domingo, 19 de dezembro de 2010
Espécies de Quirópteros DD
sábado, 23 de outubro de 2010
2011-2012 ano do Morcego
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Pelo Tâmega: morcegos e outros voos
domingo, 8 de agosto de 2010
Saiu no Jornal
domingo, 13 de junho de 2010
Nyctalus Lasiopterus
O Morcego-arboricola-gigante é um espécie que pelo seu tamanho nos impõe respeito e que nos enche a não, ao contrário de algumas outras espécies (e.g. Pipistrellus sp.) que nos conseguem escapar por entre os dedos.
Identificação:
O Nyctalus lasiopterus é o maior morcego Europeu, muito robusto com cabeça forte e orelhas amplas. Tem pêlo denso, relativamente longo e unicolor, sendo castanho-avermelhado no dorso e castanho-escuro no ventre. No machos os pêlos do pescoço, são particularmente longos, fazendo lembrar as jubas do leões eriçando-se quando agitados. As áreas desprovidas de pêlo são pretas ou castanhas, as asas são muito longas com pelos castanhos na parte inferior.
Espécies similares:
Pelo seu tamanho, em Portugal não existem espécies passíveis de serem confundidas com o Nyctalus lasiopterus.
Ecolocalização:
Acima dos 28ms, quase sempre com frequência constante e emissões baixas, entre os 14 e 23kHz. Em área abertas os chamamentos longos entre 17 e 20 kHz são claramente audíveis ao ouvido humano.
Distribuição:
Na Europa tem uma distribuição ampla mas muito fragmentada. Em Portugal a informação relativamente a esta espécie é bastante escassa, contudo é provável que ocorra em todo o território nacional mas com densidades baixas e bastante fragmentada.
Habitat:
O Morcego-arborícola-gigante é uma espécie florestal aparentemente associada a florestas de folhosas bem desenvolvidas, nas zonas montanhosas a sua preferência passa por espécies resinosas. Os jardins e parques com plátanos podem constituir também habitat para esta espécie. Os poucos abrigos conhecidos são em castanheiros, abetos e plátanos, podendo também ocuparem caixas-abrigos ou mesmo fendas em grandes minas.
Reprodução:
Em Espanha foram encontrados abrigos de criação com mais de 80 animais, constituído unicamente por fêmeas, em alguns países os abrigos de criação pode ser partilhado com os Nyctalus leisleri e noctula, durante o verão os machos encontram-se separados ou em pequenos grupos. As fêmeas ficam prenhes no inicio do Outono, ainda não é claro se ter gémeos é normal ou não nesta espécie. As crias nascem no início de Junho e pesam 9-10 gramas, os seus antebraços medem 26-27mm.
Alimentação:
A sua dieta alimentar baseia-se basicamente em grandes insectos, como traças, odonatas e escaravelhos que caça em zonas abertas. A presença de restos de aves nas fezes desta espécie foi confirmada muito recentemente na Itália, Espanha e Grécia.
Mobilidade:
Alguns indivíduos parecem realizar longas distâncias, a ausência de fêmeas no Verão na Grécia e a sua presença no Inverno, indica pelo menos migrações sazonais.
Medidas de conservação:
Preservação de florestas de montanha com elevada proporção de árvores adultas, assim como a preservação de sobreirais e árvores velhas em galerias ripícolas.
Dimensões:
Tem um comprimento de antebraço (FA) que varia entre 61,0- 70,0 mm e tem um peso de 35-53 g. Podendo atingir os 50 cm de envergadura.
Estatuto de conservação:
Esta espécie de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal é classificada como “Informação insuficiente” (DD), não existindo até à data informação adequada para avaliar o risco de extinção, nomeadamente quanto à redução do tamanho da população e à tendência de declínio. Esta espécie encontra-se no Anexo BIV da Directiva Habitat, sendo de interesse comunitário, cuja conservação exige protecção rigorosa. Encontrado-se ainda incluída nos anexos II da Convenção de Berna e Bona.
Referências e Sites:
Dietz, C., O. V. Helversen & D. Nill (2009). Bats of Britain, Europe & Northwest Africa. A & C Black Publishers Ltd.
Dondini, G. & S. Vergari (2000). Carnirory in the greater noctule bat (Nyctalus lasiopterus) in Italy. J. Zool. 251: 233-236.
M. Uhrin, P. Kaˇnuch, P. Benda, E. Hapl, H.D.J. Verbeek, A. Kristín (2006). On the greater noctule (Nyctalus lasiopterus) in central Slovakia, Vespertilio 9 (10) 183–192.
Livro Vermelho de Portugalsegunda-feira, 26 de abril de 2010
Bat's in the net
A época de capturas de morcegos deste ano está a aproximar-se (assim que o tempo estabilizar), e nada melhor do que fazer uma retrospectiva das capturas realizadas no ano de 2009. Depois de percorridos mais de 2500Km, 100 horas passadas ao relento (e muitas delas dentro de água), consegui realizar 29 pontos de amostragem (com capturas efectivas), distribuídos pelo Norte e Centro de Portugal Continental, nos quais foram capturados 225 indivíduos, de 18 espécies diferentes, que representam 75% das espécies existentes e consideradas actualmente para Portugal Continental.
Os resultados obtidos, permitiram a aquisição de novos dados para espécies com Informação Insuficiente (DD), assim como para as espécies com estatuto de ameaça (CR, VU, EN), e ainda a confirmação da presença do Myotis escalerai e do Myotis daubentonii morfotipo nathalinae para o Norte de Portugal Continental.
O número de capturas por espécie foi a seguinte:
Rhinolophus hipposideros VU (n=1)
Rhinolophus euryale CR (n=1)
Myotis bechsteinii EN (n=1)
Myotis myotis VU (n=7)
Myotis escalerai VU* (n=14)
Myotis emarginatus DD (n=4)
Myotis mystacinus DD (n=7)
Myotis daubentonii nathalinae LC (n=40)
Pipistrellus pipistrellus LC (n=33)
Pipistrellus kuhlii LC (n=5)
Pipistrellus pygmaeus LC (n=2)
Hypsugo savii DD (n=16)
Nyctalus leisleri DD (n=13)
Eptesicus serotinus LC (n=40)
Barbastella barbastellus DD (n=4)
Plecotus auritus DD (n=4)
Plecotus austriacus LC (n=28)
Miniopterus schreibersii VU (n=5)
* Estatuto considerado para o Myotis nattereri
Embora se fale muito na protecção de abrigos, quer de hibernação quer de reprodução, como medida de conservação para morcegos, os locais de “swarming” representam locais sensíveis e fulcrais para a conservação deste grupo faunístico. Apesar de muitos abrigos classificados como “de Importância Nacional para morcegos” possam ser locais de “swarming”, outros que não têm os critérios mínimos para a sua classificação, podem representar uma mais-valia para a conservação de morcegos. Deste modo, seria bom começarmos a pensar em incluir na listagem dos abrigos “de Importância Nacional para morcegos”, os abrigos que sejam locais de “swarming”, como por exemplo a mina de Vila Cova.
Não poderia escrever este post sem agradecer a todos aqueles que me fizeram companhia durante algumas das noite, nomeadamente ao Carlos Rodrigues, Diana Balsa, Hélia Gonçalves (mais a Luna e a Bolinha), Luís Braz, Joana Medeiros, João Gaiola, Paulo Travassos e ao meu tio Chico agricultor há mais de 50 anos pelas suas histórias de lobos, leirões e outros bichos que me contou enquanto esperava pelos morcegos. Um agradecimento especial à Estação Biológica de Doñana em particular ao Javier Juste e toda sua equipa pela confirmação genética de alguns exemplares. E finalmente a todas as Corujas que me fizeram companhia nas noites que passei sozinho.
sábado, 6 de março de 2010
Myotis bechsteinii
Morcego de Bechstein (Por), Murciélago de Bechstein (Es)
Durante os trabalhos de prospecção de abrigos de Quirópteros nas serras do Alvão e Marão, encontrei um edifício abandonado que servia de abrigo a uma “tímida” Coruja-das-torres (Tyto alba), (bem como a umas dezenas de cabras e vacas), com uma considerável quantidade de egagropilas. Numa bela tarde regressei lá com a Hélia, para recolher as ditas, (que ela guarda às centenas em caixas, a fim de serem “exploradas”), e estando nós a procurar entre a "caca" e a terra que cobriam o chão de cimento do edifício, eis que surge uma forma diferente de tudo o resto, no meio de toda aquela confusão, peguei-lhe (com cuidado) e verifiquei que se tratava de um morcego morto, e apesar de não libertar o odor característico dos cadáveres já só era “pele e osso”. O que me chamou a atenção foram as suas grandes orelhas. Entreguei-o ao Paulo para ele o tentar identificar, e depois de ele ter medidos o comprimento das orelhas…… O resto dos caracteres só vieram confirmar de que espécie se tratava…
Identificação:
È um morcego de tamanho médio dentro do género Myotis, com umas notáveis largas e longas orelhas (mais de 18mm), sendo a única espécie com um comprimento de orelha superior a metade do comprimento do seu antebraço e inferior ao comprimento total do mesmo. Estas, quando dobradas para a frente, estendem-se para lá do focinho (projectando-se a mais de 8mm). Apresentam também 9 a 11 pregas transversais e o seu trago em forma de lanceta, atinge cerca de metade do comprimento da orelha. A pelagem dorsal dos adultos pode ser de castanha a castanho-avermelhada, a sua zona ventral apresenta tons que vão do cinzento ao bege claro e a sua face é castanho-avermelhada. As suas asas são curtas e largas, o que lhe proporciona um voo lento e ágil, ideal para caçar entre a vegetação (geralmente 1 a 10m acima do solo). Possui umas patas pequenas e a membrana alar encontra-se inserida junto do último dedo destas. O seu esporão é recto (atingindo cerca de metade da membrana caudal), apresentado por vezes, uma pequena “bainha” de pele. A sua última vértebra caudal é livre.
Espécies semelhantes:
È inconfundível devido às suas orelhas compridas, o seu corpo pequeno e a sua cara mais delgada (“magra”) quando comparado com as restantes espécies do género Myotis. O facto de as suas orelhas se encontrarem separadas na base, é uma característica que permite distinguir esta espécie, das do género Plecotus.
Ecolocalização:
Tem vocalizações muito variadas, adaptando-se ao meio envolvente. Ao nível acústico é uma espécie impossível de distinguir (e identificar), de entre as restantes do seu género. As características das suas vocalizações são semelhantes às de M. daubentonii, apesar de o sonograma de M. bechsteinii não apresentar Amplitude Modulada. A estrutura do seu pulso é “Steep-FM”, isto é, a sua vocalização percorre várias frequências, o que lhe proporciona uma informação mais detalhada sobre a superfície dos objectos (obstáculos) do meio, e permite uma maior eficácia na caça em espaços “cerrados” (copa das árvores; arbustos), uma vez que este geralmente captura as presas directamente do substrato (e. g. folhas). A captura é feita com o auxílio dos sons produzidos pelos movimentos das presas, que detecta facilmente devido às suas grandes orelhas. Os seus pulsos têm uma duração entre 2 e 6ms, com um intervalo entre si inferior a 100ms. Estão compreendidos entre os 100KHz e os 25KHz (frequência de máxima e mínima energia, respectivamente).
Distribuição:
Depósitos fósseis de esqueletos de morcegos com 3000 anos, indicam que esta espécie era mais abundante e distribuída do que na actualidade. A sua distribuição mundial estende-se desde o Oeste e Centro da Europa até ao Centro da Polónia e Ucrânia (Mar Negro) até à Península Balcânica, encontrando-se no seu limite Norte no Sul de Inglaterra e Sul da Suécia (isoladas), sendo mais rara no Sul da Europa, pelo que, nas Penínsulas Ibérica e Itálica os registos são mais escassos. Na Ásia menor, encontra-se em Anatólia na Turquia, Norte do Irão e Cáucaso.
Na Península Ibérica há registos da sua presença na Galiza, Cantábria, Navarra, Aragão,
Habitat:
Encontra-se em florestas de folhosas bem desenvolvidas. No Sul da Europa, ocorre normalmente em zonas montanhosas ou em florestas das zonas ribeirinhas. As maiores densidades populacionais foram registadas em Carvalhais e Faiais (Alemanha) com uma grande proporção de árvores velhas. Contudo, também pode ocorrer em florestas de Coníferas. Abriga-se em cavidades no interior das árvores, e mais raramente
Reprodução:
As colónias de criação (maternidades) formam-se no início de Abril e são constituídas por 10 a 50 fêmeas, com relações de proximidade entre si (avós, mães e filhas) e mudam de lugar (abrigo) frequentemente. Os nascimentos ocorrem por volta de Junho (tendo uma cria por ninhada), e no fim de Agosto estas colónias dispersam para dar início ao “swarming”, em abrigos subterrâneos, onde ocorre o acasalamento. Os juvenis podem também voar em meados de Agosto. Os machos encontram-se sozinhos durante o Verão.
Alimentação:
A sua alimentação consiste particularmente de artrópodes florestais e uma grande proporção de insectos não voadores. Durante o Verão, as presas preferenciais mudam de acordo com a sua disponibilidade. A sua dieta é assim formada por uma grande quantidade de traças, escaravelhos, e aranhas. Podendo adicionalmente capturar opoliões e centopeias.
Longevidade e mobilidade:
A idade máxima registada é de 21 anos. È uma espécie bastante sedentária, normalmente caçam próximo dos abrigos, cerca de 1km (2,5km no máximo). Os abrigos de hibernação e de Verão, geralmente localizam-se poucos a quilómetros de distância entre si. As distâncias máximas percorridas, registadas por esta espécie são até agora de 73km (Alemanha) e 53,5 (Bélgica).
Dimensões:
Antebraço: 39-47mm; Cabeça-corpo: 43-55mm. Peso médio: 7-10g Fórmula dentária: 2/3, 1/1, 3/3, 3/3 = 38.
Medidas de conservação:
Abandono do uso de pesticidas na silvicultura (florestas). Manutenção de florestas maduras com a presença de árvores velhas e mortas. Evitar a desfragmentação de manchas florestais, através da implementação de estradas e outras estruturas lineares. Proteger os abrigos de reprodução (“swarming”) de modo a manter um elevado fluxo genético entre as populações.
Estatuto de conservação:
De acordo com a IUCN esta espécie tem um estatuto de “Quase ameaçada” (NT), em Portugal (LVVP) apresenta o estatuto de “Em perigo” (EN) e encontra-se nos anexos B-II e B-IV da Directiva Habitats.
Referências e sites:
Álvaro, C., Bekker, H., Bekker, J. P., Boshamer, J., Conde, J., Dekker, J., Martins, F., Mostert, K., Thomassen, E., Willemsen, J. (2009). Mammal survey Serra da Estrela (Portugal). Uitgave van de Veldwerkgroep van de Zoogdiervereniging (VZZ). Arnhem.. ISBN 978-90-79924-14-1.
Braz, L., Gonçalves, H., Barros, P., Travassos, P. (2009). First record of Bechstein’s bat (Myotis bechsteinii Kuhl, 1817) at North of
Dietz, C., O. V. Helversen & D. Nill (2009). Bats of Britain, Europe & Northwest Africa. A & C Black Publishers Ltd.
Macdonald D., Barret P. (1999). Mamíferos de Portugal e Europa. Guias FAPAS. Porto. Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal










