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sábado, 1 de outubro de 2011

Bem agarradinhos!

O aspecto robusto, típico de sapo, com pupila vertical e umas esporas negras nas patas posteriores (que utiliza para escavar), são as características distintivas do Pelobates cultripes (sapo-de-unha-negra). A sua coloração é muito variável, normalemnte com manchas que formam desenhos sinuosos ou bandas irregulares sobre fundo claro. Com um tamanho que pode ir até aos 12 cm e pode viver até aos 15 anos.

De hábitos crepusculares ou nocturnos, é uma espécie muito terrestre, que apenas utiliza as massas de água para se reproduzir que pode ir desde o Outono até à Primavera, dependendo das condições climatéricas locais. Prefere solos brandos (onde se podem enterrar).
Esta espécie ocorre em toda a Península Ibérica e no Sul da França.

 
Outra particularidade desta espécie é que as larvas podem atingir o tamanho dos adultos (12 cm)






sábado, 30 de abril de 2011

Hyla arborea Vs Hyla meridionalis

Ontem enquanto passava por uma zona húmida, ouvi o coaxar de uma rela-comum, como não via nenhuma já algum tempo, parei e despendi 5 minutos a tentar descobrir onde se encontrava, e lá estava ela no meio dos juncos.

A família Hylidae está representada na Península Ibérica por duas espécies do género Hyla, a rela-comum (Hyla arborea) e rela-meridional (Hyla meridionalis). São duas espécies morfologicamente muito idênticas e têm um comportamento muito semelhante. Face às suas preferências de habitat semelhante, estas duas espécies apresentam uma grande zona de simpatria.

Hyla arborea é uma rã de aspecto frágil, facilmente identificável pela banda negra lateral que percorre todo o corpo desde as narinas à região inguinal.

 Foto de Hyla arborea, promenor da banda escura.
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea
 Foto de Hyla arborea, pormenor do reduzido tamanho que esta espécie pode ter.

Hyla meridionalis assemelha-se à congénere Hyla arborea, mas geralmente são mais robustas e a sua banda lateral escura chega apenas à região axilar.

Foto de Hyla meridionalis, pormenor da banda escura

 Foto de Hyla meridionalis 
 
 Foto de Hyla meridionalis 
 Foto de Hyla meridionalis 
Uma das características sociais mais importantes nos anuros, é a sua comunicação acústica, contudo, este é um dos comportamentos mais exigente em termos energéticos para estes animais.
As vocalizações deste género começam geralmente logo ao pôr-do-sol e podem prolongar-se por várias horas organizados em grandes coros.
Os machos vocalizam usualmente dentro da água, ficando meio submersos, ou posicionando-se em plantas aquáticas (principalmente a Hyla arborea). As fêmeas são atraídas pelas vocalizações, dirigindo-se até um determinado macho, que seleccionada através do tipo de chamamento.
Ao contrário das Hylas arborea, que podemos observar vários machos juntos a emitir vocalizações, os machos de Hyla meridionalis mostram um comportamento territorial durante o chamamento, normalmente mantêm a distância de um metro entre si.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Chioglossa lusitanica

Taxonomia:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Amphibia

Ordem: Urodela

Família: Salamandridae

Género: Chioglossa

Espécie: Chioglossa lusitanica

Nome comum: salamandra-lusitânica

Identificação:

Em adulto tem o corpo delgado com uma cauda muito alongada, ao longo do dorso possui duas listas de cor dourada, acastanhada ou alaranjada que se unem na zona da cauda. A cabeça é pequena e achatada, os olhos proeminentes em posição lateral. O ventre tem uma coloração cinzenta escura com pequenos pontos brancos. Mede entre 120 a 150mm, os membros anteriores possuem quatro dedos e os posteriores possuem cinco dedos. Os machos têm a região cloacal mais proeminente que as fêmeas, especialmente na época de reprodução e de forma geral, as fêmeas têm o corpo mais robusto que os machos. A Larva têm um comprimento de 28 a 50mm, com o corpo alongado com a cabeça achatada e as brânquias pouco desenvolvidas. As larvas recém-eclodidas são pouco pigmentadas, adquirindo uma coloração escura conforme vão crescendo. A época de reprodução ocorre entre Maio e Novembro, conforme a localização geográfica e a altitude.

Espécies similares:

Em Portugal não existem espécies passíveis de serem confundidas com a Chioglossa lusitanica.

Distribuição:

Em Portugal, a espécie apresenta uma distribuição praticamente contínua na zona Noroeste e Centro/Oeste, tendo como limites a Este a Serra da Estrela, a Sul o Rio Tejo, e no Centro/Oeste, as Serras do Buçaco, Lousã e Alvelos.

Habitat:

A Chioglossa lusitanica, está restringida a zonas com um clima suave e com precipitações anuais elevadas, sempre superiores a 1000mm/m2. Geralmente prefere linhas de água corrente com vegetação abundante nas margens e atmosferas saturadas em humidade de sistemas montanhosos e com topografia acidentada Assim como ribeiros com acidez elevada de zonas de baixa ou média altitude, até aos 1000m de altitude (podendo ir até aos 1100m na Serra da Estrela), evitando zonas calcárias e linhas de água contaminadas ou com dureza elevada.

Pode ainda ser encontrada em bosques caducifólios, eucaliptais, tojais e locais rochosos praticamente sem vegetação, junto de linha de água.

Biologia:

Espécie de hábitos crepusculares e nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna durante os dias chuvosos ou nublados. A salamandra-lusitânica suspende a actividade durante o Verão, devido às elevadas temperaturas e baixa humidade do ar, e durante os meses de Inverno, devido às baixas temperaturas.

Reprodução:

A época de reprodução pode variar consoante a região em que se encontra, mas em Portugal parece ocorrer no período compreendido entre Maio e Novembro.

O acasalamento acontece após um complexo comportamento de cortejamento em terra ou em águas pouco profundas. Após o amplexo com o macho, a fêmea deposita entre 12 a 20 ovos num local húmido e protegido. A eclosão ocorre seis a nove semanas após a postura. Para se reproduzirem as Salamandras-lusitânicas, reúnem-se em locais específicos (como por exemplo as minas concavidades naturais nas margens dos cursos de água, debaixo de pedras ligeiramente submersas), caracterizadas por terem paredes rochosas com elevada inclinação, ou mesmo verticais, com elevada humidade e água corrente e limpa, temperatura mais ou menos constante. Os recentes estudos apontam para que as Salamandra-lusitânicas sejam fiéis aos locais de reprodução.

Alimentação:

A alimentação dos adultos é constituída basicamente por insectos, aracnídeos e moluscos de pequenas dimensões. As larvas alimentam-se essencialmente de pequeníssimos insectos aquáticos, moluscos e crustáceos.

Longevidade:

A sua longevidade máxima no meio natural é de 8-10 anos, e atingem a maturidade sexual aos 4 anos de idade.

Curiosidades:

A Chioglossa lusitanica é a única salamandra que tem uma cauda com uma secção circular. Os principais predadores são cobras-de-água, lontras e grandes sapos, enquanto que as larvas são consumidas por cobras-de-água, larvas de libélula e escaravelhos aquáticos.

Ameaças:

A substituição de bosques Atlânticos, por espécies florestais introduzidas limita a distribuição da espécie. A deterioração de habitat pela derivação de água para sistemas de irrigação pode afectar substancialmente esta espécie, assim com a utilização de pesticidas.

Medidas de conservação:

Manter a disponibilidade e qualidade das linhas de água e da vegetação ribeirinha que constituem o seu habitat, manutenção dos locais de reprodução.

Estatuto de conservação:

Espécie endémica da Península Ibérica e único representante do seu género, a nível internacional (IUCN) a Salamandra-Lusitânica encontra-se classificada como “Vulnerável” (VU), bem como em Portugal (LVVP). Faz parte do anexo II da Convenção de Berna e dos anexos BII e B-IV da Directiva Aves/Habitats (DL 140/99 de 24 de Abril).

Referências e Sites:

Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660 pp.

Ferrand de Almeida, N; Ferrand de Almeida, P; Gonçalves, H; Sequeira,F; Teixeira, J & F, Ferrand de Almeida. 2001. Guia FAPAS dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS e Câmara Municipal do Porto. Porto. 249 pp.

Loureiro A, Ferrand de Almeida N, Carretero MA & Paulo OS (eds.) (2008). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 275 pp.

Arntzen, J.W., Bosch, J., Denoël, M., Tejedo, M., Edgar, P., Lizana, M., Martínez-Solano, I., Salvador, A., García-París, M., Gil, E.R., Sá-Sousa, P. e Marquez, R. (2008): Chioglossa lusitanica. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.1.

Teixeira, J., Sequeira, F., Alexandrino, J. e Ferrand, N. (1998). Bases para a Conservação da Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica). Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa



terça-feira, 23 de março de 2010

Hyla arborea

Exemplar registado na Serra de Montemuro (Luís Braz e Joana Medeiros).
Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Super Classe: Tetrapoda
Classe: Amphibia
Sub Classe: Lissanphibia
Ordem: Anura
Sub Ordem: Neobatrachia
Família: Hylidae
Sub Família: Hylinae
Género: Hyla
Espécie: Hyla arborea
Nome comum: Rela-comum

Identificação:
A Larva deste anuro possui o espiráculo situado no flanco esquerdo, membrana dorsal muito alta e que se inicia ao nível dos olhos, bico escuro e olhos relativamente grandes. A coloração é cinzenta esverdeada, com pintas e manchas douradas. O ventre é mais claro e a metade superior da região muscular da cauda apresenta uma banda longitudinal larga e escura ou com duas linhas escuras que se fundem logo no seu início. A cauda termina em ponta afiada e a membrana caudal possui um reticulado negro muito fino.
Adulto de tamanho pequeno, com cerca de 35-45 mm de comprimento. Cabeça mais larga do que comprida, com focinho curto e arredondado. Olhos proeminentes, com pupila horizontal elíptica e íris dourada. Tímpano pequeno mas bem visível. Extremidades anteriores e posteriores com 4 e 5 dedos, respectivamente, terminados em discos adesivos (≈ ventosas) o que lhes permite ter hábitos trepadores (conseguem trepar mesmo nas superfícies mais escorregadias). As patas posteriores possuem membrana interdigital bem desenvolvida. A coloração do dorso pode variar consoante o substrato, a humidade e a temperatura. Geralmente é verde, podendo ser castanha, amarelada ou mesmo azul. Em cada flanco apresentam uma banda escura, com margem branca, que se estende desde o orifício nasal, até à base da pata posterior. O ventre é esbranquiçado ou amarelado.
Hyla arborea de coloração castanha (registo e foto de Paulo Barros).
Espécies similares:
A rela-meridional (Hyla meridionalis), que se distingue da rela-comum pela banda escura lateral que se estende apenas até às extremidades anteriores e pelo canto.
Distribuição:
Encontra-se distribuída por toda a Europa (com excepção da Irlanda, Grã-Bretanha, Noruega, Finlândia e grande parte da Suécia), na zona compreendida entre os mares Negro e Cáspio, e na Ásia Menor. Em Portugal distribui-se por quase todo o território em núcleos populacionais fragmentados, com excepção do sudoeste, onde é geralmente substituída pela sua congénere Hyla meridionalis.
Habitat:
Ocorre em zonas húmidas com abundante vegetação, normalmente nas proximidades de charcos, cursos de água, pântanos, lagos e lagoas.
Biologia:
Espécie de hábitos crepusculares e nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna durante os dias chuvosos ou nublados.
Reprodução:
O período reprodutivo inicia-se na Primavera. Os machos são os primeiros a migrar até aos locais de reprodução e atraem as fêmeas através do seu canto, em coro, sendo muito territoriais. Seguram as fêmeas pelas axilas (amplexo axilar) e a cópula pode durar várias horas. Cada fêmea pode depositar cerca de 400 a 1200 ovos, que formam pequenas massas esféricas. As lavas eclodem poucos dias depois e o desenvolvimento larvar dura 2 a 3 meses. Atingem a maturidade sexual aos 3-4 anos de vida. Os machos apresentam um saco vocal externo muito grande que, quando insuflado, chega a ser maior que o tamanho da cabeça. Quando o saco vocal não está insuflado, podem observar-se pregas cutâneas na garganta.
Alimentação:
As Larvas alimentam-se de matéria vegetal e detritos.
Nos Adultos a dieta inclui invertebrados diversos, nomeadamente aranhas, moscas, formigas, pequenos escaravelhos, percevejos e centopeias.
Longevidade:
A sua longevidade máxima no meio natural é inferior a 10 anos.
Curiosidades:
A rela-comum é mais fácil de ouvir do que observar. O seu canto assemelha-se a um "Crrruuáááá" prolongado.
Ameaças:
Alteração/Destruição/Fragmentação do habitat; Destruição da vegetação ripícola, bem como de locais de reprodução; Intensificação da agricultura, com recurso a pesticidas; Introdução de espécies exóticas; Poluição.
Medidas de conservação:
Manter a disponibilidade e qualidade dos pontos de água e da vegetação ribeirinha que constituem o seu habitat; Assegurar condições de dispersão entre núcleos populacionais.
Estatuto de conservação:
Embora em Espanha seja considerada “Quase ameaçado” (NT), a nível internacional (IUCN) a rela-comum está classificada como “Pouco preocupante” (LC), bem como em Portugal (LVVP). Faz parte do anexo II da Convenção de Berna e do anexo B-IV da Directiva Aves/Habitats (DL 140/99 de 24 de Abril).
Referências e Sites:
Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660 pp.
Ferrand de Almeida, N; Ferrand de Almeida, P; Gonçalves, H; Sequeira,F; Teixeira, J & F, Ferrand de Almeida. 2001. Guia FAPAS dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS e Câmara Municipal do Porto. Porto. 249 pp.
Loureiro A, Ferrand de Almeida N, Carretero MA & Paulo OS (eds.) (2008). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 275 pp.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alytes cisternasii


Em criança, as minhas colecções de autocolantes de banda desenhada (não posso deixar de referir o Dartacão!), cedo foram substituídas pelo coleccionismo de observações de animais. E até agora, permanece o especial interesse em observar “bichos”…que se mexam…
Com a sorte de poder ter experiências profissionais de Norte a Sul do país, sempre anseio um encontro, mesmo que fugaz, com uma criatura diferente. Todas as espécies me encantam, mas não há nada como um primeiro encontro…
Acabada de chegar do Norte, ansiava ver os espécimes “novos” do Sul. Depois de um duro dia de trabalho de campo, já ao recolher da jornada, no Monte da Estrada (Odemira), fui presenteada por um Sapo-parteiro-ibérico. Não foi propriamente um encontro. O meu pai é que o descobriu por baixo de umas pedras. Sempre “teve olho” para “cuscar” a bicharada, provavelmente é daí que vem o meu gosto. Lá estava o belo exemplar, o Cavalo-marinho dos anfíbios…perdoem-me os meus colegas pela aberração que acabei de dizer, mas foi o que me veio à cabeça pelo facto do macho exercer cuidados parentais que habitualmente cabem à fêmea. Tão tímido e discreto como o sabem fazer tão bem os anfíbios. Por momentos apeteceu-me beijá-lo, não fosse às vezes transformar-se em príncipe… mas atempadamente me lembrei que se carregasse com ele filhos machos, poderiam transformar-se todos ao mesmo tempo em muitos príncipes o que seria bem mais complicado do que um só…
Identificação:
Sapo de aspecto robusto, cabeça larga e grande, comparativamente com o tronco que é curto e largo. Olhos grandes, proeminentes, pupila vertical e íris dourada com pigmentação negra. Membros anteriores curtos e robustos com quatro dedos (o quarto é de pequeno tamanho). Possui dois tubérculos palmares bem visíveis. Dorso esbranquiçado ou beje, com manchas mais escuras castanhas, cinzentas ou esverdeadas. Pequenas verrugas avermelhadas ou alaranjadas típicas no dorso, que se podem prolongar até aos olhos.
Espécies similares:
O Sapo-parteiro-comum é uma espécie semelhante. Ao contrário do Sapo-parteiro-ibérico, a sua distribuição em Portugal é praticamente contínua em toda a região Norte e Centro até ao rio Tejo (apresentando distribuição fragmentada numa zona litoral desde o Baixo Vouga até Sintra). Distinguem-se, por exemplo, pelo facto do Sapo-parteiro-ibérico apresentar dois tubérculos palmares e o Sapo-parteiro-comum, três.
Distribuição:
É uma espécie endémica do Centro e Sudoeste da Península Ibérica e em Portugal apresenta uma distribuição praticamente contínua a Sul do rio Tejo (excepto península de Setúbal e pequena orla do litoral algarvio).
Habitat:
Ambientes áridos e quentes, e zonas de baixa e média altitude. Prefere zonas de solos arenosos ou pouco consistentes, habitualmente em zonas abertas e planas.
Reprodução:
Ocorre no Outono e na Primavera, altura em que os machos cantam à noite. Após fecundação, os machos enrolam os cordões de ovos nos membros posteriores. O mesmo macho pode transportar a postura de várias fêmeas. Após 3 semanas de incubação, os machos deslocam-se até uma massa de água e os ovos eclodem de forma sincronizada. As larvas completam a metamorfose em 3 a 5 meses.
Alimentação:
Os adultos capturam presas vivas: formigas, caracóis, escaravelhos e aranhas. As larvas alimentam-se essencialmente de matéria vegetal e de invertebrados aquáticos.
Comportamento:
De hábitos nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna em dias chuvosos ou nublados. Nos meses de temperaturas mais extremas pode permanecer inactivo refugiando-se em buracos escavados por si ou naturais e debaixo de pedras.
Ameaças e medidas de conservação:
As principais ameaças são a alteração e destruição dos habitats onde possa ocorrer a espécie, e a presença de predadores introduzidos. As medidas de conservação passam pela preservação de charcos e ribeiros de pequena e média dimensão.
Dimensões:
Tamanho geralmente inferior a 4,5 cm. As fêmeas alcançam tamanho ligeiramente superior ao dos machos.
Estatuto de conservação:
A nível nacional apresenta estatuto de conservação “Pouco Preocupante”.
Curiosidades:
É conhecido como “parteiro” pelo facto de ser o macho quem transporta os ovos nas costas, até que estejam prestes a eclodir, altura em que os deposita na água. A. cisternasii terá divergido das restantes espécies de Alytes há cerca de 16 milhões de anos.
Referências e Sites:
Pedro Beja, Jaime Bosch, Miguel Tejedo, Miguel Lizana, Iñigo Martínez-Solano, Alfredo Salvador, Mario García-París, Ernesto Recuero Gil, Jan Willem Arntzen, Rafael Marquez, Carmen Diaz Paniagua 2008. Alytes cisternasii. In: IUCN 2009. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2009.2.
Gonçalves, H. (2008): Alytes cisternasii. Pp. 104-105, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M. A. & Paulo, O.S (eds.), Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa.
Ferrand de Almeida, N., Ferrand de Almeida, P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Ferrand de Almeida, F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias Fapas, Câmara Municipal do Porto – Pelouro do Ambiente, Porto.
http://www.iucnredlist.org/
http://forum.netxplica.com/
http://naturlink.sapo.t/

domingo, 3 de janeiro de 2010

Discoglossus galganoi

Discoglossus galganoi Capula, Nascetti, Lanza, Bullini & Crespo, 1985.

Rã-de-focinho-pontiagudo (Pt); Sapillo pintojo ibérico (Es)

Descrição:

A Rã-de-focinho-pontiagudo é na realidade… um sapo. É um Anuro da família Discoglossidae, e a origem do seu nome comum deve-se á sua semelhança com o uma rã. De identificação fácil devido ao seu tamanho médio, entre 4,5cm e 6,5cm; à sua cabeça larga e focinho pontiagudo (relativamente estreito); aos seus olhos salientes de íris dourada na parte superior e pupila arredondada ou em forma de “coração”; à sua mancha pós-ocular geralmente ausente ou quando presente, alarga na parte posterior; à sua pele lisa com verrugas mais ou menos aparentes no dorso, e granulosa no ventre, de manchas negras ou castanhas sobre um fundo acinzentado ou acastanhado; aos membros anteriores robustos, com quatro dedos e três tubérculos palmares, dos quais o interno é o mais desenvolvido. Apresenta uma coloração dorsal muito variável. Os machos têm as membranas interdigitais mais desenvolvidas do que as fêmeas e durante o período de acasalamento, são visíveis as suas calosidades nupciais negras, nos dedos internos das patas anteriores.

O comprimento da larva é de 2,5cm a 3,5cm, o seu espiráculo é ventral, equidistante dos extremos anterior e posterior do corpo. Membrana dorsal baixa. De coloração escura, tornando-se progressivamente clara. Pode apresentar manchas escuras no dorso e na região muscular da cauda. A membrana caudal não tem pontos ou manchas contrastadas, mas apresenta uma trama muito fina e escura quando vista à transparência.

Espécies similares:

Esta espécie é passível de ser confundida com a Rã-ibérica (Rana iberica), mas pode distinguir-se desta pela mancha pós ocular, que diminui de tamanho progressivamente até à parte posterior, enquanto na Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) quando esta mancha está presente, alarga na parte posterior. Também se pode distinguir da Rã-ibérica pela ausência de tubérculos subarticulares, da pupila arredondada ou em forma de coração e dos seus sacos vocais rudimentares.

Distribuição:

È uma espécie endémica da Península Ibérica, limitada a Portugal e à metade Oeste de Espanha. Em Portugal ocorre por todo o país em núcleos relativamente fragmentados, embora ocorra contiguidade entre a maioria destes. Em Espanha apresenta populações abundantes em toda a sua área de distribuição excepto provavelmente, no seu limite nordeste. No seu limite Leste aparentemente é uma espécie parapátrica com Discoglossus jeanneae (Sapillo Pintojo Meridional (Es.). Embora exista um desacordo entre vários autores, em relação a considerar estas como subespécies moderadamente diferenciadas, e não como espécies distintas.

Habitat:

Extremamente tolerante à presença humana, reproduzindo-se frequentemente em meios artificiais, ou alterados devido às actividades antropogénicas, como charcos e canais de rega. Pode ser encontrada maioritariamente nas imediações de massas de água com uma certa cobertura herbácea, como prados e lameiros. Também podendo ser encontrada em lagoas costeiras, uma vez que é tolerante a águas salobras. Ocorre desde o nível do mar até aos 1200m na serra de Montesinho.

Biologia:

Encontra-se activa durante todo ano, mas com menor intensidade nas épocas mais quentes e secas. Durante o dia refugia-se entre a vegetação ou sob as pedras, em substrato muito húmido. O seu período reprodutivo é variável de acordo com a região, mas como na generalidade dos anfíbios está dependente das épocas mais húmidas e, por conseguinte, de maior precipitação, pelo que se estende desde o princípio do Inverno até ao final do Verão. A dieta dos adultos baseia-se em insectos, aracnídeos, moluscos, anelídeos e juvenis da sua própria espécie. O seu principal mecanismo de defesa consiste na fuga, escondendo-se entre a vegetação herbácea ou na água.

Conservação e ameaças:

Classificada a nível internacional, pela IUCN como “Pouco preocupante” (“Least concern”), assim como em Espanha. Em Portugal apresenta um estatuto de “Quase ameaçada” (“Near threatened”).

A fragmentação e destruição dos habitats, quer de reprodução, quer de refúgio, constituem um dos seus principais factores de ameaça, a par da introdução de espécies aquáticas exóticas, predadoras das suas larvas.

Referências e sites:

Ferrand de Almeida, N.; Ferrand de Almeida, P.; Gonçalves, H.; Sequeira, F.; Teixeira, J.; Ferrand de Almeida, F. (2001) “Guias Fapas – Anfíbios e Répteis de Portugal”. FAPAS, Porto.

Cruz, J. M., Ribeiro, R. (2008): Discoglossus galganoi. Pp. 108-109, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A., & Paulo, O.S. (eds) (2008): “Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 257pp.

Livro Vermelho de Portugal

SIPNAT do ICNB

Livro Vermelho Espanha

UICN