domingo, 13 de junho de 2010

Sabes

Porque é que os morcegos hibernam?

Foto de Rhinolophus ferrumequinum em periodo de hibernação


A Hibernação, ao contrário do que muita gente pensa, é uma adaptação à falta de alimento que ocorre nos meses mais frios do ano, esta adaptação, permite aos morcegos conservar a sua energia e sobreviver a partir das reservas da gordura acumulada durante os meses antecedentes à hibernação. Os períodos de hibernação dos morcegos variam de região para região, por exemplo no Norte de Portugal a hibernação é muito mais longa do que mo Sul, podendo em alguns casos ser muito curta, já que em algumas zonas os Invernos são muito suaves e permitem manter uma actividade de insectos durante quase todo o ano.



Os morcegos não são cegos?

Foto de Nyctalus noctula


A palavra morcego etimologicamente significa rato-cego e deriva do latim “muris - rato” + “ceaculus - cego”, todavia, ao contrário da crença popular, os morcegos têm uma visão muito sensível, possivelmente melhor que a dos humanos em meios com pouca luz. Podem perfeitamente voar e identificar as suas presas por meio da visão, contudo a necessidade evolutiva deste grupo a meios escuros fez com que desenvolvessem um sexto sentido – a ecolocalização- o qual utilizam preferencialmente para a sua movimentação e alimentação.



quinta-feira, 10 de junho de 2010

Chioglossa lusitanica

Taxonomia:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Amphibia

Ordem: Urodela

Família: Salamandridae

Género: Chioglossa

Espécie: Chioglossa lusitanica

Nome comum: salamandra-lusitânica

Identificação:

Em adulto tem o corpo delgado com uma cauda muito alongada, ao longo do dorso possui duas listas de cor dourada, acastanhada ou alaranjada que se unem na zona da cauda. A cabeça é pequena e achatada, os olhos proeminentes em posição lateral. O ventre tem uma coloração cinzenta escura com pequenos pontos brancos. Mede entre 120 a 150mm, os membros anteriores possuem quatro dedos e os posteriores possuem cinco dedos. Os machos têm a região cloacal mais proeminente que as fêmeas, especialmente na época de reprodução e de forma geral, as fêmeas têm o corpo mais robusto que os machos. A Larva têm um comprimento de 28 a 50mm, com o corpo alongado com a cabeça achatada e as brânquias pouco desenvolvidas. As larvas recém-eclodidas são pouco pigmentadas, adquirindo uma coloração escura conforme vão crescendo. A época de reprodução ocorre entre Maio e Novembro, conforme a localização geográfica e a altitude.

Espécies similares:

Em Portugal não existem espécies passíveis de serem confundidas com a Chioglossa lusitanica.

Distribuição:

Em Portugal, a espécie apresenta uma distribuição praticamente contínua na zona Noroeste e Centro/Oeste, tendo como limites a Este a Serra da Estrela, a Sul o Rio Tejo, e no Centro/Oeste, as Serras do Buçaco, Lousã e Alvelos.

Habitat:

A Chioglossa lusitanica, está restringida a zonas com um clima suave e com precipitações anuais elevadas, sempre superiores a 1000mm/m2. Geralmente prefere linhas de água corrente com vegetação abundante nas margens e atmosferas saturadas em humidade de sistemas montanhosos e com topografia acidentada Assim como ribeiros com acidez elevada de zonas de baixa ou média altitude, até aos 1000m de altitude (podendo ir até aos 1100m na Serra da Estrela), evitando zonas calcárias e linhas de água contaminadas ou com dureza elevada.

Pode ainda ser encontrada em bosques caducifólios, eucaliptais, tojais e locais rochosos praticamente sem vegetação, junto de linha de água.

Biologia:

Espécie de hábitos crepusculares e nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna durante os dias chuvosos ou nublados. A salamandra-lusitânica suspende a actividade durante o Verão, devido às elevadas temperaturas e baixa humidade do ar, e durante os meses de Inverno, devido às baixas temperaturas.

Reprodução:

A época de reprodução pode variar consoante a região em que se encontra, mas em Portugal parece ocorrer no período compreendido entre Maio e Novembro.

O acasalamento acontece após um complexo comportamento de cortejamento em terra ou em águas pouco profundas. Após o amplexo com o macho, a fêmea deposita entre 12 a 20 ovos num local húmido e protegido. A eclosão ocorre seis a nove semanas após a postura. Para se reproduzirem as Salamandras-lusitânicas, reúnem-se em locais específicos (como por exemplo as minas concavidades naturais nas margens dos cursos de água, debaixo de pedras ligeiramente submersas), caracterizadas por terem paredes rochosas com elevada inclinação, ou mesmo verticais, com elevada humidade e água corrente e limpa, temperatura mais ou menos constante. Os recentes estudos apontam para que as Salamandra-lusitânicas sejam fiéis aos locais de reprodução.

Alimentação:

A alimentação dos adultos é constituída basicamente por insectos, aracnídeos e moluscos de pequenas dimensões. As larvas alimentam-se essencialmente de pequeníssimos insectos aquáticos, moluscos e crustáceos.

Longevidade:

A sua longevidade máxima no meio natural é de 8-10 anos, e atingem a maturidade sexual aos 4 anos de idade.

Curiosidades:

A Chioglossa lusitanica é a única salamandra que tem uma cauda com uma secção circular. Os principais predadores são cobras-de-água, lontras e grandes sapos, enquanto que as larvas são consumidas por cobras-de-água, larvas de libélula e escaravelhos aquáticos.

Ameaças:

A substituição de bosques Atlânticos, por espécies florestais introduzidas limita a distribuição da espécie. A deterioração de habitat pela derivação de água para sistemas de irrigação pode afectar substancialmente esta espécie, assim com a utilização de pesticidas.

Medidas de conservação:

Manter a disponibilidade e qualidade das linhas de água e da vegetação ribeirinha que constituem o seu habitat, manutenção dos locais de reprodução.

Estatuto de conservação:

Espécie endémica da Península Ibérica e único representante do seu género, a nível internacional (IUCN) a Salamandra-Lusitânica encontra-se classificada como “Vulnerável” (VU), bem como em Portugal (LVVP). Faz parte do anexo II da Convenção de Berna e dos anexos BII e B-IV da Directiva Aves/Habitats (DL 140/99 de 24 de Abril).

Referências e Sites:

Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660 pp.

Ferrand de Almeida, N; Ferrand de Almeida, P; Gonçalves, H; Sequeira,F; Teixeira, J & F, Ferrand de Almeida. 2001. Guia FAPAS dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS e Câmara Municipal do Porto. Porto. 249 pp.

Loureiro A, Ferrand de Almeida N, Carretero MA & Paulo OS (eds.) (2008). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 275 pp.

Arntzen, J.W., Bosch, J., Denoël, M., Tejedo, M., Edgar, P., Lizana, M., Martínez-Solano, I., Salvador, A., García-París, M., Gil, E.R., Sá-Sousa, P. e Marquez, R. (2008): Chioglossa lusitanica. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.1.

Teixeira, J., Sequeira, F., Alexandrino, J. e Ferrand, N. (1998). Bases para a Conservação da Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica). Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa



terça-feira, 1 de junho de 2010

Gallinago gallinago


Morfologia:
A Narceja-comum (Gallinago gallinago) é uma limícola intensamente malhada de dimensão média, bem camuflada, com bico comprido e direito com cerca de 6 a 7cm, parte superior castanha e preta malhada com listras conspícuas castanho-amareladas no dorso formando um V. Listra média da coroa e superciliar castanho-amareladas, listra ocular escura e margens escuras das coberturas auriculares produzem um padrão malhado distintivo. O peito é castanho-amarelado e a garganta e abdómen brancos. A cor do bico varia entre o rosado e o preto e as patas são compridas e esverdeadas. Existem registos de indivíduos parcialmente albinos e indivíduos melânicos.
O seu comprimento varia entre os 25 e 27cm e possui uma envergadura de 44 a 47cm. O peso oscila entre os 100 e 120 g, mas em casos extremos pode variar entre os 80 e os 225 g. Não é observado dimorfismo sexual, a plumagem não apresenta variações sazonais e os juvenis são muito semelhantes aos adultos.


Espécies similares:
A Narceja-comum é uma ave da Ordem dos Charadriiformes, Família Scolopacidae e Género Gallinago.
Em Portugal Continental existem registos da observação de quatro espécies de narcejas, três pertencentes ao género Gallinago e uma pertencente ao género Lymnocryptes.
Relativamente às espécies do género Gallinago a Narceja-comum (Gallinago gallinago) é sem dúvida a narceja mais abundante e bem distribuída, estando a observação da Narceja-real (Gallinago media) e a Narceja de Wilson (Gallinago delicata) sujeita a homologação por parte do Comité Português de Raridades.
A Narceja-galega (Lymnocryptes minimus) é uma espécie relativamente comum que apesar da plumagem típica de narceja apresenta grandes diferenças morfológicas e comportamentais relativamente à Narceja-comum.

Distribuição:
A Narceja-comum apresenta-se distribuída pelas regiões Holártica, Afrotropical e Neotropical, verificando-se a sua ausência em quase toda a Europa mediterrânica.
A sua distribuição encontra-se intimamente relacionada com a época reprodutiva e época de invernada, verificando-se que, de uma forma geral, após a época reprodutiva esta migra para sul para as áreas de Invernada.
Em Portugal Continental é considerada uma espécie invernante e migradora de passagem, sendo no entanto reconhecida a sua nidificação no noroeste de Portugal.
Estudos efectuados de 2006 a 2008 por um grupo de trabalho do CIBIO em torno da população nidificante de Narceja-comum, permitiram concluir que esta população apresenta um efectivo reduzido que não deve ir além de 2 a 3 casais e se encontra confinada á região de Montalegre com nidificação confirmada no Planalto da Mourela.

Habitat:
Durante a época de invernada a Narceja-comum distribui-se por uma grande diversidade de zonas húmidas, no entanto, durante a época reprodutiva verifica-se a preferência por zonas húmidas de altitude, como matos higrófilos, turfeiras e lameiros caracterizados por solos com elevado conteúdo de matéria orgânica e ricos em invertebrados.
Na selecção do local de nidificação é dada preferência a locais abertos e de boa visibilidade, que permitam detectar a aproximação do perigo.

Biologia:
A Narceja-comum é uma ave com actividade principalmente crepuscular. A alimentação baseia-se maioritariamente na ingestão de uma grande variedade de invertebrados, no entanto, também se alimentam (mas em menores quantidades) de sementes e outras porções vegetais, assim como componentes de origem mineral.

A Narceja-comum atinge a maturidade sexual ainda durante o seu primeiro ano de vida, no entanto a nidificação nem sempre acontece, uma vez que os melhores locais são seleccionados pelos machos mais velhos. Os jovens constituirão uma população de substituição para o caso de algo ocorrer com os mais velhos.
Na Europa, as narcejas chegam aos locais de nidificação entre Março e Abril. Os machos são os primeiros a chegar e delimitam os seus territórios.
O ninho é construído apenas pela fêmea a uma altura que pode chegar a 50cm de forma a proteger as posturas de inundações.
As posturas são em média de 4 ovos, brilhantes, periformes e as cores variam do cinzento ao castanho oliváceo. A incubação fica ao encargo da fêmea e dura entre 18 a 22 dias.
A ninhada é repartida pelos dois progenitores, ficando as primeiras crias ao encargo do macho (uma ou duas) e as restantes da fêmea.
As crias, nidífugas são alimentadas nos primeiros dias pelos progenitores e emancipam-se na totalidade por volta das 6 semanas.
A Narceja-comum apresenta pelo menos 8 sons, que correspondem a situações particulares e em frequências que variam ao longo do seu ciclo de vida bem como do ciclo anual. O som mais curioso é o “Drumming-flight” que é produzido pela vibração das rectrizes externas durante o voo estando este relacionado com a exibição nupcial.

Conservação:
A nível global a Narceja-comum possui o estatuto de "Pouco preocupante" (LC) no entanto, verifica-se que o seu efectivo populacional se encontra em declínio. Em Portugal Continental a população nidificante apresenta o estatuto de "Criticamente em perigo" (CR).
Tratando-se de um efectivo populacional muito reduzido, com elevada dependência de habitats específicos, é essencial condicionar a drenagem das zonas húmidas nas áreas importantes à nidificação da espécie, de forma a preservar os locais de nidificação actual, bem como, a promoção da recolonização de áreas de distribuição histórica da população nidificante.

Referências bibliográficas:
Cramp, S.. (1998). The complete birds of western Palearctic. CD-ROM. Oxford University Press..
Del Hoyo, J. Elliot, A. & Sargatal, J.(Eds) (1996). Handbook of the birds of the world. Vol. 3. Lynx Edicions, Barcelona, Espanha. 882pp.
Grisser, P. (1990). La Bécassine des Marais. Bull. Mens. O.N.C., 144 (Notes Techniques; fiche nº 64). 8 pp.
ICN (2006). Gallinago gallinago - Plano Sectorial da Rede Natura 2000. Acedido em 8 de Agosto de 2007, em: http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT/
Rouxel, R. 2000. Les Bécassines du paléartic occidental. Publ. OMPO. Ed. Eveil Nature, Saint-Yrieix-sur-Charante, France. 304 p.
Silva, T., (2008). Relatório Final de Estágio: Recenseamento de Espécies Cinegéticas em Montalegre, com Destaque para a População Nidificante de Narceja comum (Gallinago gallinago). 37pp.


Texto da autoria e responsabilidade de Tiago Silva

sábado, 22 de maio de 2010

boscai Vs helveticus

O tritão-palmado (Triturus helveticus) está listado como Vulnerável (VU) no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, enquanto que o tritão-de-ventre–vermelho (Triturus boscai) como Pouco Preocupantes (LC). Estas duas espécies podem ocorrer em sinpatria, por isso quando andarem no campo não os confundam, aqui fica uma dica para os distinguir.