domingo, 14 de março de 2010

Vamos lá acordar !!!

Foto tirada a 09/03/2010 no Vale do Tua.


Réptil, do latim reptum, (“rastejar”), é o nome atribuído a esta Classe de organismos. São animais ectotérmicos, ou seja, não são capazes de controlar a sua temperatura corporal e utilizam fontes externas de energia para manter essa temperatura. Deste modo os répteis (e outros) geralmente ficam inactivos quando não há energia térmica, seja ela proveniente directamente do sol ou indirectamente, através do calor que as rochas, solo ou água emanam após serem aquecidas pelo sol.

Após um Inverno rigoroso, a Primavera aproxima-se e nos vales mais encaixados os primeiros raios de sol “acordam” muitas espécies termófilas que se encontravam “adormecidos”, o que aconteceu com esta Tarentola mauritanica, que a semana passada não se fez rogada em aproveitar as horas de maior calor.

terça-feira, 9 de março de 2010

Psammodromus algirus

Identificação:
A Lagartixa-do-mato-comum é uma lagartixa de tamanho médio que pode atingir os 30cm de comprimento total. Possui uma cabeça alta e de aspecto robusto, e ausência de colar. O seu dorso e flancos são predominantemente acastanhados, com duas linhas dorsolaterais amareladas ou esbranquiçadas. A zona de inserção das patas posteriores e as faces laterais da cauda apresentam tonalidades alaranjadas. Junto às axilas, sobretudo nos machos, pode apresentar entre 1 e 9 manchas azuladas. A sua coloração ventral é esbranquiçada ou bege.
O seu dimorfismo sexual é evidente sobretudo ao nível da coloração, durante a época de reprodução. Assim, durante o acasalamento os machos apresentam frequentemente tonalidades alaranjadas ou avermelhadas (podendo também ser amareladas) na zona da garganta e lados da cabeça. As fêmeas possuem linhas dorsolaterais mais contrastadas do que os machos, e os exemplares mais velhos podem mesmo ser uniformes. Os machos, para além de terem uma cabeça mais larga, são de um modo geral mais robustos.
Juvenil
Os juvenis possuem um aspecto muito semelhante ao dos adultos, no entanto, apresentam uma coloração alaranjada mais intensa, na zona de inserção da patas posteriores e nas faces laterais da cauda, e podem apresentar linhas dorsolaterais menos contrastadas.
Espécies semelhantes:
Pode ser confundida com a Lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica) e com a Lagartixa-do-mato-ibérica (Psammodromus hispanicus), mas a Lagartixa-do-mato-comum é de maiores dimensões e mais robusta dos que estas. Diferencia-se da Lagartixa-ibérica por possuir escamas carenadas e pontiagudas. Distingue-se da Lagartixa-do-mato-ibérica por não possuir um colar, e sobretudo através do padrão de coloração. Pode também ser confundida com a Lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) quando observada fugazmente (como foi referido pelo Emanuel Ribeiro).
Distribuição:
A sua distribuição mundial abrange a Península Ibérica (excepto na faixa Norte) e o Sudoeste de França, assim como a maior parte de Marrocos, Norte da Argélia e Noroeste da Tunísia. Em Portugal, encontra-se por todo o território excepto na área contida entre as encostas Ocidentais da serra do Alvão e as bacias inferiores dos rios Lima, Cávado, Ave e Douro, incluindo uma estreita faixa litoral entre o rio Douro e a ria de Aveiro.
Habitat:
Pode ocorrer numa grande diversidade de habitats, encontrando-se particularmente associada a locais com cobertura arbustiva mais ou menos densa, na qual, os indivíduos desta espécie podem ser observados a refugiar-se (esconder-se) rapidamente.
Biologia:
Pode encontrar-se activa desde Março (Primavera) até Outubro (Outono), nas áreas mais quentes pode encontrar-se activa durante todo o ano, sobretudo os juvenis. A sua reprodução ocorre geralmente entre Abril e Julho. Os nascimentos dão-se entre Agosto e Outubro. A maturidade sexual é atingida no primeiro ou segundo ano de vida, e pode alcançar uma longevidade de 5 a 7 anos.
Dimensões:
Pode atingir aproximadamente 9cm de comprimento cabeça/corpo.
Curiosidades:
Os seus principais mecanismos de defesa consistem na fuga através de capacidades trepadoras notáveis e libertação voluntária (autotomia) da cauda. É uma espécie que emite sons, cuja finalidade ainda não é conhecida, no entanto, quando capturada e/ou aprisionada, em mão, pode emitir um “grito” (de baixo volume) sibilante e estridente (informação pessoal).
O exemplar (macho) da foto foi registado na aldeia de Brunhoso, em Mogadouro, na “margem” do Sabor, em 21/05/09.
Conservação e ameaças:
A fragmentação do habitat associada à urbanização, instalação de culturas intensivas e as operações sistemáticas de desmatação em geral, estão a contribuir para a redução da densidade populacional e da capacidade reprodutiva desta espécie.
Estatutos de conservação:
Possui um estatuto de “Pouco Preocupante”, quer a nível internacional (IUCN), quer em Portugal e Espanha.
Referências e sites:
Almeida, Ferrand de N., Almeida, Ferrand de P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, Ferrand de F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias FAPAS. Porto. 249pp.
Carretero, M. A. (2008): Psammodromus algirus. Pp 156-157, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A., & Paulo, O.S. (eds) (2008): “Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 257pp.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Actividade dos Anfíbios

Anfíbios, do latim Amphibia, (“duas vidas”), é o nome atribuído a este particular grupo organismos. Caracterizando-se por apresentarem duas fases, geralmente aquática (estado larvar) e terrestre (estado adulto), ao longo da sua vida estão dependentes da água. A sua actividade está portanto relacionada principalmente com a precipitação e humidade do ar, necessitando de períodos de chuva para efectuar as suas deslocações em terra e podendo ser encontrados próximo de qualquer ponto de água (superficial ou subterrâneo). A temperatura também desempenha um papel importante na sua actividade, pelo que, nos dias mais frios do Inverno e durante o Estio (Julho e Agosto) o número de indivíduos activos seja substancialmente menor, ou mesmo nulo. O período do dia também é importante quando queremos observar anfíbios, pois a generalidade das espécies prefere exercer a sua actividade durante a noite, diminuindo assim as hipóteses de sofrer predação. É necessário no entanto ter-mos em conta a localização geográfica e a ecologia de cada uma das espécies, para poder-mos determinar eficazmente a sua actividade, não esquecendo que esta está dependente das condições atmosféricas/climáticas.
Referências:
Almeida, Ferrand de N., Almeida, Ferrand de P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, Ferrand de F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias FAPAS. Porto. 249pp.

sábado, 6 de março de 2010

Myotis bechsteinii


Morcego de Bechstein (Por), Murciélago de Bechstein (Es)

Durante os trabalhos de prospecção de abrigos de Quirópteros nas serras do Alvão e Marão, encontrei um edifício abandonado que servia de abrigo a uma “tímida” Coruja-das-torres (Tyto alba), (bem como a umas dezenas de cabras e vacas), com uma considerável quantidade de egagropilas. Numa bela tarde regressei lá com a Hélia, para recolher as ditas, (que ela guarda às centenas em caixas, a fim de serem “exploradas”), e estando nós a procurar entre a "caca" e a terra que cobriam o chão de cimento do edifício, eis que surge uma forma diferente de tudo o resto, no meio de toda aquela confusão, peguei-lhe (com cuidado) e verifiquei que se tratava de um morcego morto, e apesar de não libertar o odor característico dos cadáveres já só era “pele e osso”. O que me chamou a atenção foram as suas grandes orelhas. Entreguei-o ao Paulo para ele o tentar identificar, e depois de ele ter medidos o comprimento das orelhas…… O resto dos caracteres só vieram confirmar de que espécie se tratava…

Identificação:

È um morcego de tamanho médio dentro do género Myotis, com umas notáveis largas e longas orelhas (mais de 18mm), sendo a única espécie com um comprimento de orelha superior a metade do comprimento do seu antebraço e inferior ao comprimento total do mesmo. Estas, quando dobradas para a frente, estendem-se para lá do focinho (projectando-se a mais de 8mm). Apresentam também 9 a 11 pregas transversais e o seu trago em forma de lanceta, atinge cerca de metade do comprimento da orelha. A pelagem dorsal dos adultos pode ser de castanha a castanho-avermelhada, a sua zona ventral apresenta tons que vão do cinzento ao bege claro e a sua face é castanho-avermelhada. As suas asas são curtas e largas, o que lhe proporciona um voo lento e ágil, ideal para caçar entre a vegetação (geralmente 1 a 10m acima do solo). Possui umas patas pequenas e a membrana alar encontra-se inserida junto do último dedo destas. O seu esporão é recto (atingindo cerca de metade da membrana caudal), apresentado por vezes, uma pequena “bainha” de pele. A sua última vértebra caudal é livre.

Espécies semelhantes:

È inconfundível devido às suas orelhas compridas, o seu corpo pequeno e a sua cara mais delgada (“magra”) quando comparado com as restantes espécies do género Myotis. O facto de as suas orelhas se encontrarem separadas na base, é uma característica que permite distinguir esta espécie, das do género Plecotus.

Ecolocalização:

Tem vocalizações muito variadas, adaptando-se ao meio envolvente. Ao nível acústico é uma espécie impossível de distinguir (e identificar), de entre as restantes do seu género. As características das suas vocalizações são semelhantes às de M. daubentonii, apesar de o sonograma de M. bechsteinii não apresentar Amplitude Modulada. A estrutura do seu pulso é “Steep-FM”, isto é, a sua vocalização percorre várias frequências, o que lhe proporciona uma informação mais detalhada sobre a superfície dos objectos (obstáculos) do meio, e permite uma maior eficácia na caça em espaços “cerrados” (copa das árvores; arbustos), uma vez que este geralmente captura as presas directamente do substrato (e. g. folhas). A captura é feita com o auxílio dos sons produzidos pelos movimentos das presas, que detecta facilmente devido às suas grandes orelhas. Os seus pulsos têm uma duração entre 2 e 6ms, com um intervalo entre si inferior a 100ms. Estão compreendidos entre os 100KHz e os 25KHz (frequência de máxima e mínima energia, respectivamente).

Distribuição:

Depósitos fósseis de esqueletos de morcegos com 3000 anos, indicam que esta espécie era mais abundante e distribuída do que na actualidade. A sua distribuição mundial estende-se desde o Oeste e Centro da Europa até ao Centro da Polónia e Ucrânia (Mar Negro) até à Península Balcânica, encontrando-se no seu limite Norte no Sul de Inglaterra e Sul da Suécia (isoladas), sendo mais rara no Sul da Europa, pelo que, nas Penínsulas Ibérica e Itálica os registos são mais escassos. Na Ásia menor, encontra-se em Anatólia na Turquia, Norte do Irão e Cáucaso.

Na Península Ibérica há registos da sua presença na Galiza, Cantábria, Navarra, Aragão, La Rioja, Castela - La Mancha, Castela e Leão, Madrid, Estremadura e Andaluzia, em Espanha; e em Portugal, na Serra de Aire e Candeeiros, Serra de Montejunto, Serra de São Mamede, Serra da Estrela e Serra do Alvão/Marão.

Habitat:

Encontra-se em florestas de folhosas bem desenvolvidas. No Sul da Europa, ocorre normalmente em zonas montanhosas ou em florestas das zonas ribeirinhas. As maiores densidades populacionais foram registadas em Carvalhais e Faiais (Alemanha) com uma grande proporção de árvores velhas. Contudo, também pode ocorrer em florestas de Coníferas. Abriga-se em cavidades no interior das árvores, e mais raramente em edifícios. Na época de hibernação a maioria dos indivíduos parece permanecer nas cavidades arbóreas, podendo também ser encontrado com menos frequência em todo o tipo de cavidades subterrâneas. Hiberna isoladamente (indivíduos solitários).

Reprodução:

As colónias de criação (maternidades) formam-se no início de Abril e são constituídas por 10 a 50 fêmeas, com relações de proximidade entre si (avós, mães e filhas) e mudam de lugar (abrigo) frequentemente. Os nascimentos ocorrem por volta de Junho (tendo uma cria por ninhada), e no fim de Agosto estas colónias dispersam para dar início ao “swarming”, em abrigos subterrâneos, onde ocorre o acasalamento. Os juvenis podem também voar em meados de Agosto. Os machos encontram-se sozinhos durante o Verão.

Alimentação:

A sua alimentação consiste particularmente de artrópodes florestais e uma grande proporção de insectos não voadores. Durante o Verão, as presas preferenciais mudam de acordo com a sua disponibilidade. A sua dieta é assim formada por uma grande quantidade de traças, escaravelhos, e aranhas. Podendo adicionalmente capturar opoliões e centopeias.

Longevidade e mobilidade:

A idade máxima registada é de 21 anos. È uma espécie bastante sedentária, normalmente caçam próximo dos abrigos, cerca de 1km (2,5km no máximo). Os abrigos de hibernação e de Verão, geralmente localizam-se poucos a quilómetros de distância entre si. As distâncias máximas percorridas, registadas por esta espécie são até agora de 73km (Alemanha) e 53,5 (Bélgica).

Dimensões:

Antebraço: 39-47mm; Cabeça-corpo: 43-55mm. Peso médio: 7-10g Fórmula dentária: 2/3, 1/1, 3/3, 3/3 = 38.

Medidas de conservação:

Abandono do uso de pesticidas na silvicultura (florestas). Manutenção de florestas maduras com a presença de árvores velhas e mortas. Evitar a desfragmentação de manchas florestais, através da implementação de estradas e outras estruturas lineares. Proteger os abrigos de reprodução (“swarming”) de modo a manter um elevado fluxo genético entre as populações.

Estatuto de conservação:

De acordo com a IUCN esta espécie tem um estatuto de “Quase ameaçada” (NT), em Portugal (LVVP) apresenta o estatuto de “Em perigo” (EN) e encontra-se nos anexos B-II e B-IV da Directiva Habitats.

Referências e sites:

Álvaro, C., Bekker, H., Bekker, J. P., Boshamer, J., Conde, J., Dekker, J., Martins, F., Mostert, K., Thomassen, E., Willemsen, J. (2009). Mammal survey Serra da Estrela (Portugal). Uitgave van de Veldwerkgroep van de Zoogdiervereniging (VZZ). Arnhem.. ISBN 978-90-79924-14-1.

Braz, L., Gonçalves, H., Barros, P., Travassos, P. (2009). First record of Bechstein’s bat (Myotis bechsteinii Kuhl, 1817) at North of Portugal and new specie for the site of comunitary importance Alvão-Marão. Galemys 21 (1): 71-75pp.

Dietz, C., O. V. Helversen & D. Nill (2009). Bats of Britain, Europe & Northwest Africa. A & C Black Publishers Ltd.

Macdonald D., Barret P. (1999). Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS. Porto. Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal

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