quinta-feira, 22 de abril de 2010

Lampides boeticus


Identificação:
A Lampides boeticus é uma espécie de lepidóptero diurno da família LYCAENIDAE. Esta borboleta apresenta, na face inferior das asas, tons castanhos-claros, esbranquiçados e beges misturados em padrões irregulares. Também nesta face da asa posterior pode ser observado um ponto escuro orlado de colorações laranja e uma banda branca na região pós-mediana. A face superior apresenta um tom violeta profundo, os bordos marginais escuros e dois pontos negros orlados de branco. São também evidentes as fímbrias de cor branca.
Espécies similares:
Em Portugal, esta espécie poderá ser confundida com a Leptotes pirithous da qual se distingue por apresentar a, já referida, banda branca na face inferior da asa posterior.
Distribuição:
No nosso país esta espécie poderá ser observada em todo o território e parece ser uma espécie abundante. Na Europa é comum nas regiões do sul sendo rara no Reino-Unido o seu limite norte de distribuição parece ser o Norte da Alemanha. É uma espécie migradora que prefere locais quentes com altitudes máximas de 1000 metros.
Habitat:

Este lepidóptero pode ser encontrado em diversos habitats sempre com a presença de algumas leguminosas.
Alimentação:
A lagarta desta pode alimentar-se de várias espécies da família Fabaceae como as ervilheiras Pisum spp. ou os codeços Adenocarpus complicatus. Esta espécie associa-se com formigas, que vivem dentro das vagens das espécies das quais a borboleta se alimenta enquanto larva ou adulto.
Medias de conservação:
Sendo uma espécie vulgar e de ampla distribuição, esta espécie parece não necessitar de medidas direccionadas à sua conservação.
Dimensões:
A envergadura desta espécie está compreendida entre os 30 e os 35 milímetros.
Estatuto de conservação:
Em Portugal parece ser uma espécie comum e, em principio, não ameaçada.
Observações:
Esta espécie foi observada e fotografada no início de Agosto e em Outubro de 2009 na região de Urrós (conselho de Mogadouro) dentro dos limites do PNDI.
Referências e Sites:
Maravalhas, E. (ed.), 2003, As Borboletas de Portugal. Porto.
Tolman, T. e Lewington, R., 2008, Collins Butterfly Guide: The Most Complete Field Guide to the Butterflies of Britain and Europe, England.
Sariot, M.G.M., 1995, Mariposas Diurnas de la Provincia de Granada. Granada.
http://www.tagis.org/
http://www.eurobutterflies.com/
www.ukbutterflies.co.uk
www.butterfly-conservation.org

domingo, 18 de abril de 2010

Talpa occidentalis

Taxonomia:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Subfilo: Vertebrata

Classe: Mammalia

Ordem: Insectivora

Família: Talpidae

Género: Talpa

Espécie: Talpa occidentalis

Nome comum: Toupeira


As recordações mais antigas que tenho desta espécie, são do tempo que passei a percorrer os canais de rega à procura dos teus túneis (uma verdadeira dor de cabeça para quem regava, pois, os túneis desta espécie são capazes de desviar toda a água de um rego-da-pé) em quanto o meu pai regava o milho e as batatas, e as armadilhas que o meu avô colocava na horta para apanhar este bicharoco.

Mais recentemente, este ano, enquanto regressava de mais um dia de campo, tropecei numa toupeira que estava algo tonta no meio da estrada, lá encostei o carro para tirar o bicho da estrada e coloca-lo em local mais seguro, coisa que não consegui fazer sem levar uma valente dentada… coisas do ofício….

Identificação: As toupeiras são os únicos mamíferos europeus com vida tipicamente hipógea, à qual se adaptaram de uma forma muito eficaz, podendo passar debaixo da terra longos períodos, sem necessidade de ter que sair à superfície, que normalmente apenas o fazem em três tipos de situações: para beber no tempo de estio, durante a dispersão dos juvenis e na época de reprodução para a procura de parceiro(a).

A família das toupeiras distribui-se pela Europa e Norte da América, com 3 sub-famílias, 12 géneros e 31 espécie, das quais duas ocorrem na Península Ibérica: a Talpa europaeus (Linnaeus, 1758) e a Talpa occientalis (Cabrera, 1907), sendo que apenas a última tem distribuição no nosso território.

De corpo cilíndrico e compacto, esta espécie está dotada de umas patas posteriores poderosas, com uma orientação para o exterior de modo a facilitar a sua actividade escavadora. A sua pelagem é muito densa, geralmente de cor negra, contudo, por vezes também podem apresentar tonalidades prateadas, avermelhadas ou mesmo violeta.

O tacto é o sentido mais desenvolvido da toupeira, particularmente na ponta do seu focinho, no qual se encontram uns pêlos sensoriais chamados de vibrissas, que movem constantemente para detectar as suas presas. Muito embora o olfacto e o ouvido também sejam funcionais nesta espécie, este sentidos, não estão muito desenvolvidos, enquanto que a visão é um sentido que por não o utilizar, está atrofiado.

Espécies similares: Em Portugal não existem espécies similares ou que possam ser confundidas com estas.

Distribuição: Esta espécie é um endemismo ibérico, e é comum no nosso país, apresenta uma distribuição amplia de Norte a Sul de Portugal.

Habitat: Esta é uma espécie bastante ubíqua, podendo ser encontradas em qual tipo de habitat desde que o solo seja idóneo para a sua actividade escavadora.

Biologia: A sua actividade escavadora não cessa e as galerias que conduzem à cavidade onde se encontra o ninho, vai sendo cada vez maior. As galerias têm uma dimensão média de 5cm de largura e 4cm de altura, podendo somar mais de 150 metros de comprimento, contudo o comprimento médio das galerias é de 40-50 metros. A toupeira não é um animal social, quando se cruza ocasionalmente com um congénere, são disputadas ferozes lutas, durante a época do cio, estas, podem originam muitas vezes na morte de um dos envolvidos.

Reprodução: O macho da toupeira está activo antes da fêmea, o que ocorre normalmente entre Dezembro e Janeiro, a cópula acontece geralmente em Fevereiro e Março. Após uma gestão de 4 a 6 semanas, nascem 3 -5 crias nuas que pesam apenas 3,5 gramas. Os partos ocorrem numa cavidade no subsolo onde se encontra o ninho que é de forma quase esférica, podendo no máximo alcançar os 150cm de largura e os 50cm de altura, com paredes muito lisas, o ninho é composto por folhas, raízes e erva seca, onde coloca no seu interior as suas crias. Estas, são amamentadas durante 28 ou 35 dias, após este período começam a alimentar-se sozinhas.

Alimentação: A sua alimentação é baseada sobretudo em minhocas, que podem constituir 90 a 100% da sua dieta no Inverno, percentagem que baixa para 50% no Verão, esta espécie complementa o seu regime alimentar com pequenos repteis e roedores, ao qual adiciona raízes, tubérculos assim com alguns frutos

Longevidade: Atingem a maturidade sexual entre os 6 e 12 meses, e podem atingir os 5 anos de idade, contudo o normal é não superarem os 3 anos de vida.

Curiosidades: A toupeira tem um metabolismo muito elevado, o que o obriga a consumir elevadas quantidades de alimento, por dia é capaz de comer o equivalente a 50 ou 100% do seu peso (imaginem ter que comer diariamente pelo menos metade do vosso peso!!!!). Esta espécie, se estiver mais de 24 horas sem comer morre, alguns autores referem que as fatalidades podem ocorrer a partir das 10 ou 12 horas sem se alimentar.

Ameaças: Devido à sua actividade hipógea, raramente são incluídos na dieta de outros animais, contudo podem ser consumidos por texugos, raposas e rapinas nocturnas. O homem é considerado o principal inimigo natural e histórico, que vê nesta espécie, um indesejável visitante dos seus campos.

Estatuto de conservação:

De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), a toupeira é um Endemismo Ibérico e está classificado como “Pouco preocupante”.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cicconia cicconia azul

Numa pequena aldeia da Alemanha, chamada de Biegen, onde normalmente não se passa nada, é agora um sítio de atracção turística para os ornitólogos, visto que na chaminé mais alta desta aldeia nidifica uma Cegonha branca, mas de cor azul!

O certo é que entre discussões e conversas, a famosa cegonha converteu-se numa estrela, se a sua plumagem é natural ou acidental, é o que menos importa, o importante é que a torna singular.

Podem ver um pequeno filme desta raridade AQUI.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Já chegaram!!

Como é recorrente todos os anos por volta destes dias, os Circus pygargus chegam ao planalto do Vilarelho (Alijó). Este ano, os dois primeiros casais chegaram no sábado de Páscoa (03/04/2010), dois dias mais tarde do que o ano passado. A chegada de todos os casais nidificantes desta área (17-20) ainda vai durar umas duas ou três semanas, contudo é sempre bom saber que estão de volta.

Deixo aqui um pequeno vídeo de uma das progenitoras de 2008 mais as crias, onde podemos observar o seu comportamento irrequieto quando encontra o seu ninho sem um dos seus pintos, depois de observar algumas vezes as crias e de sentar em cima delas (como que se as estivesse a contar), eis que surge do meio dos tojos a inofensiva cria, que prontamente é segurada na cabeça pelo bico da progenitora e colocada junto dos seus irmãos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Erinaceus europaeu

Taxonomia:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Subfilo: Vertebrata

Classe: Mammalia

Ordem: Erinaceomorpha

Família: Erinaceidae

Subfamília: Erinaceinae

Género: Erinaceus

Espécie: Erinaceus europaeus

Nome comum: Ouriço-cacheiro


Muito embora já tivesse visto várias vezes esta espécie atropelada, a primeira vez que tive contacto com um exemplar vivo, foi no final de uma noite de Verão quando descia da Serra do Alvão, que muito timidamente se deixou estar imóvel na berma de uma estrada, disponibilizando-nos (a mim, à Joana e ao Luís) o privilégio de o observar, fotografar e tocar pacientemente.

Identificação: O ouriço é provavelmente o mamífero mais fácil de identificar, pelo facto de ter a zona dorsal coberta de espinhos (cerca de 6 mil), que não são mais que pêlos modificados. Estes pêlos, bastante aguçados, têm entre 2 a 3 cm. O ouriço-cacheiro é maior insectívoro da nossa fauna, com um comprimento do corpo entre 18 a 20 cm e cerca de 1 kg de peso máximo, sendo o valor mais habitual os 700 g. A sua coloração é parda, mas ou menos escuro, dependendo dos indivíduos, mas o seu ventre é sempre esbraquiçado. Não têm dimorfismo sexual, visto que os testículos dos machos são intra-abdominais, a principal diferença é que o pénis está bastante avançado, enquanto a vagina se encontra muito próxima do ânus. As fêmeas têm cinco pares de mamas, dois peitorais, dois abdominais e dois inguinais. A fórmula dentária é: 3.1.3.3/2.1.2.3.

Espécies similares: Na Península Ibérica a única espécie similar é Atelerix algirus (apenas presente em Espanha), menos robusto, mais claro, com as orelhas proporcionalmente maiores.

Distribuição: Presente em quase toda a Europa Central e Ocidental, à excepção das zonas boreais e montanhosas da Península Escandinava. Pode ser também observado nos Países Bálticos como a Finlândia e a Estónia. O seu limite Oriental de distribuição é a zona mais Ocidental da polónia, Áustria, Republica Checa e Eslovénia. Em Portugal o ouriço é uma espécie abundante, com distribuição generalizada de norte a sul do país. Foi ainda introduzida nos Açores.

Habitat: Embora o ouriço tenha hábitos nocturnos, a sua observação é relativamente fácil principalmente ao amanhecer e ao anoitecer, perto de lagos ou rios, onde vai beber água e tomar pequenos banhos. Esta espécie ocupa uma variedade elevada de tipos de habitats, desde de zonas abertas de matos a zonas mais fechadas florestadas. Também é muito comum ocupar meios semi-urbanos, incluindo jardins. Em zonas mediterrânicas pode ser observado em zonas montanhosas, mas húmidas.

Biologia: Quando os recursos alimentares escasseiam e a descida da temperatura se acentua, o ouriço-cacheiro hiberna. Em Portugal este comportamento apenas é verificado em zonas de maior altitude, de clima marcadamente continental. Os animais antes de hibernar engordam para terem energia suficiente para o período de hibernação, durante o qual ocorrem uma série de alterações: os indivíduos baixam a sua temperatura de 35ºC para 9ºC; sua respiração diminui drasticamente (respirando 1 a 10 vezes por minuto); o ritmo cardíaco passa de 190 para 20 batimentos por minuto. Estando mais vulnerável a predadores enquanto hiberna, esta espécie escolhe buracos onde faz o seu ninho, que normalmente é em troncos de árvores, no solo ou em rochas. As construções humanas podem também fornece-lhe abrigos.

Reprodução: O período reprodutor estende-se desde Abril a Agosto, sendo fácil de notar os rituais de acasalamento, pois macho e fêmea andam cerca de uma hora em volta um do outro, enquanto vão fazendo um ruído semelhante ao resfolegar. Depois da cópula, o macho abandona a fêmea e só a ela cabe a responsabilidade de criar os jovens. Depois de 35 dias de gestação a fêmea dá à luz dois a seis crias, cegas e desprovidas de pêlo, pesando 10 a 25 gramas. As crias abrem os olhos a partir da segunda semana de idade e começam a sair fora do ninho à terceira, a partir dos 30-45 dias de idade deixam de mamar e começam a ser independentes. Normalmente cada fêmea apenas tem uma criação por ano, mas se houver disponibilidade suficiente podem ter uma segunda gestação. A mortalidade é elevada durante o primeiro ano de vida (até 70%), mas depois deste período a sobrevivência é elevada. A sua maturação sexual é atingida ao fim de um ano de idade.

Alimentação: Alimenta-se de todo o tipo de invertebrados, principalmente insectos e minhocas, que constituem cerca de 50% da sua dieta alimentar, podendo alimentar-se ainda de lesmas e caracóis, não rejeita ovos, pintos de aves, crias de roedores. Também come peixe, até porque é um excelente nadador.

Longevidade: Têm uma longevidade máxima de 7 a 10 anos, vivendo em média 4 a 5 anos

Curiosidades: Quando se sente ameaçado, enrola-se sobre si próprio, escondendo as suas pequenas patas e as áreas sem espinhos, e transforma-se numa “bola com picos”, bastante difícil de penetrar.

Ameaças: A principal ameaça parece ser a mortalidade provocada pelo atropelamento. Não foi comprovada nenhuma tendência regressiva e é abundante na sua área de distribuição. Não obstante, a redução de habitat poderá constituir uma ameaça para a espécie.

Medidas de conservação: Reduzir a utilização de insecticidas em zonas agrícolas. Gestão de áreas agrícolas com a manutenção de corredores ecológicos. Implementação de passagem para a fauna em “pontos negros” de rodovias.

Estatuto de conservação: De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), o ouriço-cacheiro está classificado como “Pouco preocupante” (LC), fazendo parte do anexo III da Convenção de Berna.

Referências e Sites: Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660 pp.

Livro Vermelho de Espanha