sábado, 9 de janeiro de 2010

Circus pygargus

Descrição:

O Circus pygargus é a espécie de menor tamanho dentro do género, com uma envergadura de 96 a 116 cm e um comprimento entre 39 e 50 cm. O seu peso pode variar entre 320 a 445g nas fêmeas e 227 a 305g nos machos. Esta espécie tem uma longevidade média de 16 anos.

O Circus pygargus apresenta o maior dimorfismo sexual ao nível da plumagem. Os machos adultos apresentam cor cinzenta no manto, asas e peito; porém as extremidades das asas são negras. O abdómen é esbranquiçado com riscas castanhas escuras, visíveis a pouca distância. A fêmea adulta exibe uma coloração homogénea de base castanha, apresenta as partes superiores, tanto a cabeça como o dorso, uma coloração preto-acastanhado. O abdómen é laranja-acastanhado com estrias escuras. Simultaneamente o juvenil é muito parecido com as fêmeas na parte superior do corpo, a plumagem de cor preto-castanhado, sendo a cabeça mais escura mas com uma mancha branca na nuca. Na parte inferior apresentam uma coloração alaranjada, com tons aladrilhados, e sem estrias. Em ambos os sexos verifica-se a existência de melanismo, caracterizado por uma coloração bastante escura da plumagem e albinismo, sendo extremamente raro.

Espécies similares:

O Circus pygargus., pertence à Ordem dos Acciptiriformes, Família Acciptiridae e ao Género Circus. Actualmente são reconhecidas 13 espécies do género Circus dos quais apenas 3 nidificam em Portugal: o Tartaranhão-azulado (C. cyaneus), o Tartaranhão-ruivo-dos-paúis (C. aeruginosus) e o Tartaranhão-caçador (C. pygargus), sendo este o de menor tamanho e mais abundante. As espécies que podem suscitar alguma duvida na sua identificação são C. cyaneus e C. pygargus devido à sua coloração ser semelhante.

Distribuição:

O Circus pygargus é uma espécie migradora, com a sua área de nidificação distribuída por quase toda a região Paleárctica, desde Marrocos à Ásia Central. A população europeia passa o Inverno em África, a sul do Sahara. As áreas de Inverno estendem-se desde o Atlântico até ao oceano Indico e até ao Cabo. Em Portugal, nidifica cerca de 13% dos casais da Europa (excluindo a Rússia), que se encontram distribuídos da seguinte forma: a população estimada a Norte do Rio Douro é de 100 a 150 casais, entre os rios Douro e Tejo 50 a 100 casais e a Sul do Rio Tejo a estimativa aponta para 750 a 950 casais.

Habitat:

O Tartaranhão-caçador nidifica no solo, utilizando uma grande variedade de biótopos. Os habitats de nidificação podem ser naturais, incluem-se sapais, pauis, caniçais, charnecas, dunas, turfeiras, prados, matos (zonas arbustivas como o Ulex sp. e Erica sp.) e até áreas plantadas com coníferas jovens em zonas de montanha; e agrícolas em que são essencialmente campos de culturas de cereais e leguminosas.

Biologia:

É uma ave de presa diurna, capaz de percorrer longas distâncias e afastar-se até aos 12 km dos núcleos de nidificação com um baixo custo energético. Caça num voo baixo e lento, sobre o solo, dependendo parcialmente da audição para encontrar a sua presa, caindo directamente sobre ela. Apresenta uma estratégia alimentar oportunista, de tal modo que se alimenta de uma vasta gama de presas, capturando essencialmente, ortópteros, pequenos répteis, passeriformes e micromamíferos. Esta ave tem tendência a nidificar nos mesmos locais todos os anos. Depois da chegada ao local de nidificação até ao início da postura, decorrem sensivelmente 30 dias. Ao longo desses dias as aves seleccionam os biótopos com características mais apropriadas para a nidificação. O ninho é construído pela fêmea onde incubará 3 a 5 ovos, num período de 27 a 40 dias. Depois de eclodirem, os juvenis permanecem no ninho 28 a 42 dias e duas semanas mais tarde são independentes.

Conservação e ameaças:

Globalmente o Tartaranhão-caçador não se encontra ameaçado (LC – Pouco preocupante), todavia apresenta um declínio populacional na Europa Ocidental. Em Portugal e segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados, a espécie é considerada como “Em Perigo”. Em 1995 a população foi estimada em 900 a 1200 casais.

A alteração do seu habitat e alto nível de insucesso reprodutor nas áreas agrícolas causado pelas ceifas, assim como, a forte perseguição humana para controlo de “animais nocivos” à actividade cinegética, constituem um dos seus principais factores de ameaça.

Curiosidades:

Realizei um estudo no Norte de Portugal, numa área situada nos arredores de Alijó, distrito de Vila Real, onde se identificou um núcleo de 17 casais de Circus pygargus, dos quais foram acompanhados 14 casais reprodutores. Este núcleo populacional, ocupou um território bem definido espacialmente, em que a distância máxima entre os ninhos dos extremos da colónia, foi de aproximadamente 770 m. No decorrer do trabalho de campo, foram acompanhadas as fases da postura, incubação, eclosão e 1º voo de um total de 53 ovos postos, só 41 eclodiram e, das crias respectivas, apenas 18 se emanciparam com sucesso. No cálculo dos parâmetros reprodutivos da colónia, foram de 3,42 crias por ninho, na qual se obteve, em termos de sucesso reprodutivo, uma produtividade de 1,29 crias que se emanciparam por casal. De acordo com a última estimativa populacional esta colónia representa 1,2% a 1,6% da população nacional.

Referências e sites:

Arroyo, B. E. 1995. Breeding ecology and nest dispersion of Montagu’s Harrier Circus pygargus in central Spain. DPh thesis, University of Oxford.

Castaño, J. P. 1995. Ecología reproductiva del Aguilucho cenizo Circus pygargus L. en el Campo de Montiel. Tesis doctoral. Universidad Complutense, Madrid.

Onofre, N. & Rufino, R. 1995. Situação da Águia caçadeira Circus pygargus em Portugal. Alytes 7:481:494.

Gaiola, E. P. J. 2008.Ecologia Reprodutiva de uma População de Tartaranhão-caçador (Circus pygargus, L.) nidificante no Nordeste de Portugal

Plano Sectorial da Rede Natura 2000

Vermelho dos Vertebrados de Portugal

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Laeosopis roboris


Identificação:

A Laeosopis roboris é uma espécie de lepidóptero diurno de coloração predominantemente castanha na face inferior de ambos os pares de asas. Nesta face é também bastante notório o tom alaranjado nas margens externas das asas ligeiramente mais intenso na fêmea e com pequenas denticulas negras. A face superior apresenta-se de coloração surpreendentemente contrastante em tons de escuros com apelativos tons violeta menos pronunciados na fêmea.

A espécie hiberna na fase de ovo sendo a lagarta de tom verde com uma linha lateral mais clara. A fase adulta pode ser observada entre Maio e Julho durante as primeiras horas da manhã por vezes em grandes números.

Espécies similares:

Em Portugal existe apenas uma espécie semelhante Neozephyrus quercus que se pode facilmente distinguir por esta não apresentar o tom laranja na face inferior.

Distribuição:

Na Europa pode ser encontrada na Península Ibérica e no Sudeste de França. Em Portugal é uma espécie presente em quase todo o território continental.

Habitat:

A espécie pode ser observada entre os 200 e os 1000m de altitude sempre em proximidade de linhas de água com a presença de freixos dos quais a lagarta se alimenta.

Alimentação:

Enquanto lagarta a espécie alimenta-se das folhas de Freixo (Fraxinus angustifolia), os adultos são frequentemente observados a alimentar-se de Umbelíferas (ex. Funcho Foeniculum vulgare).

Medias de conservação:

As principais medidas que poderão beneficiar esta espécie passarão pela preservação e recuperação de linhas de água e o aumento do conhecimento sobre a biologia, ecologia e distribuição da espécie.

Dimensões:

Esta espécie tem uma envergadura compreendida entre os 25 e os 33 milímetros.

Estatuto de conservação:

Em Portugal parece ser uma espécie comum e, em principio, não ameaçada.

Observações:

Esta espécie foi observada e fotografada no final de Julho de 2009 na região de Bemposta (conselho de Mogadouro) dentro dos limites do Parque Natural do Douro Internacional – PNDI.

Referências e Sites:

Maravalhas, E. (ed.), 2003, As Borboletas de Portugal. Porto.

Tolman, T. e Lewington, R., 2008, Collins Butterfly Guide: The Most Complete Field Guide to the Butterflies of Britain and Europe, England.

Sariot, M.G.M., 1995, Mariposas Diurnas de la Provincia de Granada. Granada.

http://www.tagis.org/

http://www.eurobutterflies.com/

http://lepidopteros.no.sapo.pt/

domingo, 3 de janeiro de 2010

Discoglossus galganoi

Discoglossus galganoi Capula, Nascetti, Lanza, Bullini & Crespo, 1985.

Rã-de-focinho-pontiagudo (Pt); Sapillo pintojo ibérico (Es)

Descrição:

A Rã-de-focinho-pontiagudo é na realidade… um sapo. É um Anuro da família Discoglossidae, e a origem do seu nome comum deve-se á sua semelhança com o uma rã. De identificação fácil devido ao seu tamanho médio, entre 4,5cm e 6,5cm; à sua cabeça larga e focinho pontiagudo (relativamente estreito); aos seus olhos salientes de íris dourada na parte superior e pupila arredondada ou em forma de “coração”; à sua mancha pós-ocular geralmente ausente ou quando presente, alarga na parte posterior; à sua pele lisa com verrugas mais ou menos aparentes no dorso, e granulosa no ventre, de manchas negras ou castanhas sobre um fundo acinzentado ou acastanhado; aos membros anteriores robustos, com quatro dedos e três tubérculos palmares, dos quais o interno é o mais desenvolvido. Apresenta uma coloração dorsal muito variável. Os machos têm as membranas interdigitais mais desenvolvidas do que as fêmeas e durante o período de acasalamento, são visíveis as suas calosidades nupciais negras, nos dedos internos das patas anteriores.

O comprimento da larva é de 2,5cm a 3,5cm, o seu espiráculo é ventral, equidistante dos extremos anterior e posterior do corpo. Membrana dorsal baixa. De coloração escura, tornando-se progressivamente clara. Pode apresentar manchas escuras no dorso e na região muscular da cauda. A membrana caudal não tem pontos ou manchas contrastadas, mas apresenta uma trama muito fina e escura quando vista à transparência.

Espécies similares:

Esta espécie é passível de ser confundida com a Rã-ibérica (Rana iberica), mas pode distinguir-se desta pela mancha pós ocular, que diminui de tamanho progressivamente até à parte posterior, enquanto na Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) quando esta mancha está presente, alarga na parte posterior. Também se pode distinguir da Rã-ibérica pela ausência de tubérculos subarticulares, da pupila arredondada ou em forma de coração e dos seus sacos vocais rudimentares.

Distribuição:

È uma espécie endémica da Península Ibérica, limitada a Portugal e à metade Oeste de Espanha. Em Portugal ocorre por todo o país em núcleos relativamente fragmentados, embora ocorra contiguidade entre a maioria destes. Em Espanha apresenta populações abundantes em toda a sua área de distribuição excepto provavelmente, no seu limite nordeste. No seu limite Leste aparentemente é uma espécie parapátrica com Discoglossus jeanneae (Sapillo Pintojo Meridional (Es.). Embora exista um desacordo entre vários autores, em relação a considerar estas como subespécies moderadamente diferenciadas, e não como espécies distintas.

Habitat:

Extremamente tolerante à presença humana, reproduzindo-se frequentemente em meios artificiais, ou alterados devido às actividades antropogénicas, como charcos e canais de rega. Pode ser encontrada maioritariamente nas imediações de massas de água com uma certa cobertura herbácea, como prados e lameiros. Também podendo ser encontrada em lagoas costeiras, uma vez que é tolerante a águas salobras. Ocorre desde o nível do mar até aos 1200m na serra de Montesinho.

Biologia:

Encontra-se activa durante todo ano, mas com menor intensidade nas épocas mais quentes e secas. Durante o dia refugia-se entre a vegetação ou sob as pedras, em substrato muito húmido. O seu período reprodutivo é variável de acordo com a região, mas como na generalidade dos anfíbios está dependente das épocas mais húmidas e, por conseguinte, de maior precipitação, pelo que se estende desde o princípio do Inverno até ao final do Verão. A dieta dos adultos baseia-se em insectos, aracnídeos, moluscos, anelídeos e juvenis da sua própria espécie. O seu principal mecanismo de defesa consiste na fuga, escondendo-se entre a vegetação herbácea ou na água.

Conservação e ameaças:

Classificada a nível internacional, pela IUCN como “Pouco preocupante” (“Least concern”), assim como em Espanha. Em Portugal apresenta um estatuto de “Quase ameaçada” (“Near threatened”).

A fragmentação e destruição dos habitats, quer de reprodução, quer de refúgio, constituem um dos seus principais factores de ameaça, a par da introdução de espécies aquáticas exóticas, predadoras das suas larvas.

Referências e sites:

Ferrand de Almeida, N.; Ferrand de Almeida, P.; Gonçalves, H.; Sequeira, F.; Teixeira, J.; Ferrand de Almeida, F. (2001) “Guias Fapas – Anfíbios e Répteis de Portugal”. FAPAS, Porto.

Cruz, J. M., Ribeiro, R. (2008): Discoglossus galganoi. Pp. 108-109, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A., & Paulo, O.S. (eds) (2008): “Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 257pp.

Livro Vermelho de Portugal

SIPNAT do ICNB

Livro Vermelho Espanha

UICN