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domingo, 14 de outubro de 2012

Capturas 2012




Como é costume gosto de fazer as retrospetivas das capturas anuais, assim no seguimento deste POST e DESTE, aqui ficam os resultados deste ano de 2012.
O tempo disponível para as capturas durante o ano 2012 não foi o que eu gostaria que fosse, e as condições climatéricas também não ajudaram, mas mesmo assim foi possível realizar 21 sessões de capturas, distribuídas entre o Sabugal e o Gerês.
As mais de 85 horas efetivas de captura, permitiram a captura de 147 indivíduos distribuídos por 18 espécies diferentes, tendo sido amostradas por 15 quadrículas 10X10 UTM diferentes.
Os resultados obtidos, permitiram a aquisição de novos dados para espécies com Informação Insuficiente (DD), assim como para as espécies com estatuto de ameaça (VU, CRe EN).

O número de capturas por espécie foi a seguinte:
    

Rhinolophus ferrumequinum-VU

Rhinolophus hipposideros-VU
Rhinolophus euryale-CR
Myotis blythii-CR
Myotis escalerai-NA
Myotis mystacinus-DD
Myotis daubentonii-LC
Pipistrellus pipistrellus-LC
Pipistrellus kuhlii-LC
Pipistrellus pygmaeus-LC
Hypsugo savii-DD
Nyctalus leisleri-DD
Eptesicus serotinus-LC
Eptesicus isabellinus-NA
Barbastella barbastellus-DD
Plecotus auritus-DD
Plecotus austriacus-LC
Miniopterus schreibersii-VU



Não poderia escrever este post sem agradecer a todos aqueles que me de algum modo contribuíram para estes resultados, aos que me acompanharam durante as sessões de captura em particular ao João Gaiola e ao Luís Braz. E finalmente à as corujas e aos lobos (que me fizeram o favor de uivar!) e de mais bicharada que me acompanharam nas noites mais solitárias.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Toupeira-de-água, aguaneiro ou desman

 Toupeira-de-água capturada durante um campo de trabalho científico realizado no Courel (Galiza)

 A Toupeira-de-água (galemys pyrenaicus) é um micromamífero semi-aquático endémico da Península Ibérica. Os seus requisitos bio-ecológicos tornam esta espécie num excelente bioindicador da qualidade e estado de conservação dos habitats que ocupa. Não obstante, a fragmentação e a redução significativa das suas populações, contribuem para que a toupeira-de-água se encontre cada vez mais em perigo de extinção.

Neste sentido será urgente uma base estratégica a longo-prazo na recuperação da Toupeira-de-água e dos seus habitats, com o objetivo de contrariar as tendências atuais e melhorar o estado de conservação desta espécie. Para tal, numa primeira fase será necessário e urgente identificar a(s) causa(s) que contribuem para a atual regressão, de modo a que numa segunda fase se possam adotar medidas específicas na mitigação das causas. 

domingo, 17 de junho de 2012

Comportamento colonial do Circus pygargus


O Tartaranhão-caçador pode nidificar solitariamente mas na maioria dos casos, os ninhos estão relativamente próximos, constituindo assim uma colónia ou núcleo de nidificação.
 Colónia de nidificação no planalto do Vilarelho (Alijó)

Deixo aqui o resumo do relatório final de estágio do João Gaiola e para quem tiver curiosidade em ler o relatório completo pode descarrega-lo AQUI
“Em Portugal e segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados, a espécie Tartaranhão-caçador Circus pygargus (L.) é considerada como “Em Perigo” e não existem valores concretos do efectivo populacional em Portugal. O presente estudo surge na perspectiva de contribuir para a caracterização da biologia e ecologia de uma população que ocorre no nordeste de Portugal.
Este estudo foi realizado no Norte de Portugal, numa área com cerca de 6400 há (8 x 8 km), situada no planalto do Alto de Vilarelho (concelho de Alijó), onde se identificou um núcleo de 17 casais dos quais foram acompanhados 14 casais reprodutores. Este núcleo populacional, com um efectivo considerável, ocupou um território bem definido espacialmente e sobre o qual nunca tinha sido realizado qualquer estudo. A área de matos estudada, onde se estabeleceu a colónia de Tartaranhão-caçador é caracterizada sobretudo pela ocorrência predominante de tojo (Ulex minor e Ulex europaeus). Esta característica destaca-se do resto da área de estudo e parece desempenhar um papel importante para a reprodução da espécie, a avaliar pela concentração de casais reprodutores.
No decorrer do trabalho de campo, foram acompanhadas as fases da postura, incubação, eclosão e 1º voo de um total de 53 ovos postos, só 41 eclodiram e, das crias respectivas, apenas 18 se emanciparam com sucesso. Foram também identificados e caracterizados todos os locais de poiso que teve lugar a recolha de indícios da dieta da espécie (egagrópilas e restos de presas).
Durante a campanha de anilhagem foram marcadas com anilhas metálicas e de cor 14 aves juvenis, permitindo assim o reconhecimento individual de cada juvenil.
No cálculo dos parâmetros reprodutivos da colónia de Tartaranhão-caçador, estimou-se em 3,42 crias por ninho a ninhada média da colónia em estudo. Esta mesma população obteve, em termos de sucesso reprodutivo, uma produtividade de 1,29 crias que se emanciparam por casal, valores que se encontram dentro dos limites obtidos em diversos estudos realizado na Península Ibérica.
Nas conclusões do trabalho são propostas algumas medidas para conservação da espécie e gestão de habitat na área de estudo, bem como algumas linhas de investigação futuras que podem contribuir para um melhor conhecimento do comportamento e dinâmica populacional desta ave, para que, de forma efectiva se possa contribuir para a recuperação do Tartaranhão-caçador a nível local e regional.”

sábado, 26 de maio de 2012

Texugo (Meles meles)

Taxonomia:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Género: Meles
Espécie: Meles meles
Nome comum: Texugo

Os indícios de presença são a forma mais fácil de verificar a sua existência num determinado local. A pegada do texugo é constituída por uma grande almofada, 5 pequenas marcas de dedos e pelas marcas das garras alguns centímetros à frente destes.

Identificação: Os rasgos morfológicos desta espécie estão fortemente condicionados pela sua forma de vida escavadora. Deste modo, apresenta uma cabeça pequena mas robusta e um pescoço muito forte, embora pouco visível. O corpo é alargado e muito robusto acabando num pequena cauda. Os seus membros são fortes e acabam numas poderosas unhas que lhe permite a escavação. O seu órgão táctil primordial são as vibrissas que têm no focinho. Os olhos são muito pequenos e parecem desempenhar um papel menos importante do que os outros sentidos. Tendo em conta a aptidão escavadora desta espécie, as orelhas são muito pequenas. As suas dimensões principais são: comprimento (59-87cm); cauda (11-20cm); peso (4,8-9,7Kg).

Distribuição: É uma espécie de ocorrência paleártica, em Portugal apresenta uma distribuição ampla mas fragmentada (devido à tipo de solo que impossibilita a escavação), sedo mais rara nas zonas secas do Sul do que no Norte.

Habitat: Os texugos preferem meios mistos de bosques e prados em áreas moderadamente frescas e com precipitações moderadas a elevadas. As preferências do habitat estão directamente relacionadas com a disponibilidade alimentar e solo propícios à construção das tocas. Em muitas zonas mediterrânicas, os texugos seleccionam ambientes mas heterogéneos, como por exemplo zonas agrícolas que alternam com bosque e pequenas linhas de água e evitando zonas contínuas de bosque. Em zonas semiáridas mediterrânicas, mostra preferência por zonas de fruteiras e áreas rochosas e de matorral.

Reprodução: As fêmeas do texugo apresentam uma ovo-implantação retardada, pelo que os blastocistos apenas são implantados uns meses depois dos acasalamentos que ocorrem durante o Inverno. A implantação dá-se sempre numa altura específica do ano independentemente da altura da fecundação de modo a que as crias nasçam numa época com uma maior disponibilidade de recursos alimentares. Por norma, todas as fêmeas (desde que sexualmente activas) de um grupo familiar podem reproduzir-se, contudo em situações de elevadas densidades, poderá ocorrer fenómenos de supressão reprodutiva e apenas algumas das fêmeas de cada grupo se reproduzem. Os machos atingem a maturidade sexual aos 12 meses de idade, enquanto as fêmeas podem parir pela primeira vez aos dois anos de idade. Os texugos reproduzem-se apenas uma vez por ano e o número de crias é normalmente de 3, que permanecem na toca durante as primeiras 10 semanas, momento em que começam a ter o controle total sobre a sua termorregulação. Após as 12 semanas de vida as crias deixam de mamar para passar a comer alimentos sólidos.

Alimentação: O texugo é uma espécie omnívora e com uma grande flexibilidade na hora de escolher a sua dieta. Embora durante muito tempo se tenha considerado uma espécie especialista no consumo de minhocas, hoje em dia é consensual que se trata de uma espécie generalista, contudo os estudos apontam para um relação positiva da presença de minhocas na dieta e o aumento da densidade de indivíduos, assim como na eficácia biológica como a condição física e a resistência a certos parasitas. Os texugos alimentam-se de um amplia gama de recursos, desde, insectos, frutos (silvestres ou não) e pequenos mamíferos e aves, coelhos e fungos, assim como cereais, azeitonas.

Predadores: Os texugos têm poucos predadores, estando limitado ao lobo, cães assilvestrados ou aves de rapina de grande porte.

Estatuto de conservação:
De acordo como o Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal (LVVP), o Texugo está classificado como LC - “Pouco Preocupante”.

sábado, 21 de abril de 2012

Contribution to the knowledge of bat distribution in northern and central Portugal


 Riqueza específica das quadrículas amostradas

Abstract: In all, 25 species of bats are known from mainland Portugal, all of which are protected by law (Bern Convention, Habitats Directive, Bonn Convention and the Agreement on the Conservation of Populations of European Bats (EUROBATS); likewise, their roosts are also protected by the Bern Convention and the European Habitats Directive. In recent decades a worldwide decline in bat populations has occurred and Portugal, where nine species are listed as endangered (Critically endangered CR, Endangered EN or Vulnerable VU according to IUCN categories), is no exception. The data presented in this paper are the result of fieldwork conducted in 2009–2011 in northern and central Portugal and provide 368 new records from 53 trapping sessions. The data given for 22 bat species expands their distribution and provides new information on ecology and biology for most of the listed species. Ninety of the 368 records are new for the 10x10 km squares.
Key words: Bats, Sites of Community Importance, distribution, Iberian Peninsula, Portugal. 
 Mapas da distribuição das quadrículas onde foi capturado o Pipistrellus pipistrellus.

Resumen: En el Portugal continental están presentes 25 especies de quirópteros. Todas las especies están protegidas por ley (Convención de Berna, Directiva Hábitats, Convención de Bonn y Acuerdo sobre la Conservación de las Poblaciones de Murciélagos Europeos (EUROBATS) y sus refugios están protegidos por la Convención de Berna y por la Directiva Hábitats. En las últimas décadas se ha producido un claro declive a nivel mundial de las poblaciones de quirópteros; esta situación también ocurre en Portugal, donde 9 especies están catalogadas a nivel nacional de amenazadas (En peligro crítico - CR, En peligro - EN o Vulnerable - VU). La información presentada en este artículo es el resultado de los trabajos de campo realizados entre 2009 y 2011 en el norte y centro de Portugal y aporta un total de 368 citas, resultado de 53 sesiones de trampeo. Los datos corresponden a 22 especies de quirópteros y amplían la distribución conocida de la mayoría de ellas en el área de estudio, al tiempo que aportan algunos datos ecológicos y biométricos de las especies catalogadas. Del total de 368 citas, 90 son nuevas citas de especies para cuadrículas UTM 10x10km.
Palabras clave: Quirópteros, lugares de importancia comunitaria, distribución, Península Ibérica, Portugal.
 Mapas da distribuição das quadrículas onde foi capturado o Eptesicus isabellinus.

Para visualizar este artigo clique AQUI

sábado, 7 de abril de 2012

sábado, 17 de março de 2012

Monitorização fotográfica de morcegos

A fotografia é de à muito utilizada como, técnica de registo e de apoio na identificação de características, anomalias ou particularidades de espécies ou indivíduos de morcegos. Contudo, atualmente, a introdução da tecnologia digital tem modificado drasticamente os paradigmas que norteiam o mundo da fotografia. Os equipamentos, ao mesmo tempo que são oferecidos a preços cada vez menores, disponibilizam ao usuário médio recursos cada vez mais sofisticados, assim como maior qualidade de imagem e facilidade de uso. A simplificação dos processos de captação, armazenagem proporcionou uma oportunidade para a monitorização de fauna e em particular para os morcegos.
De entre os vários métodos de monitorização de morcegos, provavelmente a mais recente é a fotografia como método específico de monitorização. Deixo aqui algumas fotos de Rhinolophus ferrumequinum, Myotis myotis e Myotis escalerai, tiradas à saída de uma mina no Concelho de Miranda do Douro.

Todas as fotos deste Post são da Autoria do meu amigo Rollin Verlinde, fotógrafo de natureza e podem ver mais fotos do seu trabalho em vildaphoto.