sábado, 6 de março de 2010

cisternasii Vs obstetricans

À primeira vista a distinção entre os dois sapos parteiros da nossa fauna poderá ser complicada, visto que o seu tamanho, cor e padrão são muito similares, contudo a simples observação de uma característica poderá ser eficaz para a sua distinção.

O Alytes cisternasii (Sapo-parteiro-ibérico) possui dois tubérculos (calosidades) palmares nas patas dianteiras, característica que os distingue do Alytes obstetricans (Sapo-parteiro-comum) que apresenta três tubérculos palmares.

3 tubérculos - Alytes obstetricans


2 tubérculos - Alytes cisternasii

sexta-feira, 5 de março de 2010

Acanthodactylus erythrurus


Identificação:
A Lagartixa-de-dedos-denteados ou Lagartixa-da-areia é um pequeno lacertídeo de corpo e membros robustos, dedos longos, unhas compridas e de focinho afilado. O padrão do dorso apresenta, quase sempre, riscas longitudinais claras, bandas acastanhadas e com manchas aproximadamente circulares mais claras bem visíveis nos membros. A zona ventral apresenta, geralmente, tons brancos. Esta espécie apresenta baixo dimorfismo sexual apresentando as fêmeas a cabeça ligeiramente mais larga e, por vezes, tons avermelhados nos membros anteriores ou na face ventral da cauda.


Os juvenis desta espécie apresentam uma coloração com evidentes bandas e linhas longitudinais, ponteadas por contrastantes ocelos brancos ou amarelos e uma cauda com uma intensa coloração avermelhada ou alaranjada.
O período de hibernação varia consoante as temperaturas ambientais do local, enterrando-se entre raízes ou aproveitando tocas de outros animais.
Espécies similares:
Quando observada fugazmente, esta espécie poderá ser confundida com a Lagartixa-do-mato-comum ou com a Lagartixa-do-mato-ibérica sendo uma observação atenta suficiente para dissipar qualquer dúvida.
Distribuição:
A Lagartixa-de-dedos-denteados encontra-se distribuída nas regiões mais setentrionais da Península Ibérica e Norte de África, principalmente Marrocos e Argélia. No nosso país esta espécie apresenta uma distribuição bastante fragmentada existindo vários núcleos populacionais. A norte os principais núcleos encontram-se na área da bacia dos rios Alto Douro, Sabor e Tua e na zona da Beira interior (serra da Estrela e Malcata). Na região centro os principais núcleos ocorrem nas zonas litorais desde a serra da Arrábida a Sines. Na zona sul do país esta espécie pode ser observada na zona sul do Guadiana ou na zona de Faro e Olhão.
Habitat:
Esta espécie requer temperaturas relativamente altas para estar activa sendo o seu óptimo situado entre os 25 e os 30 ºC, preferindo áreas de pluviosidade anual média inferior a 600 mm. Prefere áreas de relevos pouco acentuados, solo pouco compactado requerendo a presença de alguma vegetação arbustiva para protecção.
Medias de conservação:
Sendo as principais ameaças identificadas a fragmentação e destruição dos habitats propícios à ocorrência da espécie, as medidas de conservação apontadas prendem-se com a minimização destas ameaças. Estas medidas passam pelo aprofundamento do conhecimento existente, relativamente aos núcleos populacionais e distribuição da espécie, de forma a intensificar as medidas de protecção do habitat em locais com elevadas densidades ou potenciando corredores de contacto entre núcleos isolados.
Dimensões:
A Lagartixa-de-dedos-denteados pode atingir um comprimento total de 233 milímetros.
Estatuto de conservação:
No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal esta espécie é classificada “Quase ameaçada” devida a uma baixa área de distribuição e elevado grau de fragmentação do Habitat. Em Espanha, tal como a nível mundial, o estatuto atribuído é o de “Pouco Preocupante”
Observações:
Esta espécie é frequentemente observada na região do Planalto Mirandês, principalmente no Parque Natural do Douro Internacional onde pode ser desde o início da Primavera até meados do Outono.
Referências e Sites:
Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, F.F. 2001. Guias Fapas: Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS.
Loureiro, A., Almeida, N., Carretero, M.A., Paulo, O.S. (eds.). 2008. Atlas de Anfíbios e Répteis de Portugal. ICNB.
Enciclopedia Virtual de los Vertebrados Españoles
Vermelho dos Vertebrados de Portugal

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Prunella collaris

A primeira vez que tive oportunidade de ver esta Ferreirinha rechonchuda, espécie invernante no nosso País, foi durante uma saída à Serra da Estrela para observar Gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax). A Serra encontrava-se totalmente coberta com neve e depois de passar pela Lagoa Comprida e quase a chegar à Torre, eis… que vejo um passarito a saltitar entre a neve e as rochas. Depois de parar o carro tirar uns binóculos e máquina fotográfica, fiquei uns 30 minutos a observar esta ave que fez o favor de se aproximar para eu poder tirar umas fotos onde se pudesse ver todos os pormenores da sua plumagem.

Descrição:

A Prunella collaris, é um pouco maior que a congénere a Prunella modularis (Ferreirinha) e mais grisalha na sua plumagem, tem um dorso cinzento claro com lista escuras, as suas asas são arredondadas, castanhas e as penas grandes de cobertura alares têm uma franja preta com as pontas brancas. A cauda e cabeça desta espécie são de cor cinzenta, mas a cabeça apresenta umas tonalidades mais claras, tem faces escuras, a garganta é cinzenta clara (esbranquiçada) com contorno escuro. O seu bico é fino com a base de cor amarela e as zonas inferiores do seu corpo são constituídas por plumagem cinzenta com flancos arruivados.

Espécies similares:

A Prunella collaris, pertence à Ordem dos Passariformes, Sub-ordem dos Passeri, Super-família dos Passeroidea, Família Prunellidae e ao Género Prunella. Actualmente para a Europa são reconhecidas 6 espécies do género Prunella das quais apenas uma nidificam em Portugal: a Prunella modularis (ferreirinha).

Distribuição:

A ocorrência desta espécie, restringe-se a zonas bastantes limitadas como sendo a Serra da Estrela, da Peneda, Gerês e cabo da Roca, existindo ainda observações registadas para zonas como do Cabo Espichel, Barragem de Santa Luzia, Portas de Rodão, Serra de Sintra, Arrábida, Montejunto e castelo de Marvão (link desta informação).

Habitat:

Os registos desta espécie no nosso país correspondem a observações de indivíduos invernantes de pequenos núcleos populacionais em habitats de montanhas de altitude, em particular na Serra da Estrela. Não sendo nidificante em Portugal, no resto da Europa esta espécie na maioria das situações nidifica em encostas montanhosas rochosas entre os limites arborizados e zonas de neves permanentes.

Biologia:

É uma ave discreta e tímida e em alguns casos até nos surpreende pousado ou alimentando-se muito próximo de nós e com um carácter curioso. Nidifica entre Maio e Agosto em buracos ou fendas de afloramentos rochosos ou debaixo de estas, constroem um ninho com base em ervas e folhas secas, onde põe 3-4 ovos de cor azul-claro, a sua incubação é de 15 dia realizada tanto pelo macho como pela fêmea, 16-17dias após o nascimento as crias deixam o ninho. A sua alimentação é baseada em insectos e sementes que procura sempre no solo. Esta espécie tem uma longevidade máxima de 5 anos.

Conservação e ameaças:

Em Portugal a ferreirinha-alpina encontra classificada como Quase Ameaçada (NT), de acordo como o Livro Vermelho dos Vertebrados a espécie tem uma população reduzida (inferior a 1.000 indivíduos maturos).

A perturbação humana, quer através de actividades de montanhismo, depostos de inverno (em especial esqui) e a hotelaria pode constituir um factor de ameaça nas zonas de invernada. Nos Países onde nidifica, o principal factor de ameaça é a perturbação do seu habitat de nidificação.

Curiosidades:

Na serra de Gredos em Espanha existem registos predação desta espécie por parte do Doninha (Mustela nivalis).

Esta espécie tem a particularidade de criar em pequenos núcleos (3-5 machos e 2-3 fêmeas), aumentando assim a defesa do seu território, defesa dos ninhos perante possíveis predadores e cooperação na alimentação dos juvenis.

Referências e sites:

Marti R, Perales JA, Gomez Manzaneque A (1986) Notes on the diet of Alpine Accentor (Prunella collaris Scop.) nestlings in the Sierra de Gredos, Central Spain (in Spanish). Ardeola 33:189–195.

Heer L. (1996) Cooperative Breeding by Alppine Accentors Prunella Collaris: Polygynandry, Territoriality and Mutiple Paternity. Journal of Ornithologie 137.

Vermelho dos Vertebrados de Portugal


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Colias croceus


Identificação:

A Colias croceus é um lepidóptero diurno da família PIERIDAE que é também a família das sobejamente conhecidas Borboletas-das-couves Pieris brassicae. Esta borboleta apresenta, na sua face inferior das asas, tonalidades maioritariamente amareladas a esverdeadas apresentando, na asa posterior, um distintivo conjunto de círculos brancos orlados por uma linha de tons acastanhados.

A face superior das asas apresenta igualmente coloração amarelada ou alaranjada com bandas marginais de tonalidades negras. Na asa posterior pode ser facilmente observado um círculo de tom laranja intenso. A fêmea pode ser distinguida do macho já que apresenta um tamanho ligeiramente superior e apresenta manchas amarelas na banda marginal da face superior das asas. A lagarta desta espécie apresenta tonalidade maioritariamente verde com uma evidente linha longitudinal de tom claro.

Espécies similares:

Em Portugal, esta espécie dificilmente poderá ser confundida com qualquer outra.

Distribuição:

No nosso país esta espécie poderá ser observada em todo o território e parece ser uma espécie abundante. Esta espécie perece ser bastante sensível a temperaturas baixas pelo que se acredita que esta espécie não será residente na região norte.

Esta espécie poderá ser encontrada nos países do centro e sul da Europa, no norte de África, no médio oriente, Ásia central e a sul dos montes Urais. Esta espécie realiza marcadas migrações estabelecendo populações migratórias em Países como o Reino Unido, a Escócia ou Irlanda.

Habitat:

Esta borboleta pode ser observada em diversos habitats sendo bastante associada a áreas abertas com bastantes flores com a presença de espécies de trevo ou luzerna.

Alimentação:

A lagarta desta espécie alimenta-se de várias espécies da família Fabaceae como a Luzerna Medicago sativa ou várias espécies de Trevo Trifolium sp. Os adultos alimentam-se do néctar de espécies como o Dente-de-Leão Taraxacum sp., cardos do género Centaurea ou mesmo de espécies de plantas aromáticas como o Orégão-vulgar Origanum vulgare.

Medias de conservação:

Sendo uma espécie vulgar e de ampla distribuição, esta espécie não parece necessitar de medidas direccionadas à sua conservação.

Dimensões:

A envergadura desta espécie está compreendida entre os 45 e os 55 milímetros.

Estatuto de conservação:

Em Portugal parece ser uma espécie comum e, em principio, não ameaçada.

Observações:

Esta espécie foi observada e fotografada no início de Agosto de 2009 na região de Picote (conselho de Miranda do Douro) dentro dos limites do PNDI e no início de Outubro de 2009 em S. Joanico no conselho de Vimioso.

Referências e Sites:

Maravalhas, E. (ed.), 2003, As Borboletas de Portugal. Porto.

Tolman, T. e Lewington, R., 2008, Collins Butterfly Guide: The Most Complete Field Guide to the Butterflies of Britain and Europe, England.

Sariot, M.G.M., 1995, Mariposas Diurnas de la Provincia de Granada. Granada.

http://www.tagis.org/

http://www.eurobutterflies.com/

www.ukbutterflies.co.uk

www.butterfly-conservation.org