quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Colias croceus


Identificação:

A Colias croceus é um lepidóptero diurno da família PIERIDAE que é também a família das sobejamente conhecidas Borboletas-das-couves Pieris brassicae. Esta borboleta apresenta, na sua face inferior das asas, tonalidades maioritariamente amareladas a esverdeadas apresentando, na asa posterior, um distintivo conjunto de círculos brancos orlados por uma linha de tons acastanhados.

A face superior das asas apresenta igualmente coloração amarelada ou alaranjada com bandas marginais de tonalidades negras. Na asa posterior pode ser facilmente observado um círculo de tom laranja intenso. A fêmea pode ser distinguida do macho já que apresenta um tamanho ligeiramente superior e apresenta manchas amarelas na banda marginal da face superior das asas. A lagarta desta espécie apresenta tonalidade maioritariamente verde com uma evidente linha longitudinal de tom claro.

Espécies similares:

Em Portugal, esta espécie dificilmente poderá ser confundida com qualquer outra.

Distribuição:

No nosso país esta espécie poderá ser observada em todo o território e parece ser uma espécie abundante. Esta espécie perece ser bastante sensível a temperaturas baixas pelo que se acredita que esta espécie não será residente na região norte.

Esta espécie poderá ser encontrada nos países do centro e sul da Europa, no norte de África, no médio oriente, Ásia central e a sul dos montes Urais. Esta espécie realiza marcadas migrações estabelecendo populações migratórias em Países como o Reino Unido, a Escócia ou Irlanda.

Habitat:

Esta borboleta pode ser observada em diversos habitats sendo bastante associada a áreas abertas com bastantes flores com a presença de espécies de trevo ou luzerna.

Alimentação:

A lagarta desta espécie alimenta-se de várias espécies da família Fabaceae como a Luzerna Medicago sativa ou várias espécies de Trevo Trifolium sp. Os adultos alimentam-se do néctar de espécies como o Dente-de-Leão Taraxacum sp., cardos do género Centaurea ou mesmo de espécies de plantas aromáticas como o Orégão-vulgar Origanum vulgare.

Medias de conservação:

Sendo uma espécie vulgar e de ampla distribuição, esta espécie não parece necessitar de medidas direccionadas à sua conservação.

Dimensões:

A envergadura desta espécie está compreendida entre os 45 e os 55 milímetros.

Estatuto de conservação:

Em Portugal parece ser uma espécie comum e, em principio, não ameaçada.

Observações:

Esta espécie foi observada e fotografada no início de Agosto de 2009 na região de Picote (conselho de Miranda do Douro) dentro dos limites do PNDI e no início de Outubro de 2009 em S. Joanico no conselho de Vimioso.

Referências e Sites:

Maravalhas, E. (ed.), 2003, As Borboletas de Portugal. Porto.

Tolman, T. e Lewington, R., 2008, Collins Butterfly Guide: The Most Complete Field Guide to the Butterflies of Britain and Europe, England.

Sariot, M.G.M., 1995, Mariposas Diurnas de la Provincia de Granada. Granada.

http://www.tagis.org/

http://www.eurobutterflies.com/

www.ukbutterflies.co.uk

www.butterfly-conservation.org

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alytes cisternasii


Em criança, as minhas colecções de autocolantes de banda desenhada (não posso deixar de referir o Dartacão!), cedo foram substituídas pelo coleccionismo de observações de animais. E até agora, permanece o especial interesse em observar “bichos”…que se mexam…
Com a sorte de poder ter experiências profissionais de Norte a Sul do país, sempre anseio um encontro, mesmo que fugaz, com uma criatura diferente. Todas as espécies me encantam, mas não há nada como um primeiro encontro…
Acabada de chegar do Norte, ansiava ver os espécimes “novos” do Sul. Depois de um duro dia de trabalho de campo, já ao recolher da jornada, no Monte da Estrada (Odemira), fui presenteada por um Sapo-parteiro-ibérico. Não foi propriamente um encontro. O meu pai é que o descobriu por baixo de umas pedras. Sempre “teve olho” para “cuscar” a bicharada, provavelmente é daí que vem o meu gosto. Lá estava o belo exemplar, o Cavalo-marinho dos anfíbios…perdoem-me os meus colegas pela aberração que acabei de dizer, mas foi o que me veio à cabeça pelo facto do macho exercer cuidados parentais que habitualmente cabem à fêmea. Tão tímido e discreto como o sabem fazer tão bem os anfíbios. Por momentos apeteceu-me beijá-lo, não fosse às vezes transformar-se em príncipe… mas atempadamente me lembrei que se carregasse com ele filhos machos, poderiam transformar-se todos ao mesmo tempo em muitos príncipes o que seria bem mais complicado do que um só…
Identificação:
Sapo de aspecto robusto, cabeça larga e grande, comparativamente com o tronco que é curto e largo. Olhos grandes, proeminentes, pupila vertical e íris dourada com pigmentação negra. Membros anteriores curtos e robustos com quatro dedos (o quarto é de pequeno tamanho). Possui dois tubérculos palmares bem visíveis. Dorso esbranquiçado ou beje, com manchas mais escuras castanhas, cinzentas ou esverdeadas. Pequenas verrugas avermelhadas ou alaranjadas típicas no dorso, que se podem prolongar até aos olhos.
Espécies similares:
O Sapo-parteiro-comum é uma espécie semelhante. Ao contrário do Sapo-parteiro-ibérico, a sua distribuição em Portugal é praticamente contínua em toda a região Norte e Centro até ao rio Tejo (apresentando distribuição fragmentada numa zona litoral desde o Baixo Vouga até Sintra). Distinguem-se, por exemplo, pelo facto do Sapo-parteiro-ibérico apresentar dois tubérculos palmares e o Sapo-parteiro-comum, três.
Distribuição:
É uma espécie endémica do Centro e Sudoeste da Península Ibérica e em Portugal apresenta uma distribuição praticamente contínua a Sul do rio Tejo (excepto península de Setúbal e pequena orla do litoral algarvio).
Habitat:
Ambientes áridos e quentes, e zonas de baixa e média altitude. Prefere zonas de solos arenosos ou pouco consistentes, habitualmente em zonas abertas e planas.
Reprodução:
Ocorre no Outono e na Primavera, altura em que os machos cantam à noite. Após fecundação, os machos enrolam os cordões de ovos nos membros posteriores. O mesmo macho pode transportar a postura de várias fêmeas. Após 3 semanas de incubação, os machos deslocam-se até uma massa de água e os ovos eclodem de forma sincronizada. As larvas completam a metamorfose em 3 a 5 meses.
Alimentação:
Os adultos capturam presas vivas: formigas, caracóis, escaravelhos e aranhas. As larvas alimentam-se essencialmente de matéria vegetal e de invertebrados aquáticos.
Comportamento:
De hábitos nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna em dias chuvosos ou nublados. Nos meses de temperaturas mais extremas pode permanecer inactivo refugiando-se em buracos escavados por si ou naturais e debaixo de pedras.
Ameaças e medidas de conservação:
As principais ameaças são a alteração e destruição dos habitats onde possa ocorrer a espécie, e a presença de predadores introduzidos. As medidas de conservação passam pela preservação de charcos e ribeiros de pequena e média dimensão.
Dimensões:
Tamanho geralmente inferior a 4,5 cm. As fêmeas alcançam tamanho ligeiramente superior ao dos machos.
Estatuto de conservação:
A nível nacional apresenta estatuto de conservação “Pouco Preocupante”.
Curiosidades:
É conhecido como “parteiro” pelo facto de ser o macho quem transporta os ovos nas costas, até que estejam prestes a eclodir, altura em que os deposita na água. A. cisternasii terá divergido das restantes espécies de Alytes há cerca de 16 milhões de anos.
Referências e Sites:
Pedro Beja, Jaime Bosch, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Jan Willem Arntzen, Rafael Marquez, Carmen Diaz Paniagua 2008. Alytes cisternasii. In: IUCN 2009. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2009.2.
Gonçalves, H. (2008): Alytes cisternasii. Pp. 104-105, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M. A. & Paulo, O.S (eds.), Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa.
Ferrand de Almeida, N., Ferrand de Almeida, P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Ferrand de Almeida, F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias Fapas, Câmara Municipal do Porto – Pelouro do Ambiente, Porto.
http://www.iucnredlist.org/
http://forum.netxplica.com/
http://naturlink.sapo.t/

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A arte da camuflagem

Foto de Discoglossus galganoi (Rã-de-focinho-pontiagudo) tirada em 04/06/2009 na Serra do Caramulo.


Os anfíbios têm um leque de cores muito variado, alguns são de cores vivas outros de tons mais monótonos. Esta variedade de cores deve-se à concentração ou dispersão dos grânulos de pigmentos presentes nos cromatócitos que determinam a intensidade das cores, esta dispersão ocorre por acção de várias hormonas e neurotransmissores. Alguns anfíbios tem a capacidade de mudar de cor ou padrão, esse comportamento pode ajudar a ajustar a temperatura do corpo, assim como mecanismo de defesa e camuflagem judando-os a passar despercebidos por predadores.

Sabia que a camada de pele da Hyla arborea tem pigmento amarelo que ao reflectir a cor azul, produz a cor verde que observamos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tadarida teniotis

A monitorização durante alguns anos de um abrigo de Tadarida teniotis no Parque Natural do Alvão, fez crescer em mim um fascínio sobre estes estranhos bichos com aspecto (apenas o aspecto) feroz, estranho e de longo rabo. Cada vez que ia contar os bichos à saída do abrigo (uma fenda no meio de um cabeço granítico), o momento era mágico. Após uns 15-20 minutos depois do pôr-do-sol começavam a sair os primeiros indivíduos, um atrás de outro, em apenas 5 minutos, os 200 e poucos bichos saíam em busca de alimento, passavam por cima de nós a 2-3 m de altura, e os mais de 40 cm de envergadura faziam-se sentir pelo barulho do seu voar. A saída dos bichos era precedida por 20 minutos de uma intensa algazarra dentro da fenda, visto que as vocalizações desta espécie são audíveis ao ouvido humano!

Face ao seu carácter fissurícola e à dificuldade em conseguir capturá-lo, a sua observação em mão é bastante rara.

Um dia, enquanto colaborador do Parque Natural do Alvão, recebi um telefonema da Casa do Douro, no qual se queixavam de terem morcegos dentro do gabinete do Presidente, tendo conseguido, até ao momento, aspirar dois, mas os outros como estavam atrás dos radiadores não os conseguiam aspirar! Fiquei “fulo”! Após ameaça de uma contra-ordenação, consegui finalmente convencer o senhor a desligar o aspirador! …30 minutos depois lá estávamos na Régua, eu, a Cristina e o Roberto, dentro do gabinete do senhor Presidente a apanhar os bichos! Havia bichos por todo o lado, atrás dos radiadores, dos armários, quadros, enfim…foi preciso vascular os cantos e fissuras todas do gabinete, no final conseguimos apanhar 15 bichos (3 fêmeas e 12 machos). Curiosos por sabermos a razão pela qual estavam este bichos dentro do gabinete, falei com uma pessoa que me dizia que o Presidente se queixava do barulho e…alguém (inteligente) se lembrou de tapar a caixa dos estores do lado exterior durante o período diurno! Conclusão…impedidos de saírem do seu abrigo no final do dia, os bichos saíram pelo único orifício que restava, que para azar o deles era do lado interior, e dava directamente para o gabinete do senhor Presidente. Lá tive então que explicar ao senhor a melhor forma de impedir que os morcegos voltassem a ocupar a caixa do estore. Todos os bichos foram levados para o CRATAS (Centro de Recepção, Acolhimento e Tratamento de Animais Selvagem) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e após uma noite de recuperação foram todos libertados na noite seguinte junto ao local de recolha.

Menos sorte tiveram os dois que estavam no contentor do lixo dentro do saco aspirador…


Identificação:

O Tadarida teniotis é um morcego robusto com orelhas grandes e asas muito longas. Tem pêlo curto, macio, preto ou castanho com reflexos prateados. As áreas desprovidas de pêlo são cinzentas, as orelhas são grandes, arredondadas, unidas na sua base e projectadas em direcção ao focinho. Os olhos são grandes e o lábio superior normalmente tem cinco dobras. A cauda estende para além da membrana, cerca de 5cm (daí o seu nome comum: Morcego-rabudo) e é coberta por cerdas.

Espécies similares:

Em Portugal não existem espécies passíveis de serem confundidas com o Tadarida teniotis.

Ecolocalização:

Apresentam uma grande variedade de chamamentos sociais, que são emitidos dentro dos abrigos e em voo, são características as exibições sonoras dos machos dominantes durante as investidas aéreas. Esta espécie emite entre os 9-15kHz com máxima intensidade nos 11,4kHz, frequências audíveis pelo ouvido humano.

Distribuição:

Na Europa distribui-se apenas na parte Sul entre a Península Ibérica e a Turquia. Em Portugal é uma espécie de distribuição ampla.

Habitat:

Espécie presente desde o nível do mar até aos 2000 m de altitude, preferindo zonas montanhosas e zonas costeiras, locais com grande disponibilidade de abrigos. Os habitats utilizados como áreas de caça são sobretudo zonas florestadas, plantações florestais novas, olivais, podendo utilizar também grandes planos de água, zonas urbanas e áreas agrícolas.

Reprodução:

Os indivíduos desta espécie atingem a maturidade sexual no primeiro ano de idade, sendo os grupos de reprodução constituídos por um macho e até nove fêmeas. As crias (apenas 1 por fêmea) nascem entre o final de Junho e início de Julho e são amamentadas durante 6-7 semanas, consequentemente podem ser observadas fêmeas lactantes em Outubro.

Alimentação:

A sua dieta alimentar baseia-se basicamente em insectos voadores e 65-90% da sua dieta é constituída por traças de grandes dimensões como por exemplo Macroglossum stellatarum.

Longevidade e mobilidade:

A média máxima registada, até à data, é de 13 anos de idade.

É uma espécie tipicamente sedentária e, ao contrário da maioria dos morcegos existentes em Portugal, os morcegos-rabudos utilizam os mesmos abrigos durante todo o ano. As áreas individuais de caça são de aproximadamente 100 ha e normalmente a menos de 30 km do abrigo, contudo no Verão a área de caça pode distar mais de 100 km do abrigo.

Medidas de conservação:

Preservação de agricultura extensiva, limitação de uso de pesticida. Protecção e conservação de abrigos naturais (arribas, penhascos e afloramentos rochosos), e artificiais (edifícios).

Dimensões:

Tem um comprimento de antebraço (FA) que varia entre 54,7- 69,9 mm (FA médio = 57,58 mm, dados pessoais) e tem um peso de 20-30 g (Peso médio = 34,15 g, dados pessoais).

Estatuto de conservação:

De acordo com a UICN, esta espécie é classificada como “Least Concern” (LC); de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal é classificada como “Informação insuficiente” (DD), não existindo até à data informação adequada para avaliar o risco de extinção, nomeadamente quanto à redução do tamanho da população e à tendência de declínio.

Esta espécie encontra-se no Anexo BIV da Directiva Habitat, sendo de interesse comunitário, cuja conservação exige protecção rigorosa.

Curiosidades:

Esta espécie pode atingir os 65 km/h (velocidade de voo) e pode caçar a 300 m de altura.

Uma das maiores colónias desta espécie que conheço está localizada no Hospital Distrital de Chaves, com algumas centenas de indivíduos.

O Tadarida teniotis, juntamente com os Rhinolophus sp., são as espécies mais difíceis de capturar (com redes de nebelina).

Referências e Sites:

Arlettaz, R. (1993). Tadarida teniotis tail. Myotis 31:155-162.

Arlettaz, R., C. Ruchet, J. Aeschiman, E. Brun, M. Genoud & P. Vogel (2000). Physiological traits affecting the distribution and wintering strategy of the bat Tadarida teniotis. Ecology 81:1004-1014.

Dietz, C., O. V. Helversen & D. Nill (2009). Bats of Britain, Europe & Northwest Africa. A & C Black Publishers Ltd.

Livro Vermelho de Portugal

Livro Vermelho de Espanha