 20 de março de 2011

Sorex granarius


Taxonomia:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Insectivora
Família: Soricidae
Género: Sorex
Espécie: Sorex granarius
Nome comum: Musaranho-de-dentes-vermelhos
  
Identificação: Mamífero insectívoro, de aspecto e forma parecido com o rato doméstico, o seu focinho comprido que afunila bruscamente adquire uma forma cónica e provido de pêlos sensoriais, o desenvolvimento do sentido do tacto para a exploração e detecção de alimento fez com que a vista perde-se alguma funcionalidade. A sua pelagem é curta, densa e macia. Em Portugal os musaranhos separam-se entre os que têm os dentes brancos (Croccidura russula, Croccidura suaveolens e Suncus etruscus) e os que têm os dentes vermelhos (Sorex minutus, Sorex granarius e Neomys anomalus) além da coloração dos dentes as orelhas podem ser uma característica para os distinguir, visto que os que têm dentes brancos têm também as orelhas sobressaídas da pelagem.
Promenor da coloração vermelho dos dentes

Distribuição: O musaranho-de-dentes-vermelhos tem uma distribuição restrita a uma faixa litoral do Noroeste da Península Ibérica e no interior Centro às Serras de Gredos e Guadarrama. Em Espanha, está por confirmar a sua presença a norte do Sistema Central e em certos enclaves da Cordilheira Cantábrica. Em Portugal, ocorre a Norte do Tejo, nas zonas de clima atlântico.
Habitat: As áreas preferidas pelo Sorex granarius caracterizam-se por apresentar uma temperatura média anual entre os 3º e 15ºC, com Invernos frios ou extremamente frios, e com uma precipitação anual superior a 600mm, localizando-se em níveis bio-climáticos Supra ou Oromediterrânico, desde os 500 até aos 2000m de altitude. Esta espécie ocorre frequentemente em faiais, pinhais, carvalhais e sobreirais, assim como em zonas em que os bosques autóctones tenham sido substituídos por campos de cultivo ou bosques de Castanea sativa o Pinus pinaster. Acima do nível florestal, a espécie tem sido capturada em zonas de afloramento rochoso graníticos próximo de pastagens.
Reprodução: A reprodução ocorre na Primavera e Verão, o período de gestação é de 13-19 dias e o número de crias por ninhada varia entre 5 e 7. Os exemplares alcançam a maturidade sexual ao segundo ano de vida e raramente chegam a sobreviver mais do que 3 anos.
Alimentação: O musaranho-de-dentes-vermelhos tem uma dieta carnívora, constituída por invertebrados, entre os quais predominam os anelídeos, insectos, aracnídeos e moluscos.
Predadores: Os estudos demonstram que esta espécie faz parte frequentemente da dieta alimentar da Corruja-das-torres (Tyto alba), Corruja-do-mato (Strix aluco), da Gineta (Genetta genetta), da Raposa (Vulpes vulpes), da Fuinha (Martes foina), Gato-bravo (Felis silvestris), Gato doméstico (Felis catus) e da Víbora-cornuda (Vipera latastei).
Estatuto de conservação:
De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), o Musaranho-de-dentes-vermelhos é um Endemismo Ibérico e está classificado como “Informação Insuficiente”.

sábado, 12 de março de 2011

Rã-iberica (Rana iberica)

No passado fim-de-semana, decidi sair um pouco da rotina, coisa que já não fazia algum tempo; peguei na máquina fotográfica e fui caminhar pelas margens do rio Côa junto ao Sabugal.
Esta época do ano contempla-nos com excelentes paisagens de árvores despidas de folhas, com vocalizações e comportamentos ansiosos por parte da avifauna, para que os dias quentes da Primavera apareceram rapidamente…
Contudo, e num olhar mais atento por entre as secas folhas e o verde do musgo, surgiu um pequeno exemplar de Rã-iberica (Rana iberica)…

Rã-iberica (Rana iberica) rio Côa

Descrição:
Cabeça com focinho pontiagudo. Olhos proeminentes e grandes, com pupila horizontal elíptica. Membros anteriores com quatro dedos e posteriores muito compridos, adaptados ao salto, com cinco dedos unidos por membranas interdigitais bem desenvolvidas, cujo comprimento raramente ultrapassa os 55 mm. Pele lisa com pequenos grânulos na região dorsal e com pregas cutâneas dorsolaterais paralelas. Timpano pequeno e, geralmente, pouco perceptível. Coloração dorsal muito variável, predominando os tons acastanhados, alaranjados, ou mesmo avermelhados. Sobre o dorso pode apresentar pequenas manchas negras. O ventre é esbranquiçado, podendo apresentar um reticulado escuro mais intenso na região da garganta, delimitando uma linha ou banda longitudinal central mais clara. Desde a narina até ao olho apresenta tipicamente uma linha escura, que se alarga na região posterior.
Espécies similares:
À primeira observação, esta espécie pode ser confundida com a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), da qual se distingue devido à presença de uma típica mancha pós-ocular escura. Contudo, um observador menos experiente poderá erradamente identificar um exemplar de Rã-verde como Rã-iberica, devido a esta apresentar uma enorme variabilidade morfológica.
Distribuição em Portugal:


Habitat:
Ocorre desde o nível do mar até aos 1900m, na Serra da Estela. Habita em ronas de montanhosas, junto a ribeiros de água limpa, com substrato rochoso e vegetação abundante nas margens. Pode ainda ser observada em charcos, prados húmidos e terrenos encharcados, com bastante vegetação herbácea ou arbórea na envolvente.

Biologia:
Apresenta actividade tanto diurna como nocturna. Encontra-se activa todo o ano, embora seja menos conspícua nos dias mais frios de Inverno e durante os meses quentes de Verão.
O período reprodutivo estende-se por norma de Novembro a Março, variando com a altitude. O acasalamento é mais frequente durante a noite, dentro de água, sendo o amplexo axiliar. As posturas são reduzidas – cerca de 100 a 450 ovos – e variam com o tamanho da fêmea. Esta deposita os ovos em massas esféricas e compactas, na vegetação aquática ou entre pedras.
Conservação e ameaças:
As principais ameaças desta espécie são: a poluição dos cursos de água, com pesticidas, e afluentes industriais e domésticos, e a destruição dos habitats ribeirinhos, com construções urbanísticas, agricultura intensiva e produção de monoculturas florestais.
A sua conservação deve assentar-se na protecção e manutenção dos habitats ribeirinhos e florestais de caducifólias que os rodeiam. Preservar prados húmidos, incluindo os lameiros e as trufeiras.


Referências e sites:
• Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carreto, M.A. & Paulo, O.S. (coords.) (2010). Esfera do Caos Editores, Lisboa 256 pp.
• Guia FAPAS – Anfíbios e Répteis de Portugal. Almeida N., Gonçalves H., Sequeira F., Teixeira F. (2001).
• Anfíbios & Répteis de Portugal

Observação de Águia-cobreira (Circaetus gallicus)

A Águia-cobreira está de volta a Trás-os-Montes!!
No passado dia 10 de Março de 2011 (quinta-feira) pelas 11 horas observei pela primeira vez este ano, 2 indivíduos de Águia-cobreira. Um pousado num pinheiro-bravo e outro em voos circulares, junto à estrada N214 entre Vila Flor e Benlhevai.



Registo de observação de Águia-cobreira (Circaetus gallicus)


Águia-cobreira (Doñana 2007)

domingo, 6 de março de 2011

Conta-me como foi

 
Subespécies da Capra pyrenaica, segundo Cabrera (1914):A: C. p. pyrenaica, B: C. p. victoriae, C: C. p. hispanica, D: C. p. lusitanica.

Esta semana tive a sorte de encontrar a relíquia de Ángel Cabrera de 1914 (Fauna Ibérica: Mamíferos), onde tem uma nota sobre a história do estudo de mamíferos da Península Ibérica, onde podemos ler o seguinte:

Os primeiros registos escritos dos mamíferos Ibéricos, foram feitos por um soldado, Gonzalo Argote de Molina, que em 1582 publicou o “Libro de la Monteria del Rey Alfonso XI de Castlha y León”, e por dois monteiros da Casa Real de Espanha: Alonso Martinez de Espinar, que desempenhou este cargo na corte de Felipe IV e escreveu a “Arte de ballesteria” (1644), e Agustín Clavo Pinto, monteiro de Fernando VI e autor de um tratado sobre “Modo de cazar todo género de aves y animales” (1754). Até à época dos dois primeiros, também Jerónimo de Huerta e Diego Funes, nas suas traduções das obras de Plínio e Aristóteles, respetivamente, fizeram frequentes alusões à nossa fauna. Os livros de estes autores não são realmente livros de história natural, mas sim tratados de caça, com descrições mais ou menos fiéis de muitos mamíferos que existiam na península Ibérica.

Com a sua “Introductio in Oryctographiam et Zoologiam Aragoniae”, na qual figura um catálogo dos mamíferos Aragoneses apresentado na forma Lineana, Ignacio Asso parece iniciar, em 1784 uma segunda época, que poderíamos chamar “As faunas locais”. De efeito, durante pouco mais de um século, os naturalistas Espanhóis e Portugueses, e alguns estrangeiros, ocuparam-se seriamente da mossa fauna mamalógica, estudando-a por províncias ou regiões, muitos casos apenas apresentem um catálogo detalhado mais ou menos descritivo das espécies observadas em determinado local. Assim, Juan Ramis (1814) e Francisco Barceló (1875) escreveram sobre os mamíferos das ilhas baleares; Alonso López (1852) e López Seone (1861-63) ocuparam-se dos da Galiza; Rosenhauer (1856) e Machado (1867), dos da Andaluzia; Graells (1852) e Cazurro (1894) dos que andavam pela província de Madrid, e finalmente Barboza du Bocage (1863) e Oliveira e Lopes Vieira (1896) os de Portugal.

Desgraçadamente, os autores Espanhóis deste período, fundamentaram os seus trabalhos na literatura Francesa e Alemã, escrevendo com o prejuízo de que os mamíferos por eles observados tratavam-se dos mesmos que existiam nos outros países. Mais assertivos os Lusitânicos, tiveram em Barboza du Bocage um Zoólogo que soube descrever para Portugal fauna peculiar, como por exemplo a sua “Notícia sobre os Arvicolas de Portugal” onde se indica que a Rata-de-água existente em Portugal não é a Arvicola amphibius e é descrita uma nova espécie, a Arvicola (=Microtus) rozianus (= Microtus agrestis).


José Vicente Barbosa du Bocage (Funchal, 1823 — Lisboa, 1907) foi um zoólogo e político português. Foi curador de zoologia do Museu de História Natural de Lisboa. Publicou extensa obra sobre mamíferos, aves e peixes. Na década de 1880 foi Ministro da Marinha e mais tarde Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Por decreto governamental de 10 de abril de 1905 a secção de zoologia do Museu Nacional de Lisboa foi nomeada como "Museu José Vicente Barbosa du Bocage" em sua honra. José Vicente era primo em segundo grau do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805).

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sexo e Morcegos

Cópula de Myotis daubentonii

Como é que os machos e fêmeas se encontram? Como e onde acasalam? são perguntas que ainda têm poucas respostas para muitas das espécies de morcegos.
Para algumas espécies como por exemplo o Pipistrellus pygmaeus ou o Nyctalus noctula, sabe-se que machos isolados ocupam abrigos de cópula em áreas onde a passagem de fêmeas é espectável. Para estas espécies os abrigos de cópula são eminentemente buracos em árvores ou em alternativa caixas-abrigo.
No caso dos Pipistrellus pymageus, os machos defendem estes abrigos de outros machos voando constantemente em volta destes durante a noite, enquanto emitem chamamentos na perspectiva de atrair alguma fêmea para o abrigo de cópula. Contrariamente os machos de Nyctalus noctula situam-se à entrada dos abrigos e emitem chamamentos na perspectiva de atrair alguma fêmea, voando apenas de vez em quando em torno do abrigo de cópula emitindo chamamentos para afugentar outros machos. Quando uma fêmea receptiva se encontra na área de um macho, esta é encorajada a entrar para o abrigo de cópula, depois de a fêmea estar dentro do abrigo, o macho volta a posicionar-se à entrada do mesmo, na tentativa de atrair mais fêmeas, no caso particular desta espécie as cópulas dão-se durante o dia.
Durante a cópula os machos abraçam as fêmeas por de trás com os antebraços e em muitas espécie morde firmemente os pelos do pescoço, de tal forma, que a presença de saliva no pescoço das fêmeas é visível mesmo após algumas horas depois da cópula. No caso particular dos Myotis blythii, os machos protegem as fêmeas durante o dia, envolvendo-as com as assas entreabertas, evitando assim investidas de outros machos, este comportamento é conhecido como “mate guarding”.
Como é de esperar os machos das diferentes espécies usam diferentes estratégias de acasalamento, como já foi referido os machos de Nyctalus noctula durante o final do Verão e Outono, defendem vigorosamente os abrigos de cópula. Outras espécies têm uma estratégia mais massiva, como é o caso do Myotis daubentonii, Myotis mystacinus, Myotis nattereri, Myotis bechsteinii, Myotis myotis, Myotis Blythii Plecotus auritus Barbastella barbastellus e Eptesicus serotinus, que no Outono convergem para os abrigos subterrâneos de hibernação comportamento conhecido de “swarming”. Machos e fêmeas estão sexualmente activos durante alguns dias, o “swarming” ocorre durante a noite e durante o dia é realizada a cópula.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Bat's in the net 2010


O tempo disponível para as capturas durante o ano 2010 não foi muito, mesmo assim foi possível realizar 24 sessões de capturas, distribuídas entre o Sabugal e Bragança.
Os mais de 800 metros de rede esticados, permitiram a captura de 151 indivíduos distribuídos por 16 espécies diferentes.
Os resultados obtidos, permitiram a aquisição de novos dados para espécies com Informação Insuficiente (DD), assim como para as espécies com estatuto de ameaça (VU e EN), e ainda a confirmação da presença do Myotis escalerai e do Eptesicus isabellinus na Beira Interior Norte.

O número de capturas por espécie foi a seguinte:
Myotis bechsteinii EN (n=1)
Myotis myotis VU (n=1)
Myotis escalerai NA (n=5)
Myotis emarginatus DD (n=1)
Myotis daubentonii LC (n=55)
Pipistrellus pipistrellus LC (n=21)
Pipistrellus kuhlii LC (n=6)
Pipistrellus pygmaeus LC (n=3)
Hypsugo savii DD (n=7)
Nyctalus leisleri DD (n=7)
Nyctalus noctula DD (n=1)
Eptesicus serotinus LC (n=14)
Eptesicus isabellinus NA (n=1)
Barbastella barbastellus DD (n=9)
Plecotus auritus DD (n=6)
Plecotus austriacus LC (n=13)
Não poderia escrever este post sem agradecer a todos aqueles que me de algum modo contribuíram para estes resultados, aos que me acompanharam durante as sessões de captura à Estação Biológica de Doñana em particular ao Javier Juste e toda sua equipa pela confirmação genética de alguns exemplares. E finalmente à lua (embora algumas vezes me fizesse perder a paciência!!!) que me fez companhia nas noites mais solitárias.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Myotis emarginatus


Indivíduo fotografado dentro de um edifício, na localidade de Sto. Adrião, em Vimioso.
Morcego-lanudo (Pt) (Murciélago Ratonero Pardo (Es))

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Vespertilionidae
Género: Myotis
Espécie: Myotis emarginatus (Geoffroy, 1806)


Descrição:
O Morcego-lanudo é um morcego de tamanho médio/pequeno. As suas orelhas são de tamanho médio, com 6 a 7 pregas transversais, e quando estendidas não ultrapassam a ponta do nariz. Possui um entalhe no bordo da orelha, mais acentuado do que nas outras espécies, quase em ângulo recto, característica que o distingue. O trago é pontiagudo, em forma de lanceta e não ultrapassa o referido entalhe. A sua pelagem tem aspecto “lanoso” com pêlo comprido. O pêlo do dorso tem três cores: a base é cinzenta, a parte média é amarelo-palha e a ponta castanho-arruivada. O ventre é amarelo-acinzentado. Os indivíduos adultos mais velhos apresentam uma coloração muito uniforme, distinta da dos juvenis. O nariz é vermelho acastanhado e as membranas alares são cinzento-acastanhadas-escuras e as membranas laterais começam na base dos dedos das pequenas patas. O esporão é direito e atinge metade da membrana caudal, que por sua vez apresenta por vezes uma franja de pêlos escassos, curtos, lisos e macios. Só a ponta da cauda sai fora da membrana caudal. A pele dos testículos é negra.
Biometrias: Cabeça – corpo: 41 a 53mm; Antebraço: 36,1 a 44,7mm.  


Espécies similares:
Pode ser confundido com outras espécies de Myotis de tamanho pequeno, nomeadamente: M. bechsteinii (Morcego de Bechstein), M. nattererii (Morcego-de-franja), M. daubetonii (Morcego-de-água) e M. mystacinus (Morcego-de-bigodes).


Ecologia/biologia:
Morcego nocturno, sai tarde do abrigo, geralmente 30 min após o pôr-do-sol. É uma espécie sedentária com deslocações inferiores a 40 km, sendo a deslocação máxima observada de 106 km. Utiliza edifícios e cavernas como abrigos de criação e hibernação. Os indivíduos geralmente hibernam isolados ou em pequenos grupos. Durante a época de criação pode formar colónias com outras espécies como R. euryale, R. mehelyi e R. ferrumequinum como se observou no sul de Espanha. As suas colónias de criação estão compreendidas entre 20 e 200 fêmeas ou mesmo 500 e 1000. caça em voo e no solo, alimentando-se essencialmente de dípteros (ex: mosquitos), himenópteros, mariposas e lagartas. O acasalamento (“swarming”) tem início no Outono, e os nascimentos ocorrem em Junho/Julho. As fêmeas podem reproduzir-se no primeiro ano, embora os nascimentos só ocorram no seu segundo ano de vida, tendo apenas uma ninhada de uma cria por ano. Os juvenis podem voar às 4 semanas de idade. A sua longevidade máxima conhecida é de 23 anos.


Pormenor do entalhe no bordo externo das orelhas


Pêlo lanoso do dorso e pormenor do entalhe do bordo externo da orelha

Distribuição:
Ocorre na Europa (sendo rara no Norte), Centro e Sudoeste da Ásia e no Norte de África.
Em Portugal tem uma distribuição ampla, mas é uma espécie relativamente rara, estimando-se que a população seja constituída por menos de um milhar de indivíduos, agrupados durante a época de criação, num número muito reduzido de colónias.


Habitat:
Embora pareça evitar bosques muito densos, caça quer em zonas florestadas e nos seus limites, quer em zonas abertas como prados e massas de água. Apesar de ser uma espécie essencialmente cavernícola pode abrigar-se também em edifícios e cavidades de árvores. Em Espanha a sua presença perece ser favorecida por uma orografia acidentada, atingindo os 1780m de altitude na Sierra de Baza (Granada), conhecendo-se a colónia de criação a maior altitude, a cerca de 1420m na Sirra Arana (Granada).


Ecolocalização:
É impossível de distinguir entre as restantes espécies de Myotis de tamanho pequeno, pelo que a estrutura dos seus pulsos é “Steep FM” situando-se entre os 100 e os 40 kHz têm uma duração curta, entre 2 e 6 ms.


Conservação e ameaças:
O reduzido efectivo da espécie, e o seu carácter fortemente colonial tornam-na particularmente vulnerável. A perturbação e destruição de abrigos estão entre as principais ameaças, juntamente com o uso de pesticidas, uma das principais causas de mortalidade, pois devido á sua biologia os morcegos são particularmente susceptíveis a uma contaminação aguda por pesticidas (insecticidas) ingeridos na alimentação, e acumulados no tecido adiposo, a única reserva alimentar disponível durante o período de hibernação. È necessário um esforço no sentido de melhorar o conhecimento, essencialmente do seu efectivo populacional, das tendências da sua população e da sua distribuição, para que seja possível estabelecer um estatuto de conservação adequado e ajustar as respectivas medidas de conservação.


Estatutos de conservação:
A nível mundial possui o estatuto de “Pouco Preocupante” (LC). Em Portugal possui o estatuto de “Informação Insuficiente” (DD), uma vez que não existe informação adequada para avaliar o risco de extinção nomeadamente quanto à redução do tamanho da população. Em Espanha o seu estatuto é “Indeterminada” (I), espécies que se sabe pertencerem a uma das categorias “Em Perigo” (E), “Vulnerável” (V) ou “Rara” (R), mas não existe informação suficiente para determinar a mais apropriada.


Referências:

Macdonald D., Barret P. (1999). Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS. Porto.

Dietz & von Helversen. (2004). Claves de identificación ilustradas de los murciélagos de Europa. Publicación electrónica.