terça-feira, 23 de março de 2010

Hyla arborea

Exemplar registado na Serra de Montemuro (Luís Braz e Joana Medeiros).
Taxonomia
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Super Classe: Tetrapoda
Classe: Amphibia
Sub Classe: Lissanphibia
Ordem: Anura
Sub Ordem: Neobatrachia
Família: Hylidae
Sub Família: Hylinae
Género: Hyla
Espécie: Hyla arborea
Nome comum: Rela-comum

Identificação:
A Larva deste anuro possui o espiráculo situado no flanco esquerdo, membrana dorsal muito alta e que se inicia ao nível dos olhos, bico escuro e olhos relativamente grandes. A coloração é cinzenta esverdeada, com pintas e manchas douradas. O ventre é mais claro e a metade superior da região muscular da cauda apresenta uma banda longitudinal larga e escura ou com duas linhas escuras que se fundem logo no seu início. A cauda termina em ponta afiada e a membrana caudal possui um reticulado negro muito fino.
Adulto de tamanho pequeno, com cerca de 35-45 mm de comprimento. Cabeça mais larga do que comprida, com focinho curto e arredondado. Olhos proeminentes, com pupila horizontal elíptica e íris dourada. Tímpano pequeno mas bem visível. Extremidades anteriores e posteriores com 4 e 5 dedos, respectivamente, terminados em discos adesivos (≈ ventosas) o que lhes permite ter hábitos trepadores (conseguem trepar mesmo nas superfícies mais escorregadias). As patas posteriores possuem membrana interdigital bem desenvolvida. A coloração do dorso pode variar consoante o substrato, a humidade e a temperatura. Geralmente é verde, podendo ser castanha, amarelada ou mesmo azul. Em cada flanco apresentam uma banda escura, com margem branca, que se estende desde o orifício nasal, até à base da pata posterior. O ventre é esbranquiçado ou amarelado.
Hyla arborea de coloração castanha (registo e foto de Paulo Barros).
Espécies similares:
A rela-meridional (Hyla meridionalis), que se distingue da rela-comum pela banda escura lateral que se estende apenas até às extremidades anteriores e pelo canto.
Distribuição:
Encontra-se distribuída por toda a Europa (com excepção da Irlanda, Grã-Bretanha, Noruega, Finlândia e grande parte da Suécia), na zona compreendida entre os mares Negro e Cáspio, e na Ásia Menor. Em Portugal distribui-se por quase todo o território em núcleos populacionais fragmentados, com excepção do sudoeste, onde é geralmente substituída pela sua congénere Hyla meridionalis.
Habitat:
Ocorre em zonas húmidas com abundante vegetação, normalmente nas proximidades de charcos, cursos de água, pântanos, lagos e lagoas.
Biologia:
Espécie de hábitos crepusculares e nocturnos, embora possa apresentar actividade diurna durante os dias chuvosos ou nublados.
Reprodução:
O período reprodutivo inicia-se na Primavera. Os machos são os primeiros a migrar até aos locais de reprodução e atraem as fêmeas através do seu canto, em coro, sendo muito territoriais. Seguram as fêmeas pelas axilas (amplexo axilar) e a cópula pode durar várias horas. Cada fêmea pode depositar cerca de 400 a 1200 ovos, que formam pequenas massas esféricas. As lavas eclodem poucos dias depois e o desenvolvimento larvar dura 2 a 3 meses. Atingem a maturidade sexual aos 3-4 anos de vida. Os machos apresentam um saco vocal externo muito grande que, quando insuflado, chega a ser maior que o tamanho da cabeça. Quando o saco vocal não está insuflado, podem observar-se pregas cutâneas na garganta.
Alimentação:
As Larvas alimentam-se de matéria vegetal e detritos.
Nos Adultos a dieta inclui invertebrados diversos, nomeadamente aranhas, moscas, formigas, pequenos escaravelhos, percevejos e centopeias.
Longevidade:
A sua longevidade máxima no meio natural é inferior a 10 anos.
Curiosidades:
A rela-comum é mais fácil de ouvir do que observar. O seu canto assemelha-se a um "Crrruuáááá" prolongado.
video
Ameaças:
Alteração/Destruição/Fragmentação do habitat; Destruição da vegetação ripícola, bem como de locais de reprodução; Intensificação da agricultura, com recurso a pesticidas; Introdução de espécies exóticas; Poluição.
Medidas de conservação:
Manter a disponibilidade e qualidade dos pontos de água e da vegetação ribeirinha que constituem o seu habitat; Assegurar condições de dispersão entre núcleos populacionais.
Estatuto de conservação:
Embora em Espanha seja considerada “Quase ameaçado” (NT), a nível internacional (IUCN) a rela-comum está classificada como “Pouco preocupante” (LC), bem como em Portugal (LVVP). Faz parte do anexo II da Convenção de Berna e do anexo B-IV da Directiva Aves/Habitats (DL 140/99 de 24 de Abril).
Referências e Sites:
Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza. Lisboa. 660 pp.
Ferrand de Almeida, N; Ferrand de Almeida, P; Gonçalves, H; Sequeira,F; Teixeira, J & F, Ferrand de Almeida. 2001. Guia FAPAS dos Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS e Câmara Municipal do Porto. Porto. 249 pp.
Loureiro A, Ferrand de Almeida N, Carretero MA & Paulo OS (eds.) (2008). Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 275 pp.

domingo, 21 de março de 2010

Lista Vermelha de Invertebrados

Libellula quadrimaculata, espécie classificada como LC (Least Concern) segundo a nova Lista Vermelha de Odonatas


No Ano internacional da Biodiversidade a IUCN, acaba de publicar a Lista Vermelha de Odonatas, Lepidopteros e Coleopteros, que se vão juntar às já publicadas Listas Vermelhas de Mamíferos, Anfíbios e Répteis.

domingo, 14 de março de 2010

Vamos lá acordar !!!

Foto tirada a 09/03/2010 no Vale do Tua.


Réptil, do latim reptum, (“rastejar”), é o nome atribuído a esta Classe de organismos. São animais ectotérmicos, ou seja, não são capazes de controlar a sua temperatura corporal e utilizam fontes externas de energia para manter essa temperatura. Deste modo os répteis (e outros) geralmente ficam inactivos quando não há energia térmica, seja ela proveniente directamente do sol ou indirectamente, através do calor que as rochas, solo ou água emanam após serem aquecidas pelo sol.

Após um Inverno rigoroso, a Primavera aproxima-se e nos vales mais encaixados os primeiros raios de sol “acordam” muitas espécies termófilas que se encontravam “adormecidos”, o que aconteceu com esta Tarentola mauritanica, que a semana passada não se fez rogada em aproveitar as horas de maior calor.

terça-feira, 9 de março de 2010

Psammodromus algirus

Identificação:
A Lagartixa-do-mato-comum é uma lagartixa de tamanho médio que pode atingir os 30cm de comprimento total. Possui uma cabeça alta e de aspecto robusto, e ausência de colar. O seu dorso e flancos são predominantemente acastanhados, com duas linhas dorsolaterais amareladas ou esbranquiçadas. A zona de inserção das patas posteriores e as faces laterais da cauda apresentam tonalidades alaranjadas. Junto às axilas, sobretudo nos machos, pode apresentar entre 1 e 9 manchas azuladas. A sua coloração ventral é esbranquiçada ou bege.
O seu dimorfismo sexual é evidente sobretudo ao nível da coloração, durante a época de reprodução. Assim, durante o acasalamento os machos apresentam frequentemente tonalidades alaranjadas ou avermelhadas (podendo também ser amareladas) na zona da garganta e lados da cabeça. As fêmeas possuem linhas dorsolaterais mais contrastadas do que os machos, e os exemplares mais velhos podem mesmo ser uniformes. Os machos, para além de terem uma cabeça mais larga, são de um modo geral mais robustos.
Juvenil
Os juvenis possuem um aspecto muito semelhante ao dos adultos, no entanto, apresentam uma coloração alaranjada mais intensa, na zona de inserção da patas posteriores e nas faces laterais da cauda, e podem apresentar linhas dorsolaterais menos contrastadas.
Espécies semelhantes:
Pode ser confundida com a Lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica) e com a Lagartixa-do-mato-ibérica (Psammodromus hispanicus), mas a Lagartixa-do-mato-comum é de maiores dimensões e mais robusta dos que estas. Diferencia-se da Lagartixa-ibérica por possuir escamas carenadas e pontiagudas. Distingue-se da Lagartixa-do-mato-ibérica por não possuir um colar, e sobretudo através do padrão de coloração. Pode também ser confundida com a Lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) quando observada fugazmente (como foi referido pelo Emanuel Ribeiro).
Distribuição:
A sua distribuição mundial abrange a Península Ibérica (excepto na faixa Norte) e o Sudoeste de França, assim como a maior parte de Marrocos, Norte da Argélia e Noroeste da Tunísia. Em Portugal, encontra-se por todo o território excepto na área contida entre as encostas Ocidentais da serra do Alvão e as bacias inferiores dos rios Lima, Cávado, Ave e Douro, incluindo uma estreita faixa litoral entre o rio Douro e a ria de Aveiro.
Habitat:
Pode ocorrer numa grande diversidade de habitats, encontrando-se particularmente associada a locais com cobertura arbustiva mais ou menos densa, na qual, os indivíduos desta espécie podem ser observados a refugiar-se (esconder-se) rapidamente.
Biologia:
Pode encontrar-se activa desde Março (Primavera) até Outubro (Outono), nas áreas mais quentes pode encontrar-se activa durante todo o ano, sobretudo os juvenis. A sua reprodução ocorre geralmente entre Abril e Julho. Os nascimentos dão-se entre Agosto e Outubro. A maturidade sexual é atingida no primeiro ou segundo ano de vida, e pode alcançar uma longevidade de 5 a 7 anos.
Dimensões:
Pode atingir aproximadamente 9cm de comprimento cabeça/corpo.
Curiosidades:
Os seus principais mecanismos de defesa consistem na fuga através de capacidades trepadoras notáveis e libertação voluntária (autotomia) da cauda. É uma espécie que emite sons, cuja finalidade ainda não é conhecida, no entanto, quando capturada e/ou aprisionada, em mão, pode emitir um “grito” (de baixo volume) sibilante e estridente (informação pessoal).
O exemplar (macho) da foto foi registado na aldeia de Brunhoso, em Mogadouro, na “margem” do Sabor, em 21/05/09.
Conservação e ameaças:
A fragmentação do habitat associada à urbanização, instalação de culturas intensivas e as operações sistemáticas de desmatação em geral, estão a contribuir para a redução da densidade populacional e da capacidade reprodutiva desta espécie.
Estatutos de conservação:
Possui um estatuto de “Pouco Preocupante”, quer a nível internacional (IUCN), quer em Portugal e Espanha.
Referências e sites:
Almeida, Ferrand de N., Almeida, Ferrand de P., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J., Almeida, Ferrand de F. (2001). Anfíbios e Répteis de Portugal. Guias FAPAS. Porto. 249pp.
Carretero, M. A. (2008): Psammodromus algirus. Pp 156-157, in: Loureiro, A., Ferrand de Almeida, N., Carretero, M.A., & Paulo, O.S. (eds) (2008): “Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal”. Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa. 257pp.