segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Alimentação de crias de Circus pygargus


Estas imagens foram captadas em Alijó no âmbito de um estágio de fim de curso de Ecologia Aplicada da UTAD, realizado no Laboratório de Ecologia Aplicada pelo João Gaiola em 2008.

Link para o estágio:

Gaiola, E. P. J. 2008.Ecologia Reprodutiva de uma População de Tartaranhão-caçador (Circus pygargus, L.) nidificante no Nordeste de Portugal


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Trithemis annulata

Introdução:

A primeira vez que capturei esta espécie foi uma fêmea imatura, a qual me deu enorme “luta” na identificação, justamente por ser a minha primeira observação. Além disso tive a sorte de ser um espécime imaturo…é uma sorte encontrar bichos que nos façam reflectir! Após uns bons 45 minutos e depois de já ter excluído todas as espécies do género Sympetrum que estavam referenciadas para o local…Sim, para mim este indivíduo tinha toda a aparência de ser um Sympetrum, só que possuía certas características que não batiam certo…Não tinha chegado a conclusão nenhuma e decidi tirar umas fotos para alguém me ajudar. No preciso momento em que estava a recolher os guias, um deles abriu-se na página da Trethemis annula! Tinha excluído completamente a possibilidade de ser esta espécie, uma vez que não estava referenciada para a região e afinal…era mesmo uma Trithemis annulata!

A Trithemis annulata é uma espécie da Família das Libellulidae, tipicamente africana presente em Países como Argélia, Angola, Camarões, Congo Egipto, Guiné, Gana, Quénia, Senegal, Serra Leoa, África do sul ou Tanzânia, encontra-se em expansão na Península Ibérica com uma distribuição cada vez mais Setentrional, assim como em alguns Países banhados pelo Mediterrânico tais como Malta e Itália onde foi recentemente referenciada a sua presença e reprodução.

Habitat:

Os machos preferem pousar em cima de pedras ao sol e em árvores e vegetação quando o sol é encoberto por nuvens. Esta espécie pode encontrar-se num leque variado de corpos de água, mas prefere sobretudo cursos de água estagnada, bastante soalheiros, como lagoas e lagos sem grande vegetação marginal, em regiões semi-áridas. É uma espécie localmente comum mas não abundante.

Descrição:

A coloração geral púrpura dos machos coloca esta espécie numa das mais bonitas ocorrentes em Portugal Continental. Esta coloração não deixa dúvidas aquando da sua identificação, e além disso possui rosto, olhos, segmentos S8-10 e veias das asas vermelhas e uma mancha âmbar na base das asas posteriores. A fêmea tem o ventre amarelo e tórax branco-amarelado marcados com fortes linhas pretas, a mancha âmbar na base das asas posteriores também está presente na fêmea. Ambos os sexos têm manchas pretas nos segmentos abdominais 8 e 9.

Estatuto de conservação:

De acordo com a UICN esta espécie é classificada como “Least Concern”.

Curiosidade:

Uma das características desta espécie, que nos pode ajudar na sua identificação, é a sua postura. Muitas vezes, em especial nos dias de maior insolação, tem uma posição "obelisco" de forma a reduzir a superfície em contacto com a luz do sol, controlando assim a temperatura corporal.

Muito embora os mais recentes guias de campo deste grupo faunístico (Askew, 2004; Dijkstra & Lewington, 2006), mencionem a presença desta espécie apenas para o Centro e Sul de Portugal, existem observações desta espécie na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo (quadrícula 10×10km PG70), Sítio Rio Sabor e Maçãs (quadrícula 10×10km PF87 e PF88) e no Rio Tua (quadrícula 10×10km PF37) (dados inéditos de Paulo Barros e Pedro Moreira).

Referências e sites:

Askew, R. R. (2004). The dragonflies of Europe. Harley Books. Colchester.

Dijkstra, K. D. B., Lewington, R. (2006). Field guide to the Dragonflies of Britain and Europe. British Wildlife Publishing.

Odonatas do Paleártico

Grupo de Estudo dos Odonatas da Catalunha



sábado, 9 de janeiro de 2010

Circus pygargus

Descrição:

O Circus pygargus é a espécie de menor tamanho dentro do género, com uma envergadura de 96 a 116 cm e um comprimento entre 39 e 50 cm. O seu peso pode variar entre 320 a 445g nas fêmeas e 227 a 305g nos machos. Esta espécie tem uma longevidade média de 16 anos.

O Circus pygargus apresenta o maior dimorfismo sexual ao nível da plumagem. Os machos adultos apresentam cor cinzenta no manto, asas e peito; porém as extremidades das asas são negras. O abdómen é esbranquiçado com riscas castanhas escuras, visíveis a pouca distância. A fêmea adulta exibe uma coloração homogénea de base castanha, apresenta as partes superiores, tanto a cabeça como o dorso, uma coloração preto-acastanhado. O abdómen é laranja-acastanhado com estrias escuras. Simultaneamente o juvenil é muito parecido com as fêmeas na parte superior do corpo, a plumagem de cor preto-castanhado, sendo a cabeça mais escura mas com uma mancha branca na nuca. Na parte inferior apresentam uma coloração alaranjada, com tons aladrilhados, e sem estrias. Em ambos os sexos verifica-se a existência de melanismo, caracterizado por uma coloração bastante escura da plumagem e albinismo, sendo extremamente raro.

Espécies similares:

O Circus pygargus., pertence à Ordem dos Acciptiriformes, Família Acciptiridae e ao Género Circus. Actualmente são reconhecidas 13 espécies do género Circus dos quais apenas 3 nidificam em Portugal: o Tartaranhão-azulado (C. cyaneus), o Tartaranhão-ruivo-dos-paúis (C. aeruginosus) e o Tartaranhão-caçador (C. pygargus), sendo este o de menor tamanho e mais abundante. As espécies que podem suscitar alguma duvida na sua identificação são C. cyaneus e C. pygargus devido à sua coloração ser semelhante.

Distribuição:

O Circus pygargus é uma espécie migradora, com a sua área de nidificação distribuída por quase toda a região Paleárctica, desde Marrocos à Ásia Central. A população europeia passa o Inverno em África, a sul do Sahara. As áreas de Inverno estendem-se desde o Atlântico até ao oceano Indico e até ao Cabo. Em Portugal, nidifica cerca de 13% dos casais da Europa (excluindo a Rússia), que se encontram distribuídos da seguinte forma: a população estimada a Norte do Rio Douro é de 100 a 150 casais, entre os rios Douro e Tejo 50 a 100 casais e a Sul do Rio Tejo a estimativa aponta para 750 a 950 casais.

Habitat:

O Tartaranhão-caçador nidifica no solo, utilizando uma grande variedade de biótopos. Os habitats de nidificação podem ser naturais, incluem-se sapais, pauis, caniçais, charnecas, dunas, turfeiras, prados, matos (zonas arbustivas como o Ulex sp. e Erica sp.) e até áreas plantadas com coníferas jovens em zonas de montanha; e agrícolas em que são essencialmente campos de culturas de cereais e leguminosas.

Biologia:

É uma ave de presa diurna, capaz de percorrer longas distâncias e afastar-se até aos 12 km dos núcleos de nidificação com um baixo custo energético. Caça num voo baixo e lento, sobre o solo, dependendo parcialmente da audição para encontrar a sua presa, caindo directamente sobre ela. Apresenta uma estratégia alimentar oportunista, de tal modo que se alimenta de uma vasta gama de presas, capturando essencialmente, ortópteros, pequenos répteis, passeriformes e micromamíferos. Esta ave tem tendência a nidificar nos mesmos locais todos os anos. Depois da chegada ao local de nidificação até ao início da postura, decorrem sensivelmente 30 dias. Ao longo desses dias as aves seleccionam os biótopos com características mais apropriadas para a nidificação. O ninho é construído pela fêmea onde incubará 3 a 5 ovos, num período de 27 a 40 dias. Depois de eclodirem, os juvenis permanecem no ninho 28 a 42 dias e duas semanas mais tarde são independentes.

Conservação e ameaças:

Globalmente o Tartaranhão-caçador não se encontra ameaçado (LC – Pouco preocupante), todavia apresenta um declínio populacional na Europa Ocidental. Em Portugal e segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados, a espécie é considerada como “Em Perigo”. Em 1995 a população foi estimada em 900 a 1200 casais.

A alteração do seu habitat e alto nível de insucesso reprodutor nas áreas agrícolas causado pelas ceifas, assim como, a forte perseguição humana para controlo de “animais nocivos” à actividade cinegética, constituem um dos seus principais factores de ameaça.

Curiosidades:

Realizei um estudo no Norte de Portugal, numa área situada nos arredores de Alijó, distrito de Vila Real, onde se identificou um núcleo de 17 casais de Circus pygargus, dos quais foram acompanhados 14 casais reprodutores. Este núcleo populacional, ocupou um território bem definido espacialmente, em que a distância máxima entre os ninhos dos extremos da colónia, foi de aproximadamente 770 m. No decorrer do trabalho de campo, foram acompanhadas as fases da postura, incubação, eclosão e 1º voo de um total de 53 ovos postos, só 41 eclodiram e, das crias respectivas, apenas 18 se emanciparam com sucesso. No cálculo dos parâmetros reprodutivos da colónia, foram de 3,42 crias por ninho, na qual se obteve, em termos de sucesso reprodutivo, uma produtividade de 1,29 crias que se emanciparam por casal. De acordo com a última estimativa populacional esta colónia representa 1,2% a 1,6% da população nacional.

Referências e sites:

Arroyo, B. E. 1995. Breeding ecology and nest dispersion of Montagu’s Harrier Circus pygargus in central Spain. DPh thesis, University of Oxford.

Castaño, J. P. 1995. Ecología reproductiva del Aguilucho cenizo Circus pygargus L. en el Campo de Montiel. Tesis doctoral. Universidad Complutense, Madrid.

Onofre, N. & Rufino, R. 1995. Situação da Águia caçadeira Circus pygargus em Portugal. Alytes 7:481:494.

Gaiola, E. P. J. 2008.Ecologia Reprodutiva de uma População de Tartaranhão-caçador (Circus pygargus, L.) nidificante no Nordeste de Portugal

Plano Sectorial da Rede Natura 2000

Vermelho dos Vertebrados de Portugal