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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Distribuição de morcegos


Tendo em conta que a informação disponibilizada sobre a distribuição das espécies de quirópteros presentes em Portugal Continental em quadrículas 10X10km UTM é escassa, decidi criar (com a ajuda imprescindível do Martiño) um Sistema de Informação Geográfico em plataforma Web (WebSIG) com as observações dos últimos três anos de trabalho de campo de capturas, assim como as observações de alguns dos membros e leitores deste blog. O principal objetivo deste WebSIG é permitir aos nossos leitores mais interessados neste grupo faunístico, ter um acesso rápido e fácil à informação, assim como oferecer um sistema de mapas dinâmicos e funcionais para navegar e consultar sobre a distribuição das diferentes espécies por nós registadas.
Para isso basta selecionarem a espécie através do “scroll” que está de baixo da entrada “Mapa de Observações de Morcegos” na barra lateral deste Blog.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"Dormindo...parte II"

Aqui ficam mais uns registos fotográficos de algumas espécies em época de hibernação.

Myotis emarginatus, o longo pelo dourado e a emarginação da sua orelha, são características distintivas.

A coloração da ponta do trago do Myotis myotis, permite distinguir o morcego-rato-grande do pequeno.


Um grupo de Myotis blythii (morcego-rato-pequeno). Ups! alguns já estão comprometidos, têm aliança -:)

 O caçula dos Rhinolophus, o R. hipposiderus, nesta época o morcego-de-ferradura-pequeno está sempre bem envolvido nas suas membranas alares.

 Aqui está o maior, o Rhinolophus ferrumequinum (morcego-de-ferradura-grande).

Geometricamente bem aconchegadinho!

 Cerca de 250 Rhinolophus euryale (morcego-de-ferradura-mediterrânico).

Neste perfil do R. euryale podemos observar o seu longo pelo, que faz lembrar o do Myotis emarginatus.

 Agora a cara!

Processo conectivo em forma de corno, curvado para a frente e levemente para baixo. São pormenores de diferenciação.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Inquilinos anónimos


Embora o Morcego-rabudo (Tadarida teniotis) seja um morcego de voo alto (podendo caça a 300 metros de altura) e rápido (atingindo 65Km/h), é uma espécie que utiliza muitas vezes estruturas artificiais, nomeadamente a nossas casas, podendo por vezes criar alguns conflitos.










Visando apoiar a população em geral quanto a situações de coabitação e exclusão de morcegos, está  disponível, no portal do ICNB, o documento guia de apoio de coabitação e exclusão de morcegos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lontra de 1914



Angel Cabrera em 1914, descreveu assim esta espécie:
Cabeça. aplastada; orejas muy chicas, casi ocultas bajo el pelo; la porción desnuda del hocico, que en este género es un carácter de cierto valor taxonómico, no muy grande, comprendida por completo entre las ventanas de la nariz y con el borde superior muy convexo en el centro y cóncavo á los lados. Pies con las plantas desnudas. Pelaje corto, muy compacto, lustroso, ocultando una borra igualmente espesa y corta. Color general pardo Prout ó tierra de sombra, pasando á gris sucio en las partes inferiores, más pálido, casi blanco, en la garganta. La borra es del mismo color del pelo, pero con la parte próxima á la raíz de un color de ante muy claro, casi blanco. Se encuentran algunas ligeras variantes de color, siendo frecuentes los ejemplares en que el pardo tira á canela. Cráneo muy aplastado, con el rostro corto y estrecho y la región postorbitaria más estrecha todavía; apófisis postorbitarias muy poco salientes. Las hembras son siempre un poco más pequeñas que los machos.
La. nutria abunda todavía bastante en muchos de nuestros ríos y lagunas. Vive entre las raíces de los árboles próximos al agua, ó en las cuevas abandonadas por los zorros y tejones. Se alimenta de peces, culebras, ranas, ratas de agua y algunas aves acuáticas.”



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Morcegos em casa!

Uma das nossas leitoras assíduas, enviou um e-mail dizendo que tinha encontrado um morcego dentre de sua casa, após ver as fotos verificamos que se tratava de um Tadarida teniotis. Deixo aqui o testemunho da Soraya, como agradecimento ao comportamento que teve perante a presença de morcegos em sua casa.
 Morcego-rabudo (Tadarida teniotis)

 “Comprei há pouco tempo uma casa que esteve desabitada muitos anos e só era usada como casa de férias. Esta situada num quarto andar de um dos prédios mais altos da Charneca da Caparica e tem uma vista privilegiada sobre o mar e a mata. Por cima tem só mais um apartamento que também se encontra desabitado há bastante tempo, uma vez que os donos se encontram no estrangeiro.
Numa das casas de banho encontrei fezes que saiam das grelhas de ventilação e já tinha ouvido ruídos estranhos mas pensava que vinham da casa dos vizinhos. Quando usei o aspirador para limpar parte da porcaria que passava pelas grelhas os parafusos de baixo já velhos e enferrujados caíram ficando assim aberta a passagem.
Um ou dois dias depois ao chegar a casa a noite ouvi um ruído estranho no hall de entrada que não sei se seria o som emitido pelo morcego para se orientar ou o barulho das patas em contacto com a tijoleira. Quando acendi a luz num dos quartos vi uma pequena figura a desaparecer por traz duns sacos. A primeira coisa que me veio a cabeça foi um rato e fechei logo a porta e tapei a falha por baixo para ele não conseguir sair. No dia seguinte já com a ajuda dos meus pais e armados de vassouras e de uma ratoeira fomos a procura do pequeno roedor ate que nos deparamos com um morcego num cantinho do quarto. A surpresa foi total! Não sei quem se terá assustado mais, ele ou nós. Mesmo assim tive a sorte de não me deparar com ele de asas abertas a voar dentro de casa.
Pegamos-lhe com um pano e já dentro de um alguidar demos-lhe fruta que ele não comeu! Não emitiu qualquer som e só se mostrou mais agressivo quando lhe pegamos.
Os meus pais levaram-no e soltaram-no nessa mesma noite numa das varandas da casa e ele desapareceu passado pouco tempo. De vez em quando ainda escuto ruídos estranhos. Será que os sons são mesmo da casa dos vizinhos ou será que o morcego decidiu voltar para a sua casa? Afinal ele estava cá primeiro.” (Soraya Oliveira, 02 Novembro de 2011).
 Vista do habitat envovente ao local onde se abriga o morcego

sábado, 29 de outubro de 2011

Diferenças e semelhanças


 Macho de Alytes cisternasii (Sapo-parteiro-ibérico), transportando ovos

A reprodução do sapo-parteiro-ibérico, dá-se por um amplexo lombar, posição na qual os machos acumulam os ovos entre as suas patas posteriores. O amplexo ocorre em terra, durante uns 30-45 minutos, na qual o macho roça a cloaca da fêmea com os seus pés de forma repetida, acabando assim por provocar a saída dos ovos, então o macho abraça a fêmea pelo pescoço e fecunda os ovos expulsando o seu esperma com violentas sacudidelas, depois de descansar uns 20 minutos envolve as filas de ovos ao redor das suas patas posteriores e solta a fêmea. Este comportamento pode-se repetir várias vezes, acumulando ovos de várias fêmeas. Deste modo o macho está encarregue de cuidar dos ovos e cada noite sai para se alimentar e humedecer os ovos. Ao fim de três semanas as larvas eclodem e nadam no ponto de água que o seu progenitor seleccionou e ao fim de 2-4 meses a metamorfose é completada, contudo em condições adversas a metamorfose por retarda-se por um ou mais anos. Do mesmo modo, a metamorfose por ocorrer prematuramente, isto pode acontecer quando o ponto de água seca rapidamente. Depois da metamorfose deixam os corpos de água e passam a viver em terra. Uma particularidade dos machos que transportam ovos é que nunca submerge mesmo quando são perturbados.

Fêmea de Allocosa fasciiventris (Tarântula-ibérica), transportando crias (Foto: João Gaiola)

Embora a seda produzida por esta espécie não seja utilizada para construir teias, tem um papel importante nos processos reprodutivos. Nos seus fios encontram-se substâncias que actuam como feromonas sexuais, permitindo aos machos seguirem o rasto das fêmeas até a localizarem. Previamente cópula propriamente dita, dá-se um cortejo bastante ritualizado. Após a cópula a fêmea realiza a postura, depositando e envolvendo os ovos em seda branca, resultando numa ooteca (bolsa de seda onde as aranhas depositam os ovos) esférica que irá transportar durante alguns dias pendurado nas patas posteriores. Após a eclosão, as pequenas aranhas abandonam o casulo e trepam para o dorso materno, cobrindo o opistoma de uma forma espectacular, onde permanecem até à segunda muda, a pós a qual se inicia a dispersão e o crescimento independente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Anfíbios e estradas!

A mortalidade de animais nas estradas constitui um dos impactes visíveis e do conhecimento geral. Para as pessoa que como eu, fazem pelo menos 100Km diários de estrada estes acontecimentos são muito frequentes e quase diários, independentemente da maior dos percursos serem os mesmos.

Para o “comum mortal” a mortalidade de carnívoros com estatuto de conservação mais elevado como por exemplo o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) ou o lince-ibérico (Linx pardinus), é uma perda insubstituível, de tal forma que a projecção de vias de comunicação em área de ocorrência desta espécies têm sempre em consideração medidas de minimização e/ou compensação para estas espécies.

O principal problema da aplicação de medidas de minimização de mortalidade de anfíbios em estradas, é a dificuldade que os Estudos de Impacte Ambiental (EIA), têm em identificar os corredores ecológicos (corredores migratórios) deste grupo faunístico, sendo que apenas depois das vias de comunicação estarem em exploração é que são identificados os “pontos negros” (locais onde a via de comunicação cruza o corredor de migração), momento temporal e processual em que é muito difícil aplicar qualquer medida de minimização e/ou compensação.

A Pós-avaliação de projectos de vias de comunicação, seria uma das ferramentas que poderiam minimizar um impacte que não foi possível identificar em processo de AIA.

As primeiras chuvas de Outono são propícias à ocorrência de migrações da grande parte dos Anfíbios.

ESTEJA ATENTO! DIMINUA A VELOCIDADE E EVITE ATROPELAR ESTES ANIMAIS!

 Alytes obstetricans, Lagoa (Macedo de Cavaleiros)

 Bufi bufo, Castro Vicente (Mogadouro)

 Bufo calamita, Brunheda (Carrazeda de Ansiães)

 Hyla arborea, Mogadouro (Modadouro)

 Pelobates cultripes, Duas Igrejas (Miranda do Douro)

 Salamandra salamandra, Cova da Lua (Bragança)

 Triturus marmoratus, Presandães (Alijó)

sábado, 24 de setembro de 2011

A noite dos barbastellus!

O Outono é uma época particularmente importante para os morcegos, é nesta altura que se inicia o período de cio e respectiva cópula, para tal, diversas espécies dirigem-se para locais específicos: “swarming sites”, onde tentam encontrar parceiro/a para acasalarem.
Além de ser uma época importante para os morcegos, é também uma época muito propícia para a captura de morcegos, já que abundância e diversidade de morcegos nos “swarming sites” são muito elevadas, resultando numa maior taxa de captura e diversidade.
Esta semana a sessão de captura foi curta mas bastante profícua, uma hora e meia e 3 metros de rede, resultaram na captura de 18 individuos (7♂ e 4♀ de Barbastella barbastellus, 2♂ de Miniopterus schreibersii, 1♂ de Myotis blythii, 1♀ de Myotis daubentonii e 3♂ de Myotis escalerai).

Os 11 Barbastella barbastellus, capturados são sem dúvida o dado mais interessante desta sessão de captura, de facto esta espécie de aspecto muito particular, caracterizado pelas suas orelhas triangulares, curtas, largas e quase unidas na sua base é uma espécies classificada como Informação Insuficiente (DD), visto que não existe informação adequada para fazer uma avaliação directa ou indirecta do seu risco de extinção, com base na sua distribuição e/ou estado da sua população. Um taxon incluído nesta categoria pode estar muito bem estudado e a sua biologia ser perfeitamente conhecida, contudo a falta de dados sobre a sua distribuição e/ou abundância não permite que seja incluído, inequivocamente, numa categoria de estatuto de conservação em particular. Classificar um taxon na categoria DD indica que é necessária mais informação e que se reconhece que a investigação futura é um imperativo para a desejável classificação numa categoria mais informativa, podendo ser de ameaça ou não.
A medição do antebraço dos mais de vinte indivíduos já capturados, distribuídos por 9 quadrículas 10X10 km, aponta para uma dimensão média (39,44mm) enquadrada nas medições de referência, verificando-se um antebraço médio ligeiramente superior nas fêmeas (média=39,95mm; Máx. =41,29mm Mim=39,00mm) quando comparados como os machos (média=38,94mm; Máx. =41,79; Mim=36,95), embora estes apresentem dimensões de maiores amplitudes (Max. e Min.).

domingo, 11 de setembro de 2011

Agora é a vez delas!


Aeshan mixta

Durante a Primavera e o Verão dezenas de espécies de Odonatas completam o seu ciclo de imago, atingindo a fase final e primordial da sua vida, a reprodução e a perpetuação dos seus genes. Algumas espécies podem apresentar várias gerações por cada época (bivoltina ou mesmo trivoltina) e terem uma grande período de reprodução. Mas chegando o Outono é a vez delas! O período mais frenético para a Aeshan mixta, começa agora e não antes!
Esta espécie que emerge em charcas e águas remansosas no final do Inverno ou início da Primavera, desloca-se afastando-se destes meios aquáticos, subindo para habitas mais frescos e invadindo zonas florestais de montanha onde procura alimento mais fácil, protecção do rigor do Verão e de predadores e completa o seu ciclo de maturação. Estas movimentações, normalmente são massivas e por vezes de muitos quilómetros. No Outono, depois de vários meses de alimentação e atingida a maturação sexual, voltam para os locais onde emergiram, com a finalidade de copularem e realizar as posturas, altura em que a temperatura já diminuiu.
 Sympetrum striolatum

Estas deslocações, como estratégia para se refugiarem em outros habitats durante uma época ou estação pouco favorável é também utilizado pela Sympetrum striolatum.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Serra do Marão, Montesinho e Nogueira

O fim-de-semana passado foi dedicado aos morcegos.
 Grupo de escuteiros

Começou na Quinta-feira com uma acção de sensibilização dirigida a um grupo de escuteiros do Agrupamento de Vila Real, aproveitando a pernoite dos escuteiros junto às minas de Maria Isabel na Serra do Marão, juntei-me a eles e depois do jantar (uma “famosa” baguete da Campeã e uma cerveja) estivemos 3 horas a conversar sobre morcegos, ainda tivemos oportunidade de capturar alguns exemplares de Rhinolophus ferrumequinum e Myotis escalerai, que fizeram as delicias da maior parte dos presentes, que começaram à acção dizendo “Morcegos! Que feios! Aí que nojo!” e acabaram dizendo “Que fofos!”, esta é uma reacção muito comum entre a maioria das pessoas que nunca viram um morcegos de perto.
Na sexta-feira rumei para o Nordeste de Portugal em direcção a Montesinho, mais propriamente ao troço inicial do Rio Sabor, onde pude capturar alguns exemplares de Myotis Daubentonii e Pipistrellus pipistrellus.
 Plecotus auritus -:)

Já no Sábado o local de captura situou-se na vertente Oeste da Serra da Nogueira, num pequeno ponto de água (tanque), situado num lameiro rodeado por carvalhal perto de Refoios freguesia de Zoio, onde conseguimos capturar cinco espécies diferentes, Nyctalus leisleri, Plecotus austriacus, Plecotus auritus, Pipistrellus pygmaeus e Barbastella barbastellus, a curiosidade desta noite de captura foi que foram apanhados cinco indivíduos de cinco espécies diferentes, coisa que nunca me tinha acontecido!
Resumindo, este fim-de-semana foram obtidos dados de distribuição de 9 espécies diferentes.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Morcegos e afins

Aproveitando o fim-de-semana mais comprido, fui ter com o João Gaiola ao Sabugal com o objectivo de realizar duas sessões de captura de morcegos.

Um dos pontos de amostragem foi o Rio Côa no seu troço superior onde o tipo de aves rípicolas abunda, como por exemplo do Merlo-de-água (Cinclus cinclus), o crepúsculo é o período do dia em que a actividade de aves e morcegos (em especial espécies do género Pipistrellus) se sobrepõe. Assim é relativamente frequente capturar acidentalmente deste tipo de aves, como por exemplo o Merlo-de-água (Cinclus cinclus), o Guarda-rios (Alcedo atthis) ou Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos). Outra espécie que normalmente é apanhada nas redes de captura de morcegos é o Noitibó (Caprimulgus europaeus) que contrariamente às anteriores espécies, esta tem uma actividade que se sobrepões totalmente com a actividade dos morcegos.
 
Noitibó (Caprimulgus europaeus)

 
 Guarda-rios (Alcedo atthis)

 
 Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos)

 
Merlo-de-água (Cinclus cinclus)

Relativamente aos morcegos os mais de cem metros de redes e as 7 horas de captura (distribuidas por duas sessões de captura) permitiu-nos capturar 23 indivíduos (1♀ de Myotis escalerai, 1♀ de Myotis mystacinus, 5♀ e 2♂ de Myotis daubentonii, 4♀ e 1♂ de Pipistrellus pipistrellus, 2♀ e 3♂ de Pipistrellus pygmaeus, 1♂ de Hypsugo savii, 1♀ prenhe de Plecotus auritus e 1♀ e 1♂ de Plecotus austriacus), distribuídos por oito espécies diferentes, o que representa aproximadamente 1/3 das espécies existentes em Portugal Continental.

 Myotis escalerai

 Myotis mystacinus

Plecotus auritus
 
 Myotis daubentonii com uma infecção nos tragus